6 de outubro de 2018

Deixem Deus fora disso


Seja o que Deus quiser? Não, não podemos invocar o nome de Deus para nos conformar com essa sujeirada toda.
Depois de apoiar ostensivamente a campanha "tudo, menos o PT", a Globo chega ao final da campanha vendo o provável eleito de braços dados com sua maior concorrente, a Rede Record do bispo Macedo.
E vislumbrando um acordo mais ali na frente, para minimizar o impacto da divisão das verbas publicitárias que sempre concentrou, a Globo minimizou a ausência de Bolsonaro no debate de quinta-feira. O mediador Willian Bonner limitou-se a informar, candidamente, que Bolsonaro não compareceu por ordem médica, sem questionar o circo armado em torno dessa ordem para poupar o mesmo do confronto , tete-a-tete , com seus concorrentes.
Enquanto os demais candidatos debatiam, discutiam propostas ou simplesmente colocavam suas ideias e confrontavam suas biografias, Bolsonaro ganhava 27 minutos de propaganda na Rede Record, ferindo de morte a legislação eleitoral que naquele momento já não permitia mais propaganda eleitoral gratuita na televisão.
Enfim, estamos diante de uma das eleições presidenciais mais contaminadas desde o restabelecimento das diretas.
É algo tão, ou mais grave, do que foi o segundo turno das eleições de 1989, quando a Globo conseguiu eleger um certo caçador de marajás, que todo mundo sabe no que deu.
Eu até poderia dizer "seja o que Deus quiser". Mas não vou cometer tal heresia , porque não quero fazer como vem fazendo pastores picaretas, que de forma despudorada andam invocando o nome do Senhor para justificar esta sujeirada toda.

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