8 de fevereiro de 2016

Coincidências históricas




Ele não fez reforma agrária, nunca leu Marx, mas perseguiu marxistas no seu primeiro governo, ao ponto de  entregar Olga Benário aos nazistas para morrer numa câmara de gás na Alemanha de Hitler. Em 1937 apavorou o país com a história da Intentona,  que levou o povo   a acreditar que uma invasão comunista ameaçava o Brasil. Objetivo: dar o golpe,  que culminaria com a ditadura do  “Estado Novo”.
Apeado por um contra-golpe, mercê do enfraquecimento  do “Estado Novo” em 45,  Vargas voltou ao poder  pela força das urnas em 1950. Deixou  como legado avanços sociais significativos, que fizeram dele um mito da política brasileira.
Getúlio Vargas criou a Petrobras, o BNDES e uma política consistente de fortalecimento do mercado interno,  por meio principalmente do incremento do salário mínimo, por ele instituído. Não sem antes equilibrar as relações capital e trabalho por meio da CLT.
Getúlio acabou vítima de uma pesada onda de acusações e ofensas, que não poupava sua família e quem quer que dele estivesse próximo. Basta lembrar que Lutero, seu irmão, era tratado pelos jornais de bastardo e ladrão. A João Goulart, ministro do trabalho , reservavam adjetivos nada republicanos,  como cafajeste e personagem de boate.
Carlos Lacerda, que carregava o estandarte da UDN,  queria enterrar o trabalhismo e mandar para as   profundezas do inferno as conquistas sociais dos trabalhadores. Principal algoz do presidente, comandou  contra Vargas  uma campanha difamatória como nunca antes vista.  
Um dia tentaram matar Lacerda. Acusaram Vargas de ser o mentor, mas nunca ficou provado o envolvimento pessoal do presidente no chamado crime da Rua Toneleiros. Mas a versão que ficou foi a de que o atentado , decisivo para a campanha anti-Vargas, foi obra do ajudante de ordem do presidente,  chamado Gregório Fortunato.
Foi a gota d´água para que o país desencadeasse no coração do “velho” um sentimento de total impotência  para lidar com aquela situação. Logo ele, tão duro, de personalidade tão forte e tido como homem de têmpera,  acabou fraquejando e ao sentir-se num beco sem saída, tirou a própria vida com um tiro no peito.
O clima de revolta foi grande. A população, inconformada com o suicídio devastador para o país, foi para as ruas e, porta-vozes da oposição passaram a ser perseguidos pelas ruas do Rio de Janeiro, capital da república. A imprensa não teve como fugir dos fatos e noticiou com o destaque que as circunstâncias impunham, fotos de multidão consternada e enfurecida cercando a rádio Globo e hostilizando os demais veículos de comunicação da família Marinho.
Carlos Lacerda, que era chamado de “O Corvo”, teve que fugir num cruzador, para longe da costa brasileira porque, se escapou do atentado da Toneleiros, da fúria popular não haveria de escapar.
O que isso tem a ver com o momento atual? Nada e tudo ao mesmo tempo. Comparar esse momento histórico com aquele parece absurdo, mas algumas coincidências são visíveis. A UDN não morreu, é  o tronco da árvore genealógica de partidos como o PSDB, DEM  e outras siglas identificadas com a fisiologia.  Não temos um Carlos Lacerda, mas vários lacerdinhas, que  montam verdadeiro arsenal para  detonar, não  um novo Getúlio, mas alguém que parece representar projetos correlatos  e que,  no quesito agendas sociais, tem algo em comum com o estanceiro gaúcho.





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