6 de maio de 2015

No cravo e na ferradura

Do historiador Marco Antonio Villa, de conhecido maus bofes contra o PT e o petismo:
“O PT nunca foi bolivariano. O percurso dos seus líderes (Lula e Chávez) é muito diferente e as histórias de cada país são processos absolutamente distintos. Basta recordar que Chávez chegou ao poder precedido por uma tentativa fracassada de golpe de Estado e com a desmoralização das instituições democráticas, especialmente durante a segunda presidência Carlos Andrés Pérez. Lula venceu as eleições de outubro de 2002 em um país que tinha obtido a estabilização econômica com o Plano Real (1994) e em plena vigência do Estado Democrático de Direito.
E nos 12 anos do poder petista não houve um ataque frontal às liberdades de expressão e de imprensa como foi realizado por Chávez — sem que isso signifique que o petismo morra de amores pelos artigos 5º, 7º e 220º da nossa Constituição. Também o choque com frações da elite venezuelana por aqui não ocorreu. No Brasil houve cooptação: os milionários empréstimos do BNDES serviram para soldar a aliança do petismo com o grande capital, e não para combatê-lo”.
Bem, Villa às vezes passa do ponto e se nivela ao senso comum do pensamento neoliberal, destilando uma boa dose de ódio contra o petismo e particularmente contra Lula, mas não há como negar que nessa avaliação aqui ele está coberto de razão. Principalmente no que diz respeito à cooptação do grande capital, via empréstimos generosos do BNDES. Inegável os avanços sociais que o governo Lula trouxe ao pais (e Dilma tenta manter ), mas é inegável também o fato do ex-metalúrgico ter se transformado no pai dos pobres, mas também na mãe dos ricos. Curioso: são os mesmos ricos que, sempre beneficiados, comandam o processo de execração do Partido dos Trabalhadores e seu maior líder, como se viu ontem à noite, com o “bate-panelas” nas casas e apartamentos de luxo durante o programa do PT na televisão. Meu Deus, quanta hipocrisia!

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