30 de outubro de 2015

STF mantém inquérito contra relator do Orçamento




. De Carlos Ohara, na Folha on line:
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux indeferiu o pedido de arquivamento de uma investigação em andamento na PGR (Procuradoria-Geral da República) que apura a participação do relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP), em uma suposta fraude em licitação realizada em Maringá (PR), em 2011.
Na prática, a decisão mantém o inquérito contra Barros. 

Também vice-líder do governo Dilma na Câmara, Barros era secretário estadual da Indústria e Comércio na época, e o irmão dele, Silvio Barros –do mesmo partido–, comandava o município e hoje é secretário de Planejamento do governo Beto Richa (PSDB).
O procurador-geral Rodrigo Janot, que vai presidir o inquérito, alegou que há indícios de que Barros tenha direcionado a licitação.
Gravações telefônicas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), interceptadas durante vários meses em 2011, com autorização da Justiça, demonstram que o atual relator do Orçamento orientou um secretário da Prefeitura de Maringá a fazer um acordo entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade no valor de R$ 7,5 milhões. 


27 de outubro de 2015

Onde termina a desinformação e a questão ideológica e onde começa a canalhice?


O PT , como diz Ciro Gomes, cometeu o pecado do pregador e isso é imperdoável. O pecado do pecador,todos perdoam,é minimizado, mas do pregador, jamais. Também concordo que o PT pisou e continua pisando na bola,e muito. Mas vamos e venhamos: a roubalheira que continuou no governo petista apaga toda a sujeira em que também estão envolvidos líderes de outros partidos, como do DEM e do próprio PSDB ? É lícito passar uma borracha nos escândalos do governo FHC, que comprou deputados a R$ 200 mil para votar na emenda da reeleição, conforme noticiou à época o jornal Folha de São Paulo? E o que dizer do escândalo da Petrobras, que começou em 1996 e foi denunciado pelo Paulo Francis? E as privatizações, como a escandalosa venda da Vale do Rio Doce, avaliada em R$ 22 bilhões e vendida por R$ 3 bi e ainda com o BNDES financiando a compra? E o caso Banestado, das contas CC5? E a quebra do Bamerindus, articulada por Sergio Mota, homem forte do governo FHC, segundo se especulou na época porque o então banqueiro Zé Eduardo se recusou a doar R$ 100 mil para a campanha de reeleição de FHC? Gente, reflita mais sobre o quadro de corrupção endêmica que vive o país e que atinge quase todo o espectro partidário nacional. Só posso imaginar que comentários como os que tenho visto nas redes sociais, satanizando o PT e canonizando PSDB, DEM e quejandos, sejam frutos da desinformação. Não é possível que essa onda fascista de disseminação do ódio seja apenas por questão ideológica. Ou de pura canalhice.

Lembo: FHC poderia ter renunciado quando comprou a reeleição; PSDB e DEM estão perdidos, em estado de neurose coletiva




         .  por Bernardo Mello Franco, na Folha de S. Paulo (via Blog do Azenha)
 O ex-governador Cláudio Lembo entrou na campanha contra o impeachment. Aos 77 anos, ele escreveu um parecer sobre o tema. Sustenta que o afastamento de presidentes se tornou “uma nova patologia” na política da América Latina.
“Os golpes militares da época da Guerra Fria estão sendo substituídos pelo impeachment. A função do Congresso é fiscalizar os governos, e não derrubá-los. Isso é o mesmo que bater às portas dos quartéis”, diz.
Professor de direito da USP e do Mackenzie, Lembo cita o jurista Pontes de Miranda (1892-1979) ao afirmar que o afastamento de um presidente “só se permite, nas democracias, em caso de extrema necessidade”.
“Não se deve buscar interromper o mandato eletivo. Isso é um desrespeito à população, seja quem for o eleito. O impeachment é um instrumento violento, que causa instabilidade à economia e ao país”, afirma.
O ex-governador contesta a tese de que o impeachment é um instrumento legal, diferente de um golpe. “A lei exige um crime de responsabilidade, o que não vejo. Ninguém diz que a presidente enriqueceu. Sua honra está preservada”, defende.
Lembo também critica a ideia, já sugerida por Fernando Henrique Cardoso, de que Dilma Rousseff deveria renunciar. “Um ex-presidente não devia falar isso. Eu também acho que ele poderia ter renunciado quando comprou a reeleição”, provoca.
Conhecido pela ironia, ele desdenha as manifestações que pedem a queda da presidente. “A elite branca está furiosa. Não entendeu que o Brasil mudou, por isso está perdida.”
Aplica o mesmo adjetivo aos políticos de PSDB e DEM, seu partido até 2011. “A oposição não aceitou o resultado da eleição e quer derrubar o governo a qualquer custo. Só sabem falar em impeachment. Estão perdidos, em estado de neurose coletiva.”
Hoje filiado ao PSD, do ministro Gilberto Kassab, Lembo diz que não tem conversado sobre a crise com os antigos aliados. “Estou velho. Não querem mais saber de mim.”

22 de outubro de 2015

Carli vai a juri popular



— Acabei de receber a notícia. Está marcada a data do julgamento contra Carli Filho. São quase 07 anos esperando por justiça. O ex-deputado que matou meu filho Gilmar Rafael e o seu amigo Carlos Murilo vai a juri popular”.

Pelo Twitter, a mãe de Gilmar, a deputada federal Christiane Yared, noticia a decisão da Justiça.

Depois de sete anos o ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho irá a júri popular. Será nos dias 21 e 22 de janeiro de 2016. Ele é acusado de matar dois jovens – Gilmar Yared e Carlos Murilo de Almeira – em um acidente de carro, em Curitiba, em maio de 2.009.

   . Blog da Roseli Abrão

Ministro Gilmar Mendes arquivou investigação contra Eduardo Cunha e Álvaro Dias


         .   Jornal do Brasil

O site “Migalhas” trouxe à tona nesta quarta-feira (21) um despacho do dia 6 de maio de 2014 do ministro Joaquim Barbosa, publicado no Diário Oficial, em que manda autuar e distribuir uma investigação da Polícia Federal na Divisão de Repressão a Crimes Financeiros.
Segundo a PF, foram identificadas transações cambiais com indícios de irregularidades supostamente realizadas por várias pessoas, nas quais se incluem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Além dele, aparecem na lista o senador Álvaro Dias (PSDB), o ex-senador Jorge Bornhausen, entre outros.

Petição assinada pelo então presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa
A Petição 5.169, que tramitou com “segredo de justiça”, foi distribuída ao ministro Celso de Mello. Declarando-se suspeito, Mello deu continuidade à distribuição da petição, que caiu nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que mandou arquivar os documentos e os devolveu à Procuradoria-Geral.
O “Migalhas” acrescenta que, como se trata de investigação aberta em 2006, a qual envolvia personagens com foro privilegiado, o caso aportou na PGR (as decisões dos ministros Joaquim Barbosa e Gilmar citam a cota do parquet, sem dizer quem a subscreveu). Na época (de 2005 a 2009), o chefe do MPF era Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, que hoje é justamente o advogado que representa os interesses do presidente da Câmara.


21 de outubro de 2015

O festival de fingimentos na política

                         

O poeta é um fingidor. Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.

Esta primeira estrofe da “autopsicografia” de Fernando Pessoa é perfeita para o festival de fingimentos de nossos políticos nas últimas horas deste começo de semana.

Os campeões do fingimento foram os líderes da oposição, que mais uma vez defenderam o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, considerando gravíssimas as denúncias contra ele. Desta vez não houve nota, só uma entrevista coletiva. Mas lá dentro, no plenário, na frente de Cunha, não deram um pio, nem quando cobrados ao microfone por Chico Alencar, líder do PSOL. Em verdade, segue a oposição dando sustentação a Cunha em troca do eventual acolhimento do pedido de impeachment de Dilma, mas pensa que engana com notas e declarações fingidas.

Bons fingidores foram também Dilma e Cunha na troca de farpas que protagonizaram, ruim para os dois. Ele fingindo não ser “um brasileiro” com contas na Suíça, replicando lamentar o maior escândalo de corrupção do mundo em “um governo brasileiro”. Ela assegurando que seu governo não é acusado de nada e ele dizendo que não sabia que a Petrobrás não era parte do governo. Pano rápido e encerraram a querela porque nenhum dos dois tem nada a ganhar com ela.

Mau fingidor foi o presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD/BA), com a história de que precisa de mais um tempo regimental para dar sequência ao pedido de cassação de Eduardo Cunha apresentado por Rede e PSOL. Agora, só em novembro, disse ele. E olhe que Araújo vem garantindo que Cunha será tratado como qualquer outro deputado da Casa.

Fingiu mal o líder do PT, Sibá Machado, quando tentou explicar porque seu partido não pedia também o afastamento de Cunha, tal como fingiu fazer a oposição. “Estamos focados no ajuste fiscal”.


E fingiu muito mal a CPI da Petrobrás, com seu relatório que não pediu o indiciamento de nenhuma autoridade.

20 de outubro de 2015

Como parar tanta sangria?


A oposição, liderada pelo PSDB, se diz escandalizada  com  o saque na Petrobras. Realmente é dinheiro que não acaba mais. Imagine se forem somar todos os desvios de recursos da estatal desde 1996 quando Paulo Francis denunciou , pela primeira vez, o roubo  nessa que é uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. A maioria dos envolvidos na Operação Lava-Jato é de empreiteiros e políticos.  Não percamos de vista que entre os  políticos estão gente do  PT e  de vários outros partidos, inclusive do “limpinho” PSDB.
Como no Brasil roubalheira pouca é bobagem, o que dizer desse outro escândalo, sobre o qual a mídia mantém um silêncio sepulcral? Vejamos:

Segundo  dados  do  Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz)  a dívida dos 500 maiores devedores do País daria para cobrir várias vezes o valor do ajuste fiscal previsto pelo governo federal.
Lista divulgada recentemente pelo Ministério da Fazenda mostra que os 500 maiores devedores do fisco deixaram de recolher R$ 392 bilhões em impostos em 2014. O governo faz um reajuste fiscal dolorido para  a população para arrecadar R$ 64 bilhões.
O maior devedor é a Vale do Rio Doce, privatizada em 1997 pela bagatela de R$ 3 bilhões quando foi avaliada em RS 22 bilhões. E boa tarde do dinheiro usado na compra foi financiado pelo BNDES. Hoje a Vale deve para a União RS 41,9  bilhões. O total dos débitos inscritos na Fazenda é de R$ 1,162 trilhão., 20% do PIB,  que significa 500 vezes mais do que foi desviado da Petrobras.
A sonegação só este ano, segundo estimativas preliminares do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda deve chegar a R$ 500 bilhões. Mais da metade desse calote estará sendo dado até dezembro por grandes empresas, nacionais e multinacionais. E olhem que aí nem estão incluídos os números escandalosos levantados na Operação Zelotes, referente a propinas que grandes empresários pagavam para membros do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais deletarem do sistema os processos de dívidas tributárias que o Carf analisava. Só aí há um calote de cerca de R$ 20 bilhões, envolvendo inclusive empresas de comunicação.
Com tanta sangria assim, como se pode imaginar que o Brasil sairá do buraco  se impicharem  a presidente da república? Parte da sociedade andou aderindo à falsa indignação da elite nacional , que  da eleição para cá , potencializou o ódio contra a esquerda, sobretudo contra o PT que muitos identificam (erroneamente) como ícone da esquerda brasileira.
O fato concreto é que está sim faltando um governo mais competente e totalmente desgarrado do mal feito, que tenha condições (e coragem) de pegar à unha o touro da sonegação fiscal apontada pelo Sinprofaz, fazendo os grandes sonegadores devolverem a grana que surrupiaram e até, colocando alguns na cadeia.  Isso sim marcaria o passo decisivo para a recuperação total do nosso país, permitindo que o Estado ampliasse suas políticas compensatórias e implementasse aquela política de distribuição de renda sonhada por todos aqueles que, como eu, alimenta a utopia de ver o Brasil sendo dos brasileiros.



19 de outubro de 2015

Serra quer aplicar golpe fiscal na economia brasileira



Pelo menos 70 economistas, cientistas sociais e jornalistas assinaram um manifesto contra uma emenda proposta pelo senador José Serra (PSDFB-São Paulo) que significa, na prática, um golpe fiscal na democracia brasileira. Fundamentado em dados técnicos equivocados, o tucano propõe um projeto antinacional que vai comprometer a saúde financeira do país por longos anos.

A proposta limita a dívida pública da União e força a obtenção de superávit fiscal de 3% do PIB. É uma garantir que Serra quer dar aos compradores da dívida da União, na medida em que obriga o governo a resgatar os títulos, chova ou faça sol, aconteça o que acontecer. Assim, os grandes investidores garantiriam uma política de austeridade pelos próximos 15 anos. É uma espécie de recessão programada , fadada a provocar desemprego e fome no país.
Informa o manifesto que “ As consequências sobre o crescimento econômico, a justiça social e a própria arrecadação de impostos são deletérias. Significaria perenizar a crise econômica por que hoje passamos”.
O projeto engessaria as políticas fiscal, monetária e cambial do país, “ a partir de uma compreensão tecnicamente equivocada das relações entre o Tesouro Nacional e o Banco Central. Muito provavelmente engessaria o crescimento econômico necessário não apenas para gerar os empregos de que a sociedade brasileira carece, mas até mesmo para pagar a dívida pública”. E tudo isso ocorreria sem qualquer discussão com a sociedade.
Entre os signatários do manifesto, destacam-se: 
Maria da Conceição Tavares – UNICAMP/UFRJ
Carlos Lessa – Economista – UFRJ
Paul Israel Singer – Economista – USP
Marcio Pochmann – Economista – UNICAMP, Presidente da Fundação Perseu Abramo e membro do Fórum21
Niemeyer Almeida Filho – UFU – Presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) 
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Economista – UNICAMP e membro do Fórum Hildete Pereira de Melo – Economista – UFF
Celia de Andrade Lessa Kerstenetzky – Economista – UFF
Jaques Kerstenetzky – Economista – UFRJ
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Economista – UNB
Esther Bemerguy de Albuquerque – Economista e membro do Fórum21
Francisco Lopreato – Economista – UNICAMP
Fernando Monteiro Rugitsky – Economista – USP
Carlos Aguiar de Medeiros – Economista – UFRJ 
Lena Lavinas – Economista – UFRJ
Valéria Moraes – economista e Jornal Brasil Popular
Rodrigo Octávio Orair – Economista e pesquisador do IPEA e PNUD
Alfredo Saad Filho – Economista – SOAS – Universidade de Londres
João Sicsú – Economista – UFRJ
José Carlos de Assis – Economista UFRJ
Ladislau Dowbor – Economista – PUC/SP e membro do Fórum21
Jorge Mattoso – Economista – Unicam

José Luís Fiori – Cientista Político, Pesquisador e Professor – UFRJ
Venicio A. de Lima – UNB e CEBRAS-UFMG e membro do Fórum21
Fernando Morais – Escritor e jornalista
José Carvalho de Noronha – Médico Sanitarista, consultor do CEBES – RJ
Celso Amorim – Embaixador
Andre Singer – USP
Maria Victoria de Mesquita Benevides – Socióloga e professora da USP
Saturnino Braga – Presidente do Centro Celso Furtado
Lincoln Secco – Professor de História da USP
Reginaldo Nasser – Departamento de Relações Internacionais da PUC/SP
Ricardo Musse – Sociólogo da Universidade de São Paulo
Gilberto Bercovici – advogado – USP 
Jacques Távora Alfonsin – Advogado – UNISINOS/RS
Sebastiao Velasco e Cruz – UNICAMP e membro do Fórum21
Juarez Tavares – Professor Titular da UERJ, Professor Visitante de Frankfurt e Subprocurador-Geral da República
Reginaldo Moraes – Filosofia na Universidade de São Paulo
Francisco Carlos Teixeira da Silva – Professor titular da UFRJ
Walquíria Leão Rego – UNICAMP – e membro do Fórum21
Rubem Murilo Leão Rego – UNICAMP e membro do Fórum21
Leonardo Avritzer – Cientista Social – Universidade Federal de Minas Gerais 
Antonio Lassance – Cientista Político, pesquisador do IPEA e DIEST e membro do Fórum21
Erick Vargas da Silva – Historiador
Joaquim Soriano – Diretor da Fundação Perseu Abramo
Laura Carvalho – Economista
Pedro Estevam Serrano – PUC/SP
Rosa Maria Marques – Economista – PUC/SP e membro do Fórum21
Marcos Dantas – Comunicação URFJ
Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da UFABC
Tania Bacelar – Cientista Social – Universidade de Paris I


17 de outubro de 2015

Argumentos econômicos para sustentar a tese do impeachment? Me poupem.



Argumentos econômicos, só argumentos econômicos, sustentam agora a tese do impeachment. O mercado quer derrubar Dilma, e se o mercado quer, "quem somos nós, políticos da oposição, para negar apoio aos nossos queridos grandes investidores?".
A oposição, PSDB à frente, dissemina a ideia de que se Dilma for apeada do poder, a coisa melhora, a economia brasileira volta a crescer e a corrupção acaba de vez no país. Quanta besteira, quanta mentira, quanta dissimulação!
Agora que a Fitch diminuiu a nota de crédito do Brasil, a nossa falta de credibilidade perante o "deus mercado" vai nos levar definitivamente a bancarrota . Mesmo tendo o STF fechado os atalhos irresponsáveis que o "probo" Eduardo Cunha tentava seguir para levar o Congresso Nacional a cassar a presidente, a tchurma não se deu por satisfeita e continua tentando encontrar outros meios de inviabilizar o governo.
A sociedade já se apercebeu disso e se coloca com um pé atrás em relação ao impeachment , embora meia duzia de analfabetos funcionais continuem achando que tirando Dilma à moda paraguaia (o presidente Lugo foi apeado do poder de uma forma que até hoje não se explica) o Brasil estará salvo da crise econômica.
Pasmem, não é o viés político que está em jogo nessa questão, mas sim os interesses econômicos do grande capital, incentivado a seguir com o baile por uma pá de descompensados, que faz uma leitura distorcida (e movida a ódio) do cenário nacional.
Tenho dito. 

13 de outubro de 2015

Riquezas da nossa América


Víctor Jara foi um destacado artista chileno. Diretor de teatro, compositor, cantor, líder do movimento da Nueva Canción Chilena, que gerou uma revolução na música popular de seu país durante o governo de Salvador Allende. Foi professor de jornalismo na Universidade do Chile onde, vítima do regime sanguinário de Pinochet, foi preso, torturado e fuzilado. Alguns livros da história do golpe militar que derrubou (e também assassinou) Salvador Allende, informam que Jara teve suas mãos cortadas depois de morto. Mas esta versão não é confirmada. O que se sabe, de fato, é que seu corpo foi abandonado na rua de uma favela em Santiago.

11 de outubro de 2015

O golpe e o poder das ideias


         .  Editorial do site Carta Maior

À medida que apodrece a reputação dos centuriões do golpe (Cunha, Nardes, Agripino, Aéreo Neves), os golpistas jogam um jogo de vida ou morte nos próximos dias



O país vive horas cruciais. O assalto conservador ao poder joga uma cartada de vida ou morte contra o relógio político nos próximos dias.
 
À medida que apodrece a reputação de seus centuriões, e os savorolas da ética entram em combustão explosiva  --caso dos homens-tocha Cunha, Agripino, Nardes, Aéreo Neves etc, resta-lhes apostar tudo no estreito espaço de tempo entre a desmoralização absoluta e a capacidade residual de articular o golpe.
 
Arqueado sob R$ 31 milhões em depósitos suíços, segundo a Folha, Cunha negociou com a hesitação golpista: em troca do pescoço, articulou uma operação casada com o PSDB.
 
Tucanos salvam a aparência pedindo seu afastamento –‘para que possa exercer seu direito constitucional à ampla defesa’. Em troca, o personagem que não tem mais nada a perder acelera a operação do impeachment, como última estaca de sobrevivência antes do abismo.
 
A sofreguidão avança de faca na boca.
 
Um colunista de Veja é  transferido para O Globo; estreia numa hora em que o golpismo se enlameia;  a ‘república de Curitiba’ vaza para ele denúncia exclusiva do delator Fernando Baiano... contra filho de Lula.
 
Já serviu para deslocar a manchete de Cunha para o segundo plano na primeira página do isento veículo carioca. 
 
Vai por aí a coisa.
 

10 de outubro de 2015

Mais sujo que pau de galinheiro




Documentos enviados pelo MP da Suíça para o Brasil comprovam que um negócio de US$ 34,5 milhões fechado pela Petrobras em 2011 em Benin, na África, serviu para irrigar as quatro contas que têm como beneficiários o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua esposa, Cláudia Cordeiro Cruz; o caminho do dinheiro começa no pagamento da Petrobras à CBH, que celebrou o negócio em Benin; a conta da empresa tem como titular o brasileiro Idalécio de Oliveira, que repassou US$ 31 milhões à Lusitania Petroleum Ltd, também de sua titularidade, que, por sua vez, destinou US$ 10 milhões em maio de 2011 ao empresário João Henriques; Henriques é lobista do PMDB e fez cinco repasses para uma das contas em nome de uma das três offshores que têm Cunha como beneficiário, no valor total de 1,3 milhão de francos suíços.

   . Do site 247

5 de outubro de 2015

Navio Negreiro



  Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
(…)
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? 

(…)

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
(…)

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!..


Castro Alves ( 1847 – 1871 )

Extraído do Blog do Bourdoukan

3 de outubro de 2015

Lá não é como cá, nem cá é como lá


Nos Estados Unidos, ex-presidente não volta a disputar a Casa Branca e, preservando a liturgia do cargo evita continuar se imiscuindo na política partidária. Fica , no máximo , como conselheiro, embora Bill Clinton esteja, de forma indireta , quebrando um pouco essa tradição,  com a pré-candidatura da esposa Hillary. No Brasil, ex-presidente não só fala, como influi nos rumos das sucessões presidenciais e, eventualmente, até voltam ao centro do palco eleitoral, como fez Getúlio Vargas , embora ele tenha disputado o voto só na volta ao Catete, como teria feito JK e como agora pretende fazer Lula.
No caso presente de Luis Inácio Lula da Silva, a sua provável volta à disputa tem a ver com a tentativa de continuidade do PT no poder e a uma quase necessidade de sobrevivência do Partido dos Trabalhadores, que se continuar nessa mesma marcha, chega a 2018 em frangalhos, tendo em Lula sua  tábua de salvação.
Vamos e venhamos: por mais que esteja desgastado, Lula já partiria para a disputa com uma base (sólida) de 30% das intenções de voto e com possibilidades reais de retomar a popularidade que sempre teve, mercê do seu carisma pessoal e da sua capacidade incrível de falar com o povão, na linguagem do povão.
Isso explica a tal PEC 125 de uma inexpressiva deputada carioca chamada Cristiane Brasil. Claro que ela não deve ter nenhum objetivo de preservar a figura do ex-presidente, deixando para ele apenas o papel (positivo ou negativo) que a história lhe reserva. O objetivo é outro e não deve ser coisa da cabeça da deputada. Ela certamente está sendo feita de boi de piranha (ou seria vaca de piranha?) para protagonizar um espetáculo de qualidade duvidosa.
Diz a ementa do Projeto de Ementa Constitucional: “Altera o artigo 14, parágrafo 5º., da Constituição Federal, para determinar a proibição da reeleição por períodos descontinuados, para os cargos do Poder Executivo”.
Significa, na prática, que a proposta visa impedir uma eventual candidatura de Lula em 2018. Tanto que a própria imprensa já apelidou a iniciativa de “PEC anti-Lula”. Fica muito claro, então , o caráter golpista da proposta e o medo implícito da oposição em relação ao “sapo barbudo”. Lula viria para a campanha, caso não consigam fazer com que a Operação Lava-Jato o leve a nocaute, armado até os dentes e disposto a desmontar os explosivos que colocaram no seu caminho.
Munição não haverá de faltar ao ex-presidente, que poderá resgatar e clarear para a opinião pública, a origem da corrupção na Petrobrás, o escândalo do Banestado (Operação Macuco) e o nascedouro do mensalão, que o PT deu sequência com grande capacidade operativa, diga-se de passagem, mas que começou lá atrás, com o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo, criador do indigitado personagem Marcos Valério.
O problema é que numa campanha presidencial em que Lula estivesse duelando com Serra, Aécio ou Alckmin, os brasileiros teriam que tampar o nariz ante uma terrível guerra de babuínos, que se enfrentam jogando excrementos uns nos outros. Mas, fazer o que se a nossa democracia, ainda tenra, não conseguiu produzir quadros mais interessantes do que esses que já estão colocados na cena política do país para 2018?