4 de outubro de 2010

Que a democracia diga, amém!

Ouvi de um tucano irado hoje a tarde a seguinte baboseira: "Manipularam as pesquisas para travar o Serra, lançaram e endeusaram a Marina para impedir o crescimento de Serra".
Antes, eu já tinha ouvido de um eleitor de Dilma, advogado enfronhado na política e portanto, teoricamente entendido do riscado:"A Dilma só não ganhou no primeiro turno porque a Marina entrou para atrapalhar, fazer o jogo da direita e da imprensa golpista".
A democracia é linda por causa disso, do incentivo à discussão, às análises disparatadas, a emissão de conceitos desfocados da realidade.
Só quem não conhece a trajetória de Marina Silva imagina que ela foi para a campanha com o propósito de impedir que Serra crescesce ou evitar a vitória de Dilma no primeiro turno.
Uma bobagem atrás da outra, mas é da democracia. Não creio que ela venha a declarar apoio a Serra agora, porque isso seria abalar a sua credibilidade , arranhar o seu histórico de coerência. Mas seja como for, ela já está na história da política brasileira como a mulher que evitou que a população desse um cheque em branco para a candidata oficial, que, não tenham dúvidas, deverá ser a vencedora em 31 de outubro.
Houve uma onda verde nessa reta final, mas devido ao encantamento que a postura serena e firme de Marina ensejou, essa é a verdade. Sobre as razões dessa onda verde, fico com a análise do jornalista Luiz Carlos Azenha, que achei muito interessante. Diz ele em seu blog Vi o Mundo:


"Sinceramente, não acredito que essa onda se deva apenas à sórdida campanha movida por religiosos católicos e evangélicos contra a candidata governista.

Isso jamais renderia a Marina Silva mais de 18 milhões de votos!

Por dados anedóticos, colhidos aqui e ali, é possível notar que Marina respondeu a uma aspiração dos jovens, que se mostraram fartos com a polarização PT/PSDB.

Se assim for, a proposta do presidente Lula de promover a campanha em seus termos, ou seja, num confronto bipolar, fracassou nas urnas neste domingo".

Convenhamos que a polarização no primeiro turno da forma como as duas forças principais tentaram fazer, é prejudicial à democracia. O segundo turno é indispensável, até para poder legitimar o eleito e para que ele tenha o aval de um número realmente expressivo de eleitores. Ganhe Dilma ou ganhe Serra - eu particularmente acho que dá Dilma - o próximo presidente estará ungido pela esmagadora maioria da população brasileira, que depois de dar o voto da emoção no primeiro turno, dará o da razão no segundo.
E viva a democracia, que apesar da rima, não combina com hipocrisia e nem com
Idiossincrasia. Mas que ela diga, amém!

Um comentário:

Julio Neves disse...

Qual é a "sórdida campanha movida por religiosos"? Tirando o tal "nem Cristo tira minha eleicao", tudo é verdade.