30 de março de 2017

Quem sãos os árabes?




                                                                                  .  George  Bourdoukan


Os árabes não são uma geração espontânea.
Não surgiram com o islamismo, judaísmo ou cristianismo.
Eis um resumo:
Historicamente sãos anteriores a Deus e ao monoteísmo.
São uma diversidade de povos com uma unidade lingüística.
Descendem dos faraós, dos fenícios, dos assírios, dos sumérios, dos cananeus, dos babilônios, dos palestinos e por aí vai.
Do ponto de vista religioso, são descendentes de Ismael, o primogênito do Patriarca Abraão, que por sinal era iraquiano da cidade de Ur.
Em seu passado têm
O Primeiro Alfabeto;
O Primeiro Código;


A Primeira Lei;
As Primeiras Navegações;
O Primeiro Dilúvio;
Têm por antepassado
Gilgamesh;
Ramsés;
Nabucodonosor;
Sargão;
Hamurabi;
Talião.
Têm Europa, filha de Agenor, a quem o continente europeu deve o seu nome;
Têm Ifriq, a quem o continente africano deve o seu nome;
Têm os ptolomeus, os seldjuquidas, os romanos e tantos outros que tornam agradável a História aC.
E dC têm os bizantinos, os cruzados e o islamismo, a mais tolerante das religiões monoteístas. Quem conhece história sabe disso. Pois enquanto o Ocidente vivia na Idade das Trevas, o farol árabe-islâmico iluminava a escuridão europeia, a começar pela terra dos vândalos, que os árabes denominavam de Al-Vandaluzia, depois Al-Andaluzia - hoje Espanha e Portugal.
Não haveria a Renascença sem os árabes;
Nem os Grandes Descobrimentos.
E mais:
O primeiro a pisar em solo americano foi um muçulmano que acompanhava Cristóvão Colombo;
E no Brasil, a influência árabe se faz sentir em praticamente todos os setores, a começar pelo idioma.
E foi um árabe muçulmano que lutou ao lado de Zumbi no Quilombo dos Palmares.
E foram os muçulmanos Malês que em 1835 realizaram uma grande revolta na Bahia contra a escravidão.
Enfim, é impossível viajar pela História e pela Cultura sem a companhia dos árabes.

*Este texto eu o escrevi há alguns anos para a Revista Caros Amigos a pedido do companheiro e saudoso Sérgio de Souza.


Vem-me à cabeça a figura do "gato"


                                                                Messias Mendes

Terceirizar, diz a  enciclopédia eletrônica Wikpedia, “é uma forma de organização estrutural que permite a uma empresa privada ou governamental transferir  a outra suas atividades-meio, proporcionando maior disponibilidade de recursos para sua atividade-fim “
A definição por si só, não explica os problemas que a terceirização de atividade-meio  tem ocasionado no Brasil, ainda  que as obrigações trabalhistas recaiam sobre a contratante em caso da contratada dar calote em seus empregados.  Se já era ruim, ficou pior com  PL 4.330, que libera  para  atividade-fim e  estende  a terceirização geral (e irrestrita) também ao setor público.

Se a lei for sancionada pelo presidente Temer  tal qual foi aprovada  pela Câmara  (alguém tem dúvida disso?) a responsabilidade solidária da contratante desaparecerá, dando lugar a uma tal de  “responsabilidade  subsidiária”. A diferença é que na solidária a responsabilização da empresa contratante é direta e quase automática. Ela é , por força de lei, instada  a assumir o passivo trabalhista  eventualmente deixado pela prestadora de serviços que contratou. Já na subsidiária há  um tortuoso caminho a ser percorrido pelos trabalhadores lesados, que terão que brigar na justiça pela responsabilização da contratante.

Tudo bem que a contratante terá de fiscalizar mensalmente o pagamento de salários, horas-extras, décimo terceiro, férias,  etc. Mas não há nenhuma garantia de que o empregado terceirizado terá  resguardados os seus direitos na eventualidade  do  empregador  anoitecer e não amanhecer.
Some-se a esse e tantos outros problemas correlatos , a rotatividade característica  da terceirização.  Tanto que segundo dados do Dieese, a média de estabilidade do contratado direto  é de 5 anos e 8  meses, enquanto que a do terceirizado é de apenas 2 anos e sete meses. Como desgraça pouca é bobagem, o trabalhador terceirizado  ainda sofre com uma redução brutal de seus salários , da ordem de 27%  em relação ao que ganha um empregado permanente de função idêntica.
Ora, se a terceirização reduz  tanto assim a massa salarial  é  lícito imaginar que a nova lei torna-se um baita estímulo à demissão  para recontratação com salários menores. As críticas ao PL 4.330 partem de profissionais e entidades insuspeitos, inclusive quanto às suas qualificações técnicas.  É o caso da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, que congrega mais de quatro mil juízes em todo o país.  
Entre os pontos negativos que a ANAMATRA aponta em nota oficial de repúdio  está  o fato concreto (e comprovado) de que a maioria dos acidentes de trabalho no Brasil ocorre com empregados terceirizados. Os índices que  já são alarmantes, tendem a crescer, gerando prejuízos não só para os trabalhadores, mas também  para a seguridade social  que, “ além do mais, sofrerá impactos negativos até mesmo pela redução global de recolhimentos mensais”.

A circunstância  do momento, remete minha memória  a um sistema deletério e  quase criminoso de contratação de mão de obra para o campo  nos anos 60. Alguém se lembra  da figura do “gato”?  Meu pai, por exemplo, foi algumas vezes contratado por “gatos” para colher café e algodão. Ainda menino, vivi essa experiência, que em algumas oportunidades,  foi traumática. 

Simplesmente isso...


Não adianta ficar dizendo  que o governo vai  anular a CLT. A maioria das pessoas acha que a CLT é simplesmente um conceito abstrato. O que a gente tem que mostrar para o trabalhador é que com a terceirização ele vai ficar pulando de galho em galho, geralmente com contrato de três meses. Significa que com o contrato de três meses o trabalhador não vai ter direito a férias, a 13. salário, não vai ter direito a aviso prévio, nem auxilio a maternidade ou paternidade e nem a FGTS. É isso que estão tirando do trabalhador e que ele não percebe.

  . Eugênio Aragão (ex-ministro da Justiça)

22 de março de 2017

Com quase o dobro das assinaturas necessárias, Paim protocola pedido da CPI da Previdência




O senador Paulo Paim (PT-RS) corria atrás de pelo menos 27 assinaturas para viabilizar a instalação da CPI da Previdência. Conseguiu 50 e, acompanhado de colegas parlamentares e de centenas de lideranças sindicais, foi protocolar o pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. O objetivo, segundo Paim, é provar que o déficit da Previdência é uma farsa. "Vamos provar que a Previdência Social  é superavitária e na esteira dessa comprovação, vamos trabalhar para que o governo cobre dos grandes devedores , que deixaram de recolher para a seguridade social mais de um trilhão de reais", afirma, entusiasmado, o senador gaúcho.

20 de março de 2017

Carmem Lúcia vai. Gilmar já tem o poder no STF

                             
                                Por Fernando Brito




                                               · 


Outro dia escrevi aqui que a Ministra Cármen Lúcia via seu papel de presidente do Supremo Tribunal Federal reduzir-se ao papel de um decorativo pinguim de geladeira, mais ainda agora, com a posse de Alexandre de Moraes no STF.
Embora não muito gentil, do que me penitencio, a expressão provou-se verdadeira, com o anúncio feito pela Ministra de que se aposentará no ano que vem, bem antes do limite de idade (terá 64 em abril de 2018). 

Não é preciso dizer que a presidência que tem do STF é formal.
A liderança política do Tribunal está, escandalosamente, nas mãos do Ministro Gilmar Mendes, que mantém com o Planalto e o Congresso os diálogos formais, os informais e os impublicáveis.
Inclusive a anistia à Caixa 2 – numa forma que seja conveniente, para não ser contestada judicialmente – e uma reforma eleitoral que seja seu complemento.
A ministra que me perdoe, mas foi “covardemente valente” contra uma mulher, Dilma Rousseff, que podia estar fragilizada pelos então pretendentes a usurpadores, mas não acalmou a situação avisando previamente que ia “entregar a rapadura”. Porque foi covarde, por isso mesmo,  a “gracinha”gratuita do “não é presidenta, é presidente”.

O resultado é que, politicamente, a senhora não é mais presidenta nem presidente.
Gilmar tomou todos os poderes. Não só em gênero, mas em número e grau.
E não precisou de impeachment, foi no grito e no tranco, mesmo.
A não ser que isso seja o sinal para obter solidariedade da corporação, porque é notório o desejo de Mendes de travar o voluntarismo dos juízes , agora que feito o “serviço” de tirar a presidenta, com seu beneplácito.

Parece que não, porque se aposentando, como anunciado, no início de 2018, entregará outra cadeira do STF a Michel Temer, quem sabe para o ministro-Salmonella Osmar Serraglio?


17 de março de 2017

A pirotecnia dos investigadores e a desfaçatez dos investigados

                              Por Helena Chagas

                                        Em Os Divergentes (via blog do Luis Nassif)

Curitiba parece nao querer mesmo sair do mapa midiático, e aproveitou para comemorar os três anos da Lava Jato, hoje, com uma super-mega-power operação, a maior da PF em toda a sua história, contra grandes frigoríficos do país, que teriam pago propina a fiscais do Ministério da Agricultura para fazer vista grossa à venda de carne deteriorada.

É revoltante saber que estamos consumindo carne podre, misturada com papelão e produtos químicos. Quem faz isso merece cadeia, e ponto final. Não há o que discutir quanto ao mérito da operação. Mas também não há como não notar, mais uma vez, certa movimentação pirotécnica dos investigadores da Carne Fraca, que estão sob a jurisdição de um colega do também paranaense Sergio Moro, o juiz federal Marcos Josegrei.

É aí que a coisa pega, nas precipitações que podem levar a informações  que não se confirmam, jogando tudo e todos na mesma vala e produzindo danos às vezes irreparáveis em reputações de pessoas e empresas. O nome do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, por exemplo, começou a rolar desde cedo nos onlines como suspeito da Carne Fraca por ter sido grampeado em conversa com um dos acusados, a quem chamou de “grande chefe”. A investigação, porém, nada apurou contra ele, segundo delegados e procuradores, que explicaram que ele não é investigado no caso.

Da mesma forma, os investigadores informam que o dinheiro da propina dos fiscais agropecuários ia, em parte, para o PMDB e para o PP. É totalmente lógico e provável que isso tenha acontecido, para quem conhece esses partidos. Mas eles não sabem, ou não dizem, quem recebeu o dinheiro, como e nem quanto. Com isso, estão todos os ex-ministros – a maioria do PMDB – e dirigentes do Ministério da Agricultura nos últimos anos sob suspeita. É justo?

Certamente não, assim como não são também justos os vazamentos diários e seletivos que jogam na mídia nomes da Lista de Janot – cujo sigilo agora está sob a guarda  do STF -, juntos e misturados, sem dizer do quê estão sendo acusados. Como se sabe, entre os crimes listados há desde caixa 2 em sua modalidade mais simples até corrupção pesada.

Do outro lado do balcão, o dos investigados, a reação causa perplexidade e pode acabar por dar razão aos exageros dos juízes e procuradores que prendem antes e perfuntam depois. Em Brasília, investigados e investigadores do primeiro escalão da República se reúnem diariamente para tramar saídas para garantir a sobrevivência dos acusados na Lava Jato. Eles próprios vêm a público defender uma reforma política a toque de caixa, instituindo soluções polêmicas, como o financiamento público das campanhas e a eleição em lista fechada para deputados, com o claro objetivo se salvar a própria pele.

Acusados e julgadores confraternizam, ministros palacianos incluídos na Lista de Janot agem como se nada estivesse acontecendo, o Congresso trama anistias para caixas 1,2 e 3 e a vida segue.


Entre a sanha pirotécnica de uns e a desfaçatez de outros, está o cidadão perplexo e a cada dia mais descrente nas instituições e em seus representantes. Nitroglicerina pura. 

14 de março de 2017

O golpe baixo da terceirização

O deputado Laércio Oliveira (SD-SE) é o relator do projeto de terceirização que deve ser votado (e aprovado) semana que vem na Câmara Federal. Segundo pesquisa da revista Carta Capital, em 2014 Oliveira recebeu quase R$ 1,5 milhão em doações , de empresas diretamente interessadas na terceirização. Entre os doadores está a empresa de seguros do Bradesco,” instituição financeira condenada por terceirizar a venda de cartões de crédito, como se tal finalidade não fosse parte da empresa”. Outra empresa doadora foi a Gocil, cujo marketing em cima do oferecimento “colaboradores” nas áreas de segurança e limpeza.
“A terceirização é plena e deve ser exercida dessa maneira. Qualquer coisa pode ser terceirizada”, sustenta o despudorado relator do Projeto de Lei nº 4.302, de 1998. Sem nenhum pudor também, o governo Temer abraçou a causa e colocou a terceirização como parte do seu projeto de reforma trabalhista. O projeto de terceirização se arrasta desde o governo Fernando Henrique, porque o Senado introduziu emendas no texto original e o mesmo teve que voltar à Câmara, onde patinava até hoje. Se for aprovado na próxima semana, como quer o presidente da casa Rodrigo Maia, o projeto não voltará mais ao Senado, vai direto para a sanção presidencial.
Virando lei, a terceirização, tal qual proposta lá atrás por um certo deputado chamado Sandro Mabel , fragiliza de forma dramática o vínculo empregatício, deixando o trabalhador tão firme no emprego quanto palanque em banhado. Especialistas na área do Direito do Trabalho já perceberam que a terceirização é uma porta aberta para a fraude e para supressão de direitos elementares do empregado.
Então, minhas senhoras e meus senhores, não só a reforma da previdência paira nesse momento como uma espada sobre a cabeça do trabalhador brasileiro. A reforma trabalhista parece ainda pior, na medida em que deixa o trabalhador ainda mais vulnerável em seu emprego e sujeito a jornadas estafantes, sem a correspondente remuneração. Na verdade, a empresa contratada para prestar serviço, livrando o contratante de encargos sociais sobre a folha de pagamento, tem como seu capital de giro, a mão de obra alheia. Alguém imagina que elas, salvo exceções, terão algum interesse em investir na qualificação do trabalho que venderão como mercadoria?
Além de prejudicar o trabalhador, com aviltamento de salários e supressão de garantias sociais que a CLT (também com os dias contados) assegura ao empregado com carteira assinada, a terceirização vai na contramão da história, freando o processo de qualificação profissional , até como forma de inundar o mercado com mão de obra mais barata.
Em tempo: o ex-deputado goiano Sandro Mabel, autor do projeto original, é hoje uma das eminências partas do governo Temer.
O Brasil está mesmo ferrado nas mãos do sósia do Christopher Lee , o ator que interpretava o Conde Drácula. É um verdadeiro golpe baixo pra cima do trabalhador..

Querem destruir o Brasil

Política de ajuste fiscal do governo Temer ameaça o Brasil com o efeito saúva



 Esther  Dweck , doutora em Economia da Indústria e Tecnologia e professora adjunta do Instituto de Economia da UFRJ diz, em artigo publicado no site Carta Maior que o governo Temer está propondo uma agenda que é para destruir o país. Eu não sei em que mundo eles vivem, mas há um movimento mundial para demonstrar que ajuste fiscal só aprofunda a crise econômica”, diz, criticando duramente as reformas liberalizantes conduzidas pelo ministro Henrique Meireles.
Segundo Esther Dweck,  são três os pontos principais dessas reformas liberalizantes: “ O primeiro é a destruição da legislação trabalhista, com terceirização geral e irrestrita, a prevalência do negociado versus o legislado e a flexibilização da jornada. O mais interessante é que o Brasil tinha, em 2014, a menor taxa de desemprego da história, sem que tivessem sido necessárias quaisquer dessas mudanças”.
 
“As outras duas medidas demonstram a falta total de compromisso com o desenvolvimento do País. A proposta é a reversão de medidas essenciais para garantir que recursos públicos ou recursos naturais do País sejam utilizados para gerar desenvolvimento tecnológico e emprego industrial no Brasil. Fim da margem de preferência nas compras governamentais e a “reforma” do conteúdo nacional do setor de Óleo e Gás, com a proposta de “horizontalização” e globalização dos requisitos de conteúdo nacional, que na prática elimina a exigência.
 
Mesmo que por uma questão estatística e pelos atuais estabilizadores automáticos a economia pare de cair e até encontre um crescimento positivo, se todas as propostas forem efetivamente implementadas, será o fim de um modelo de crescimento inclusivo e para todos”.
Trocando em miúdos: o governo Temer pretende desmontar o estado social, entregando tudo o que puder à iniciativa privada, inclusive ao capital internacional, que é o que deve ocorrer com o petróleo e, pasmem, com terras agricultáveis que deverão parar nas mãos de empresas estrangeiras.


11 de março de 2017

Pega na mentira


O jornalista e economista (doutor pela Copp/UFRJ) J. Carlos de Assis diz com todas as letras que o presidente Michel Temer mentiu ao vincular a crise dos Estados aos seus sistemas de previdência: “Sua excelência mente. Mente descaradamente. Se tivesse um mínimo de honestidade se omitiria de abordar essa questão já que, em seu plano de governo não cabe o conhecimento das verdadeiras razões da crise dos Estados. Não podendo dizer a verdade, que nada dissesse a respeito.Mas ele não resistiu, mentiu duplamente. Primeiro com uma avaliação falsa da situação financeira dos Estados e segundo, usando descrição falsa como elemento de comparação com a situação federal, que justificaria a reforma da Previdência”.

A crise dos estados, na avaliação de Assis está diretamente relacionada ao estrangulamento financeiro provocado pela dívida junto ao Govrno Federal, que lhes foi imposta em 1997, em condições consideradas por ele de draconianas. A dívida ,então, totalizava à época R$ 111 bilhões. Foram pagos R$ 277 bilhões desde então e hoje os estados devem à União R$ 476 bilhões. Portanto, nada a ver com os gastos previdenciários dos Estados. No caso do Paraná, foi a previdência estadual que socorreu o governo. Ou será que alguém esquece os R$ 8 bilhões que Beto Richa pegou na cara dura da ParanaPrevidência, aliás o estopim das manifestações de protesto que geraram aquele massacre do 29 de abril no Centro Cívico?

Temer faz esse discurso terra arrasada para chantagear os governadores, de  quem busca apoio para seus projetos de reformas previdenciária e trabalhista. E mais: busca conivência (e subserviência) para o seu processo de privatizações de empresas de energia e de saneamento dos Estados, caso da Copel e da Sanepar. Só o governador de Minas , Fernando Pimentel,resiste idéia. “Então se a família está passando fome ela vende o fogão para resolver o problema”, questionou Pimentel ontem em entrevista a Rádio CBN. Segundo ele, a COPASA e a CEMIG são estatais superavitárias . Por que então privatizá-las? É um crime de lesa pátria entregar este setor tão estratégico para os estados ao capital privado.

Para o investidor privado ter uma Copel e uma Sanepar nas mãos é um negócio da China. São empresas que vendem um  produto que indispensável para a vida das pessoas. Ninguém vive sem água e sem energia. E não tem como outra empresa entrar no negócio para concorrer, embora no caso da água existam municípios que mantém seu próprio sistema de saneamento ou até terceirizem. Mas isso é exceção, não é regra. Some-se a tudo isso o fato de que não inadimplência, porque não pagou fica sem o serviço. Além de tudo isso: o saneamento básico dispõe de linhas especiais de financiamento, inclusive de organismos internacionais, caso do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Se isto não bastasse, quem não sabe que os processos de privatização no Brasil acabam colocando empresas lucrativas nas mãos de grupos privados a preços de banana? Nunca se pode esquecer o escândalo da privataria tucana, denunciado em livro pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Sinceridade, Temer está se superando no desmonte do estado brasileiro





Na BBC, Gilmar diz que “caixa 2 ” é opção da empresa e diferente, se é para a oposição

Fernando Brito (Blog Tijolaço)


O superministro e “amigão” de Michel Temer cria, hoje, em entrevista,  uma inédita divisão  conceitual sobre o “Caixa 2” a políticos.
Diferente daquela que Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves tinham criado, legitimando o dinheiro que vinha para a campanha política e não para o enriquecimento pessoal.
Agora é o “caixa 2 da situação” e o “caixa 2 da oposição”.
Aquele, claro, abominável, enquanto este é compreensível.
Mendes fez distinção entre as acusações de que ambas as principais chapas concorrentes na eleição de 2014 (a de Dilma Rousseff e a de Aécio Neves) tenham recebido caixa 2. Segundo Mendes, a candidata governista tinha necessariamente mais condições de atrair recursos.
“Por que um candidato de oposição vai pedir recurso no caixa 2? Isso talvez tenha mais lógica para a estratégia de quem doa. ‘Ah, eu quero doar no caixa 2 para não ser conhecido, para não ser pressionado'”, afirmou, minimizando eventuais irregularidades da chapa tucana.
E adiante:
(…)em princípio, o pedido [de dinheiro, feito por Temer]. “Ah, mas pediu caixa 2, não pediu caixa 2”. Em princípio, pela nossa experiência até aqui, a rigor não tem ônus nenhum para os candidatos receber de forma regular. A opção do caixa 2 ou caixa 1 é talvez um problema das empresas, para que outros não saibam. Porque no momento em que se faz a doação pelo caixa 1, ela aparece nas nossas contas aqui [no TSE] e começa todo esse jogo de pressão, eventuais achaques. Claro, se doou para um, não doou para outro. Então as empresas fazem essa opção.
Vamos ver se entendo corretamente os argumentos jurídicos de Sua Excelência: a lei é para uns, não para outros, é isso? Ou, no caso das empresas, “opcional”.
O direito no Brasil tornou-se uma pataquada, feito sob medida do freguês.

9 de março de 2017

Reformas de Temer deixam o trabalhador com a bunda na mira da bota



O Consenso de Washington se arde de inveja da equipe econômica do governo brasileiro. Henrique Meireles está dando uma verdadeira aula de como montar sacos de maldades e acabar com um país. Reunido ontem com tal “Conselhão” ele apresentou uma pauta que diz ser de retomada do crescimento. Para isso é preciso desmontar o estado social e jogar na lata de lixo todos os projetos inclusivos que foram implementado nos últimos 14 anos.

 Lembre-se que o desmonte já começou em 2016 com a PEC 95, que impôs o teto dos gastos, aprovada a toque de caixa pelo Congresso Nacional. Na esteira dessa PEC, já incorporada à Constituição, vem agora o projeto de reforma da Previdência, adredemente  preparado com  o objetivo claro de excluir  milhões de brasileiros do sistema e abrir caminho para que os planos de previdência privada nadem de braçada. O presidente Temer tem externado sua intenção até, pasmem, de reduzir benefícios de viúvas que recebem pensão pela morte do cônjuge.

Mas a sociedade brasileira, anestesiada pelo massacre do discurso único na mídia eletrônica, não parece se importar com o desmonte de políticas públicas de inclusão social, embora já tenha percebido que os cortes vão afetar todo mundo. Há um conformismo perigoso, construído naturalmente via pregação diária de um déficit que não existe. Mentem até sobre a aposentadoria rural, dizendo que o trabalhador do campo se aposenta sem contribuir. Me informa o advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maringá, João Pinheiro, que o trabalhador do campo  recolhe compulsoriamente sobre o salário e o produtor, recolhe 2,5% sobre a produção. Isso mesmo, 2,5% de toda a produção agrícola brasileira vai para a seguridade social. Pelo menos deveria ir.

As fontes de arrecadação da seguridade (saúde, assistência social e previdência) são teoricamente intocáveis. A própria Constituição prevê que dinheiro da seguridade é pra ser aplicado na seguridade. Mas o governo, não apenas esse, mas todos os governos, desde Itamar Franco , se valem da DRU para meter a mão no superávit da Previdência, que é gigantesco – o menor da última década foi de R$ 11 bilhões  em 2015.

Itamar lançou mão de uma lei que autorizava a desvinculação de receitas da União, cuja duração seria de apenas dois anos. Terminou o governo dele e a DRU continuou com Fernando Henrique, com Lula e com Dilma. Até Dilma o governo se apoderava de 20% das receitas da seguridade social. Temer elevou o teto para 30% e prorrogou esse mecanismo ilegítimo, que muitos advogados dizem ser inconstitucional, por mais uma carrada de anos. A Previdência, então, não está quebrada, mas o governo a está quebrando.

A reforma da previdência, que o rolo compressor do Planalto quer aprovar ainda nesse primeiro semestre  é a solidificação do caos social no país. Para Aniquilar de vez os direitos sociais da população que precisa da proteção do Estado, Temer ainda ajeita o nó da gravata para enfiar goela abaixo do trabalhador brasileiro uma reforma trabalhista sacana, que joga a CLT na lata do lixo.
É moda falar que a CLT está ultrapassada. Cria-se uma espécie de senso comum negativo para que o próprio trabalhador acredite na lorota. Ninguém sabe dizer o que existe na Consolidação das Leis Trabalhistas  que  atrapalha as empresas. Não dizem porque não existe, mas o argumento de que trata-se de um diploma legal velho parece que é o suficiente para o seu desmonte. O trabalhador que bate a porta da justiça para reaver direitos não pagos é mal visto , discurso que convenhamos, favorece os maus empregadores. Vamos combinar que patrão que cumpre a legislação à risca não tem porque temer a Justiça do Trabalho, que o governo Temer quer desativar. Ainda mais depois que o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, declarou abertamente, sem ao menos ficar corado de vergonha, que se dependesse dele a Justiça do Trabalho seria extinta.

Não é por obra do acaso que na reforma trabalhista proposta pelo governo do TEMERário, querem impor o negociado sobre o legislado, o que na prática, significa sim o fim da CLT e da própria Justiça do Trabalho. Imagine uma categoria profissional que  é representada por um sindicato fraco ou às vezes nem sindicato tem, em que condições ela vai negociar com o patronato?  Mesmo os sindicatos fortes, que ainda detém grande poder de negociação , já esbarram em dificuldades terríveis para conquistar  ganhos reais para os representados, imagine o resto.

Se a reforma trabalhista passar como pretende o presidente Temer, qualquer resquício de equilíbrio das relações capital x trabalho vai para o vinagre. Isso, certamente, não é de interesse do empresário que tem visão social e consciência do seu papel na construção de uma sociedade igualitária. O empregador precisa tanto do empregado  quanto o empregado precisa do empregador. É uma relação de mão dupla em que, cada um fazendo sua parte, todos ganham. Mas do jeito que o governo e sua base aliada na Câmara e no Senado querem, não haverá reciprocidade nas relações trabalhistas. O que querem, na verdade, é que o capital entre com a bota e o trabalho , com a bunda.



4 de março de 2017

Adeus, amigo Sanches

Foto: Blog do Rigon

José Sanches Filho, pode se dizer assim, foi o pai da propaganda no rádio e na TV de Maringá. Na cidade desde 1953, aqui ele fundou a Publimar e depois Atual Publicidade, onde produziu campanhas publicitárias memoráveis, como as da Casa Kacim e da Casas Jaraguá, do “Compadre Frederico”. Recentemente lançou um livro autobiográfico contando sua história, que é na verdade um documento histórico importante, a ser consultado por todos quantos se dispuserem a escrever a história de Maringá. Sanches foi diretor comercial da TV Cultura , proprietário da Rádio Guairacá de Mandaguari e, junto com Joaquim Dutra , ajudou a fundar o O Diário. Ele faleceu neste sábado , vítima de infarto, em sua residência na Rua Vaz Caminha. O  corpo está sendo velado no Cemitério Park.

2 de março de 2017

Prepare seu coração, pra história que eu vou contar...


Na década de 1990, exatos US 124 bilhões saíram do Brasil e foram levados para uma agência do Banestado em New York, no que se convencionou chamar contas CC5. O presidente da república chamava-se Fernando Henrique Cardoso; o principal doleiro envolvido nas operações cambiais do esquema criminoso era Alberto Youssef e o juiz do processo, ele mesmo, Sérgio Moro. O procurador Celso Três e o delegado José Castilho Neto  comandaram as investigações, numa operação denominada pela Polícia Federal de “Operação Macuco “ . Os 124 bilhões de dólares superavam e muito as reservas cambiais do país. O delegado e o procurador foram longe: por meio de uma parceria com o FBI levantaram nomes, endereços, identidades e digitais dos principais envolvidos, tudo gente graúda. E o que aconteceu com a Operação Macuco? Alguém foi preso, apesar de tantas provas ? Veja este vídeo, de um programa de entrevistas que Boris Casoy mantinha na Record , que você vai entender direitinho o que realmente aconteceu com o escândalo das contas CC5 do Banestado, sem dúvida,  a matriz de todos os esquemas de corrupção que se seguiram no Brasil a partir de então.

Em tempo: só assista se você estiver realmente interessado em  conhecer um dos casos de roubalheira mais escabrosos da história do Brasil:

Nóis é nóis...


Quando se fala em governo federal e presidência da república, R$ 24.15,68 é nada. Menos até que dinheiro de pinga como se diz nos botecos da vida. Mas esse gasto absolutamente desnecessário para fazer uma reforma descabida no Palácio da Alvorada, soa como afronta à situação de calamidade financeira que vive a esmagadora maioria das famílias brasileiras.
Até que se o casal Temer-Marcela fosse mesmo morar na residência oficial do presidente, tudo bem, seria compreensível a exigência da primeira dama. Mas a esposa de Michel Temer reformou, fez do jeito que queria, sob alegação que era para proteger Michelzinho dos riscos de acidentes domésticos. Bem, também compreensível até essa altura.

O que caracteriza a afronta, o desrespeito com o dinheiro do contribuinte, foi o fato de em poucos dias, a primeira dama dizer que não lhe agradara aquele palácio e que preferia voltar para o da vice, o Jaburu. Dizia a minha avó que dinheiro faz cócegas, dinheiro dos outros, quando os outros não se importam que gastemos, nos provoca gargalhadas de satisfação.Temer e Marcela gargalharam, certamente. Na nossa cara e bem ao estilo "nóis é nóis, o resto é bosta".

1 de março de 2017

A guerra que nos envergonha. Principalmente pela covardia



O amigo e grande jornalista Montezuma Cruz lembra que hoje, exatamente hoje , faz 147 anos da Batalha de Cerro Corá quando a TríplIce Aliança (Brasil , Uruguai e Argentina) matou Solano Lopes, marcando o fim da Guerra do Paraguai. Nesse confronto, eram 4.500 soldados aliados contra 450 paraguaios. 

Segundo o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, falecido em 2015, esta guerra é uma mancha na história dos três países que compuseram a Tríplice Aliança, pois ela marcou a desunião no continente, que poderia ter seguido outro rumo caso Brasil, Uruguai e Argentina não tivessem se juntado para destruir o Paraguai, atendendo a interesses da Inglaterra, a potência hegemônica de então.

Vale lembrar que em 1840 o Paraguai era uma potência na América do Sul. Com uma produção agrícola auto-suficiente e sem dívida externa e sem escravidão, o país presidido por Francisco Solano Lopes não tinha analfabetos. E justamente por ser um país independente das nações europeias, o Paraguai deixava os ingleses irados. Sem contar que era um exemplo que não deveria ser seguido pelos seus vizinhos.

Portanto, o império colonial inglês queria eliminar a república paraguaia de todo jeito. Acostumada a impor sua vontade pela força. A Inglaterra arquitetou, então, a Tríplice Aliança, com o objetivo de enfraquecer e eliminar o Paraguai. Conta Galeano que em “ em 1864 o Paraguai declarou guerra contra o Brasil”.

O motivo que a história oficial registrou tinha a ver com o fato da Inglaterra querer livrar os Paraguaios do poder ditatorial de FRANCISCO SOLANO LÓPEZ , deixar os Paraguaios livres para que pudessem vender sua produção agrícola e industrial aos países vizinhos, e que para isso se tornasse possível, os Paraguaios necessitavam cruzar a BACIA DO PRATA, o que ocasionava alguns conflitos”.

Na verdade, Brasil, Argentina e Uruguai, como parte da estratégia da Inglaterra, passaram a boicotar o Paraguai e foi esse boicote que redundou na declaração de guerra de Solano Lopes ao nosso país. Registra Galeano em seu livro As Veias Abertas da América Latina, que “os Paraguaios entraram na guerra com 800 mil habitantes usando o lema MATAR OU MORRER, para defender seu território ,ao contrário do Brasil que não possuía um exército formado, apenas uma guarda nacional cuja formação era aristocrática chamados “CORONÉIS “. 
Alguns deste coronéis enviaram seus filhos e escravos para representá-los. Ao longo da luta, as terras foram necessitando de mão de obra. Os coronéis estavam contabilizando prejuízos, foi então que resolveram não mais enviar escravos para o fronte. A solução que o comando militar encontrou foi o voluntariado, que não iam por vontade própria, eram seqüestrados e vendidos para o exército. Em sua grande maioria eram doentes mentais e pobres e aqueles que não tinham recursos financeiros para comprar sua liberdade acabavam se tornando “ VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA “.

Segue a história que vale a pena o brasileiro conhecer, não na versão oficial, mas na forma contada por Galeano: “A guerra ia se arrastando sem que houvesse uma possibilidade de trégua e em 1869, Duque de Caxias pede demissão de seu posto alegando que para ele a guerra já havia terminado, e se caso continuasse iria ser conhecido como verdadeiro genocídio de soldados paraguaios.

Duque de Caxias propôs a Dom Pedro II um tratado de paz que foi recusado, e o imperador designou seu genro CONDE D’EU, esposo da Princesa Isabel, cuja fama era de ser uma pessoa sanguinária. Conde D’eu, na última batalha, entre brasileiros e paraguaios, ordenou a seu exército composto de vinte mil homens, atacarem o exército paraguaio, com apenas três mil e quinhentas pessoas, entre mulheres e crianças, estes foram os últimos soldados que restaram. Depois que todos foram exterminados, o Conde D’eu ordenou a seu exército que incendiasse os sobreviventes que haviam se refugiado em um campo próximo a batalha. Porém a guerra só chegou a seu final em primeiro de março de 1870, com o assassinato de Solano López, em Cerro Corá’.

Cerro Corá, portanto, surge como referência histórica de uma guerra que deveria envergonhar a todos nós brasileiros.

CPI da Previdência vai sair

O senador Paulo Paim conseguiu o número mínimo de assinaturas para a CPI da Previdência. Agora o bicho vai pegar.

A deformação de uma reforma deformada


Uma vez Globo, sempre Globo

Muitos analistas e telespectadores atentos amanheceram esta quarta-feira de cinzas se perguntando: “que diabo aconteceu com a Globo que ontem escancarou no Jornal Nacional o “fora Temer” predominante  no carnaval em todo o país?”. Nada demais, a Globo não surpreende, porque é repetitiva em momentos de virada como este. Lembremos que nas “Direta Já”  a Rede Globo de Televisão só aderiu a campanha quando viu que ela era irreversível. O mesmo aconteceu no episódio do impeachment de Collor. Esse tipo de cobertura tardia só não ocorre quando os fatos envolvem setores hostis ao establishment. Aí o sistema de comunicação dos Marinho sai na frente, como ocorreu no episódio do impeachment de Dilma Roussef e ocorre agora com o processo de fritura da candidatura Lula da Silva.



O “fora Temer” que ocupou um espaço razoável no principal telejornal da Rede Globo ontem à noite é indício forte de que a família  Marinho quer  pressionar o presidente para que ele apresse o passo das reformas previdenciária e trabalhista. Mas tem  outra hipótese plausível: a de que o grupo chegou finalmente à conclusão de que é hora de tirar o presidente, porque desse mato não sai coelho. Se Temer se mostrar competente na tarefa de proteger os rentistas e retirar direitos trabalhistas e previdenciários, abrindo caminho para o agigantamento da previdência privada, pode ser que Ali Kamel receba orientações para pegar leve. Caso contrário, Michel Temer já tem seu caminho traçado: o lixo da história.

O círculo vicioso que impede o virtuoso


Governo celebra a queda da inflação e as condições para a reduçãod a taxa básica de juros. Há um entusiasmo indisfarçável do mercado com esses indicadores, que poderiam ser  apelidados de “biquinis” – por mostrar tudo e esconder o essencial. O essencial é o desemprego que bate na casa dos 13% e a perda brutal da capacidade de consumo da população, inclusive da classe média. De acordo com pesquisa da Pulso Brasil , contratada pela própria Fiesp , a do patinho amarelo,  31% das famílias estão endividadas e consumindo só o estritamente necessário à sobrevivência. Sem consumo, a indústria não fabrica porque o comércio não tem pra quem vender. É o circulo  vicioso que avança, enquanto o ajuste fiscal e as reformas predatórias do governo TEMERário do TEMERoso Michel, impede a retomada do círculo virtuoso.