28 de maio de 2015

Um tiro que saiu pela culatra



Por Bruno Coga
Parte da imprensa noticiou a proposta do governo do Paraná como um imenso avanço nas negociações, querendo induzir a população que um tirano transformou-se em herói do povo da noite para o dia. A princípio, muitos poderiam pensar que o massacre do dia 29 de abril pesou na consciência de nosso pobre governador e que diante disso ele resolveu oferecer 12% de reajuste ao funcionalismo público. Oh, quanta generosidade, podem ter indagado muitos desinformados.
A verdade é que a proposta do governo não melhorou em absolutamente nada. E se fossemos analisar em números absolutos, talvez até tenha piorado. A forma como a proposta foi apresentada pela mídia é simplesmente mentirosa! Ao invés dos 3,45% em três vezes que tanto propagandearam, Beto Richa oferece 0% em quatro vezes (maio, junho, julho e agosto). E após esses quatro meses (que somados com os 12 que já se passaram totalizam 16) o governo nos oferece 1,15%. Uma piada!
Além disso, ao tentar mudar a data-base para janeiro, perdemos, no mínimo, sete meses de correção inflacionária. E esta mudança também indica uma data de recesso para iniciarmos nossas próximas negociações, o que certamente representaria um enfraquecimento gigantesco em nosso poder de mobilização. O que o governo quer com a mudança da data-base é prevenir que a rebelião e insurgência de hoje nunca mais se repita contra eles.
Beto Richa tentou apostar em uma “tacada de mestre” para por um ponto final nesta questão. Porém, esta tacada não previa resolver os impasses criados com o funcionalismo público, mas sim tentar reverter a opinião pública ao seu favor e assim derrotar o movimento. O que Governo e companhia não podiam prever é que esta provocação geraria ainda mais revolta nos grevistas; e com isso mais disposição de luta; mais persistência em debater com outros trabalhadores e mandê-los ao nosso lado da trincheira, contra o Governo Estadual.
Talvez saiamos disso tudo ainda mais fortes. E o Governo, ainda mais encurralado.
Texto de Bruno Coga, servidor público da Universidade Estadual de Maringá


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