3 de agosto de 2016

Em busca da utopia perdida


A Carta Capital oferece ao PT em reportagem publicada em sua última edição, elementos consistentes para uma boa reflexão. Com o título “O preço do pragmatismo” a revista semanal sugere que o Partido dos Trabalhadores paga caro por ter trocado a utopia de um projeto de estado social pelo pragmatismo político, cujo objetivo era única e exclusivamente manter um projeto de poder.
“ Quando o impeachment de Dilma Rousseff ainda era uma farsa em fabricação, Lula pregou uma “revolução” no Partido dos Trabalhadores para recuperar a utopia perdida pela legenda ao longo de mais de uma década de governo. “Nós temos de definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto”, afirmou o ex-presidente em um seminário organizado em 2015.
Pelo jeito, o partido queria era salvar a própria pele.Por isso teve dificuldade de criar fatos que impedissem o avanço do golpe parlamentar, hoje praticamente consolidado. Por mais que o andar da carruagem tenha dado à presidente Dilma algumas vitórias jurídicas, como por exemplo, a comprovação, via Ministério Público, de que ela não cometeu crime de responsabilidade, a aprovação do impeachment é quase favas contadas. Ela teve 22 votos na sessão de admissibilidade e precisaria de mais 6 (isso caso não tenha perdido nenhum dos 22), o que a essa altura parece muito difícil. Principalmente porque o interino Michel Temer, com a indisfarçável ajuda do Eduardo Cunha e do ministro do STF Gilmar Mendes, articula nos bastidores pela cassação da sua companheira de chapa em duas eleições.
Vale a lembrança de que, disputando a presidência, Temer teria votação de candidato nanico. Mas uma vez na presidência, onde chegou graças aos 54,5 milhões de votos de Dilma, ele tem a faca e o queijo na mão para consolidar a rasteira que ajudou a dar na titular.
A eleição de Rodrigo Maia para presidente da Câmara , segundo Carta Capital, revelou-se uma oportunidade perdida para o os partidos de esquerda que, divididos, perderam a chance de mandar para o segundo turno o candidato apoiado por Dilma.
“No Senado, o apoio de parte do PT a Maia também gerou críticas. Em um vídeo pessoal, o senador Lindbergh Farias desabafou ao afirmar que a esquerda “sujou as mãos” com o democrata. Para ele, PT, PCdoB e PSOL deviam ter se unido em torno de apenas uma candidatura. “Agora, apoiar Maia é inexplicável, ele traz uma agenda regressiva, de retirada de direitos”, diz. “No momento, ele prepara a votação da PEC que limita os gastos públicos à inflação do ano anterior e a entrega do pré-sal. O que ganhamos com esse acordo?”.

Pode parecer auto-promoção, mas o ato de rebeldia do ex-senador Eduardo Suplicy , preso em São Paulo ao tentar impedir uma reintegração de posse de um terreno ocupado por 350 famílias de sem teto, foi sim uma metáfora da velha utopia petista, que a militância anda querendo resgatar. “Suplicy deitou-se na rua e foi levado pela polícia militar após se recusar a deixar o local. As imagens do ex-senador sendo carregado pelos agentes rodaram o País. Se o objetivo é recuperar a utopia perdida, nada melhor que um pouco de rebeldia para animar as bases”, conclui a revista de Mino Carta.

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