8 de novembro de 2016

O dissidente que se fez prefeito


É natural que após uma eleição majoritária de ânimos tão acirrados  como foi esta do segundo turno em Maringá todo eleitor se ache um analista político e queira encontrar explicações plausíveis para o resultado final. Também me julgo nesse direito, e até com base na minha vivência em campanhas, ouso dar os meus pitacos, indo um pouco além do senso comum.

Começando pelo começo, a ascensão de Ulisses Maia guarda uma certa semelhança com a de José Cláudio. Claro que o momento histórico é outro e os pontos  coincidentes  são mínimos, podendo ser contados  nos dedos da mão. Um desses pontos é o fato de ambos terem disputado  uma eleição de prefeito antes e de ninguém acreditar no início das respectivas campanhas vitoriosas  que  ambos fossem  para o segundo turno.

 

Na eleição de 2000, Zé foi vítima de muita baixaria, arquitetada  pelo apresentador Ratinho que, vamos lembrar, vinha de São Paulo para  abrir o saco de maldades  em nome de um ingênuo   Dr. Batista. Claro que  Dr. Batista deve ter se arrependido  da besteira que fez, tanto que no segundo turno da eleição de 2004  desembarcou na campanha de João Ivo Calef, dizendo alto e bom som que estava caindo nos braços do PT.

 

Dessa vez , foi o comandante do grupo político que administra a cidade desde 2005  quem fez o papel de Ratinho.  Deu tudo errado como se viu no resultado  das  urnas. Bater do PT , tentando desmoralizar figuras respeitáveis como Humberto Henrique e Carlos Mariuci,  com o propósito de  atingir por tabela o candidato do PDT  foi um tiro no pé.

 

Mas a derrota do grupo dos Barros, liderado por Ricardo,  não se explica apenas a partir do festival de  baixarias.  Há dois aspectos importantes a serem considerados. Um, acho que o principal, é o da fadiga de poder. Afinal, 12 anos de mando absoluto  produz  um desgaste gigantesco. Ainda mais que não se trata apenas de um grupo político, mas de uma família com ligeiros traços oligárquicos .

 

 O eleitorado, afinal, identificou quão maléfico é a concentração de poder nas mãos de uma só pessoa. Sim, porque até os macacos do Bosque 2 sabem  quem é que  manda  na administração municipal desde 2005. E sabiam também, quem realmente estava por trás de tudo o que acontecia na campanha de Silvio Magalhães Barros II.

 

O outro ponto muito importante a ser considerado é o potencial do próprio Ulisses, que afinal de contas, não caiu de pára-quedas. Desde que se elegeu vereador em 20012 com uma votação expressiva (foi o mais votado daquele pleito), Ulisses vem palmilhando as ruas de Maringá,  visitando bairros, conversando com as pessoas e pavimentando a estrada que o  levará à cadeira de prefeito, salvo engano o 17º   da história do município, aí incluindo os dois vices que assumiram a titularidade – Sinclair Sambatti e João Ivo Calef.  

 

Quanto ao fato dele ter estado no primeiro escalão da  administração Silvio, isso não o desqualificou como oposição. Como bem observou o historiador Reginaldo Dias, Ulisses significou a vitória da dissidência. Ele se desgarrou do grupo hegemônico lá atrás, e durante quase todo  o seu segundo mandato de vereador constituiu-se  em  pedra nos sapatos do prefeito Pupin e  seu tutor. Vale a lembrança de que dissidentes costumam dar certo . No caso em questão,  Ulisses Maia  vem reforçando no eleitorado  a convicção   de que ele será sem dúvida uma agradável surpresa. O tempo dirá.


 

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