3 de dezembro de 2015

Hoje pior do que ontem, amanhã pior do que hoje


A uma pessoa que se queixou do nível da Câmara dos Deputados, o saudoso Ulysses Guimarães respondeu simplesmente : “ Então você espere a próxima que vai ser bem pior”. Os fatos tem mostrado que esta foi quase uma profecia do “Senhor Diretas” . A atual é sempre pior do que a anterior e a próxima será pior do que atual. Isso vale não só para a Câmara Federal, mas vale também para as assembleias legislativas e câmaras municipais. Basta pegarmos o exemplo de Maringá, onde vivemos . Quer Câmara pior do que essa? Então espere a próxima.

Como evitar essa degradação moral e intelectual dos nossos poderes legislativos? Não há fórmulas mágicas, mas é preciso que o Congresso Nacional dê um passo decisivo na direção da reforma política que o país precisa. Tudo bem que não dá pra esperar mudanças profundas por quem pouco interesse terá de alterar alguma coisa. Ainda mais que a indignação que se vê nas ruas se direciona exclusivamente à Presidência da República e ao partido da presidente. A população não consegue compreender o significado de um parlamento repleto de Cunhas e Dulcídios e nem atentar  para o fato de que é sempre deletéria, a atuação de bancadas disso e bancada daquilo, que ela elegeu imaginando estar qualificando melhor o nosso parlamento quando, ao contrário, está é oxigenando  o espírito de corpo. Um exemplo claro disso é a chamada bancada evangélica que, de tão conservadora, joga todas as suas fichas no atraso. E, ainda pior, a "bancada da bala", liderada pelo paranaense Francischini, que não faz outra coisa a não ser atuar na contra-mão da história, com discursos de permanente incentivo  à cultura da violência.


Vamos admitir que o Congresso casse a presidente Dilma. Quem assumiria, caso o processo não atinja o seu vice? Sim, ele mesmo, Michel Temmer, o grão-mestre do PMDB, partido que tem Cunha e uma pá de deputados iguais a ele. E aí, como imaginar que o Brasil melhora com o impeachment ?  Mesmo que Temmer seja impedido, teríamos uma eleição extra , presidida por ninguém menos que   Dias Tóffoli ou, provavelmente, por  Gilmar Mendes, que deverá ser o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral. 

Uma alteração parece urgente para que o país comece a tornar menos pior a composição das câmaras municipais. Seria, na avaliação de políticos sérios (acredite, eles existem) e analistas comprometidos apenas com a ciência  social, o fim das coligações proporcionais e o estabelecimento de cláusulas de barreira contra a proliferação de siglas partidárias de aluguel. 

Não seria uma panaceia, mas  havendo essas mudanças já para 2016, com certeza a composição dos poderes legislativos municipais melhoraria um pouco. E teria influência também nas eleições majoritárias, porque são as siglas de aluguel que acabam viabilizando candidaturas e até vitórias de concorrentes  fichas sujas a prefeitos. E o que dizer da distribuição de cadeiras no legislativo ditada pelos critérios da proporcionalidade? Ao votar em Fulano e eleger também Ciclano e Beltrano , o eleitor acaba  mandando para a Câmara de Vereadores quem ele nem conhece ou às vezes conhece, e por conhecer,  não confia.


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