17 de outubro de 2011

O pecado da generalização

"Se estivessem na escola, alguns seriam reprovados. Se fosse uma empresa, outros seriam demitidos’. O Jornal O Diário publicou ampla reportagem sobre o nível dos nossos vereadores. Matéria até interessante, mas falha no sentido de que destaca o lado irrelevante da atuação política: a escolaridade, a qualificação técnica e a indumentária. Claro que esta legislatura é pior do que a pssada, que era pior do que a anterior, e por aí vai retroagindo.
O problema maior nem reside tanto na falta dos predicados apontados, reside sim no caldo de cultura que vem, ao longo dos anos, desqualificando o exercício do mandato parlamentar. A Câmara Municipal é o primeiro espelho em que a sociedade deve se olhar. E se olhando, verá que é a grande responsável pelo baixo nível da atividade política como um todo. Se a cidade de Maringá elegeu vereadores fracos é porque pouca importância seus habitantes têm dado à política partidária, se escondendo atrás da falsa concepção de que política é coisa suja.

Sendo assim, poucos serão os homens preparados (e probos) a se aventurarem pela difícil tarefa de conquistar votos. Boa parte das pessoas vota por ser o voto obrigatório. Há outra parcela que vota em troca de favores. Não nos esqueçamos que é grande também o número de eleitores que acham que o vereador tem que trabalhar como despachante, como um prestador de serviços ao reduto que o elegeu.

Poucos se dão cconta de que é a Câmara Municipal, o primeiro degrau da escala do poder político do país e que se cada um de nós não lutarmos para eleger os melhores da nossa comunidade, acaberemos nos responsabilizando também pela decadência política, técnica, moral e ética nas outras esferas.

A democracia, como já se cansaram de falar e escrever os admiradores de Winston Churchill , é o pior regime, com excessão de todos os outros. Mas este nivelamento por baixo só será revertido no dia em que o eleitor levar a política a sério e não se importar com o mandato de um vereador apenas quando seus interesses paroquiais estiverem em jogo.

Não cometamos, pois, o pecado da generalização. Temos bons e maus representantes no município, no estado e na união. Mesmo no caso da nossa tão criticada Câmara Municipal de Maringá, pegar os 21 vereadores e colocar todos no mesmo saco, é um um erro gravíssimo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Li essa reportagem do diário, e é simplesmente uma idiotice. Mais adiante, nesse jornaleco de segunda categoria, aparecem umas consultoras de "moda"e uma de RH.Chegaram ao cúmulo da futilidade de fazerem um "ranking"dos mais bem vestidos, com comentários do tipo"a Humberto Henrique se veste bem, mas a ponta da gravata poderia ficar melhor..."Essa reportagem é o retrato dessa elite caipira de Maringa.

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Também acho, Messias.

No caso maringaense poder-se-ia colocá-los sim em sacos diferentes; à noite o caminhão público que sempre passa os recolheria.

LF Cardoso disse...

Caro Messias

Não concordo com a colocação sua de que legislaturas anteriores foram melhores do que esta, atual. Sou mais da opinião do Milton Ravagnani, no sentido de que essa legislatura, apesar de eventuais stripteases, melhorou e muito em relação à última com 21 cadeiras.

Bom, mas não foi por esse motivo que resolvi deixar meu comentário. Na minha opinião, o amigo poderia assumir a postura de não aceitar comentários anônimos, que partem de covardes que não têm coragem de assinar o que escrevem. Quando todos nós, jornalistas/blogueiros, pararmos de aceitar o anonimato, a qualidade do conteúdo postado na web certamente melhorará.

Forte abraço!