2 de novembro de 2015

Eis aí de novo, o roto falando do esfarrapado





Fernando Henrique Cardoso agora é colunista do  Estadão, de onde lança ideias que nunca executou enquanto presidente; dita regras e prega, sem nenhum pudor, o estado mínimo, tão obcecadamente defendido por liberais “probos” como Bornhausen, Agripino, Eduardo Cunha e outros menos notáveis.
Na última coluna, FHC gaba-se de estar retornando da Alemanha onde foi especialmente para assistir a duas sinfonias de Beethoven , algo que lhe confortou muito.
Reconfortado, de alma lavada e coração leve, voltou ao Brasil para pregar a derrubada da presidente Dilma , que para o ídolo do meu preclaro amigo Edmundo, devia  ter a “grandeza” de renunciar .O governo tucano de Fernando Henrique, todos sabem, foi uma lástima do ponto de vista econômico e ético. Surfou com o sucesso do Plano Real,  criado na gestão Itamar Franco, que morreu magoado com o fato de FHC assumir a paternidade de um plano que ele não fez, apenas pilotou . Franco não admitiu , mas ficou claro que cedeu a pressão das elites  para que ajudasse a viabilizar um presidenciável capaz de derrotar o fenômeno Lula em 1994.
Quem se lembra da enxurrada de manchetes dos grandes jornais sobre a crise econômica e de credibilidade do governo Fernando Henrique? Quem haverá de ter esquecido o escândalo da compra de deputados para aprovar a emenda da reeleição? E do escândalo das contas CC5 do Banestado? E da quase doação da Vale para um grupo privado liderado pela Vicunha do megaempresário Benjamin Steinbruch? E a roubalheira na Petrobras denunciada em 1996 por Paulo Francis?
O Brasil vive sim uma grave crise econômica, mas uma crise agravada pela movimentação golpista que a oposição faz no Congresso e que , de certa forma, afeta a governabilidade. Negar que Dilma vai mal não tem como. O governo dela é ruim mesmo. Mas , lembrando o que disse Ciro Gomes, governo ruim se tira no voto. Como a reeleição é recente, vão ter que esperar até 2018 para tentar derrotar o PT. Lulaa já é , declaradamente, pré-candidato, e a perspectiva de nova derrota para o PT, deixa o tucanato em polvorosa. Isso explica quase tudo. Explica, por exemplo, porque o glamoroso ex-presidente Fernando Henrique se entrega de forma tão ridícula  (e desesperada) à sanha golpista.


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