29 de janeiro de 2018

Merecida homenagem ao Dr. Sócrates

. Renato Rovai


De um lado, Lula, Chico Buarque, o ator Chico Dias, Haddad, Reinaldo, ex-centroavante do Atlético, Afonsinho, que também foi jogador e médico como o doutor, e outros craques de todas as artes.
Do outro lado, o time dos amigos do MST, onde os destaques eram João Pedro Stédile e João Paulo.
O juiz, Juca Kfouri. Aquele que com humor e ironia vem há décadas denunciando as mazelas do futebol brasileiro. E ao mesmo tempo reverenciando com seu texto fino alguns craques da bola.
Juca foi amigo de Sócrates como poucos. E na inauguração do campo de futebol que leva o nome do Magrão,  estava lá não só para apitar a partida, mas para após a benção de Frei Beto, dar o seu recado. 
“Sócrates não ficaria tão feliz se o Maracanã mudasse de nome, se o Pacaembu mudasse de nome, se a Arena Corinthians mudasse de nome para homenageá-lo. Nada o deixaria tão feliz de dar seu nome a um campo numa escola chamada Florestan Fernandes e administrada pelo MST.”
E foi uma tarde de felicidade. Eram quase mil pessoas para celebrar aquele momento. Onde uma parte da esquerda brasileira não referenciava apenas um ícone da bola, mas o movimento social mais relevante das últimas décadas, o músico mais fantástico que a MPB conheceu e um craque da política que está sendo perseguido da forma mais abjeta.
O jogo, segundo a querida Maria Frô, parecia uma disputa de grávidos. Maldade pura. A despeito da saliência abdominal, alguns se destacaram. Chico Dias, por exemplo, fez um partidão, e cruzou uma bola na medida para que o craque Reinaldo, ao seu melhor estilo, inaugurasse o placar.
O time do MST apertava, mas Haddad, um tanto quanto desajeitado, dava conta na zaga. No meio campo, Chico lembrava Sócrates. Esperava a bola chegar e clareava o jogo, com um toque sutil.
E de repente, num lançamento, Stédile vai com a perna como uma foice e derruba Reinaldo. Pênalti, apita o juiz.
Juca Kfouri é muito claro com a goleira: se ela se mexesse, ele mandava repetir. E Lula coloca a mão na cintura, dá três passos, e chuta… Fraco, tão fraco que a goleira nem precisou se mexer.
Mas quem disse que isso era um problema. Kfouri, inspirado em Moro, viu irregularidade no lance e o pênalti teve de ser cobrado de novo.
E na segunda vez foi mais claro com a goleira se ela se mexesse ou não, mas a bola não entrasse, ele voltava o lance de novo. E e a bola foi parar nas redes. Gol do Lula para alegria da torcida.
O craque tirou a camisa e foi comemorar com a galera. Era o que faltava para ser expulso. Mas quando ia saindo o coro de volta Lula foi mais forte e o companheiro ainda voltou para jogar mais um pouco.
Mano Brown, Trajano, Dexter, Genoino, Carol Proner, vários deputados e senadores, estavam do lado de fora. Assistindo e sendo assistidos por muitos que queriam uma selfie.
Foi um dia de festa que Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira mais do que merecia viver. Mas que mesmo não estando por aqui, por esses cantos da terra, fez outros viverem.
O campo do MST foi inaugurado numa véspera de Natal há 31 dias de distância do julgamento de Lula. Foi um encontro de resistência, mas também de afeto. Foi um sábado memorável, diria o cronista de futebol.
Parabéns MST! Sócrates vive!



22 de janeiro de 2018

Plano sinistro para liquidar os avanços sociais na América Latina




SERÁ QUE O FÓRUM DE DAVOS DISCUTIRÁ ESSE ESCÁRNIO?
OU NO CASO DO BRASIL O "PLANO ATLANTA" É PRA VALER? 


Matéria publicada na última edição da revista Carta Capital aponta para um plano de desestabilização dos partidos de esquerda e centro esquerda da América Latina. OU seja, o campo progressista estaria sob ataque cerrado de grupos direitistas liderados, naturalmente, pelos Estados Unidos. Tudo começou em 2012, quando uma reunião sinistra de agentes políticos de inclinação de centro e de direita , realizada em Atlanta (EUA) traçou estratégias para desqualificar lideranças progressistas , principalmente da América do Sul.
Manolo Michardo, político da República Dominicana, que participou da tal reunião, disse à Carta Capital que “ alguns ex-presidentes latino-americanos de inclinação de centro ou direita discutiram como varrer adversários progressistas do mapa. Afinal, dizia um dos presentes, Luis Alberto Lacalle, ex-mandatário uruguaio, “não podemos ganhar desses comunistas pela via eleitoral”.
O plano , revelou Manolo, “ consistia em desmoralizar líderes progressistas via mídia com acusações de corrupção, inclusive a familiares, e ataques ao comportamento privado deles. Depois, converter os escândalos em processos judiciais que acabem com a carreira da turma”.
O Brasil surgi nesse plano macabro como espécie de carro chefe do que chamaram de esquerdismo . Era preciso liquidar a liderança mais emblemática do continente a ser varrida do mapa pelo “Plano Atlanta”. Manolo Pichardo confirma: “Toda a perseguição que desencadearam contra ele é parte da artimanha que procura desqualificá-lo para que não retorne à Presidência do Brasil e retome a aplicação de políticas públicas que favorecem a maioria. Isso em razão de que as oligarquias brasileiras e da região não concebem que as riquezas geradas sejam distribuídas com maiores níveis de justiça. É que não se dão conta de que em um processo de distribuição democrática da renda, o consumo aumenta e eles têm mais possibilidades de fazer negócios. E não se dão conta porque estão acostumados a acumular riqueza com base na exploração das grandes maiorias”.
Mera coincidência, mas a entrevista do líder da República Dominicana coincide com a divulgação de um assombroso relatório sobre a concentração de renda no mundo, pela ONG britânica Oxfam. Os dados são assustadores: 1% da população mundial tem renda igual aos 99% restantes. O Brasil está entre os países de maior concentração de renda do planeta.
O assunto deve estar na pauta de discussão do Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa amanhã na Suíça; Temer vai representando o Brasil, mas duvido que ele levante a voz contra esse escárnio. Te porque , ele não tem nenhum compromisso com a justiça social no país. Pelo contrário, Temer está no time dos que defendem a detonação dos programas sociais implementados no país nos últimos 14 anos. Ele é do time de patridiotas que usurpam as cores da Bandeira Nacional em manifestações de puro ódio ideológico e preconceito social.
Fica a pergunta: será que os grandes e os pequenos metidos a grandes países vão travar um debate sério sobre os graves problemas sociais do mundo

Simpatia do candidato não significa nada na hora do meu voto


Não voto em fulano porque não gosto dele; não voto em sicrano porque o detesto. É comum as pessoas guiarem seus votos pela simpatia pessoal do candidato e nunca pelas suas ideias. Eu por exemplo critico fulano e sicrano não por questões pessoais, mas por aquilo que ele pensa, faz e, mais do que isso, pelo que representa. No Paraná, por exemplo muita gente, inclusive vários amigos meus, dizem que não votam no Requião poque ele é grosso, mal educado e o diabo a quatro. Não tenho nenhuma relação ou contato pessoal com o senador. Às vezes acho que ele é de difícil trato, cavalgadura em alguns momentos. Mas não o quero para ser sogro de nenhum parente meu. Não pretendo (e nem teria tal pretensão) de ser seu comensal. Mas Requião me agrada como político, como bom governador que foi nas três vezes em que exerceu o governo do Paraná. Me agrada pela postura que tem tido no senado, Me agrada por suas ideias e não pelo seu conhecido azedume.

O importante é saber que é um político que me representa. Mesmo que um dia, por alguma pergunta que eu venha a fazer a ele e que o desagrade, ele acabe me dando uma patada não deixarei de votar nele por isso. Deixarei sim, quando na disputa pelo mesmo cargo estiver alguém que reputo melhor do que ele.

Ao falar de Requião, lembro João Saldanha, criticado por convocar boleiros tidos como vidas tortas para as eliminatórias de 1969. O repórter de uma rádio perguntou pra ele certa-feita: "Como você pode convocar jogadores indisciplinados como Brito, Gerson, Jairzinho, Marco Antônio? São uns caras marrentos demais. Saldanha então respondeu, na lata, como era seu estilo: "Rapaz, o que eu quero é classificar o Brasil e ganhar a Copa. Não quero nenhum deles para meu genro".
Claro, se o candidato tem o perfil que me agrada e o discurso que me convence, tanto melhor se ele é afável, simpático no contado pessoal. Mas isso é apenas um detalhe, para mim nada relevante.
Em tempo: se jeito simpático e afável fosse parâmetro para você medir o caráter e o grau de comprometimento de um candidato com o povo , Beto Richa seria um grande governador. No entanto, é o pior que o Paraná teve nas últimas décadas.