29 de dezembro de 2017

Cadê vocês?


Motoristas abasteciam pela metade do preço em postos adredemente escolhidos pelo Instituto Milleniun, que mobilizava equipes de reportagens do Jornal Nacional para que os motoristas praguejassem o governo Dilma em frente às bombas de gasolina, etanol e diesel. A alta de 3% em dezembro de 2014, elevando o litro da gasolina a R$ 3,50 (hoje se aproxima dos R$ 5,00) foi um escândalo, que valeu manchetes dos principais telejornais do país, com gritaria geral nas grandes cidades e até adesivos em carros, extremamente ofensivos à honra da mulher Dilma Rousseff.
Vendo agora a escala de altas dos combustíveis, que foram reajustados 116 vezes este ano, chegando aos 30% numa inflação de 4%, fico pensando: aonde foram parar os bravos caminheiros, que fecharam várias vezes as estradas no final do governo Dilma? Aonde estão os integrantes do Millenium? E os nervosos meninos do MBL?
Ué, por que não há mais indignação? Cadê as reportagens escandalosas, com irados consumidores gritando palavrões contra o governo?

Aliás, sumiram também os indignados com a corrupção, que tomavam conta de esquinas movimentadas de grandes cidades para externar todo o seu asco com alguns políticos, aqueles aos quais devotavam e devotam profundo ódio ideológico.
Os patos amarelos da Fiesp aonde estão? Talvez estejam empoeirados em alguns porões da má fé e da ignorância.

27 de dezembro de 2017

Saiba porque uma provável fusão da Embraer com a Boeing seria um crime de lesa pátria contra o Brasil


É o ponto de vista do especialista no assunto, Pedro Celestino, presidente do Clube dos Engenheiros


“A Embraer  detém hoje mais de 50% do mercado mundial de aviões de médio porte, os de até 130 lugares, o que lhe dá robustez financeira para os investimentos na área de defesa.
A principal concorrente da Embraer é a canadense Bombardier, que acaba de vender 51% do programa da Série C à Airbus, dando a esta a possibilidade de oferecer ao mercado uma série de produtos mais completa que a da Boeing. Esta, pressionada pela nova realidade do mercado, luta para fazer uma parceria com  a Embraer.
Nesse quadro , qual a melhor linha de ação para a Embraer?.  As hipóteses  aventadas são as seguintes:

1. Venda do controle à BOEING – impensável, pois implicará o desmonte do esforço tecnológico acumulado nas últimas 6 décadas, levando à desativação de inúmeras indústrias e ao desemprego de milhares de profissionais qualificados;
2. Venda da divisão comercial, preservando a EDS, unidade da área de defesa – não se sustenta, pois uma das fontes de financiamento da EDS, as vendas de aeronaves comerciais, deixaria de existir; ademais, o programa do novo caça da Força Aérea, o Gripen, seria prejudicado, pois a Saab sueca tem acordo de transferência de tecnologia com cláusula de confidencialidade com a Embraer, e não com a Boeing;
3. Parceria tecnológica e comercial com a Boeing – é a união da panela de barro com a panela de ferro, o que levará a Embraer a ser inexoravelmente absorvida pela Boeing em pouco tempo, a menos que sejam garantidas salvaguardas muito restritivas e não passíveis de desbordamento.
Nenhuma delas atende ao interesse nacional.
A Embraer, pelo papel que desempenha em nossa economia, é estratégica para o país, e tem plenas condições de enfrentar qualquer concorrente, se puder colocar os seus produtos com as mesmas taxas de financiamento que as suas rivais oferecem, apoiadas que são pelos bancos de fomento dos seus respectivos países.
Para tanto, é indispensável a ampliação de linhas de crédito do BNDEs às suas vendas e, em particular, para que a renovação da frota comercial de atendimento ao mercado doméstico também possa ser feita com aeronaves da empresa.
Não há outra razão plausível para que o nosso mercado, a menos da operadora Azul, seja atendido apenas por aeronaves produzidas pela Boeing e pela Airbus, o que acarreta desnecessário dispêndio de divisas com contratos de leasing internacionais.
As operadoras aéreas devem, portanto, ser incentivadas a adquirir aeronaves da Embraer, o que é facilmente justificado pela excelência de seus produtos mundialmente reconhecida.
Parceria comercial e tecnológica com a Boeing ou outra grande empresa da indústria aeronáutica pode até ser feita, desde que não implique cessão acionária que repercuta no desenvolvimento da empresa.
É oportuno relembrar que a Embraer, no passado, teve a francesa Dassault como sócia e, enquanto durou aquela participação, a Dassault tentou impedir o ingresso da Embraer no mercado da aviação executiva, por temê-la como concorrente”.


E ele ri do que?


21 de dezembro de 2017

Reforma trabalhista enfraquece os sindicatos e mata o Dieese

Há meio século desenvolvendo pesquisas e auxiliando os sindicatos com números e índices seguros  sobre inflação , ganhos e perdas da massa salarial, o Dieese é um instrumento indispensável para que os sindicatos obreiros possam atuar na defesa dos seus representados no mundo do trabalho.

Sem o Dieese, os trabalhadores ficariam no escuro e os sindicatos, sem referências econômicas seguras  para balizar as negociações que fazem permanentemente com o patronato. Nunca passou pela cabeça de ninguém, nem mesmo de empregadores minimamente politizados e sensíveis , que o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos pudesse, depois de mais de meio século de bons serviços prestados ao mundo do trabalho, estar ameaçado de morte.

 Pois é o que está em vias de acontecer. Segundo seu diretor técnico, Clemente Ganz Lúcio, o Dieese enfrenta a maior crise de sua história. A crise está diretamente ligada ao enfraquecimento dos sindicatos obreiros, cujas fontes de financiamento a Reforma Trabalhista se encarregou de liquidar.

Para evitar o risco de fechamento, o Dieese está lançando uma campanha de apoio institucional. Mas quem pode dar esse apoio? Os sindicatos? Vai ser difícil. O Estado? Pior ainda. O empresariado? Nem pensar.


Diante desse quadro, os trabalhadores podem ficar sem o respaldo do Dieese para aferir, com maior exatidão, os verdadeiros índices de queda do seu poder aquisitivo e por meio dos sindicatos que os representam, negociar acordos e convenções coletivas em cima de indicadores econômicos reais.

20 de dezembro de 2017

O mundo tá de olho


Em 2010 a revista norte-americana Time elegeu o presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva,  o líder político mais influente do mundo naquele momento. Atrás dele ficaram Barack Obama, dos Estados Unidos e  Yukio Hatoyama, primeiro ministro do Japão. Alguém tem dúvida de que os olhos do Planeta estarão voltados na manhã do dia 24 de janeiro  para a sede do TRF4, na  rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 300 ( Centro Administrativo Federal, no bairro de Praia de Belas, em Porto Alegre) ?

19 de dezembro de 2017

A hora e a vez da farsa



Hegel, o grande filósofo alemão, observava que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem duas vezes, pelo menos. Mas foi Karl Marx, outro filósofo alemão, quem completou: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.
O momento politico brasileiro nos leva a refletir sobre isso, a partir da tragédia de 1961 quando, para impedir a posse de Jango, os militares impuseram o parlamentarismo, fazendo do substituto natural de Jânio Quadros (que renunciara ao mandato) uma espécie de rainha da Inglaterra.
A tragédia não se completou nesse primeiro momento, porque dois anos depois João Goulart conseguiu derrubar o sistema parlamentarista por meio de um plebiscito. Mas a tragédia acabou se consolidando em 1964 com o golpe que depôs o presidente e jogou o Brasil num longo período de trevas, que durou até o fim do governo Figueiredo em 1985.
Pois não é que 54 anos depois surge a possibilidade do parlamentarismo ressurgir, dessa vez certamente como farsa? E ressurge, pasmem, pela iniciativa de um ministro da mais alta corte do país. Gilmar Mendes protocolou no Senado uma proposta de emenda constitucional, que muda o regime de governo do Brasil, de presidencialista para um semipresidencialismo, com amplos poderes para o Congresso Nacional e poder quase nenhum ao presidente da república eleito em 2018, posto que haveria aí a figura de um primeiro ministro meia-boca.
O texto, segundo o noticiário político, teria sido gestado a quatro mãos – as mãos de Gilmar e as de Michel Temer. Mas sua inspiração, com toda certeza, vem de setores ligados à elite empresarial brasileira, mas sem o apoio (ainda) da caserna.
Ou seja, estamos diante daquilo que Marx apontou como farsa, mas que se concretizar pode significar também o prolongamento de uma tragédia, que começou com o golpe parlamentar do impeachment e caminha com celeridade para o desmonte total do estado de bem-estar social previsto na Constituição Cidadã de 1988.
No fundo, no fundo, fica muito claro que o objetivo primeiro da farsa montada via Gilmar Mendes é amarrar braços e pernas do presidente eleito ano que vem, que pode ser Lula ou algum político de centro-esquerda que ele apoiar, caso venha a ser impedido de concorrer pelo TRF4.

7 de dezembro de 2017

Pode isso, Arnaldo?

Acredite se quiser, mas o Ministério Público abriu processo contra o ex-ministro Guido Mantega e a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster por eles terem mantido “baixos demais” os preços da gasolina em 2013 e 2014.
Para ressarcir os cofres públicos o MP está pedindo  R$ 20 bilhões a Mantega e Foster. Será que vão pedir devolução para os milhões de motoristas que se beneficiaram dos preços baixos?