1 de março de 2017

A guerra que nos envergonha. Principalmente pela covardia



O amigo e grande jornalista Montezuma Cruz lembra que hoje, exatamente hoje , faz 147 anos da Batalha de Cerro Corá quando a TríplIce Aliança (Brasil , Uruguai e Argentina) matou Solano Lopes, marcando o fim da Guerra do Paraguai. Nesse confronto, eram 4.500 soldados aliados contra 450 paraguaios. 

Segundo o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, falecido em 2015, esta guerra é uma mancha na história dos três países que compuseram a Tríplice Aliança, pois ela marcou a desunião no continente, que poderia ter seguido outro rumo caso Brasil, Uruguai e Argentina não tivessem se juntado para destruir o Paraguai, atendendo a interesses da Inglaterra, a potência hegemônica de então.

Vale lembrar que em 1840 o Paraguai era uma potência na América do Sul. Com uma produção agrícola auto-suficiente e sem dívida externa e sem escravidão, o país presidido por Francisco Solano Lopes não tinha analfabetos. E justamente por ser um país independente das nações europeias, o Paraguai deixava os ingleses irados. Sem contar que era um exemplo que não deveria ser seguido pelos seus vizinhos.

Portanto, o império colonial inglês queria eliminar a república paraguaia de todo jeito. Acostumada a impor sua vontade pela força. A Inglaterra arquitetou, então, a Tríplice Aliança, com o objetivo de enfraquecer e eliminar o Paraguai. Conta Galeano que em “ em 1864 o Paraguai declarou guerra contra o Brasil”.

O motivo que a história oficial registrou tinha a ver com o fato da Inglaterra querer livrar os Paraguaios do poder ditatorial de FRANCISCO SOLANO LÓPEZ , deixar os Paraguaios livres para que pudessem vender sua produção agrícola e industrial aos países vizinhos, e que para isso se tornasse possível, os Paraguaios necessitavam cruzar a BACIA DO PRATA, o que ocasionava alguns conflitos”.

Na verdade, Brasil, Argentina e Uruguai, como parte da estratégia da Inglaterra, passaram a boicotar o Paraguai e foi esse boicote que redundou na declaração de guerra de Solano Lopes ao nosso país. Registra Galeano em seu livro As Veias Abertas da América Latina, que “os Paraguaios entraram na guerra com 800 mil habitantes usando o lema MATAR OU MORRER, para defender seu território ,ao contrário do Brasil que não possuía um exército formado, apenas uma guarda nacional cuja formação era aristocrática chamados “CORONÉIS “. 
Alguns deste coronéis enviaram seus filhos e escravos para representá-los. Ao longo da luta, as terras foram necessitando de mão de obra. Os coronéis estavam contabilizando prejuízos, foi então que resolveram não mais enviar escravos para o fronte. A solução que o comando militar encontrou foi o voluntariado, que não iam por vontade própria, eram seqüestrados e vendidos para o exército. Em sua grande maioria eram doentes mentais e pobres e aqueles que não tinham recursos financeiros para comprar sua liberdade acabavam se tornando “ VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA “.

Segue a história que vale a pena o brasileiro conhecer, não na versão oficial, mas na forma contada por Galeano: “A guerra ia se arrastando sem que houvesse uma possibilidade de trégua e em 1869, Duque de Caxias pede demissão de seu posto alegando que para ele a guerra já havia terminado, e se caso continuasse iria ser conhecido como verdadeiro genocídio de soldados paraguaios.

Duque de Caxias propôs a Dom Pedro II um tratado de paz que foi recusado, e o imperador designou seu genro CONDE D’EU, esposo da Princesa Isabel, cuja fama era de ser uma pessoa sanguinária. Conde D’eu, na última batalha, entre brasileiros e paraguaios, ordenou a seu exército composto de vinte mil homens, atacarem o exército paraguaio, com apenas três mil e quinhentas pessoas, entre mulheres e crianças, estes foram os últimos soldados que restaram. Depois que todos foram exterminados, o Conde D’eu ordenou a seu exército que incendiasse os sobreviventes que haviam se refugiado em um campo próximo a batalha. Porém a guerra só chegou a seu final em primeiro de março de 1870, com o assassinato de Solano López, em Cerro Corá’.

Cerro Corá, portanto, surge como referência histórica de uma guerra que deveria envergonhar a todos nós brasileiros.

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