7 de julho de 2013

O drama nosso de cada dia

Não há médico suficiente para um atendimento pelo menos razoável em algumas especialidades. Na ortopedia, onde a demanda é enorme,a situação é de caos. Pior só a neurologia, onde o risco de morte é iminente em muitos casos. Mesmo naqueles mais graves, onde os pacientes se veêm em situação quase irreversível, a urgência esbarra nas extensas listas de espera da central de leitos, que vive tropeçando na ineficiência de um sistema criminosamente relapso.
Não estou aqui para falar de dramas pessoais, porque essa não é uma postura ética recomendável a um jornalista que tem um mínimo de consciência do seu papel social. Mas nos últimos dias, tenho me deparado com alguns dramas familiares, que deixam de ser pessoais na medida em que constato, in loco, a barra que é precisar de uma cirurgia urgente, de alta complexidade. Agora mesmo estou às voltas com um cunhado que sofre com um coágulo no cérebro,mas apesar da família ter procurado o Ministério Público na sexta-feira, ele continua no Hospital Municipal, cada vez com menos chance de vida.
É desumano assistir a tanto sofrimento sem que nada pareça ser possível fazer. Sei que o Ministério Público da Saúde tem uma atuação firme nessa área, mas pouco pode resolver se o sistema de monitoramento de leitos não dá conta da demanda. No caso específico do meu cunhado, que para piorar a situação é epilético e já teve um avc hemorrágico anterior a esse, a expectativa da família é que a situação se resolva amanhã logo cedo, sob pena de ter que gritar a todo pulmão, para que a central de leitos se mexa e consiga uma vaga para a cirurgia de emergência, enquanto é tempo. Se houver tempo.

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