7 de janeiro de 2017

Em nome dos que habitam a casa grande, foda-se a senzala


Líderes da FDN (Família do Norte) presos no Mato Grosso do Sul, é que teriam ordenado alguns assassinatos no complexo penitenciário do Amazonas. Isso mostra que a comunicação entre detentos do crime organizado flui com facilidade espantosa.
Seria por meio de celulares, o que deixa a sociedade perplexa, sem entender como pode esses aparelhos entrarem com tanta freqüência nos presídios. Mas não é só isso:   chefes da Família do Norte, presos em Campo Grande (MS) teriam dado ordens para comparsas matarem integrantes da facção rival na capital do Amazonas. De que forma essas ordens foram transmitidas? Segundo reportagem do UOL, há suspeitas de envolvimento de familiares e de advogados dos detentos.
A pergunta que fica é a seguinte: não há monitoramento dos visitantes ? No caso dos advogados a situação se torna ainda mais grave e coloca em cheque o papel das instituições responsáveis pela formação do profissional do Direito e depois pelo cumprimento de regras básicas no exercício da profissão.
Claro que trata-se de uma questão muito complexa, mas não é possível que o estado brasileiro não consiga desenvolver mecanismos razoavelmente eficazes para conter esses vasos comunicantes da criminalidade.
Muitos devem estar dizendo que “dane-se, porque quem morreu foi bandido e eles que se matem”, como aliás se expressou o secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, demitido ontem devido ao grau de constrangimento que impôs ao seu chefe, o presidente Temer. Olha só o que este coxinha disse, sobre os massacres do Amazonas e de Roraima: “Está havendo uma valorização muito grande da morte de condenados, muito maior do que quando um bandido mata um pai de família que está saindo ou voltando do trabalho. Tinha mais era que ter uma chacina por semana”.
O que esse imbecil não se atentou foi para o fato concreto de que o problema maior é que a sociedade como um todo paga o preço do país ter um sistema prisional boquirroto, que não ressocializa, ao contrário, são escolas de graduação e pós-graduação do crime.
Se detentos perigosos, que mais dia menos dia sairão da cadeia, tem todo esse poder de mobilidade (e de mobilização) dentro dos presídios, é lícito imaginar que boa parte das ações criminosas violentas que ocorrem aqui fora são articuladas lá dentro.
Isso só acontece, evidentemente, num país como o nosso, onde os governantes estão pouco se lixando para a segurança da população. E esta, por sua vez, exterioriza seus sentimentos de medo e indignação apenas de forma passional e geralmente individualiza. É por isso que o governo só resolve se mexer e tomar alguma providência quando há um caso de repercussão internacional, como o massacre de Manaus.
Mas podem apostar: basta passar a onda de violência nos presídios, desencadeada a partir da capital do Amazonas, para tudo voltar ao seu lugar . E aí , o governo ilegítimo do TMERário, com a complacência da mídia, voltará a ter como pautas prioritárias o desmonte do estado social , com eliminação de benefícios previdenciários de  trabalhadores doentes e incapacitados para o labor, além da supressão de direitos. Enfim, voltará o governo e sua base aliada no Congresso Nacional a  investir feito leões famintos  sobre as políticas compensatórias implementadas nos últimos 14 anos no país. Tudo em nome de que? Em nome, com certeza,  da manutenção  de privilégios dos que habitam a casa grande. Os da senzala que se fodam.

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