13 de março de 2018

O que estão fazendo com a Venezuela?



Os Estados Unidos lideram uma política criminosa de isolamento da Venezuela, mesmo sendo a Venezuela o maior fornecedor de petróleo do mundo para os norte-americanos, mais até do que a Arábia Saudita. O Brasil foi um dos países sul-americanos que entrou na cantilena do Tio San e que , ao invés de atuar como mediador, decidiu partir para a hostilização ao país vizinho.
Tudo bem que Nicolás Maduro é um tosco, que conduz muito mal a política e a economia venezuelanas. Mas isso por si só não explica o clima de guerra que no Brasil se fomenta  contra aquele país, que até pouco tempo era o nosso maior parceiro comercial (superavit na balança comercial de cerca de  U$ 5 bilhões a favor do Brasil).
A Venezuela nadava de braçada na era Chaves quando o petróleo estava em alta. O preço do barril despencou e o incompetente Maduro não conseguiu segurar a onda. Para se segurar no poder, começou a brincar de ditador, sendo que nem qualidades para isso ele possui.
Mas a rigor, o povo venezuelano não pode ser massacrado pelos países vizinhos como está sendo atualmente. A economia, centrada apenas no petróleo, fica fragilizada quando os preços do produto no mercado internacional caem. Os últimos governos venezuelanos, principalmente Chaves, jamais se preocuparam em desenvolver a indústria e o setor de prestação de serviços , certamente acomodados pelo poderio econômico das suas gigantescas reservas petrolíferas.
O petróleo é um fóssil que ainda gera muita cobiça. E isso fragiliza os países produtores que não se prepararam para o jogo duro do mercado. Os árabes sempre souberam lidar com isso e pelo menos no auge da OPEP, permitiam no máximo que os grandes compradores cortassem o baralho, mas eram eles que davam as cartas.
O problema maior da Venezuela é sua proximidade com os Estados Unidos e o fato de depender quase 100% da venda do petróleo que extrai do seu subsolo. Os americanos tentaram privatizar a estatal do petróleo venezuelano num processo em que estavam mancomunados  multinacionais e grandes empresários nativos, inclusive barões da comunicação, os Marinho de lá. Mas aí surgiu um calo chamado Hugo Chaves no caminho dos entreguistas e o jogo virou. Chaves sentou em cima do petróleo nacional e gritou: “Aqui não, violão”.
Enquanto viveu, Hugo Chaves se manteve no poder, diga-se de passagem, por via direta (eleições populares) e conseguiu se impor no mercado, sem medo de enfrentar o seu poderoso comprador. Chaves chegou a esculhambar o presidente Bush numa assembleia geral da ONU.
Mas Chaves era Chaves. Maduro não é Chaves, e de tão verde chega a ser pândego. Disso se aproveitam os americanos e lhe apertam o torniquete do bloqueio econômico . O resultado é o desastre social que a sociedade venezuelana vive, sem que o governo do seu maior parceiro comercial no continente tenha a dignidade de colocar sua diplomacia a serviço do entendimento, e não do acirramento das tensões.
Em tempo: não nos iludamos: o Brasil é um grande fornecedor de matéria prima para os norte-americanos, que não estão se contentando apenas em comprar o nosso petróleo , mas querem dele se apoderar, como mostra o desmonte do regime de partilha do pre-sal, feito a partir de uma lei de autoria do senador tucano José Serra.
Aliás, foi Serra, enquanto Ministro das Relações Exteriores que pilotou a política externa brasileira de criminalização do governo venezuelano, contribuindo para piorar ainda mais a situação daquele povo

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