30 de maio de 2017

Depois de observar a Globo, Rodrigo Vianna lança a campanha Fica Temer!


                           . por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador


É evidente o desconforto dos comentaristas da TV Globo com a decisão do presidente Temer, de permanecer na presidência depois de ter sido flagrado em conversas mais do que suspeitas com o dono da JBS.
O desconforto da Globo nada tem a ver com aspectos éticos. Uma das comentaristas, na Globo News, disse com todas as letras: “quanto mais essa situação se prolonga, menor a chance de que a sucessão de Temer se faça pelas regras atuais, ou seja, com eleições indiretas no Congresso”.
Mais claro que isso, impossível.
A permanência de Temer também atrapalha as “reformas” liberais de destruição da Previdência e das leis trabalhistas. As votações serão paralisadas nas próximas semanas, diante do caos na base governista. Se um novo presidente fosse escolhido de forma rápida e indireta (sob a tutela da Globo e do mercado financeiro), poderia adotar o discurso de  um governo “técnico” para tocar adiante o desmonte iniciado por Temer.
Mas não é só isso. Como narrou a preocupada comentarista global, Temer é o maior cabo eleitoral das mobilizações que passam a pedir eleições Diretas-já por todo o Brasil. Mais fácil pedir Diretas diante de Temer e de seu governo apodrecido. Se a agonia do peemedebista se prolongar, a chance de que o movimento popular cresça é maior.
Até porque será preciso pressão das ruas e articulação, no Congresso, para votar uma PEC que permita a eleição direta do novo presidente, mudando a Constituição.
Esse é o embate: Globo e mercado gostariam de ver Temer fora, e um novo governo logo entronizado em escolha indireta. Mas as ruas e as redes tendem a não engolir essa tese.
Pesquisas nas redes sociais mostram que a ideia de Diretas-Já não mobiliza apenas a chamada esquerda. Mas ganha a maioria dos corações e mentes. Essa é uma batalha que a Globo terá muita dificuldade em vencer.
Ainda mais se Temer fizer o favor de permanecer agarrado à cadeira (e ele deve permanecer assim, porque fora do cargo, sem fórum privilegiado, vira alvo fácil para possível pedido de prisão).
Essa a equação: por sobrevivência política, Temer tende a prolongar a agonia. E isso ajuda o campo popular a construir uma agenda de Diretas-já ainda em 2017.
Isso desarruma toda a estratégia da Globo e de seus aliados do Partido da Justiça, que sonham em condenar Lula na segunda instância até o início do ano que vem, para impedi-lo de concorrer em 2018.
Se a eleição for antecipada, Lula poderá disputar — e com boas chances de vencer.
Por isso, contraditoriamente, hoje o grito “Fica, Temer” pode não soar tão absurdo.
Um amigo lembrava a frase do velho Brizola: “quando estiver na dúvida sobre o caminho a adotar, observe onde está a Globo; e escolha o caminho oposto”.
A Globo hoje está no comando de um “Fora, Temer” confuso e pouco consistente. O que mostra que, se o golpista ficar mais um pouquinho lá, isso pode ser o suficiente para enterrar as “reformas” e permitir que as novas eleições sejam Diretas já em 2017.

. Pinçado do blog Viomundo, do Azenha



25 de maio de 2017

Uma impopularidade nunca antes vista

                                                  . Por Fernando Brito (Tijolaço)


A coluna de Monica Bergamo, na Folha de hoje, diz que pesquisas internas do Palácio do Planalto revelam apenas 5% de avaliação positiva.
“Em algumas regiões metropolitanas do Nordeste do país, segundo outras sondagens, ele despencou para 1%.”
Isso são as pesquisas “da casa”. Outras, independentes, talvez não cheguem nem a isso, que já é um proporção ínfima.
É o sucesso de Nizan Guanaes, que disse a Temer que se esmerasse na arte de ser impopular.
Em outra nota, Bergamo diz que “os antigos defensores do governo entre os chamados formadores de opinião sumiram, salvo raras exceções”.
Não seja injusta, Monica. O MBL está lá, de volta, com uma manifesto dizendo que foram os primeiros a defender o “Fora Temer” (hein?) mas agora estão “em compasso de espera” dada a “complexidade do cenário”.

17 de maio de 2017

Universidade privada pune professora por dar zero a alunos do " copia e cola"



Uma professora do curso de direito de uma instituição de ensino  superior de Maringá zerou os trabalhos  de alguns  alunos que deram  Ctrlc/Ctrlv nos textos que deveriam escrever com palavras próprias. Mas a reprovação ao plágio custou caro à docente, que foi demitida sumariamente da universidade privada, após reclamação dos alunos "copia e cola". A professora, claro, acionou a Justiça do Trabalho e obteve na primeira instância uma indenização (muito justa) de R$ 150 mil . A escola recorreu da sentença e no TRT conseguiu redução do valor para ridículos R$ 15 mil.

A questão financeira nem seria o lado mais grave dessa questão. O próprio juiz de primeiro grau mostrou-se inconformado com o comportamento da instituição, considerando o caso de extrema gravidade, na medida em que a instituição de ensino deposita nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Escreve o magistrado:

 " Nem se vai aqui adentrar na questão financeira que move o mundo capitalista, capaz de barbaridades em nome do lucro, se bem que provada através do depoimento testemunhal. Mas esta-se a falar do fato de a autora ter sido punida, constrangida e humilhada simplesmente porque fez o que era seu maior dever: ensinar os alunos a serem probos. E o que é ainda mais grave: depositar nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Não bastasse isso, toda a sociedade se sente aviltada e ameaçada por essa atitude da demandada, na medida em que a entidade responsável por formar os profissionais com quem todos precisaremos contar no futuro, avaliza a corrupção e a desonestidade e pune o comportamento ético e justo. Pior ainda: num curso de Direito!".


A culpa é da vítima...


  
O presidente do TST diz que a culpa pelas mutilações no trabalho é do próprio trabalhador. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia deve ter ficado contente com a declaração. Afinal, por mais absurdo que possa parecer, ele é defensor da extinção da Justiça do Trabalho .


Presidente do TST disse que o trabalhador se fere de propósito para poder receber indenização. Não, não é uma piada. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho falou mesmo esse absurdo, durante  audiência no Senado, registrada pelo site Justificando. Yves Gandra Martins Filho é a mais alta autoridade na regulação do trabalho, é o presidente da mais alta corte da Justiça Trabalhista. E quando alguém com esse portfólio fala um absurdo desse tamanho é porque a segurança jurídica do país está mesmo sendo minada. Pior: é porque a insensibilidade e a absoluta falta de bom senso tomou conta até de quem deveria agir no sentido de garantir a rigorosa aplicação das leis.
Agora, imagine só: o Brasil é o quarto país do mundo onde mais morrem trabalhadores vitimados pela atividade profissional. A maioria dos acidentes de trabalho é provocada pela falta de equipamentos de proteção e até preparação dos próprios trabalhadores para que eles saibam como se proteger em atividades de risco. Aí vem uma autoridade dessa dizer que a culpa de morrer ou se ferir no labor é da vítima? Meu Deus, aonde é que nós estamos?

16 de maio de 2017

Não se revolte se for capaz


Segundo denúncias do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) , a União tem hoje R$ 2 trilhões de dívidas a receber do setor produtivo. Desse total,  R$ 500 bilhões são dívidas previdenciárias. E mais: a sonegação chega a outros R$ 500 bilhões por ano.
Agora chupe essa manga:  para fazer passar a reforma da Previdência, o governo vai gastar R$ 164 bilhões. Mas não é só, segundo acrescenta Achilles Frias, presidente do SINPROFAZ: a  Medida Provisória 766/17, relativa a um  novo Refis, já aprovada na Comissão Mista do Congresso Nacional  no último  dia 4 de maio, concede “prazo de até 20 anos para pagar [o débito] e perdão de 90% a 99% de juros, multas e encargos” da Dívida Ativa da União.
 “Em um país sério, um devedor ou um grande devedor não votaria uma medida dessas sendo parlamentar”, disse Achilles, acrescentando segundo destacou a revista Carta Capital: “ A rotina de financiamentos e perdões promovidos pelo Refis tornou o calote tributário uma opção lucrativa para o empresariado, que deixa de pagar os impostos e embolsa o capital para fazer negócios”.
Será que se a sociedade brasileira for informada desses fatos e entender realmente o crime que o governo Temer está cometendo, ela vai engolir passivamente as reformas  trabalhista e previdenciária? Se engolir, sinceramente, podemos tirar os olhos, porque o Brasil está mesmo no bico do urubu.




9 de maio de 2017

Mais de 50 mil pessoas nas ruas de Curitiba para apoiar Lula


 A juíza Diele Denardin Ziked proibiu a montagem de estruturas que possibilitem a aglomeração de populares nas proximidades da Justiça Federal em Curitiba. O objetivo é inibir os apoiadores de Lula , que prometem ocupar ruas da capital amanhã, quando Lula deve prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro.
A orientação é que não haja manifestações populares a favor do ex-presidente na capital do Paraná. Mas isso é quase impossível, já que centenas de ônibus lotados estão indo do interior para a capital, fora a mobilização que está ocorrendo lá mesmo em Curitiba.
Inicialmente o depoimento estava marcado para o dia 3 de maio mas foi adiado a pedido da Polícia Federal e Ministério Público, para que as forças de segurança tivessem mais tempo para se organizar e evitar conflitos. Mas agora é a defesa de Lula que pede novo adiamento, com o argumento de que pelo menos 100 mil paginas de documentos foram agregados ao processo em cima da hoje e os advogados não teriam tempo de ler tudo. A decisão se adia ou não caberá ao Tribunal Regional |Federal (4ª. Região|), com sede em Porto Alegre. Portanto, é possível que um novo adiamento ocorra ainda hoje.

Seja como for, as caravanas já estão montadas em várias cidades do interior e devem partir hoje à noite para Curitiba, caso a audiência seja mantida. Mesmo que amanheça com baixas temperaturas, Curitiba poderá ter clima quente nessa quarta-feira, 10.

4 de maio de 2017

Governo Temer e bancada ruralista estimulam a barbárie no campo


Foi sangrento o mês de abril em áreas rurais brasileiras: nove agricultores pobres foram massacrados em Mato Grosso; mais um agricultor pobre foi assassinado e outros três feridos em Minas Gerais; dois agricultores pobres foram baleados em Pernambuco; e mais de dez índios foram atacados e ficaram feridos no Maranhão. Tudo isso, repita-se, só em abril.
Mas a barbárie no campo já havia marcado os três primeiros meses deste ano. Janeiro teve, pelo menos, um atentado contra agricultores pobres em Goiás; em fevereiro, um acampamento de sem terras foi incendiado em Pernambuco; e, em março, duas lideranças quilombolas foram torturadas em Minas Gerais.
Os executores desses tipos de crimes são, historicamente, jagunços, pistoleiros, capangas, milicianos. E os mandantes são, historicamente, grileiros e grandes donos de terras.
A esses aspectos históricos é imperioso que, em nome da verdade, se acrescente mais um, atualíssimo: o incentivo que os criminosos têm recebido, do Executivo e da bancada ruralista no Congresso Nacional, seja pelas sucessivas ações destinadas a criminalizar os movimentos sociais, seja por uma série de medidas de governo e de propostas legislativas que pretendem privilegiar os latifundiários em prejuízo das famílias e das comunidades pobres do campo.
  .  Patrus Ananias – Deputado Federal PT/MG

3 de maio de 2017

O mistério que envolveu o grande compositor cearense nos seus dez últimos anos de vida





 O cantor e compositor cearense Belchior estava distante dos palcos e da vida pública há dez anos. Há quatro, ele vivia na cidade de Santa Cruz do Sul, a cerca de 120 km de Porto Alegre. Foi onde morreu na noite do último sábado (29), aos 70 anos de idade. O corpo foi sepultado nesta terça (2), em Fortaleza.

Com a esposa, a produtora cultural e também artista Edna Assunção de Araújo, de 50 anos, ele perambulou por pelo menos dez cidades do Rio Grande do Sul na última década. O G1 RS ouviu alguns dos anfitriões e reconta, abaixo, um pouco da passagem do artista pelo estado.

Desde 2009, Belchior e a companheira mudaram de endereço seguidas vezes. Eram praticamente nômades. O paradeiro dos dois no período é quase um quebra-cabeça.
Sem residência fixa, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes, conforme a famosa letra de "Apenas Um Rapaz Latino-Americano", o músico era recebido em casas de amigos e fãs, sempre junto com a mulher. Geralmente, tinham as despesas pagas pelos anfitriões.

Além de Porto Alegre, o casal perambulou por Santa Vitória do Palmar, São Lourenço do Sul, Xangri-Lá, na praia de Atlântida Sul, Guaíba, Cachoeirinha, Jaguarão, Quaraí, Sobradinho e, por fim, Santa Cruz do Sul.

Segundo casamento, dívidas e sumiço
O isolamento de Belchior começou bem antes de ele mudar-se para o Rio Grande do Sul. Para ficar com Edna, que conheceu em 2005, ele se separou da então mulher, Ângela Margareth, com quem tem dois filhos.

Foi a partir de 2007 que ele começou a se afastar da carreira e dos antigos amigos. Desmarcou shows e se distanciou de vez dos palcos.
Em 2009, o sumiço virou notícia. Todos comentavam que Belchior havia desaparecido. À época, o fato se tornou uma espécie de lenda da cultura brasileira, alimentou teorias e virou tema de campanhas e até piadas na internet.

Foi quando os problemas financeiros do artista também tornaram-se públicos. A reportagem do Fantástico mostrou que o cearense foi embora e deixou para trás bens e dívidas

A TV Globo descobriu dois carros que ele havia abandonado em São Paulo. Um deles ficou na garagem ao lado do imóvel alugado que ele usava como ateliê, na capital paulsta. Era um Mercedes Benz. O outro, um Sonata, só na época acumulava dívidas de mais R$ 18 mil por estar parado no estacionamento do aeroporto de Congonhas.

No mesmo mês, a reportagem localizou o cantor em uma pousada em San Gregorio de Polanco, pequena cidade no Uruguai. Belchior contou que estava compondo, traduzindo suas músicas para o espanhol e que pretendia lançar um disco com canções inéditas quando voltasse ao Brasil. No entanto, ele não quis falar da vida pessoal e nem sobre as dívidas cobradas dele no Brasil.

Foi nesse período que o músico passou três dias em São Lourenço do Sul, no Sul do Rio Grande do Sul. O então prefeito da cidade, José Nunes, lembra que foi surpreendido com a visita inesperada do ídolo, que bateu à porta de seu gabinete.

Fonte G1