26 de novembro de 2016

Fidel, suas contradições e a pergunta: como o julgará a história?




Fidel Castro, que faleceu ontem a noite aos 90 anos era uma figura de extremas contradições. Liderou a Revolução de 1959 , pondo fim à transformação da Ilha num quintal dos Estados Unidos e botando pra correr o serviçal de Washington, Fulgêncio Batista. Promoveu grandes transformações sociais em Cuba, que aderiu definitivamente ao socialismo soviético após o bloqueio comercial decretado pelo presidente Kennedy.
Fidel governou Cuba com mão de ferro durante meio século, criando e potencializando mecanismos de de auto-proteção do país contra o inimigo comum, que estava ali bafejando no seu cangote o tempo todo. Se notabilizou quando deu uma surra nos americanos na Baia dos Porcos . A partir daí somou aliados e desafetos, colecionou admiradores e inimigos, atraindo para a Ilha, simpatias e repulsas. Simpatia pelo desenvolvimento de áreas sociais muito importantes, como a saúde e a educação e repulsas, sobretudo , pela maneira violenta e desumana com que tratava os adversários internos da Revolução.
Gostemos ou não, o fato é que Fidel Castro tornou-se um dos maiores nomes da política ocidental, uma liderança respeitada e odiada, mas nunca ignorada nos quatro cantos do mundo. Nunca na história da humanidade, um líder popular teve uma retórica tão intensa quanto ele. Nunca  se viu alguém discursar por tanto tempo quanto ele. Chegou a falar durante 12 horas em uma tribuna. Quebrou todos os protocolos da ONU, discursando por 4 horas. Em 1988 eu tive o privilégio de fazer parte de uma comitiva de professores da Universidade Estadual de Maringá, como convidado, claro, numa viagem de intercâmbio cultural e científico da nossa UEM com a Universidade de Havana. Ficamos lá durante 10 dias, por coincidência no ano das comemorações dos 29 anos da entrada dos revolucionários na capital, expulsando Fulgencio Batista após dois anos de preparação da Revolução em Sierra Maestra.
Fui à Praça José Marti assistir a uma solenidade de comemoração , que reuniu 500 mil pessoas. Isto mesmo, 500 mil pessoas. Fui mais cedo porque queria ficar bem perto do palanque. E fiquei. Naquele dia, Fidel discursou durante 5 horas e 20 minutos.
No dia seguinte fui à redação do Gramma, principal jornal do país e lá, com minha carteirinha de jornalista, emitido pela FENAJ - Federalão Nacional dos Jornalistas, e fui muito bem recebido, como periodista. Consegui uma foto aérea da concentração na Praça, que mostrava aquele mar de gente. Depois  publiquei a foto numa reportagem que fiz para a revista POIS É, que eu editava junto com o Moscardi e o Antônio Carlos Moreti.
Antes da comitiva voltar, os professores programaram um tour , com opção pelas praias de Varadero ou Caio Largo. Eu escolhi Caio Largo, para onde a gente iria num aerofloot, avião russo da Segunda Guerra Mundial. Mas acabei dispensando a viagem quando soube que naquele sábado o então presidente da União Soviética, Mikail Gorbachev, iria a Havana para anunciar o perdão da dívida que Cuba tinha com a URSS . Ali Gorbachev  desfilaria em carro aberto. Preferi não perder essa oportunidade histórica. Mas infelizmente, ele acabou cancelando a viagem na última hora porque precisou ir à Armênia, onde ocorrera um terremoto.
O que quero dizer, finalmente, é que Fidel foi um dos principais líderes mundiais do século XX. Gostem  ou não , ninguém pode deixar de reconhecer a sua importância histórica, principalmente para a luta da América Latina contra o imperialismo yanke . Como a história o julgará?
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