12 de março de 2016

Delator de corrupção na Receita Estadual envolvendo o governador Beto Richa pede proteção à Justiça


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                                                  . por Fábio Silveira, do blog Baixo Clero, de Londrina

O auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, principal delator na Operação Publicano, pediu medidas especiais para garantir a segurança dele, em decorrência da abertura de investigações contra o governador Beto Richa (PSDB), autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No pedido, alegando “razões de extrema cautela” e justificando temer “pela integridade física” de Souza, o advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o delator, pediu que o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, determine “isolamento absoluto, monitoramento diuturno por câmeras de segurança, da movimentação de pessoas que cercam o cubículo que mantém a restrição de liberdade [de Souza]” e pede ainda que ele só faça as refeições com alimentos fornecidos pela sua família.
Ferreira lembra no requerimento que em interrogatório realizado na segunda-feira (7), Souza reafirmou a denúncia de que dinheiro de propina obtido por auditores fiscais em troca de facilitar a sonegação, teria alimentado a campanha de Beto Richa à reeleição. A afirmação tinha sido feita nos depoimentos ao Gaeco – e por isso subiu até a Procuradoria Geral da República, que pediu a abertura das investigações – e foi reafirmada em juízo, durante o interrogatório.Segundo o delator, foram R$ 4,4 milhões para a campanha do tucano.
Nesse mesmo interrogatório, Souza relatou ameaças à sua integridade física, feitas dentro da PEL 1, onde ele está preso. “Os fatos articulados pelo Requerente [Souza], por si só, demonstram a necessidade de medidas excepcionais visando a proteção de sua vida”, escreveu o advogado. Ele argumentou que a autorização do STJ para que Beto Richa seja investigado com base nas declarações feitas pelo delator – que deverá ser chamado novamente a depor – justificam as medidas de segurança.
“Tais questões afloram sentimentos de absoluto cuidado com a integridade física do Requerente, já, outrora, ameaçada por interesses muito menores. Logicamente que aqui não se imputa ao senhor Governador de Estado qualquer ação imprópria, porém, a cautela do caso induz o reconhecimento claro de que interesses enormes estão em jogo, sendo o Requerente pilar de sustentação das acusações a serem investigadas pelo Superior Tribunal de Justiça”, conclui a defesa.
O juiz Juliano Nanuncio ainda não respondeu o requerimento.


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