30 de novembro de 2014

A dignidade dos catadores jogada no lixo



O que fizeram com as cooperativas de reciclagem de Maringá que, até 2004 funcionavam muito bem e com total apoio da Prefeitura? A situação dos catadores de recicláveis é no mínimo, desesperadora, de total abandono.
Um grupo de 40 estudantes de Direito foi visitar cooperativas que funcionam precariamente na saída para Astorga. Leiam o relato do acadêmico Paulo Vidigal, servidor público da área da saúde, integrante do grupo:

“Antes de falar sobre o que vi é importante lembrar que em 2006, após uma determinação do Ministério Público, a Administração Municipal fechou o antigo lixão e as pessoas que lá colhiam recicláveis passaram a fazê-lo no local hoje visitado, destinado a eles pela Administração. A estrutura física é cedida pelo município de Maringá, assim como os dois caminhões disponíveis para a coleta de recicláveis de toda a cidade. Essas cooperativas visitadas já contaram com mais de 90 cooperados e hoje contam com pouco mais de 20.

As condições do local ao qual essas pessoas são submetidas são assustadoras. O cheiro é forte. Não há equipamentos de proteção individual para todos e muitos separam o reciclável do lixo sem sequer usar luvas. Mas isso não é tudo.  A água que bebem foi contaminada por uma empresa da região. Aqueles que não trazem água de casa acabam bebendo essa água contaminada. Cooperados relataram ainda que grande parte do material que chega a cooperativa não é aproveitado pois fica exposto ao tempo em os barracões que não possuem cobertura. Quando chove o material é perdido.  Uma das cooperadas relatou que no último mês, após o rateio entre os cooperados, ela recebeu R$ 350,00. Segundo ela, muitos já falam em abandonar a cooperativa, que desde 2006 não recebeu nenhuma melhoria.

Várias questões envolvem essa problemática. A primeira delas trata-se das condições sub-humanas a que essas pessoas estão submetidas. Inaceitável. Outra questão é, se esse serviço poderia ser realizado pelo município como se daria a inclusão social dessas pessoas? E se algum coletor de recicláveis for vítima de um acidente durante a coleta, ou ficar doente devido as condições insalubres, a Administração irá se responsabilizar? 

Por fim, o abandono das cooperativas de coleta de recicláveis por parte da Administração Municipal significa a falta de política ambiental efetiva que favoreça e incentive a separação e coleta de recicláveis. E mais grave ainda, o desrespeito por parte da Administração a dignidade dessas pessoas que são expostas essas condições sub-humanas. Fechar essas cooperativas não é a solução do problema, mas sim, dar condições para que essas pessoas possam trabalhar com dignidade.

Fica um apelo as autoridades públicas relacionadas ao Meio Ambiente para que visitem essas cooperativas e constatem essa inaceitável realidade”.

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