2 de fevereiro de 2015

O PT no papel de Geni




Cá pra nós: o PT nasceu sob o signo da utopia , se formou e se fortaleceu sob o manto da ética. Seus arroubos socialistas e éticos apavoraram a elite num determinado momento, fazendo de Lula um sapo barbudo de meter medo em quem vivia (por ignorância ou má fé)  atormentado e atormentando com o fantasma de um comunismo que nunca, em tempo algum, ameaçou o Brasil.

Aí o PT cresceu, viu seu balão inflar pelas urnas. Foi ganhando musculatura, até que um dia chegou ao poder central, justamente por meio do carisma e da popularidade do seu maior líder. Uma vez “Lula lá” , o Partido dos Trabalhadores colocou em prática seu projeto de poder, pelo qual ocuparia o Palácio do Planalto por pelo menos 20 anos.

Depois de Lula, o nome da vez seria naturalmente Celso Daniel, mas o prefeito de Santo André morreu assassinado no comecinho do primeiro governo petista. Os matadores foram presos, mas a própria família do político assassinado nunca deixou de suspeitar que tinha gente graúda da cúpula partidária envolvida no crime.

A partir de então, subia a cotação do chefe da Casa Civil, José Dirceu, cujo projeto pessoal de suceder Lula foi enterrado pelo escândalo do mensalão. No lugar de Dirceu, assumiu o cargo politicamente mais importante do governo (depois do presidente, claro), a então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. O resto da história todo mundo sabe. O que talvez dificulte o entendimento é como e porque o PT caiu na vala comum dos partidos tradicionais.

Explicar isso, não é tarefa   para um simples jornalista que, no máximo se aventura pelo exercício de uma sociologia de botequim. É amparado , então, pela metáfora do botequim , que me atrevo a dizer: o PT tornou-se um partido odiado, talvez o mais odiado de toda a história recente do país. Não sem razão: o medo da socialização e do purismo potencializou a paúra e oxigenou o preconceito que as elites nutriam contra a esquerda.

As práticas tradicionais da velha política partidária que contaminaram a cúpula petista levaram  figuras exponenciais do Partido dos Trabalhadores a romper com o Lulo-Dilmismo. Isso aprofundou a crise de credibilidade do outrora vestal e deu gás para a oposição envenenar o cenário político de 2014.

Se num determinado momento o PT semeou vento por meio das práticas deletérias de Dirceu, Delúbio e companhia, era previsível que colhesse tempestade. E mesmo não sendo o único responsável pelo esquema de roubalheira na Petrobrás,  que vem de longe, diga-se de passagem, acabou transformado na Geni da corrupção institucionalizada. Notem que nenhum dos partidos tradicionais , inclusive o PSDB se encontra fora dessa. O tucanato,  que durante a disputa eleitoral de 2014 se fez estilingue,  já não atira mais pedras no telhado petista com a mesma desenvoltura que tinha até seu ex-presidente Sérgio Guerra (in memoriam) ser citado na Operação Lava Jato.

Não generalizemos quanto ao PT enquanto partido, porque as suas bases regionais e municipais ainda contém um número considerável de sonhadores, que acreditam na revolução socialista e , por ingenuidade e boa fé, preferem segurar a onda e defender os princípios éticos que guiaram os primeiros passos da legenda. São esses que mais sofrem com o preconceito e o ódio manifestado nas ruas e nas redes sociais. A duras penas,  eles ainda se movem pela utopia de um Brasil ético e soialista.

Enquanto isso na sala de justiça,  a  elite brasileira faz o coral de milhões de vozes que rege com sua batuta apodrecida,  aumentar o tom da música que melhor retrata a hipocrisia nacional:  “Joga pedra na Geni/ Joga bosta na Geni / Ela é feita pra apanhar/ Ela é boa de cuspir...”  














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