13 de agosto de 2011

Valei-me São Serapião!

Li certa vez um artigo de uma cientista política, se não me engano, Ana Maria Barbosa, em que ela sustentava: esse negócio de maioria no Congresso Nacional é puro mito. Quem garante os dois terços + 1 não é a composição de uma robusta bancada pelo governo, mas a habilidade do governante em "negociar" para ter (ou manter) uma base aliada.
Isso é histórico, vem de longe, do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Mas o que desespera a gente, é constatar que a prática é eterna, que uma vez entortada a boca pelo uso excessivo do cachimbo, já era...adeus correlação de forças eticamente responsável.
Agora vejo que independe de quem esteja no Palácio do Planalto, o toma lá dá cá acontece pra valer. Uns mais, outros menos, todos os presidentes acabam reféns do fisiologismo que permeia o ambiente da Câmara e do Senado. Evidente que quando o chefe de estado é propenso ao fisiologismo, a coisa se agrava. Mas todos,indistintamente, acabam sucumbindo à prática nefasta do "ou dá ou desce". Collor não é uma referência recomendável, posto que surfou na onda da corrupção e nela morreu afogado, mas o fato é que, mesmo elle teria se segurado caso seu olho fosse menos gordo do que realmente era. Lula chegou ao poder como vestal. Não deu outra, não se sustentou como o paladino da moralidade que o país imaginava ser o ex-líder metalúrgico. Agora é Dilma. Ela tenta se equilibrar no fio da navalha, manda bala, agita a vassoura (que está longe de ser a mesma do Jânio), mas não dá mais segurança de que vá se segurar ante a ameaça da "base aliada" de tirar-lhe o apoio.

É da lei da gravidade: ninguém consegue ficar lá em cima, sem sustentação aqui embaixo. Um dia quem sabe, apareça um homem, ou uma mulher aranha, para se garantir na parede da moralidade pública, firme e forte, ainda que lhe tirem a escada.
Infelizmente, a presidente Dilma emite seus primeiros sinais de fraqueza ante o rolo compressor. Esperem um pouco só e veremos deputados escancarando suas bocas cheias de saudáveis dentes,ante a reabertura das burras, com fartas liberações das emendas parlamentares que a presidente Dilma tenta segurar.
Ô Balestra, permita-me chamar a proteção de São Serapião!

Um comentário:

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Acedo a tudo aqui dito e messiasmente bem dito, bendit'o rogo ao “nosso” São Serapião, protetor dozórfos, qu’ somos, ‘stamos e continuamos. Entre quem entre, saia quem caia, de saia, com ou sem azagaia. Fiquemos d’ atalaia... que chiclete cola na sola.
abs