29 de agosto de 2013

Nada de se estranhar

Pelo jeito sobra dinheiro na Prefeitura de Maringá. Segundo a resposta ao requerimento 2167 da câmara municipal, a administração devolveu à Caixa Econômica Federal mais de R$ 1 milhão que a fundo perdido deveriam ser investidos na melhoria de corredores de transporte coletivo na avenida Brasil. O projeto aprovado pela CEF e pelo BID na administração passada, quando Carlos Roberto Pupin era prefeito, em 2012, iria priorizar o coletivo sobre o individual, mas devido a interferências políticas dos proprietários de um loteamento faraônico na área do antigo Aeroporto Gastão Vidigal, o recurso foi propositalmente perdido. A turma envolvida – onde um dos proprietários é supostamente oculto, mas todos sabem quem é – manda em muitos políticos de Maringá.

. Blog do Rigon

Meu comentário: nada de se espantar, principalmente se considerarmos que em 2004 o prefeito João Ivo teve que ir às  pressas a Brasília para evitar que no último dia do ano os R$ 43,8 milhões destinados ao rebaixamento da linha e construção da supervia (Avenida Horácio Racanello) no novo Centro fosse mandado para Camaçari. Havia um deputado de Maringá, vice-líder de FHC e depois de Lula, que movia céus e terras para travar a verba, sabe-se lá por quais razões. 

Nossas desculpas, em nome dos imbecis


28 de agosto de 2013

Alguém tem razão na casa que falta pão?





A carência de médicos,  potencializada pela falta de uma política de estado para a saúde é grave. Mas tão grave quanto é o bisturi ideológico , corporativista e meio xenófobo, da Associação Médica Brasileira e alguns conselhos regionais de medicina
                                                                 Messias Mendes

Saúde não pode ser programa de governo, mas política pública de estado, porque os governos mudam,  o estado, não. A falta de médicos nas regiões mais pobres do país não é de agora, porém só agora o governo federal decidiu encarar a situação de frente. E o faz num rompante, atropelando  a lógica de um mercado de trabalho muito complicado. Poucas categorias profissionais são tão corporativistas quanto a categoria médica  e por isso, mexer com ela  é cutucar a onça com vara curta. Mas como disse um  amigo reumatologista, “esse é o tipo do episódio da casa que falta pão, onde todos brigam  mas ninguém tem razão”.
Precisamos de médicos? Precisamos, sim senhor. O Brasil tem medicina de ponta, mas  falta médico lá na ponta. Pressionado pela realidade dos fatos, o governo brasileiro, então, achou uma saída. Não chega a ser a pedra  filosofal, mas é uma tentativa válida de resolver o problema. Ao anunciar sua intenção de importar médicos,  abriu vagas em vários rincões do país , para médicos brasileiros que, reconheça-se,  não se mostraram interessados nesse processo de descentralização, apesar do nada desprezível salário de  R$ 10 mil.
A presidente Dilma Rousseff, até usando como referência países desenvolvidos que são grandes importadores de médicos, “mandou ver”  no programa MAIS MÉDICOS, via medida provisória. Pouco se deu conta de que mexia num poderoso vespeiro. Resultado: a Associação Médica Brasileira   passou a torpedear a importação, de maneira aberta e pouco republicana. Pior: elegeu os médicos cubanos como inimigos número um do país, até com ameaça de chamar a polícia.
Os médicos brasileiros, que falam grosso pela sua associação nacional e alguns conselhos regionais    sentem-se  ofendidos porque o governo resolveu  trazer profissionais de outros países para ocupar as vagas que os daqui não quiseram.  E meio que na marra, quase  a fórceps, o Ministério da Saúde tirou o programa da gaveta, trazendo médicos argentinos, espanhóis, portugueses e cubanos, entre outros. Mas os cubanos são malditos, podem ser presos porque a AMB , com seu bisturi ideológico, não os aceita.
Por que será? Todo mundo sabe que a medicina cubana é referência mundial em várias especialidades. Os médicos cubanos são bem formados, tanto que Cuba exporta seus profissionais, até na fase de residência, para vários países, principalmente do Oriente Médio  e da África.
O discurso da classe (conceito de classe à parte, não tem como negar que os médicos são uma classe) é de que não falta médico no Brasil, faltam condições de trabalho. Verdade incontestável  essa. E para  municípios pequenos que não oferecem boas condições de trabalho  médico nenhum quer ir. Estão os médicos errados? Claro que não. Escolher onde morar, onde trabalhar, onde viver, é uma prerrogativa do cidadão livre. Mas a prerrogativa não justifica  a sabotagem, muito menos que os interesses corporativos podem servir de pretexto para  fazer refém um  sistema público enfermo.
 Em países desenvolvidos como Inglaterra e  Estados Unidos, suprir de médicos as comunidades mais distantes dos grandes centros urbanos já faz parte de uma agenda social de estado e não apenas de governo.
Alguém poderia imaginar carência de médicos no Reino Unido, nos EUA e países escandinavos, caso da Noruega, por exemplo? Mas a carência existe de fato. Como de fato, aqui a carência é bem maior, como grande também, é o apego à zona de conforto em que a esmagadora maioria dos médicos se encontra.
Claro que o programa MAIS MÉDICOS não busca milagre e nem altruísmo nos profissionais, posto que “curar é finalidade secundária da medicina, se tanto”, na avaliação do engajado Dráuzio Varela. O que o país precisa  mesmo, e isto acredita-se que os “importados” trarão,   é  uma postura mais humanista, diante da cruel realidade do SUS. 
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. Este artigo foi publicado na página 2 do O Diário do Norte do Paraná, edição de 27/08/2014

27 de agosto de 2013

Cada um com seu "calcanhar de Aquiles"

PT e PSDB terão muito que falar um do outro e muito que se defender outro do um na disputa eleitoral do ano que vem. O tucanato vai repisar o “mensalão” para tentar desconstruir a presidente Dilma, embora o PT disponha do próprio “mensalão” , como arma poderosa de contra-ataque. Afinal, o personagem Marcos Valério surgiu para o mundo da corrupção no governo mineiro do tucano de Eduardo Azeredo.
No plano estadual, o governador Beto Richa terá que se explicar no palanque eletrônico sobre, por exemplo, o boicote à CPI dos pedágios e o corte das verbas das IES para inflar o balão da propaganda. Sua principal adversária, a ministra Gleisi Hoffmann, tem agora o seu “ calcanhar de Aquiles”. Atende pelo nome de Eduardo Gaiervski. Não por acaso o governador monitora pessoalmente a operação de caça ao ex-prefeito tarado de Realeza, petista e recém exonerado do Gabinete Civil da Presidência da República.
Quem deve estar se divertindo com a situação é o senador e pré-candidato ao governo estadual, Roberto Requião. O desgaste é grande para PT e para PSDB, embora as pesquisas mostrem que a presidente Dilma está blindada, e muito bem blindada.
Mesmo assim, Marina Silva é beneficiária direta dessa guerra de babuínos. A partir do momento em que resolver o imbróglio da legalização da Rede, tem tudo para decolar e se viabilizar, definitivamente, como postulante fortíssima à Presidência da República. E aí, adeus Aécio Neves, bye, bye Serra.

26 de agosto de 2013

Eles vieram tirar o sono de quem não os deixam dormir



Quem são os Black Blocs? Para a polícia e a grande imprensa, são vândalos e drogados, marginais que ganham o asfalto para quebrar tudo e afrontar o establishment. Mas cientistas políticos sintonizados com a dialética dos movimentos sociais preferem enxergá-los como ativistas que, valendo-se de táticas anarquistas, procuram destruir os símbolos do capitalismo e afrontar o poder do Estado .
Seus rostos são cobertos por tocas e seus peitos, até aqui de mágoa, tentam se vingar da violência da polícia nas periferias, principalmente nos confrontos com os sem teto ou mesmo com o crime organizado, cujas balas perdidas atingem exatamente as vítimas  da desigualdade.
A Veja tem sido alvo da fúria dos Blakc Blocs , porque na visão deles a revista se esmera na criminalização dos movimentos sociais, principalmente daqueles que saem às ruas para gritar contra a violência do Estado. A deturpação das suas bandeiras pela grande mídia, faz desses neo-anarquistas  grupos de “manifestantes enfurecidos”, que incomodam, ameaçam, assustam.
Quem são eles? De onde vêm? Segundo apurou o portal Brasil de Fato, são  oriundos de bairros pobres e periféricos, em sua maioria trabalhadores e estudantes que convivem diariamente com a insegurança. Estão ali “por um motivo muito claro que é a luta contra o símbolo do capital, visando proteger aqueles que se propõem a ir contra o capitalismo”. E então, passam uma mensagem ainda mais clara: “Aqui ninguém manda e ninguém obedece. Destruímos bancos porque eles servem ao capitalismo. Eles geram miséria, ódio, tristeza e desavença na população”.

24 de agosto de 2013

Cicatrizante para o corte do bisturi ideológico

A propósito da resistência da Associação Médica Brasileira aos médicos que estão vindo de fora, principalmente os cubanos, contra os quais pesa o bisturi ideológico da AMB, reproduzo aqui o juramento de Hipócrates, considerado o pai da medicina: 

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.

Relatório Figueiredo joga luz sobre os becos escuros do regime militar



O Relatório Figueiredo, redescoberto agora , incendeia o debate a cerca das atrocidades do Regime Militar que  a elite brasileira queria esquecer. Mostra para o país, enfim, que a crueldade daquele período negro da história recente do Brasil, não se limitou a fazer vítimas os inimigos do regime. Vítimas maiores das atrocidades foram os índios. De acordo com o relatório produzido pelo procurador Jader Figueiredo, que faleceu num misterioso acidente de ônibus, foram promovidos verdadeiros massacres das populações nativas para que se roubassem suas terras. Os métodos de torturas foram os mais cruéis possíveis, como  mostra esse pedaço de uma das 7 mil páginas do relatório: 

23 de agosto de 2013

Os "Black Boc" avançam nos grandes centros


O grupo “Black Boc” cresce feito massa de bolo nas grandes cidades brasileiras. Neste momento, estão concentrados  o no centro de Curitiba. A polícia fica de prontidão, prevendo o confronto. Os organizadores da passeada dos “mascarados” divulgaram hoje pelas redes sociais uma mensagem para ser lida e absorvida pela tchurma, que se diz de inspiração anarquista. Diz mais ou menos o seguinte:
“Todos já devem saber qual é a nossa posição atual.
Havendo uma ação da polícia de forma truculenta, tomaremos atitudes dos nossos caros europeus que tanto nos inspiram.
Anti-Multinacionais (Bancos principalmente). Empresas que lucram com a desgraça alheia.
Anti-governamental.
Anti-repressores.
Aos que vão estar na linha de frente, alguns exemplos para o que levar no dia:
(Algumas medidas só serão utilizadas após algum ato opressivo)
#Tábuas de madeira, qualquer tamanho e espessura, para que sejam usadas como escudo.
#Luvas de pedreiro ou de cozinha, para a manipulação das bombas de gás, atiradas pelo orgão opressor;
#Latas de tinta spray nas cores preta ou vermelha;
#Garrafas com água potável;
#Óculos de natação;
#Apoio moral;
# E estejam bem alimentados.
Contamos com todos os Black Bloc e simpatizantes”.

22 de agosto de 2013

Veja o que anda tirando o governador do seu eixo



Corre pelos corredores do Palácio Iguaçu boatos de que  o governador Beto Richa anda soltando fogo pelas ventas com os resultados da pesquisa publicada na Gazeta do Povo esta semana. O motivo nem é tanto seu desempenho, que não anda lá essas coisas, mas o fato dele perder para o seu secretário Ratinho Júnior na região metropolitana de Curitiba.
Outro motivo de preocupação para o governador é a provável candidatura de Requião, que nos debates eleitorais costuma deixar seus adversários em situações muito desconfortáveis.
Como aborrecimento pouco é bobagem, quando a campanha chegar o governador vai se ver com a comunidade acadêmica do Estado por causa do corte de R$ 19,5 milhões que fez nos orçamentos das universidades. Em discurso na Assembleia Legislativa o deputado  Ênio Verri já deu o recado do PT:“O governo chama de remanejamento orçamentário. Na prática, significa que estão tirando recursos previstos para gastar nas universidades para gastar na E-Paraná. Isso é muito sério, nós estamos falando do futuro do Paraná. Sem ensino, sem pesquisa, sem inovação, não tem avanço na ciência, não tem desenvolvimento. O Paraná chegou onde está em razão das nossas universidades. O que está acontecendo é um retrocesso que ficará marcado na história do nosso estado”.
Em tempo: quando Verri fala na E-Paraná, referindo-se à TV Educativa, leia-se, gastar em propaganda.