9 de fevereiro de 2017

A caminho de formação de uma geração que não pensa


O QUE TEM A VER A REFORMA DO ENSINO MÉDIO COM O MERCADO DE TRABALHO? TUDO E MAIS UM POUCO

A reforma do ensino médio, que teve como grande inspirador o ator de filmes pornográficos Alexandre Frota, foi aprovada nesta quarta-feira pelo Senado, sem maiores discussões. Privilegia basicamente a formação técnica profissional, ainda que o sistema educacional brasileiro não disponha de estrutura para colocar os jovens acima de 15 anos no caminho da profissionalização.
Mas o que realmente preocupa nisso tudo, é a desobrigação de disciplinas indispensáveis à formação humanística e intelectual dos alunos, que certamente serão privados de disciplinas como sociologia e filosofia, totalmente desinteressantes para um sistema pré-determinado a formar exército industrial de reserva.
Claro que os liberais consideram a expressão marxista uma tolice, achando que a economia de mercado não gera excesso de demanda de mão-de-obra e que a culpa do desemprego é da luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista.
É nesse contexto que a reforma do ensino médio tem que ser vista. Aliás a formação de mão-de obra qualificada para o mercado é o foco principal das faculdades privadas, cujo crescimento foi, paradoxalmente, fomentado pelos governos trabalhistas de Lula e Dilma, do PT.
Tudo bem que é importante haver qualificação profissional a partir do ensino médio, mas a reforma ora aprovada e a ser implementada exclui a perspectiva da escola ser formadora da cidadania, posto que para o neoliberalismo de fundo de quintal, como é esse que predomina no Brasil, estimular a formação de gerações que pensam é contraproducente.
“Queremos trabalhadores que fazem, que produzem e não trabalhadores que pensem, que discutam, que questionem”, disse um empresário local numa rodinha de amigos, ao manifestar seu apoio à reforma do ensino médio e à flexibilização das leis trabalhistas que Fernando Henrique tentou fazer lá atrás e que agora Michel Temer vai enfiar goela abaixo dos trabalhadores, dos sindicatos obreiros e respectivas centrais.

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