18 de abril de 2015

Profilaxia. Ou se faz de A a Z ou esquece

Bastou Vacari Neto ser preso para direitistas extremados sair por aí pedindo a cassação do registro do PT. Calma gente, na democracia a coisa não funciona assim. Querem varrer da face da terra um partido só porque ele é alvo constante de denúncias de corrupção como ocorre com quase todos os outros? E os outros?
O que o país está precisando agora é de um amplo debate sobre a reforma política, mas uma reforma que se coloque como dique de contenção à roubalheira. De nada adianta a histeria coletiva que vem sendo alimentada pela mídia, principalmente a eletrônica, porque não é isso que vai passar o país a limpo.
Se tem que varrer o PT do mapa partidário do Brasil, o que fazer então com o PP, com o DEM, com o PMDB e o próprio PSDB? Como é possível imaginar o impeachment de uma presidente da república recém-reeleita com mais de 50 milhões de votos por conta de denúncias que não apontam concretamente, qualquer envolvimento dela com os malfeitos denunciados?
A dimensão que a corrupção tomou no país requer medidas duras, urgentes até, mas convenhamos, a exacerbação só ajuda a piorar o quadro e a lançar nuvens de fumaça sobre a podridão que toma conta de todos os quadrantes. Se a Operação Lava Jato desfia um novelo que não parece ter fim, que fim terá o gigantesco processo se a indignação da população for direcionada apenas para um lado, elegendo um único partido como alvo?
Bolas, se é pra fazer profilaxia, que se aplique o ante bactericida em todo o corpo infectado e não apenas em uma parte. Se políticos da maioria dos partidos, da base aliada ou não , estão no mesmo barco, como entender que as medidas punitivas sejam direcionadas a uma só agremiação?
Se os critérios que levaram Vacari Neto à cadeia forem aplicados pra valer em outros arrecadadores de campanha quem será que escapa? Não consigo engolir , tal engoliria um whisky 12 anos, essa “corrupção 12 anos”, como se de 2003 para trás, só limpinhos andaram dominando a política nacional.
Tudo bem, e nisso estou de pleno acordo, que se havia um partido que não tinha o direito de se corromper esse partido era justamente o PT. Isso explica, em certa medida, a frustração de quem sonhou com uma revolução ética no governo após a chegada de Lula ao Planalto, mas não justifica o salvo-conduto que estão querendo dar para outas agremiações partidárias, inclusive o PSDB.
Uma coisa aprendi em “A regra do jogo” (Cláudio Abramo) , meu livro de cabeceira: não existe a ética política, a ética partidária, a ética profissional. Existe sim a ética do cidadão. Se o cidadão é ético, ele vai ser ético onde quer que esteja atuando. Por isso, é bom que comecemos a pensar que ética não cabe na boca de muitos políticos que enchem o peito para falar nela diante das câmeras, onde aproveitam para jogar bosta na Geny, ou seja, no PT.

Alguém em sã consciência pode levar a sério manifestações de indignação de um Agripino Maia, de um Ronaldo Caiado, de um Bolsonaro e mesmo de um José Serra? Façam-me o favor.

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