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Jornalismo sabujo

"As novas gerações de jornalistas brasileiros estão sendo desnutridas, dia a dia, de senso crítico e capacidade de contestação. A cobertura do depoimento do delegado Protógenes Queiroz gerou uma série de matérias absolutamente iguais, senão no conteúdo, na intenção. Ao ler os jornais no dia seguinte ao depoimento, tive a súbita sensação de ter participado de outro evento, embora tenha estado, por muitas horas, no mesmíssimo plenário do corredor das comissões da Câmara dos Deputados. Com pequenas variações sobre o mesmo tema, a mídia centrou-se deliberadamente no fato de Protógenes ter se negado a responder perguntas que não tivessem relação com escutas ilegais, objeto da CPI dos Grampos. O delegado negou-se a cair numa ratoeira preparada à luz do dia, enfeitada por um powerpoint de concepção primária, mas acabou, como de costume, condenado por isso. Perdeu-se, na bacia das alminhas pequenas das pautas pré-concebidas, a chance de contar uma boa história, dessas das quais são feitas o bom jornalismo. Restou aos leitores uma narrativa insossa e mal humorada, resultado da crescente burocratização da reportagem brasileira".

. Do blog de Leandro Fortes (repórter da revista Carta Capital)

PS: A constatação é cruel, mas desgraçadamente, verdadeira. Quem é do ramo e vem de um tempo em que o jornalista tinha, por dever de ofício, que ler, se informar e se guiar dentro de parâmetros rigorosamente éticos, se assusta com o que vê nas redações. A questão ética a que se refere Fortes nem está diretamente ligada ao caráter do profissional, está sim, vinculada a um processo de despolitização que atinge toda uma geração de profissionais de variadas áreas. Isso é grave, gravíssimo.

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