30 de setembro de 2015

O pecado da PEC 125


Nos Estados Unidos, ex-presidente não volta a disputar a Casa Branca e, preservando a liturgia do cargo, evita continuar se imiscuindo na política partidária. Fica , no máximo , como conselheiro, embora Bill Clinton esteja, de forma indireta , quebrando um pouco essa tradição,  com a pré-candidatura da esposa Hillary. No Brasil, ex-presidente não só fala, como influi nos rumos das sucessões presidenciais e, eventualmente, até voltam ao centro do palco eleitoral, como fez Getúlio Vargas , embora ele tenha disputado o voto só na volta ao Catete, como teria feito JK e como agora pretende fazer Lula.
No caso presente de Luis Inácio Lula da Silva, a sua provável volta à disputa tem a ver com a tentativa de continuidade do PT no poder e a uma quase necessidade de sobrevivência do Partido dos Trabalhadores, que se continuar nessa mesma marcha, chega a 2018 em frangalhos, tendo em Lula sua  tábua de salvação.
Vamos e venhamos: por mais que esteja desgastado, Lula já partiria para a disputa com uma base (sólida) de 30% das intenções de votos e com possibilidades reais de retomar a popularidade que sempre teve, mercê do seu carisma pessoal e da sua capacidade incrível falar com o povão, na linguagem do povão.
Isso explica a tal PEC 125 de uma inexpressiva deputada carioca chamada Cristiane Brasil. Claro que ela não deve ter nenhum objetivo de preservar a figura do ex-presidente, deixando para ele apenas o papel (positivo ou negativo) que a história lhe reserva. O objetivo é outro e não deve ser coisa da cabeça da deputada. Ela certamente está sendo feita de boi de piranha (ou seria vaca de piranha?) para protagonizar um espetáculo de qualidade duvidosa.
Diz a ementa do Projeto de Ementa Constitucional: “Altera o artigo 14, parágrafo 5º., da Constituição Federal, para determinar a proibição da reeleição por períodos descontinuados, para os cargos do Poder Executivo”.
Significa, na prática, que a proposta visa impedir uma eventual candidatura de Lula em 2018. Tanto que a própria imprensa já apelidou a iniciativa de “PEC anti-Lula”. Fica muito claro, então , o caráter golpista da proposta e o medo implícito da oposição em relação ao “sapo barbudo”. Lula viria para a campanha, caso não consigam fazer com que a Operação Lava-Jato o leve a nocaute , armado até os dentes e disposto a desmontar os explosivos que colocaram no seu caminho.
Munição não haverá de faltar  ao ex-presidente, que poderá resgatar e clarear para a opinião pública, a origem da corrupção na Petrobrás e o nascedouro do mensalão, que o PT deu sequência com grande capacidade operativa, diga-se de passagem, mas que começou lá atrás, com o ex-governador de Minas , Eduardo Azeredo,  criador do indigitado personagem Marcos Valério.
O problema é que numa campanha presidencial em que Lula estivesse duelando com Serra, Aécio ou Alckmin, os brasileiros teriam que tampar o nariz ante uma terrível guerra de babuínos, que se enfrentam jogando excrementos uns nos outros. Mas, fazer o que se a nossa democracia, ainda tenra, não conseguiu produzir quadros mais interessantes do que esses que já estão colocados no palco  da sucessão presidencial?

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29 de setembro de 2015

O Vaticano é o limite

A deputada Maria Victoria assumiu ontem a presidência do PP de Curitiba, onde será candidata a prefeita ano que vem. O pai Ricardo Barros manobra para  fazer da filha  sucessora de Gustavo Fruet, ao mesmo tempo em que costura a volta do irmão Silvio à Prefeitura de Maringá e, desde já, a candidatura da esposa Cida (atual vice-governadora do Paraná) a governadora em 2018. Já ele próprio, pensa na conquista de uma das duas cadeiras do Senado a serem disputadas daqui a três anos. E não se iludam: Ricardo , cardeal da política estadual, já deve estar matutando como fará para se lançar à sucessão do Papa Francisco.

28 de setembro de 2015

O direito à defesa e a fogueira em praça pública



             
                           

     Gleisi Hoffmann

A decisão do STF de desmembrar processos que não tinham relação com as denúncias envolvendo a Petrobras, o processo da Lava Jato, teve uma repercussão enorme durante a semana.

A maior crítica é de que a fornalha estava sendo acesa para fazer a pizza, para impedir o juiz Sérgio Moro de atuar, apurar e punir envolvidos em possíveis casos de corrupção.

Como meu nome foi envolvido nessa situação, também vi fogo, não a fornalha, mas a fogueira da praça pública. Lembrei imediatamente do livro O Martelo das Feiticeiras, que me foi sugerido por uma grande amiga, a escritora Rose Marie Muraro.

Escrito em 1848, o livro é um manual de como torturar e obter a confissão de mulheres como bruxas, posteriormente queimadas nas fogueiras aos milhares. A publicidade dos processos era a garantia de seu sucesso.

Me senti numa daquelas fogueiras que, propositadamente, não eram grandes, para que o espetáculo pudesse ser visto por mais tempo, impor mais temor e ficar gravado na mente das pessoas.

Virei a vilã que deu causa ao chamado fatiamento. Até agora não fui judicialmente comunicada do que me acusam, sequer tive acesso a todas as partes do processo remetido ao Supremo.

Por que foi remetido ao Supremo? Porque meu nome foi citado e eu sou senadora. Nossa constituição determina que detentores de mandatos têm fôro diferenciado. Acho isso errado, mas até agora não conseguimos mudar a regra, apesar de projetos que tramitam no Congresso.

O que fiz eu em relação a tudo isso? NADA, isso mesmo, nada. Não pedi o desmembramento, não solicitei o foro, não tem uma petição, uma solicitação minha no processo que pudesse levar a essa decisão do Supremo. Sequer fui intimada do que está acontecendo. A decisão inicial partiu do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato. Ele se disse incapaz de analisar o caso que envolvia meu nome e mandou o processo para ser sorteado para outro ministro. Sorteado, e não enviado.

Mas sou julgada antecipadamente como culpada, não só por delitos que possam ter ocorrido com recursos públicos que, repito, desconheço, não estou envolvida e nem fui beneficiada, como pela decisão do Supremo que, por não satisfazer a opinião de articulistas, meios de comunicação, parte da opinião pública e do mundo jurídico, passou a ser influenciável, manipulável, uma instituição sem seriedade e capaz de sucumbir as pressões políticas. A velha máxima: “se não é como eu quero, então não presta”.

Isso tudo tem sido uma tortura. Não tenho o mesmo espaço midiático que é usado para avaliar, julgar e condenar, para expor a minha versão dos fatos. Sou considerada culpada, inclusive pela decisão do Supremo de distribuir a apuração e processamento do caso para outros procuradores e juízes.

Toda minha trajetória política sempre foi pautada no trabalho e no servir. Nunca misturei posição pessoal com militância. Tudo que tenho na vida foi conquistado com meu trabalho, sempre foi e será compatível com minha renda. Minha família mantém os mesmos hábitos de antes de eu assumir cargos públicos ou mandato. Minha mãe mora na mesma vila que morava quando eu nasci. Vivo a vida de classe média, com conforto modesto.

Tudo o que quero é que as coisas sejam apuradas e esclarecidas. Tenho consciência das responsabilidades e da exposição da vida pública, mas como uma lutadora pelos direitos individuais, pela democracia e pelo Estado de Direito, não posso concordar com o linchamento público prévio que está sendo feito. Cada um tem de responder e pagar pelos seus atos, quando der causa, e não pelo desejo de alguns grupos em atribuir culpas e condenações.



21 de setembro de 2015

Muito esquisito




Vi no blog do Rigon que esses caminhões coletores aí pertencem a Transresíduos e chegaram hoje a Maringá. E os caminhões da Secretaria Municipal de Serviços Públicos? Todo mundo sabe que a frota da Semusp está sucateada, e pelo jeito, propositadamente sucateada, já que privatizar a coleta em Maringá tem sido quase obsessão da administração municipal, desde o primeiro mandato de Silvio Barros II, de quem o atual prefeito Roberto Pupin era vice.

Temos precedente importante: quando foi prefeito de 1989 a 1992 Ricardo Barros terceirizou a coleta, sucateando propositadamente os caminhões coletores da Prefeitura e entregando os serviços para uma tal Sotekol. Os prejuízos para os cofres municipais foram enormes.

O Rigon nos lembra que: " a Transresíduos recebeu o equivalente a 1 milhão de dólares dos cofres públicos, sem licitação, logo depois que Silvio Barros II (PHS) assumiu a prefeitura, em 2005. Circulou à época que a empresa tinha ligações com o sócio do então vice-prefeito, Carlos Roberto Pupin (PP), o empresário Edenilso Rossi, da Sial, que por sua vez é amigo íntimo do ex-prefeito e um dos principais financiadores de suas campanhas. Pupin disse que nada tinha a ver com as atividades do então sócio.


O fato, que resultou em ação civil pública ajuizada pelo MPE, marcou a entrada da Transresíduos no mercado maringaense e até em cidades da região. Desde então, a situação do lixo nunca foi efetivamente resolvida pela administração municipal. Hoje as conversas de bastidores são de que tem sócios muito poderosos".
Como se vê, a chegada dessa frota de vermelhinhos aí soa muito esquisito. E como.

17 de setembro de 2015

Ricardo Janene Barros




“Ricardo Barros , que um dia o deputado André Vargas apelidou de “Leitão Vesgo” , por conta do seu apetite mamando numa teta e de olho na outra, chegou a um patamar político em que não se pode desmerecer ser, de fato, um estrategista político.
Desde os tempos em que foi prefeito de Maringá, montando naquela região uma estratégia que tomou conta politicamente não apenas de uma cidade mas de toda uma vasta área política, Ricardo Barros mostrou um apetite que foi consolidando a medida que José Janene, seu ídolo político, ia deixando claro a necessidade de se expandirem em termos nacionais.
Enquanto Janene caia em desgraça por causa do Mensalão, Ricardo Barros ia ocupando espaços e espalhando estrategicamente  sua atuação, pela participação da esposa Cida Borgheti  e do irmão Silvio Barros, que cuidou de transformar em deputada e prefeito, respectivamente, dominando de vez o cenário político maringaense.
Quando veio para Curitiba tentar via capital uma disputa senatorial, onde por muito pouco não conquistou o espaço nacional, Ricardo Barros já havia se transformado em “dono” do PP, aproveitando inclusive o espaço deixado por José Janene, que havia falecido.
Com Nelson Meurer sendo presidente de direito enquanto de fato era Rocardo Barros quem fazia do PP um partido bem situado tanto no plano estadual, onde sua esposa virou coparticipante  do governo, quanto no cenário nacional onde virou deputado federal e líder do governo Dilma, o filho do saudoso Silvio Barros mostrou que politicamente é hoje um dos principais nomes da área nesse Estado.
Com a esposa transformada em vice-governadora e desde já candidata à sucessão de Beto Richa, mais o irmão que emplacou como secretário de governo e a filha que virou deputada estadual, Ricardo Barros deita e rola no cenário político paranaense, mostrando que as lições que aprendeu politicamente com José Janene foram, de fato, bem aproveitadas.
Nelson Meurer, presidente do PP, ficou com o ônus de tudo que Janene deixou de ruim nessa área de atuação partidária, estando na mira, inclusive , de ser preso a qualquer momento pelos estragos dos quais participou no processo do Petrolão, enquanto Ricardo Barros virou, inclusive , relator do orçamento do governo, deitando e rolando com palpites políticos que tentam salvar Dilma Roussef de uma situação ainda mais ridícula do que aquela onde se encontra na atualidade.

Hoje, quem conhece a história política paranaense e vê Ricardo Barros dominando o cenário  em nome do PP, sente que as lições que aprendeu com José Janene, aquele que sempre costurou uma situação favorável , quaisquer que fossem  as dificuldades a serem enfrentadas, transformaram Ricardo Barros em um verdadeiro Ricardo Janene Barros”.

   . Jornal Impacto Paraná

O intocável

Do site BR 29
“Neste fim de semana, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou o seguinte email a todos os chefes de núcleo da emissora:
“Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato
Atenção para a orientação

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

Beto estaria preparando o cenário para privatizar Copel e Sanepar


Informa o bem informado blogueiro Esmael Morais  que o governador Beto Richa, estimulado por seu  Secretário da Fazenda Mauro Ricardo Costa, está preparando o cenário para privatizar a Copel e a Sanepar. Seu pai político, Jaime Lerner bem que  tentou no passado mas esbarrou na reação poplar. Mesmo assim, no caso da Sanepar, conseguiu inserir na diretoria um sócio privado que durante seu governo mandou na empresa e voltou a mandar agora na gestão Beto Richa.
Agora, segundo Morais, “ o tucano pretende dar as ações das empresas públicas – sem passar pela Assembleia – em garantia pela suspeitíssima “antecipação de recebíveis” que poderão chegar a R$ 6 bilhões. Por esse valor de R$ 6 bilhões o Estado do Paraná vai receber a fabulosa quantia de R$ 3 bi! ”. O negócio cheira a maracutaia.


12 de setembro de 2015

Só pra constar...




Denunciado pelo Ministério Público sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o deputado Arthur Lira (PP-AL) usou verba da Câmara dos Deputados para custear viagens a São Paulo em dias em que fez visitas ao escritório do doleiro Alberto Youssef (foto), informa a Folha de S. Paulo. Notas fiscais de sua cota para exercício da atividade parlamentar mostram que, em três ocasiões, viagens de Lira a São Paulo coincidem com registros de entrada na portaria de um escritório de Youssef.
Segundo o advogado Pierpaolo Bottini, o deputado não nega ter ido ao escritório de Youssef. Lira, disse, afirma que na época não conhecia as atividades do doleiro e acreditava que era um representante da tesouraria do PP. Só para constar, o maringaense Ricardo Barros é o tesoureiro nacional do PP pela segunda gestão consecutiva.
   . Blog do Rigon

Beto Richa tratou a inflação a pão de ló



Das capitais brasileiras onde o IBGE mediu a inflação de agisto pelo IPCA, Curitiba teve a maior taxa – 0,91% contra 0,79% da média nacional. Causa: os sucessivos pacotes de maldade do governador Beto Richa, que entre outras coisas, aumentou de 12% para 18% a alíquota do ICMS para 95 mil produtos, inclusive material escolar. Isto sem contar as tarifas públicas (energia 50% só no primeiro semestre de 2015 e IPVA 40%).

9 de setembro de 2015

Quem não te conhece que te compre


Os maringaenses mais antigos ficam com um pé atrás quando ouvem o deputado federal Ricardo Barros (PP), relator do orçamento da União, defender aumento de impostos no governo de sua vice-liderada, a presidente Dilma Rousseff.
Quando prefeito (89-92), Barros, o homem da Tenda dos Milagres, conseguiu mobilizar toda a cidade (lembram do Paredão Cívico?) por causa do aumento que deu ao IPTU, graças ao grupo dos 13 que montou na câmara municipal. O aumento foi de 3.000% – em média.

   . Blog do Rigon

O fim da primavera promete

Talvez antes da Primavera chegar os olhos da mídia nacional estarão voltados para o eixo Maringá-Londrina, onde a Operação Lava-Jato concentrará parte das suas ações, a partir dos depoimentos dos ex-deputados Pedro Correa  e André Vargas. Já tem gente por essas bandas com insônia.

3 de setembro de 2015

A "Zelotes" vem com tudo


Saiu hoje no Estadão notícia de que a “Zelotes” recomeça a andar. Diz o jornalão que a PF deflagrou hoje mais uma fase da Operação Zelotes, que apura denúncias de manipulação de julgamentos de dívidas tributárias pelo Carf, órgão da Receita Federal.
A ação de corruptores sobre membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais zerou quase R$ 20 bilhões de dívidas de grandes empresas para com o fisco. Só lembrando que a Operação Zelotes é realizada conjuntamente pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda.  O bicho vai pegar.