25 de maio de 2017

Uma impopularidade nunca antes vista

                                                  . Por Fernando Brito (Tijolaço)


A coluna de Monica Bergamo, na Folha de hoje, diz que pesquisas internas do Palácio do Planalto revelam apenas 5% de avaliação positiva.
“Em algumas regiões metropolitanas do Nordeste do país, segundo outras sondagens, ele despencou para 1%.”
Isso são as pesquisas “da casa”. Outras, independentes, talvez não cheguem nem a isso, que já é um proporção ínfima.
É o sucesso de Nizan Guanaes, que disse a Temer que se esmerasse na arte de ser impopular.
Em outra nota, Bergamo diz que “os antigos defensores do governo entre os chamados formadores de opinião sumiram, salvo raras exceções”.
Não seja injusta, Monica. O MBL está lá, de volta, com uma manifesto dizendo que foram os primeiros a defender o “Fora Temer” (hein?) mas agora estão “em compasso de espera” dada a “complexidade do cenário”.

17 de maio de 2017

Universidade privada pune professora por dar zero a alunos do " copia e cola"



Uma professora do curso de direito de uma instituição de ensino  superior de Maringá zerou os trabalhos  de alguns  alunos que deram  Ctrlc/Ctrlv nos textos que deveriam escrever com palavras próprias. Mas a reprovação ao plágio custou caro à docente, que foi demitida sumariamente da universidade privada, após reclamação dos alunos "copia e cola". A professora, claro, acionou a Justiça do Trabalho e obteve na primeira instância uma indenização (muito justa) de R$ 150 mil . A escola recorreu da sentença e no TRT conseguiu redução do valor para ridículos R$ 15 mil.

A questão financeira nem seria o lado mais grave dessa questão. O próprio juiz de primeiro grau mostrou-se inconformado com o comportamento da instituição, considerando o caso de extrema gravidade, na medida em que a instituição de ensino deposita nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Escreve o magistrado:

 " Nem se vai aqui adentrar na questão financeira que move o mundo capitalista, capaz de barbaridades em nome do lucro, se bem que provada através do depoimento testemunhal. Mas esta-se a falar do fato de a autora ter sido punida, constrangida e humilhada simplesmente porque fez o que era seu maior dever: ensinar os alunos a serem probos. E o que é ainda mais grave: depositar nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Não bastasse isso, toda a sociedade se sente aviltada e ameaçada por essa atitude da demandada, na medida em que a entidade responsável por formar os profissionais com quem todos precisaremos contar no futuro, avaliza a corrupção e a desonestidade e pune o comportamento ético e justo. Pior ainda: num curso de Direito!".


A culpa é da vítima...


  
O presidente do TST diz que a culpa pelas mutilações no trabalho é do próprio trabalhador. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia deve ter ficado contente com a declaração. Afinal, por mais absurdo que possa parecer, ele é defensor da extinção da Justiça do Trabalho .


Presidente do TST disse que o trabalhador se fere de propósito para poder receber indenização. Não, não é uma piada. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho falou mesmo esse absurdo, durante  audiência no Senado, registrada pelo site Justificando. Yves Gandra Martins Filho é a mais alta autoridade na regulação do trabalho, é o presidente da mais alta corte da Justiça Trabalhista. E quando alguém com esse portfólio fala um absurdo desse tamanho é porque a segurança jurídica do país está mesmo sendo minada. Pior: é porque a insensibilidade e a absoluta falta de bom senso tomou conta até de quem deveria agir no sentido de garantir a rigorosa aplicação das leis.
Agora, imagine só: o Brasil é o quarto país do mundo onde mais morrem trabalhadores vitimados pela atividade profissional. A maioria dos acidentes de trabalho é provocada pela falta de equipamentos de proteção e até preparação dos próprios trabalhadores para que eles saibam como se proteger em atividades de risco. Aí vem uma autoridade dessa dizer que a culpa de morrer ou se ferir no labor é da vítima? Meu Deus, aonde é que nós estamos?

16 de maio de 2017

Não se revolte se for capaz


Segundo denúncias do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) , a União tem hoje R$ 2 trilhões de dívidas a receber do setor produtivo. Desse total,  R$ 500 bilhões são dívidas previdenciárias. E mais: a sonegação chega a outros R$ 500 bilhões por ano.
Agora chupe essa manga:  para fazer passar a reforma da Previdência, o governo vai gastar R$ 164 bilhões. Mas não é só, segundo acrescenta Achilles Frias, presidente do SINPROFAZ: a  Medida Provisória 766/17, relativa a um  novo Refis, já aprovada na Comissão Mista do Congresso Nacional  no último  dia 4 de maio, concede “prazo de até 20 anos para pagar [o débito] e perdão de 90% a 99% de juros, multas e encargos” da Dívida Ativa da União.
 “Em um país sério, um devedor ou um grande devedor não votaria uma medida dessas sendo parlamentar”, disse Achilles, acrescentando segundo destacou a revista Carta Capital: “ A rotina de financiamentos e perdões promovidos pelo Refis tornou o calote tributário uma opção lucrativa para o empresariado, que deixa de pagar os impostos e embolsa o capital para fazer negócios”.
Será que se a sociedade brasileira for informada desses fatos e entender realmente o crime que o governo Temer está cometendo, ela vai engolir passivamente as reformas  trabalhista e previdenciária? Se engolir, sinceramente, podemos tirar os olhos, porque o Brasil está mesmo no bico do urubu.




9 de maio de 2017

Mais de 50 mil pessoas nas ruas de Curitiba para apoiar Lula


 A juíza Diele Denardin Ziked proibiu a montagem de estruturas que possibilitem a aglomeração de populares nas proximidades da Justiça Federal em Curitiba. O objetivo é inibir os apoiadores de Lula , que prometem ocupar ruas da capital amanhã, quando Lula deve prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro.
A orientação é que não haja manifestações populares a favor do ex-presidente na capital do Paraná. Mas isso é quase impossível, já que centenas de ônibus lotados estão indo do interior para a capital, fora a mobilização que está ocorrendo lá mesmo em Curitiba.
Inicialmente o depoimento estava marcado para o dia 3 de maio mas foi adiado a pedido da Polícia Federal e Ministério Público, para que as forças de segurança tivessem mais tempo para se organizar e evitar conflitos. Mas agora é a defesa de Lula que pede novo adiamento, com o argumento de que pelo menos 100 mil paginas de documentos foram agregados ao processo em cima da hoje e os advogados não teriam tempo de ler tudo. A decisão se adia ou não caberá ao Tribunal Regional |Federal (4ª. Região|), com sede em Porto Alegre. Portanto, é possível que um novo adiamento ocorra ainda hoje.

Seja como for, as caravanas já estão montadas em várias cidades do interior e devem partir hoje à noite para Curitiba, caso a audiência seja mantida. Mesmo que amanheça com baixas temperaturas, Curitiba poderá ter clima quente nessa quarta-feira, 10.

4 de maio de 2017

Governo Temer e bancada ruralista estimulam a barbárie no campo


Foi sangrento o mês de abril em áreas rurais brasileiras: nove agricultores pobres foram massacrados em Mato Grosso; mais um agricultor pobre foi assassinado e outros três feridos em Minas Gerais; dois agricultores pobres foram baleados em Pernambuco; e mais de dez índios foram atacados e ficaram feridos no Maranhão. Tudo isso, repita-se, só em abril.
Mas a barbárie no campo já havia marcado os três primeiros meses deste ano. Janeiro teve, pelo menos, um atentado contra agricultores pobres em Goiás; em fevereiro, um acampamento de sem terras foi incendiado em Pernambuco; e, em março, duas lideranças quilombolas foram torturadas em Minas Gerais.
Os executores desses tipos de crimes são, historicamente, jagunços, pistoleiros, capangas, milicianos. E os mandantes são, historicamente, grileiros e grandes donos de terras.
A esses aspectos históricos é imperioso que, em nome da verdade, se acrescente mais um, atualíssimo: o incentivo que os criminosos têm recebido, do Executivo e da bancada ruralista no Congresso Nacional, seja pelas sucessivas ações destinadas a criminalizar os movimentos sociais, seja por uma série de medidas de governo e de propostas legislativas que pretendem privilegiar os latifundiários em prejuízo das famílias e das comunidades pobres do campo.
  .  Patrus Ananias – Deputado Federal PT/MG