8 de outubro de 2018

Para derrotar o PT era preciso ir tão longe?



                    .  por Ruth Bolognese (Blog Contraponto)
Primeiro a gente derrota o PT e depois vamos pensar no que fazer”, dizia a bela senhora da elite curitibana ao justificar o voto em Jair Bolsonaro na fila da votação. Resumia, com vivacidade e segurança, o pensamento do eleitor brasileiro esclarecido, aquele que conhece a insensatez do fenômeno em que se transformou o capitão reformado do Exército nestas eleições, mas, mesmo assim, viu nele a única saída.
O único problema da elegante senhora curitibana é que voto cai na urna e não é retornável. Derrotar o PT era uma questão de honra? Ok. A onda conservadora poderia ser plenamente compreendida se elegesse um Geraldo Alckmin, ou mesmo o Henrique Meirelles, com sua dicção de executivo do banco de Boston. Estaria dentro do script da nossa história de altos e baixos em busca da democracia mais plena ou menos plena. Ou, vá lá, depois do social, vamos optar por esse tal de neo-liberalismo e pronto.
O que ocorreu no país desde este domingo (7) não teve nada de mudar o rumo para, no final, continuar mais ou menos como estava. Voltar aos tempos do FHC e das privatizações a qualquer custo. Ou dar uma lição a “estes petistas” de como os brasileiros renegam a corrupção, os erros na economia, os malfeitos.
O que houve foi uma opção meio desesperada pelo caminho mais obscuro, vindo de gente que lutou pela democracia, com vocação para a tolerância e o pensamento democrático. E é isso o mais assustador. A senhora curitibana, certamente, não deseja viver numa sociedade onde as mulheres são colocadas em segundo plano, onde se espanca pessoas pela opção sexual, ou se prega o armamento da população como forma de reduzir a violência. Mas teve a coragem de dar seu voto para um candidato a presidente que prega tais barbaridades.
O custo de derrotar o PT não pode ser o caminho para o abismo. E a grande questão é justamente essa: qual é o preço que a sociedade brasileira, a elite esclarecida, os estudantes, os professores, os intelectuais, os produtores e os industriais estão dispostos a pagar para varrer o PT do Brasil? Se for o abismo, então não há nada mais a debater. Que venham as burcas e as barbas dos talibãs.

Nenhum comentário: