30 de junho de 2018

Para entender melhor o fenômeno Bolsonaro


         Que pode ser explicado melhor a partir de Darwin de que de Freud

Ninguém fez com tanta precisão até agora o retrato de Jair Bolsonaro como o colunista da Folha de São Paulo, Josias de Souza  faz hoje em seu blog no UOL. Resumidamente, ele diz que a atração que o candidato exerce sobre parte considerável do eleitorado brasileiro está , não na sua longa história de deputado de vários mandatos, que nem merece registro,  mas está no discurso do atraso.
 Para  se saber melhor quem é este ser, que não veio de Marte, mas é figura carimbada da política brasileira, e compreender, afinal, porque ele exerce tamanho fascínio em tanta gente ,  Josias é cirúrgico:

“Bolsonaro é o efeito. A causa é a perpetuação de um sistema político em que o Estado não tem homens públicos. Os homens públicos é que têm o Estado. Ao perceber que paga mais impostos para receber menos serviços, o pedaço Bolsonaro do eleitorado acha que o futuro era muito melhor antigamente, quando os presidentes vestiam farda. Ao notar que o Supremo começou a soltar larápios condenados, o lado Bolsonaro da sociedade passa a sonhar com um país em que os tribunais não sejam a única maneira de se conseguir justiça. Porta-voz do desalento, Bolsonaro capta no ar o sentimento que seu eleitorado deseja expressar.
Na entrevista que concedeu ontem na capital cearense, como em todas as outras, Bolsonaro agarrou as perguntas pelo colarinho  como se enxergasse nelas a oportunidade de reproduzir as respostas iradas que sua platéia espera ouvir. Questionado sobre seus planos para deter o avanço das facções criminosas no país, o candidato declarou-se  adepto do  modelo da Indonésia. Na Indonésia, traficantes e consumidores de drogas são enviados para o corredor da morte. Mas Bolsonaro, tomado pelas palavras, referia-se às Filipinas, onde a bandidagem é passada nas armas sem a necessidade de uma sentença de morte formal. “Tinha dia de morrer 400 vagabundos lá. Resolveu a questão da violência”, afirma.
Ele condena o casamento de homossexuais, deplora a ideologia de gênero nas escolas, prega o direito dos policiais de matar bandidos e chama presídios superlotados de “coração de mãe”, onde sempre cabe mais um bandido. No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, Bolsonaro pegou em lanças contra a política de privatizações e a abertura do mercado para a exploração de petróleo. Nessa época defendeu diante das câmeras o fuzilamento do presidente”.

Recentemente Bolsonaro esteve na Rádio Jovem Pan onde os entrevistadores fazem o entrevistado bailar, em uma hora de entrevista que às vezes mais parece interrogatório. Bolsonaro se atrapalhou todo quando foi instado a falar de economia e bem na linha do que sempre defende, antecipou parte do seu programa de combate a violência no país, que pode começar com lança-chamas pra cima de movimentos sociais como o MST e o MTST e também contra educadores que , no Ministério da Educação, defendem o Método Paulo Freire.

Enfim, Josias arremata, e não tem como deixar de assinar embaixo: “Bolsonaro tornou-se um porta-voz do atraso nacional.Vivo, Darwin diria que o brasileiro é mais uma prova do acerto da sua teoria evolucionária.  Evoluiu tanto que já está fazendo o caminho de volta”.


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