23 de abril de 2018

Candidatura Joaquim Barbosa com jeitão de ópera-bufa


A Folha de São Paulo publicou na sua edição de 16/11/2013 um artigo do cientista político André Singer sobre três prisões emblemáticas da véspera:

“No feriado de 15 de novembro de 2013 o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, mandou prender três figuras nacionais do PT: José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. O fato de ser a data da comemoração da República completa o simbolismo ideal para um possível futuro candidato a chefe do Executivo”.

Quase 5 anos depois, eis que o vaticínio se confirma: aposentado, Joaquim Barbosa se lança na carreira política, já como pré-candidato a presidente, aproveitando que ainda surfa na onda do punitivismo redentor, transformado que foi pela mídia em celebridade.

Há quem estranhe ter o ex-ministro da Suprema Corte ingressado justamente no PSB, partido do lendário socialista Miguel Arraes. O mais correto, pensam alguns, seria ele ter trabalhado pela oficialização do PJ (Partido da Justiça), que poderia ser chamado, na avaliação do cientista Luiz Werneck Vianna de Partido do Tenentismo Togado”.

A conclusão de André Singer para esta ópera bufa, é brilhante: “O combate à corrupção é, sem dúvida, meritório, e merece aplausos. Mas transformá-lo em objetivo único constitui biombo para esconder conflitos de fundo.

Dado o arraso causado pela seqüência mensalão-Lava Jato, era provável que o PJ apresentasse um candidato para ocupar o vazio que ele mesmo criou.
Do ângulo estritamente eleitoral, pode dar certo.
Outra coisa é saber se será capaz de construir um rumo coletivo para nos tirar da crise”.

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