5 de abril de 2015

O Outro lado da moeda


“Quando suas decisões afetam não apenas o réu e sua vítima, mas centenas, milhares de cidadãos, o promotor deve acusar e o juiz, julgar, com a mente e o coração voltados para o que ocorrerá, in consequentia”, escreveu o jornalista Mauro Santayana (Rede Brasil Atual) para alertar que a Operação Lava Jato está parando o país.
Este é um lado da moeda que os analistas pouco tem se dado conta. Realmente os problemas que afetaram a Petrobrás tiveram consequências drásticas em toda a economia e as suspeitas que recaíram sobre executivos das grandes empreiteiras forçaram a paralisação de grandes projetos estruturantes, levando o desemprego e atrasando obras que são vitais para a vida do país, como é o caso da Usina de Belo Monte, inconclusa num momento em que o Brasil está tão carente de energia elétrica.
O mesmo ocorreu com a Refinaria Abreu e Lima e com a transposição do Rio São Francisco, esta com consequências danosas para os Estados que sofrem com o fenômeno da seca. Santayana sugere como solução para problemas assim, a nomeação de interventores que pudessem investigar irregularidades e fiscalizar, in loco, cada obra, sem o que os burocratas de antanho chamariam de solução de continuidade.
“No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro – e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população – age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente comprovado”, diz o experiente e conceituado analista político Mauro Santayana..
O que estaria ocorrendo na visão dele é que “ juízes e o Ministério Público  andam interferindo, de moto próprio, na administração da União, ao tempo em que tentam substituir o Legislativo e o Executivo”.
Dá mesmo o que pensar esta situação em que vive o país. A corrupção precisa ser apurada e os envolvidos punidos com o rigor da lei quando provas consistentes houverem, como rtem havido. Mas está faltando economistas e planejadores mensurarem os prejuízos que as paralizações provocam e que , como disse Santayana, o próprio Ministério Público e os juízes, caso específico de Sérgio Moro,  levem em conta as consequências das investigações para a sociedade como um todo.


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