10 de outubro de 2014

Que os erros de agora não apaguem os de outrora


O pastor Everaldo abraçou com muito entusiasmo a candidatura Aécio no segundo turno. E como sinal de agradecimento, Aécio se derreteu no abraço ao candidato nanico, que no primeiro turno defendeu com todas as suas forças o estado mínimo. Por ele, privatizaria tudo, deixaria quase nada para o Estado administrar. O tucanato não chega a tanto, mas a julgar pelo fato de que o todo poderoso da economia num eventual governo Aécio será Armínio Fraga, dá pra imaginar o que aconteceria com as políticas compensatórias implementadas a partir de 2003.
Basta ver que a elite brasileira, principalmente ligada ao agronegócio, brilha os olhos quando fala em Aécio, apesar de que nunca um governo beneficiou tanto o andar de cima como o do PT. É apropriado sim dizer que Lula foi o pai dos pobres e mãe dos ricos. Que o diga a generosa política de liberação de recursos públicos para a iniciativa privada via BNDES.
Se é assim, como compreender a PTfobia? Como entender tanto ódio, explicitado nas redes sociais e em adesivos com a frase “Fora Dilma”, que se vê por aí em carrões de luxo?
Ah sim, o problema é a indignação com a corrupção endêmica que o PT acabou potencializando via escândalos mensalão e Petrobrás? Vendo a coisa por esse ângulo, os PTfóbicos tem razão. Minha indignação também é grande, principalmente porque se algum partido não podia se fartar desse caldo de cultura era justamente o PT que , até chegar ao Poder, era uma espécie de vestal da política brasileira.
Não dá pra suspeitar, por exemplo, das críticas duras que fizeram e fazem contra o PT e contra Lula, referências éticas tipo Hélio Bicudo e Plínio de Arruda Sampaio (que Deus o tenha). Mas também não dá pra fechar os olhos e tampar os ouvidos para escândalos da era tucana de Fernando Henrique, caso da compra de votos na Câmara Federal para a emenda da reeleição; para a venda, a preço de banana, da Companhia Vale do Rio Doce, dada quase de presente a um grupo privado liderado pelo megaempresário Benjamim Steinbruch.
Ora, ora, não dá para simplesmente ignorar as privatizações de bancos estaduais (vide exemplo Banestado).E também não dá pra isentar a mídia que, simplesmente, ignorou o lançamento e o sucesso editorial do livro sobre a privataria tucana do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Júnior.
Já que perguntar não ofende, porque será que os jornalões passaram ao largo de escândalos como o da lista de Furnas, do “mensalão mineiro” liderado por Eduardo Azeredo e mais recentemente do propinoduto do metrô paulista?
Corrupção é corrupção, precisa ser apurada e a Justiça agir contra corruptos e corruptores de todos os matizes. Um erro, claro, nunca pode justificar o outro, mas o erro de agora não pode apagar o de outrora.

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