10 de junho de 2015

O exterminador do futuro




Informa Luiz Geraldo Mazza em sua coluna na Folha de Londrina que  é a primeira vez desde 2007 que os professores não obtiveram reajuste automático da inflação acumulada. Portanto , voltam ao trabalho de mãos abanando após um longo período de paralisação. A última proposta do governo , costurada pela bancada situacionista na Assembleia Legislativa repõe 3,45% da inflação de maio a dezembro de 2014, 8,5% em janeiro  como complementação de reposição relativa a 2015 e só em 2017 é que os servidores do Executivo, professores à frente, teriam ganho real de mísero 1%.

Mas fazer o que? Depois de mais de um mês de greve (ao longo do ano o Estado soma 73 dias de escolas fechadas), era visível o desgaste do magistério. O governador foi , a rigor, quem amargou a maior derrota política. Mas pelo jeito ele não está nem aí, porque nada disso afetou a sua boas vida e nem a vida das famílias mais abastadas que tem seus filhos nas escolas particulares.

Do ponto de vista econômico , os professores e servidores das escolas estaduais perderam e continuarão perdendo, mas a educação como um todo sofre um prejuízo ainda não mensurado, mas certamente enorme  e de  difícil reparação.

E o que dizer das universidade, onde há uma consciência crítica muito maior e por isso mesmo os professores resistem à proposta que a ALEP aprovará? Além de considerarem a proposta indecorosa, já que ela impõe perdas salariais irrecuperáveis no curto e no médio prazo , esses profissionais, boa parte de mestres e doutores, não engolem a transferência de R$ 8 bilhões de um fundo da ParanáPrevidência para os cofres  do governo. Por ser dinheiro da contribuição previdenciária dos servidores, a maioria considera  que está havendo (a conta-gotas) uma apropriação indébita que compromete seriamente o futuro dos aposentados.

A greve na rede estadual de ensino acabou, mas a insatisfação continua grande, pronta a gerar novos conflitos, caso o governador continue rejeitando as sandálias da humildade.
Nos demais setores da administração pública estadual, a indignação é ainda maior, principalmente com a manipulação das informações oficiais a respeito do projeto de reajuste salarial, que pelo que se vê, não reajusta coisa nenhuma.

O governador Beto Richa deve estar se sentindo aliviado por achar que ganhou a queda de braço com os professores, que é a categoria que ele mais deseja enfraquecer neste momento, até pela capacidade de reação que a APP Sindicato já demonstrou possuir. Espanta a sua indiferença com relação às universidades, tão fundamental para o processo educacional  quanto o ensino básico. É uma indiferença burra, convenhamos, porque pretender matar de inanição a academia, equivale a assassinar o próprio futuro do Estado.
Por tudo isso ouso afirmar que não é inadequado classificar o governador do Paraná como uma espécie de exterminador do futuro.




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