30 de maio de 2015

Maringá foi o berço do pagode sertanejo


Eu já tinha lido , não me lembro onde, que o pagode sertanejo nasceu em Maringá. Hoje, vendo no YouTube um bate papo do apresentador Kleber ( Rancho da Saudade) com dona Nair , esposa e Alex, filha de Tião Carreiro, elas revelaram:  Tião queria  criar um ritmo diferente, um jeito novo de cantar a moda sertaneja. E começou a buscar este jeito novo nos ensaios que fazia com Pardinho nos fundos da Rádio Cultura de Maringá.
Lembro como se fosse hoje a dupla Tião Carreiro e Pardinho ensaiando nos fundos da rádio, ali na Avenida Herval esquina com a XV de Novembro. A dupla se apresentava frequentemente no programa sertaneja das tardes de domingo, apresentado pelo Nhô Juca. Invariavelmente, as duplas famosas que vinham se apresentar ficavam para o programa da noite, “Maringá se Diverte”, também apresentado pelo Nhô Juca.

Dos experimentos em Maringá nasceu o Pagode em Brasília. Daí em diante, foi uma história de sucesso que tornou Tião Carreiro como a maior referência da música sertaneja. Ele criou um jeito de tocar, de pontear a viola, que hoje é copiado por todos os violeiros que solam um pagode.Com letra do Lourival dos Santos, seu grande parceiro, Tião Carreiro começou aqui os primeiros acordes do Pagode em Brasília.

Maringá, berço do pagode sertanejo


Eu já tinha lido , não me lembro onde, que o pagode sertanejo nasceu em Maringá. Hoje, vendo no YouTube um bate papo do apresentador Kleber ( Rancho da Saudade) com dona Nair , esposa e Alex, filha de Tião Carreiro, elas revelaram:  Tião queria  criar um ritmo diferente, um jeito novo de cantar a moda sertaneja. E começou a buscar este jeito novo nos ensaios que fazia com Pardinho nos fundos da Rádio Cultura de Maringá.
Lembro como se fosse hoje a dupla Tião Carreiro e Pardinho ensaiando nos fundos da rádio, ali na Avenida Herval esquina com a XV de Novembro. A dupla se apresentava frequentemente no programa sertanejo das tardes de domingo, apresentado pelo Nhô Juca. Invariavelmente, as duplas famosas que vinham se apresentar ficavam para o programa da noite, “Maringá se Diverte”, também comandado pelo Nhô Juca.

Dos experimentos em Maringá nasceu o Pagode em Brasília. Daí em diante, foi uma história de sucesso que tornou Tião Carreiro  a maior referência da música sertaneja. Ele criou um jeito de tocar, de pontear a viola, que hoje é copiado por todos os violeiros que solam um pagode.

28 de maio de 2015

Um tiro que saiu pela culatra



Por Bruno Coga
Parte da imprensa noticiou a proposta do governo do Paraná como um imenso avanço nas negociações, querendo induzir a população que um tirano transformou-se em herói do povo da noite para o dia. A princípio, muitos poderiam pensar que o massacre do dia 29 de abril pesou na consciência de nosso pobre governador e que diante disso ele resolveu oferecer 12% de reajuste ao funcionalismo público. Oh, quanta generosidade, podem ter indagado muitos desinformados.
A verdade é que a proposta do governo não melhorou em absolutamente nada. E se fossemos analisar em números absolutos, talvez até tenha piorado. A forma como a proposta foi apresentada pela mídia é simplesmente mentirosa! Ao invés dos 3,45% em três vezes que tanto propagandearam, Beto Richa oferece 0% em quatro vezes (maio, junho, julho e agosto). E após esses quatro meses (que somados com os 12 que já se passaram totalizam 16) o governo nos oferece 1,15%. Uma piada!
Além disso, ao tentar mudar a data-base para janeiro, perdemos, no mínimo, sete meses de correção inflacionária. E esta mudança também indica uma data de recesso para iniciarmos nossas próximas negociações, o que certamente representaria um enfraquecimento gigantesco em nosso poder de mobilização. O que o governo quer com a mudança da data-base é prevenir que a rebelião e insurgência de hoje nunca mais se repita contra eles.
Beto Richa tentou apostar em uma “tacada de mestre” para por um ponto final nesta questão. Porém, esta tacada não previa resolver os impasses criados com o funcionalismo público, mas sim tentar reverter a opinião pública ao seu favor e assim derrotar o movimento. O que Governo e companhia não podiam prever é que esta provocação geraria ainda mais revolta nos grevistas; e com isso mais disposição de luta; mais persistência em debater com outros trabalhadores e mandê-los ao nosso lado da trincheira, contra o Governo Estadual.
Talvez saiamos disso tudo ainda mais fortes. E o Governo, ainda mais encurralado.
Texto de Bruno Coga, servidor público da Universidade Estadual de Maringá


Pede pra sair!!!

                               Foto pinçada do Blog do Rigon

Tem gente aí tramando por trás e assoprando, com voz do capitão Nascimento, nos ouvidos do governador Beto Richa.



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25 de maio de 2015

Rasteiras palacianas

Aos poucos vão sendo clareados os motivos da exoneração da vice-governadora Cida Borghetti Barros da chefia do escritório político do Paraná em Brasília. Na última nota que dei aqui especulei a possibilidade do marido dela, deputado Ricardo Barros , ter forçado a barra para deixar a esposa livre e com condições de se preparar para a eventualidade de ter que assumir o governo do Paraná. Não foi bem isso, mas pelo que se especula nos corredores do Palácio Iguaçu tem tudo a ver com as articulações de bastidores contra Beto Richa que teria feito Ricardo. Ao saber, o governador ficou vendendo azeite. Informa Esmael Morais em seu blog que a coisa não foi nada pacífica. Pelo jeito, o pau quebrou na casa de Noca.
É fato que o governo Beto Richa cai pelas tabelas após o massacre de 29 de abril e seus desdobramentos. Isso teria feito o insaciável RB crescer os olhos sobre o Palácio Iguaçu, já pensando na queda do titular para que a vice assuma. Esmael diz, então, que rolou nos corredores palacianos, o seguinte comentário de um assessor direto do governador|: “Os Barros conspiram contra o governo de Beto Richa (PSDB). Eles são de extrema-direita. São os que mais atrapalham o acordo com os grevistas, pois estão aflitos, viram a chance de tomar o Palácio Iguaçu, e por isso querem radicalizar propondo o confronto, reajuste zero e cacete. Fizeram até conta da data-base parcelada em quatro anos”.

24 de maio de 2015

Estaria RB trabalhando pelo xeque mate?


Política é mesmo um jogo de xadrez. Não foi por acaso que Silvio Barros I exigiu que os filhos Silvio II e Ricardo aprendessem a jogar xadrez. A exoneração da vice-governadora do escritório político do Paraná em Brasília, um mês após nomeada, foi certamente uma dessas jogadas de  mestre. Vendo Beto Richa sangrar e ser pressionado pelos próprios aliados a renunciar, RB certamente pensou: “ é importante que sua  a Cida esteja desvinculada do cargo e liberada para poder se preparar para assumir o governo do Paraná”.

 Analisando este quadro, e conhecendo Ricardo como imagino que conheço (razoavelmente pelo menos) não é exagero prever que a esta altura do campeonato ele move as pedras no tabuleiro, pensando exatamente no Palácio Iguaçu. Sou ruim no xadrez, mas jogo pro gasto, e até jogo bem com um pato feito eu. Mas sei que leva muita vantagem quem sabe jogar bem com o cavalo, o caminho mais curto para se chegar ao xeque mate. 

22 de maio de 2015

Quem tem medo da "Operação Zelotes"?


O Jornalista e deputado Paulo Pimenta denuncia, via e-mail enviado ao blog Viomundo, do Azenha, que estão tentando torpedear a “Operação Zelotes”. A Folha de São Paulo, segundo ele, estaria atacando quem investiga o calote de R$ 19 bilhões no fisco, via Carf, o órgão encarregado de julgar os processos de sonegação fiscal na RF. Diz o parlamentar petista:

Para minha surpresa, nesta quinta-feira (21), o colunista da Folha de S.Paulo Leonardo Souza iniciou uma “cruzada” contra todos aqueles que lutam para que não haja uma operação abafa sobre a Operação Zelotes. Acuada que está, a mídia faz diversas tentativas para desqualificar tanto a Zelotes quanto o episódio das contas secretas do HSBC na Suíça, conhecido como escândalo Swissleaks, pois ela não sabe QUEM as investigações poderão “pegar”.

O que se sabe é que nesses dois escândalos bilionários de sonegação há empresas de mídia e nomes ligados a grupos de comunicação envolvidos. Como a imprensa não controla esses episódios, ela busca estratégias para retirar a autoridade do trabalho investigativo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ou daqueles que buscam dar visibilidade à Operação Zelotes.
A imprensa, basicamente, não se ocupa da Operação Zelotes por três motivos: o escândalo bilionário não envolve a classe política (os envolvidos são empresas privadas, anunciantes da própria mídia); há grupos de mídia investigados; e por que parte da imprensa sustenta que sonegar é um ato aceitável, e que não se trata, portanto, de corrupção.
Chama atenção que o colunista Leonardo Souza jamais se deteve em profundidade ao assunto para informar à sociedade o que é o Carf, o que é a Operação Zelotes, como é que agiam as quadrilhas que se apropriaram de uma estrutura como o Carf para defesa dos seus próprios interesses. Pelo que se sabe, o colunista não moveu até agora uma palha para tentar esmiuçar o assunto. Quando não cala sobre a Zelotes, o colunista Leonardo Souza prefere fazer juízo de valor sobre a minha atuação, tentando colocar sob suspeita as reais intenções do nosso trabalho.

Lamento que, mesmo tendo gasto grande quantidade de papel e tinta acompanhando a Operação Zelotes e a nossa atividade parlamentar, o colunista da Folha de S.Paulo o faça sem reconhecer a realidade dos fatos, sob a frágil alegação de que os esforços engendrados por nosso mandato tenham a única finalidade de desviar a publicidade da operação Lava Jato. Qual o motivo de tratar a Lava Jato e a Zelotes como concorrentes, e não como casos de corrupção de forma semelhante, respeitando o direito que a sociedade tem de ser informada? Se o raciocínio do tal colunista procedesse, seria possível afirmar que a mídia só cobre a Lava Jato com objetivo de ofuscar a Zelotes”.

21 de maio de 2015

"Daqui não saio, daqui ninguém me tira..."


O governador Beto Richa deu longa entrevista a Fernando Rodrigues (UOL) e  mesmo acossado por várias denúncias diz que não renuncia...bem ao estilo “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Se disse vítima de perseguição política e atribui seu inferno astral aos senadores Roberto Requião e Gleise Hoffmann. “É tudo coisa de Requião, do PT, da CUT e da APP Sindicato” , fulmina, afirmando, peito estufado: “eu fui eleito pelo voto popular, tenho legitimidade, estou enfrentando com coragem toda essa armação política, a divulgação dessas acusações, delações premiadas que nem podiam ser divulgadas, segredo de Justiça, e está tudo na mídia”.

Se Beto for , de alguma forma , apeado do poder, assume sua vice Cida Borghetti Barros. E aí  até as pombinhas da Praça Raposo Tavares sabem quem é que realmente mandaria no Palácio Iguaçu.

Uma sentença verdadeiramente pedagógica



É comum empresas jogarem a conta da falta de segurança de seus trabalhadores nas costas da previdência social. O INSS tem reagido a isso e em recente decisão da Justiça Trabalhista de Brasília, uma construtora foi condenada a pagar pensão à família de um operário que morreu vítima de acidente de trabalho nas obras de um prédio. Foi constatado que o trabalhador não dispunha dos equipamentos de segurança recomendados e caiu de uma altura de mais de 30 metros devido ao rompimento de uma corda que o segurava precariamente.
A sentença pode parecer irrelevante num contexto nacional  de tanta irresponsabilidade, mas tem um caráter pedagógico importante. Certamente vai servir de exemplo para que  empresas, principalmente da construção civil,  se preocupem mais com a segurança de quem trabalha para elas.




20 de maio de 2015

O mistério Janene


Surgiu a suspeita de que o ex-deputado José Janene esteja vivo. Morto em 2010 devido a problemas no coração, Janene era tido como um dos envolvidos no  “Mensalão” e também , com forte influência nos casos de propina do escândalo da Petrobras.
O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB) disse hoje  que irá solicitar a exumação do corpo do ex-deputado e presidente do PP no Paraná . O parlamentar paraibano  teria recebido denúncias de  que a viúva de Janene, Stael Fernanda Janene “não tem certeza que ele esteja morto”.
Na verdade, o caixão estava lacrado e muita gente que foi ao velório e depois ao sepultamento, afirma não ter visto o corpo, o que soa muito estranho. O deputado Hugo Motta acha que se estiver mesmo vivo, o que é apenas uma hipótese muito remota, Janene estaria vivendo em um país da América Central.

19 de maio de 2015

A propósito da "Tenda dos Milagres"





Tomo emprestado do Ângelo Rigo esse túnel do tempo para lembrar que lá se vão 23 anos em que o prefeito Ricardo Barros promoveu descontos de até 97% para a quitação de IPTU de vários amigos e empresários, muitos dos quais tornaram-se ao longo dos anos, doadores de campanha da família Barros.  Aquilo deu processo e o processo até hoje tramita na Justiça, sem punição para o principal envolvido. Durante o período em que ficou sem mandato, o processo que ficou conhecido como "Tenda dos Milagres" (foi armada uma atenda para atender aos beneficiários do quase perdão total das dívidas tributárias) voltou para a segunda instância. Barros é novamente deputado, e novamente o processo retornou  a Brasilia, devido ao foro privilegiado. Mais dia, menos dia, isso tem que ser julgado e o responsável pelo prejuízo gigantesco aos cofres municipais, punido. Não é possível que esse escândalo também vá acabar em pizza.


ENFIM, CHATÔ,O FILME


Será que o ator-diretor Guilherme Fontes vai dar a volta por cima? Ele foi acusado de captar dinheiro para produzir “Chatô, o Rei do Brasil” e desviar parte da grana. Sem mais dinheiro, teve que parar o projeto e colocar o filme (inconcluso) no arquivo morto da história do cinema nacional. Por conta disso, foi processado e em algum momento chegou a ser ameaçado de ir parar atrás das grades.
Agora, porém, o filme ficou pronto e deve ser lançado em breve. Quem viu o trailer diz que gostou. Será uma produção de sucesso, tanto de público quanto de crítica, apesar da demora (o filme começou a ser rodado há cerca de 20 anos). Fontes, que parecia ter dado provas de incompetência e desonestidade, deve dar sim, a volta por cima.
O filme , baseado no livro de Fernando Morais , conta a história de Assis Cahteaubriand, o grande magnata das comunicações no Brasil, fundador dos Diários Associados e da TV Tupi. Enfim, foi o homem que trouxe a televisão para o Brasil e que tem uma história rica, em todos os sentidos, inclusive de deslizes éticos.
No elenco, os atores Marco Ricca ( que faz o papel central ), Paulo Betti, Leandra Leal, Eliane Jardini e Gabriel Braga Nunes. 


17 de maio de 2015

Apressado, Richa sacou R$ 483 milhoes da ParanáPrevidência


                              . Celso Nascimento ( Gazeta do Povo)

Como previsto, o mingau ainda não tinha esfriado quando os R$ 8,5 bilhões da Paranaprevidência começaram a ser comidos pelas beiradas: na quarta-feira passada (13), o governo sacou dos cofres da instituição nada menos de R$ 483 milhões – dinheiro que não é dele, mas dos servidores que contribuíram com descontos em seus salários.
Esses recursos referem-se aos “direitos” retroativos a janeiro passado previstos no projeto que alterou o sistema previdenciário estadual, aprovado no mesmo instante em que estouravam bombas sobre a cabeça dos professores que protestavam no Centro Cívico, no fatídico 29 de abril. A partir de agora, todos os meses, R$ 142,5 milhões da Paranaprevidência tomarão o mesmo destino.
Secretamente, os chefes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) assinaram com a Paranaprevidência o Termo Conjunto 01/2015 pelo qual R$ 234 milhões foram repassados ao Tesouro estadual e o restante dividido entre os dois outros entes. Também tiraram suas casquinhas o Ministério Público e o Tribunal de Contas – a este último coube R$ 8 milhões.
O acordo – não publicado no Diário Oficial ou nos sites oficiais – contém as assinaturas do governador Beto Richa, do presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano, do presidente do TJ, desembargador Paulo Vasconcelos, além das do procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, e do presidente do TC-PR, conselheiro Ivan Bonilha. Isto é, há unanimidade quando se trata de abastecer os respectivos cofres.
Segundo revelam fontes da coluna, o acordo prevê que “obrigatoriamente” os recursos terão de ser aplicados no pagamento de benefícios previdenciários dos servidores de cada instituição. A pergunta é: quando e quem poderá fazer o rastreamento das destinações? Mistério.
Deu-se então o que de mais perigoso o criador da Paranaprevidência, Renato Follador, já previa: abriu-se um precedente a partir do qual qualquer governador de plantão poderá avançar quando bem entender na poupança previdenciária do funcionalismo. Governos de outros estados quebrados serão tentados a fazer o mesmo. “É o descrédito total”, lamenta Follador.
Definido pelo governador Beto Richa como o “melhor sistema do país”, a previdência estadual tinha em caixa até quarta-feira R$ 8,5 bilhões; agora tem R$ 483 milhões a menos, em parte sacados para pagar velhas dívidas penduradas na Secretaria da Fazenda. Saíram de aplicações financeiras que rendiam bons trocados para alimentar o Fundo Previdenciário. Duplo prejuízo, portanto.
O presidente do Tribunal de Contas, Ivan Bonilha, indeferiu (óbvio!) a cautelar que o Ministério Público de Contas moveu para contestar a legalidade da nova lei. Espera-se que a OAB ou outras instituições com prerrogativa ingressem no STF com uma ação de inconstitucionalidade.

6 de maio de 2015

No cravo e na ferradura

Do historiador Marco Antonio Villa, de conhecido maus bofes contra o PT e o petismo:
“O PT nunca foi bolivariano. O percurso dos seus líderes (Lula e Chávez) é muito diferente e as histórias de cada país são processos absolutamente distintos. Basta recordar que Chávez chegou ao poder precedido por uma tentativa fracassada de golpe de Estado e com a desmoralização das instituições democráticas, especialmente durante a segunda presidência Carlos Andrés Pérez. Lula venceu as eleições de outubro de 2002 em um país que tinha obtido a estabilização econômica com o Plano Real (1994) e em plena vigência do Estado Democrático de Direito.
E nos 12 anos do poder petista não houve um ataque frontal às liberdades de expressão e de imprensa como foi realizado por Chávez — sem que isso signifique que o petismo morra de amores pelos artigos 5º, 7º e 220º da nossa Constituição. Também o choque com frações da elite venezuelana por aqui não ocorreu. No Brasil houve cooptação: os milionários empréstimos do BNDES serviram para soldar a aliança do petismo com o grande capital, e não para combatê-lo”.
Bem, Villa às vezes passa do ponto e se nivela ao senso comum do pensamento neoliberal, destilando uma boa dose de ódio contra o petismo e particularmente contra Lula, mas não há como negar que nessa avaliação aqui ele está coberto de razão. Principalmente no que diz respeito à cooptação do grande capital, via empréstimos generosos do BNDES. Inegável os avanços sociais que o governo Lula trouxe ao pais (e Dilma tenta manter ), mas é inegável também o fato do ex-metalúrgico ter se transformado no pai dos pobres, mas também na mãe dos ricos. Curioso: são os mesmos ricos que, sempre beneficiados, comandam o processo de execração do Partido dos Trabalhadores e seu maior líder, como se viu ontem à noite, com o “bate-panelas” nas casas e apartamentos de luxo durante o programa do PT na televisão. Meu Deus, quanta hipocrisia!

5 de maio de 2015

Mentiu, surtou...




Por Ricardo Noblat:

Foi uma vitória e tanto a de Beto Richa, 49 anos, reeleito governador do Paraná no primeiro turno da eleição do ano passado.

Derrotou o senador Roberto Requião (PMDB), ex-governador, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT), ex-chefe da Casa Civil de Dilma.

Parecia destinado a integrar a lista de nomes de onde sairá o candidato do PSDB a presidente em 2018. Seis meses depois, está seriamente encrencado.

A exemplo de Dilma, durante a campanha vendeu a imagem de um Paraná aonde tudo ia bem e o melhor estava por vir. Em momento algum admitiu que fosse obrigado, uma vez reeleito, a promover um duro ajuste nas contas públicas.

O governo gastara R$ 4 bilhões além do que poderia, o segundo maior déficit do país. Richa herdou dele mesmo um Estado quebrado. E desde então só fez descer a ladeira. Até que na quarta-feira passada aconteceu o pior.

Cerca de 20 mil professores reuniram-se defronte do prédio da Assembleia Legislativa. Queriam impedir os deputados de votarem um projeto de lei do governo que modificava o sistema previdenciário dos servidores públicos – não conseguiram.

Por ordem judicial, a polícia isolou o prédio. Os professores forçaram a passagem. A polícia reagiu com a força máxima. Curitiba jamais assistiu nada igual.

Exatos 213 manifestantes saíram feridos. A polícia valeu-se de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, jatos de água e cães.

A sede da prefeitura da cidade, ali perto, serviu de abrigo para quem precisava de socorro médico. As cenas produzidas “foram chocantes”, como admitiria Richa. A pancadaria durou duas horas. Podendo interrompê-la, Richa não o fez.

Apelos não faltaram. Gustavo Fruet (PDT), prefeito de Curitiba, telefonou para Richa. José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, telefonou para Richa.

Ele esteve todo o tempo informado sobre o que se passava por meio do secretário de Segurança Pública e do comandante da Polícia Militar.

Um vídeo gravado dentro do palácio do governo mostrou um grupo de assessores de Richa comentando a violência sem recriminá-la – antes pelo contrário. Richa defendeu a polícia.

Disse: “Os policiais agiram em legítima defesa de suas vidas”. E quem agiu em defesa da vida dos professores? Richa disse: “Os policiais ficaram parados. Os manifestantes partiram para cima deles”.

É ou não tarefa da polícia garantir a liberdade de expressão e reagir com moderação quando provocada por uma minoria? Sim, porque o próprio Richa contou que a polícia prendera sete black blocs. E que eles portavam “artefatos perigosos”.

Mentiu.

A Defensoria Pública do Paraná informou que nenhum dos manifestantes detidos pela polícia era black bloc ou portava artefato perigoso.

Quem esteve com Richa enquanto professores eram massacrados revela que ele se dizia vítima de um plano do PT para desestabilizar o seu governo. E repetia que fizera mais pela Educação do que qualquer outro governador. Surtara.

A popularidade de Richa despencou desde sua reeleição. O governo é reprovado por 76% dos paranaenses.

Suspeitas de corrupção bateram à porta de Richa. Um primo dele, responsável por suas campanhas, foi sócio oculto de uma oficina que reparava a preços exorbitantes a frota de carros do governo.

Jornalistas que investigavam o caso abandonaram o Paraná por falta de segurança.

Richa é o primeiro governador da safra de 2014 a perder a condição de circular livremente por seu Estado sem risco de ser hostilizado.

Fez por merecer.

4 de maio de 2015

Que o cão preserve o calipígio do governador







"Espero que nenhum pitbull morda a ilustre binda do governador do Paraná" - Boris Casoy