31 de julho de 2017

Osmar no Podemos, ou melhor, no Phodemos...

O ex-senador Osmar Dias, virtual candidato ao governo do Paraná, há tempo anda desconfortável no PDT. Principalmente porque não engole o discurso crítico de Ciro Gomes, o presidenciável do parido. Ele só não sabia como trocar o PDT do velho Brizola pelo Podemos, do irmão Álvaro. Agora encontrou o pretexto: o apoio que ele diz estar o PDT dando à Constituinte de Nicolás Maduro na Venezuela.

A elite deita e rola com o aval da classe média

               SOCIÓLOGO DIZ QUE A ELITE  FAZ A CLASSE MÉDIA DE IMBECIL



Para quem quiser compreender o Brasil atual e o ambiente de ódio construído pela elite brasileira, com apoio da mídia e da classe média imbecilizada, vem aí o terceiro livro do ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Jessé Souza. “A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato” sai agora em agosto, completando uma trilogia – “A Tolice da Inteligência Brasileira” , de 2015 e “A Ralé Brasileira”, de 2009 Em entrevista ao repórter Sérgio Lirio, da revista Carta Capital, o ex-presidente do IPEA não usa meias palavras no diagnóstico:
“Somos, nós brasileiros, filhos de um ambiente escravocrata, que cria um tipo de família específico, uma Justiça específica, uma economia específica. Aqui valia tomar a terra dos outros à força, para acumular capital, como acontece até hoje, e humilhar e condenar os mais frágeis ao abandono e à humilhação cotidiana. Essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo”.
Há , segundo o sociólogo um inegável sentimento de irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que ganharam aspecto de estações rodoviárias nos últimos 14 anos. ”A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as universidades”.
À luz da Ciência Social, Jessé Souza nos leva a compreender porque “ o moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais”.
É preciso explicitar o papel da elite, que prospera no saque e na rapina. Jessé fará isso no seu novo livro, segundo ele mesmo adianta à Carta Capital. “A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade”.

24 de julho de 2017

A mentira que o governo insiste em transformar em verdade



É difícil a gente não sentir náusea diante de mentiras oficiais absurdas como as que foram ditas hoje de manhã na CBN pelo ministro do Planejamento, Diogo Oliveira. Logo cedinho, enquanto eu fazia café, ouvi o ministro falar que o Brasil não pode continuar gastando com o passado, “precisa investir no futuro”. O passado a que ele se referia é o pagamento de aposentadorias. Quanto ao futuro, não dá pra ter a menor ideia de que futuro ele estava falando, se o governo Temer não tem feito outra coisa a não ser liquidar as perspectivas de futuro que a juventude brasileira ainda tem.
Acreditem, mas o ministro enfatizou que o governo gasta R$ 700 bilhões por ano com a Previdência. Não é preciso ser economista para saber que o gasto referido é na seguridade social e a seguridade social arrecada mais do que isso. É irritante o esforço que a equipe econômica faz para desvincular a previdência do tripé que ela forma com a saúde e a assistência social. Ao fazer isso, cria um déficit que não existe e embaça a visão que a sociedade precisa ter e não tem, das chicanas contábeis pilotadas pelo senhor Henrique Meireles.
Tomando por base o estudo da especialista Denise Gentil , que virou tese de mestrado em 2015 “a soma dos gastos federais com saúde, assistência e previdência totalizou, em 2014, R$ 632 bilhões. Como o orçamento da seguridade foi de R$ 686 bi, no final de todas as receitas e todas as despesas, ainda sobram R$ 54 bilhões. E como esse saldo se transforma em déficit? Com uma operação simples: antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia desse orçamento 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, o que, em 2014, significou um ralo de R$ 60 bilhões”.
Esse desvio se dá via DRU (Desvinculação de Receitas da União) , que no governo temer passou a ser de 30% . Normalmente, o montante, que hoje deve estar beirando os R$ 100 bilhões , vai para cobrir rombos do tesouro, inclusive com o pagamento de juros da dívida pública.
O advogado , procurador da Fazenda Nacional , mestre em Direito e professor da Universidade Católica de Brasília Aldemário Araujo Castro, lembra a propósito que a Constituição de 1988 “desenhou um avançado sistema de seguridade social, incluídas as proteções previdenciárias e assistenciais, cuidou de estabelecer importantes mecanismos de financiamento das políticas públicas nessas e outras áreas e por tanto, não tolera o retrocesso social que está ocorrendo”.
É muito claro para quem consegue enxergar um palmo adiante do nariz que o governo do “Dr. Mesóclise” , o ridículo, transformou-se rapidamente
“ em mero instrumento dos interesses mais mesquinhos do empresariado do agronegócio, da indústria, do comércio e da área financeira, adotando rumo diametralmente oposto ao indicado pela Constituinte de 1988”.
O jurista Aldemário dá exemplos concretos da busca frenética pela eliminação e restrição de direitos sociais presente nas ações do governo Temer:
“A) proposta (aprovada) de fixação de um teto draconiano de gastos primários (e ausência de limites para as despesas financeiras);
B) nova legislação sobre terceirização (e precarização) da força de trabalho;
C) reforma trabalhista (já aprovada) que, entre outras maldades, determina a prevalência do negociado sobre o legislado (“para pior”)
D) reforma previdenciária, que contempla um festival de redução de direitos.
Ora, ora, se o Constituinte construiu toda essa rede de proteção, baseada na solidariedade social e no bem-estar de todos, como pode a sociedade tolerar tanta agressão ao texto constitucional?
Como perguntar não ofende: qual é o papel, afinal , do STF, não é garantir que a Constituição do Brasil seja respeitada?

20 de julho de 2017

Por onde andarão os patos do Skaf?



                                     . Por Ricardo Kotscho (Balaio do Kotscho)
Por onde andarão os patos amarelos da Fiesp que enfeitavam as avenidas paulistanas e a Esplanada dos Ministérios em Brasília durante os protestos do ano passado contra a corrupção e o aumento de impostos?
Em lugar deles, agora podem ser encontrados moradores de rua molhados por jatos d´água pelo serviço de limpeza urbana da Prefeitura de São Paulo no dia mais frio do inverno, segundo noticiou a rádio CBN.
Com o anunciado aumento do imposto nos combustíveis a partir desta quinta-feira, será que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, agora vai soltar os patos enfurnados em algum porão?
Até o fechamento desta edição, Skaf ainda não tinha se manifestado sobre o aumento da taxação de PIS e Cofins na gasolina e no diesel, que vai provocar um efeito cascata nos preços de toda a cadeia produtiva.
Pelo zap-zap no celular, o prefeito João Doria atribuiu a molhação de roupas e cobertores dos mendigos a um "descuido" dos funcionários e recomendou "mais cuidado nos serviços de limpeza".
Até por uma questão humanitária, nestes dias gelados na cidade, talvez seja o caso de fazer uma nova parceria público-privada, tão ao gosto do prefeito, para ceder o albergue dos patos da Fiesp aos sem-teto, já que os da Prefeitura não tinham mais lugar.
Às quatro e meia da tarde, segundo a Folha, 15 pessoas aguardavam na fila do lado de fora para tentar entrar no centro de atendimento instalado próximo à praça Princesa Isabel, no centro.
No mesmo dia, a Prefeitura anunciou a inauguração de uma nova unidade de acolhimento com 460 vagas.
Como acontece diariamente nos Estados Unidos de Donald Trump, há duas versões opostas para o mesmo fato:
* Prefeito João Doria: "Por uma circunstância, molharam alguns cobertores das pessoas em situação de rua. Jamais profissional, seja da Prefeitura ou terceirizado, jogou jatos d´água nas pessoas. Essa é uma mentira".
* Daniela Batista de Oliveira, 28 anos, moradora de rua: "É uma humilhação isso aí, e no maior frio. A gente estava dormindo e chegaram jogando água. Eles molham todo mundo, não estão nem aí. Depois quem morre é a gente, e não eles, que têm as casas e os empregos deles".
* José Carlos dos Reis, 59, morador de rua da praça da Sé: "Os termômetros estavam marcando menos de 10 graus. Vieram tirar barraca, jogaram água cedinho, começaram a brigar para não levar os pertences. O prefeito tinha que dar uma assistência melhor".
Na noite anterior, um morador de rua, até agora não identificado, foi encontrado morto de frio em Pinheiros, na zona oeste, sem marcas de violência.
Segundo a Prefeitura, as empresas de limpeza foram notificadas "para que apurem se houve intercorrência" e foi feita a distribuição de mais de mil cobertores em várias regiões da cidade.
Ao levar cobertores pessoalmente, à noite, para a região da Estação Marechal Deodoro do metrô, o prefeito Doria foi hostilizado por um grupo de moradores de rua que o chamaram de "assassino", relatam os repórteres Guilherme Seto e Giba Bergamim Jr., da Folha.
Em Brasília, para evitar que o deficit fiscal ultrapasse o rombo de R$ 139 bilhões previsto no orçamento deste ano, o governo estuda também o aumento da Cide, outro imposto sobre combustíveis.
Enquanto isso, com o Congresso em férias, o PMDB de Michel Temer e o DEM de Rodrigo Maia disputam o espólio do PSB, o antigo Partido Socialista Brasileiro.
E vida que segue.





Pelas diretas já




Os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e João Capiberibe (PSB-AP) vão comandar amanhã ( nesta sexta-feira, 21)  em João Pessoa, na Paraíba,  comício pelas diretas já.

12 de julho de 2017

Senado aprova a volta da escravidão


                                  .  Da Rede Brasil Atual


 Conforme queria o governo, o texto da reforma trabalhista foi aprovado no Senado  sem mudanças. A oposição ainda tentava aprovar algum destaque, para que o projeto voltasse à Câmara. Sem mudanças, o PLC 38 vai à sanção de Michel Temer. O governo diz que fará alterações via medida provisória. "Esta reforma é para diminuir a rede de proteção social e precarizar as condições de trabalho", disse Humberto Costa (PT-PE). "Este projeto não vai criar empregos, e sim subempregos", afirmou Telmário Mota (PTB-RR).
"Uma parte de mim morre hoje", disse Paulo Paim (PT-RS), que desde o início da discussão tentou um acordo para incluir alterações no texto. "Vesti a minha melhor roupa (hoje), como se fosse o dia da minha morte."
"Este é um dia muito triste para o Senado Federal", reagiu Renan Calheiros (PMDB-AL). "O Senado se submete, por várias razões, a fazer o desmonte do Estado social. Da noite para o dia", acrescentou o ex-líder do partido, para quem o projeto prejudica sobretudo os mais pobres. Do ponto de vista da representação política, este talvez seja o "pior momento" do Senado, disse Renan. "O que os senhores estão fazendo com o Brasil?", afirmou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). "O trabalho intermitente é uma nova forma de escravidão."
"O que aconteceu aqui envergonha a nação", afirmou Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, pouco depois de a sessão ser retomada. "A classe dominante deste país não tem projeto para o Brasil. Quando há crise na economia, vocês disputam verba do orçamento. Os senhores deviam se envergonhar do que estão fazendo. A cabeça dos senhores é escravocrata", acrescentou, dirigindo-se aos governistas.
"Nós tínhamos acabado com a fome neste país, os senhores fizeram voltar. Os senhores rasgaram a Constituição, tiraram a Dilma, fizeram uma emenda constitucional para retirar dinheiro das políticas sociais e agora estão tirando direitos", disse ainda a senadora, uma das parlamentares que permaneceram na mesa diretora desde a manhã desta terça-feira (11). "O que ganha uma pessoa com o Bolsa Família vocês gastam em um almoço."

"Esta reforma trabalhista não tem uma vírgula a favor do trabalhador", afirmou João Capiberipe (PSB-AP). "É uma reforma unilateral e é burra, porque é recessiva. A renda do trabalhador vai despencar. E nós aqui estamos surdos, não enxergamos o óbvio", afirmando que a queda da renda levará à diminuição do consumo e da arrecadação da própria Previdência. "Este Congresso brincou com a democracia. Não se sai da crise agradando só a um lado."
Durante o dia, a oposição reafirmou a posição "insustentável" do presidente da República, denunciado pelo Ministério Público Federal. "O Michel Temer a um passo da guilhotina e o Senado insiste em manter a votação da reforma trabalhista", escreveu Paulo Paim (PT-RS) em rede social
Apoio
O tema ocupou os debates na internet. "Quero manifestar o meu apoio às senadoras de oposição que ocuparam a mesa do Senado hoje para impedir a votação da reforma trabalhista", declarou, por exemplo, o vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O senador Magno Alves (PR-ES) chamou de "pantomima" a manifestação das senadoras, enquanto José Medeiros (PSD-MT) entrou com representação no Conselho de Ética da Casa contra as parlamentares.
A oposição também questionou o fato de o Senado não fazer nenhuma mudança no texto vindo da Câmara. "É claro que não é bom (o episódio de hoje), mas, por outro lado, como é que pode se fazer uma reforma trabalhista sem que o Senado possa alterar um inciso, um artigo de uma lei tão importante?", disse Jorge Viana (PT-AC).

"Os próprios parlamentares do governo reconhecem que há distorções. Nós, aqui, vamos abrir mão do nosso papel de Casa revisora do Legislativo? Em, nome de quê?", questionou Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para quem o único motivo é dar "alguma sobrevida" ao governo Temer. O ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL) disse que o projeto apenas causará mais intranquilidade social. Eduardo Braga (PMDB-AM) também criticou o fato de o Senado não fazer alterações ao texto, mesmo considerando a necessidade de uma reforma na legislação.
Uma possível medida provisória para "corrigir" itens do projeto, conforme acena a base governista, também é posta em dúvida pela oposição. "Quem confia em Michel Temer?", disse Jorge Viana. Segundo ele, se o problema é de tempo, seria mais rápido aprovar alterações no projeto, que voltaria para a Câmara e seria sancionado pelo presidente. Uma MP, segundo ele, ficará meses tramitando.

"Esse projeto não retira direitos do trabalhador", reafirmou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-AL). Segundo ele, alguns "ajustes" serão feitos, como nos itens sobre trabalho intermitente, trabalho em gestantes e lactantes em locais insalubres e representação nos locais de trabalho. 

11 de julho de 2017

Senado pode manchar sua história com a aprovação da reforma trabalhista


A luta dos trabalhadores brasileiros por  melhores condições  de trabalho e remuneração digna  vem de longe. Já na primeira metade do século XX, os principais centros urbanos registravam mobilizações, com protestos nas ruas e greves. A primeira grande paralisação geral ocorreu em 1917 ,  quando 70% dos trabalhadores das principais capitais do país cruzaram os braços por melhores salários, férias remuneradas e jornada de 8 horas. Já na década de 30, com Getúlio Vargas no poder, as mobilizações não cessaram. Como foi a dos comerciários no Rio em 1932 , que levou o então presidente  a sancionar a Lei 4042, reduzindo de 12 para 8 horas a jornada diária do trabalho no comércio e na indústria.
Como se vê , os avanços que a classe trabalhadora obteve nos últimos 80 e poucos anos foram frutos de muita luta. E tudo isso está indo por água abaixo nesse momento de crise econômica, política e moral que o país vive. A elite nacional, guiada pela lógica perversa do mercado, se aproveita da turbulência política para forçar a aprovação das perversas reformas trabalhista e previdenciária. Isso depois de terem enfiado goela abaixo da sociedade aquela pilantragem da terceirização, inclusive de atividades fim.
Dobre a reforma trabalhista a ser votada hoje no plenário do Senado, a oposição fará tudo para rejeitar, mas infelizmente é minoria. O senador paranaense Roberto Requião, que votará pela rejeição do PL, elenca 10 motivos pelos quais a reforma trabalhista deve ser rejeitada:
1.Precedência do negociado sobre o legislado: o trabalhador, como parte fraca, vai se defrontar com o patrão, a parte forte, sem qualquer proteção legal;
  1. A destruição da Justiça do Trabalho como instrumento para equilibrar os poderes do trabalhador e do padrão nas relações trabalhistas;
  1. A instituição do trabalho intermitente que, na prática, para milhões de trabalhadores, vai liquidar com a obrigatoriedade do pagamento ao trabalhador do salário mínimo;
  1. A impossibilidade prática de os novos trabalhadores se aposentarem, sobretudo quando se considera a possível generalização do trabalho intermitente;
  1. O enfraquecimento planejado dos sindicatos em termos financeiros com a retirada abrupta do imposto sindical;
  1. O enfraquecimento funcional dos sindicados na medida em que não mais se requererá sua presença obrigatória para homologação de rescisões de contratos do trabalho;
  1. A generalização da terceirização inclusive em setores empresariais de atividades fins, com inevitável precarização do mercado de trabalho em larga escala;
  1. A pejotização generalizada da força de trabalho. Cada trabalhador vai se transformar em uma “empresa”, sem direito às férias, 13º, descanso remunerado, recolhimento do FGTS, desconto para a Previdência. As empregadas domésticas, por exemplo, recentemente reconhecidas como trabalhadoras, serão compelidas à “pejotização”, retornando à condição anterior de trabalhadoras precárias;
  1. A jornada de trabalho poderá ser estendida ilimitadamente, pois dependerá da negociação direta entre trabalhadores e empregadores. Em uma circunstância como a de hoje, com quase 14 milhões de desempregados, é de se prever que o trabalhador aceitará jornadas de trabalho estendidas;
  1. O projeto admite que mulheres grávidas ou lactentes trabalhem em locais insalubres, dependendo de avaliação sobre tais condições de médicos da empresa.
Segundo Requião “o dado mais extravagante levantado pelos proponentes da reforma é que ela resultará em criação de empregos. Isso é absolutamente falso. Ao contrário, a reforma é destruidora de empregos formais pois os empregadores não perderão tempo em trocar empregados celetistas por trabalhadores autônomos não registrados na CLT. Em situação de depressão como o Brasil, a retomada do desenvolvimento jamais será feita com precarização do mercado de trabalho. Ao contrário, sempre dependerá do aumento do consumo, que só ocorrerá com o aumento do emprego e dos salários”.



7 de julho de 2017

A Venezuela na ótica isenta da ciência política



A maioria dos brasileiros,  analisando os conflitos na Venezuela a partir do que vê nos telejornais da noite , sataniza  Maduro e coloca chifres de cramulhão na cabeça  da alma penada de Hugo Chaves. Pra todos efeitos, é o presidente venezuelano que atiça suas forças policiais sobre a população, agravando o estado de miserabilidade do povo e arruinando as instituições.

É isso que está posto, é isso que oxigena o discurso único que, no fundo, no fundo, tem o objetivo também de desmoralizar a esquerda, aqui, lá e acolá. Mas é preciso compreender os fatos a partir de análises menos passionais e pouco além do senso comum.

Neste sentido, chamo a atenção dos amigos leitores para um artigo do professor Igor Fauser, doutor em ciência política pela USP e professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC . Diz ele, logo de saída:
 “O conflito na Venezuela ingressou num período decisivo, com todo um conjunto de sinais de que a oposição direitista optou por uma tática de “tudo ou nada” na tentativa de inviabilizar a eleição da Assembleia Constituinte, marcada para o dia 30 de julho. O objetivo da ofensiva política em curso é derrubar, por qualquer meio, o governo legítimo do presidente Nicolás Maduro”.
As agências internacionais de notícias, que cobriram a invasão da Assembleia Nacional esta semana, mostram apenas um lado, em que os atacados são as vítimas e os que atacaram, bandidos, chegando ao nível do terrorismo.
O professor aponta que a mídia ignorou totalmente a ação mais chocante dessa semana na Venezuela. Foi, segundo ele, a destruição de um depósito da rede estatal de abastecimento Mercal, com queima de 50 toneladas de alimentos que seriam distribuídos em comunidades pobres do estado de Anzoátegui.
 “A suprema ironia foi uma pichação pintada numa parede pelos fascistas: “No más hambre” ("Chega de fome"). Ou seja: a oposição, na busca desesperada de promover o caos, já não disfarça sua estratégia de guerra econômica. Age abertamente para agravar os problemas da escassez e da alta dos preços, com a clara intenção de culpar o governo pela crise e fragilizá-lo politicamente”.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-revolucao-venezuelana-na-sua-hora-decisiva/6/38356)



5 de julho de 2017

Ministro Ricardo Barros libera dinheiro do SUS para "Hospital das Fraudes"



O ministro da saúde autorizou sexta-feira passada o início do processo de credenciamento pelo SUS do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira, de Montes Claros (MG). Até aí, nada demais. O problema é que este hospital é o mesmo denunciado por fraudar documentos que facilitassem o seu credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde. Queria ingressar no SUS mas sem se submeter a nenhum processo de licitação.
Lembram daquela deputada federal que ao votar pelo impeachment da presidente Dilma Roussef gritou ao microfone: “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão. Sim, sim, sim, sim!”.
No dia seguinte à aprovação do impeachment na Câmara, o prefeito Ruy Muniz foi preso pela Polícia Federal, na Operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde.
O prefeito é ninguém menos do que o marido da deputada Raquel Muniz. O ministro Barros foi pessoalmente a Montes Claros para anunciar a boa nova à deputada e ao marido prefeito, donos do hospital, que sob a gestão do prefeito “probo” recebeu em 2015 nada menos que 26 mil consultas especializadas e 11 mil exames, tirados de concorrentes da rede pública, e portanto, credenciados ao SUS.
Segundo o jornalista Luiz Carlos Gusmão, do blog Em Cima da Notícia, “além de favorecer seu hospital, Ruy Muniz denegria a imagem de hospitais públicos e filantrópicos da região. Apesar de todas as denúncias que pesam contra o hospital da deputada e do prefeito, o Ministério da Saúde autorizou R$ 3 milhões para o credenciamento do mesmo. apelidado de “hospital das fraudes”.
Só pra lembrar: a deputada Raquel Muniz vai estar no plenário quando a Câmara Federal for decidir se acolhe ou não a denúncia do Procurador Geral da República contra o presidente Michel Temer, o chefe de Ricardo Barros.

4 de julho de 2017

Em nome da memória do pai, Moro pode prender Lula


Fui aluno de Dalto Moro, um dos melhores professores de Geografia que a UEM teve, sem dúvida nenhuma. Mas nutria um ódio tão grande da esquerda, que nunca consegui entender  porque, por mais conservador que ele pudesse ser. Por que estou lembrando disso agora? Simplesmente porque, ao conversar com um amigo professor de Língua Portuguesa (também dos bons), fiquei sabendo de um episódio, no mínimo curioso, envolvendo Moro . Por ser um fato corriqueiro, não creio estar ofendendo a memória do pai do juiz Sérgio. Não, de jeito nenhum.
Aconteceu no ano 2000, em uma locadora de vídeo onde ele era cliente assíduo. Estava  no balcão com um pacote de fitas que acabara de escolher, quando passou um rapaz entregando propaganda eleitoral do candidato a prefeito José Cláudio. Moro se recusou a pegar o “santinho”. E, virando-se para o dono da locadora perguntou:
-Você vai votar num candidato desse partido?
-Vou analisar, professor. Talvez eu vote, sim. Qual o problema?
O professor Dalto pediu na hora que o dono da locadora cancelasse sua ficha, deixou as fitas sobre o balcão e foi embora .
O dono da locadora, que agora é barbeiro, está aí, vivinho e com saúde , para confirmar a história. Não só confirmar como  concordar com o professor que me narrou o fato:  “Sérgio Moro vai querer, certamente, realizar o que o pai gostaria que o filho juiz fizesse: mandar prender o Lula”.

3 de julho de 2017

Há dúvidas se o Tribunal de Contas sabe fazer contas


Aonde será que o Tribunal de Contas achou o valor de R$ 11.727,00 por aluno de graduação na Universidade Estadual de Maringá? A UEM contesta esse dado, informando que o investimento é de R$ 1.731,00. Quem será que está mais qualificado para divulgar a verdade? Quem tem mais credibilidade? Eu não tenho dúvida que em matéria de credibilidade não se pode comparar a  Universidade Estadual de Maringá com o TCE.
Superestimar o custo/aluno nas universidades estaduais só interessa ao governo Beto Richa, que não consegue justificar com fatos concretos a sua ação predatória contra as IES, que ele vem desmantelando ao longo do seus dois mandatos.
O orçamento anual da UEM é, segundo divulga o reitor Mauro Baesso, de R$ 522.154.783,00. Para chegar ao resultado de R$ 11.727,00 por aluno, o  TCE, que até hoje não sei porque é chamado de tribunal, pega o valor total e divide pelo número de formandos, como se cada um desses graduandos tivesse entrado em um ano e se formado no ano seguinte.
É menos compreensível ainda, o fato do governo Beto Richa ter anunciado auditoria nas universidades estaduais, se é constante a presença dos  técnicos do TCE nos setores de contabilidade das referidas instituições de ensino superior. Os próprios técnicos, que estão mensalmente vendo a contabilidade da UEM, por exemplo, devem ter se espantado com os dados divulgados pelo Palácio Iguaçu, porque o valor de R$ 11.727,00 por aluno depõe contra eles. E depõe exatamente porque passa para a comunidade acadêmica, a impressão que que o Tribunal de Contas do Paraná  não sabe fazer contas.