27 de agosto de 2016

Crônica anunciada de um assassinato de perspectivas





Não se vê a elite política dispor de um minuto do seu tempo para debater os problemas brasileiros com responsabilidade . O que se tem visto desde que se iniciou o processo de impeachment é uma soma de esforços, ou para cassar a presidente Dilma Rousseff ou para salvar o mandato de Dilma Rousseff. Não é diferente o comportamento da mídia e nem da sociedade organizada, que enfatizam sempre o discurso do combate à corrupção, mas uma corrupção que está restrita à esfera nacional, com ênfase total nos mal feitos do PT e lançamento freqüente de cortinas  de fumaça sobre peemedebistas e tucanos de alta plumagem citados na Lava-Jato.
A corrupção regional, nos estados e municípios, está relegada a um segundo plano. Vejamos os casos de Maringá, onde o MP questiona a legalidade da licitação do lixo e a prorrogação do monopólio da TCC, sem que esses temas venham à lume, nem agora com o debate eleitoral em andamento.
Enquanto isso, as ações predatórias  dos direitos sociais engendradas pelo governo (ainda) interino de Michel Temer, seguem seu curso ameaçador. É uma situação difícil, algo nunca visto na história recente do país. A sociedade parece paralisada diante de uma crise  econômica apavorante e de uma crise moral tão grave, que compromete de maneira irremediável o futuro político do país, carente de lideranças verdadeiramente comprometidas com a socieade.

Semana que vem o impeachment estará decidido e certamente, Dilma voltará para case e Temer deixará o Jaburu e se muda de vez para o Alvorada. A partir daí, só Deus sabe o que nos espera. Uma coisa já está bem delineada no horizonte: espera-nos um quadro trágico de desmonte do estado social, numa espécie de crônica anunciada do assassinato de perspectivas.

25 de agosto de 2016

Eles deram dignidade ao jornalismo





.CARLOS AMORIM
O jornalismo brasileiro perde dois de seus grandes nomes: Luís Felipe Goulart de Andrade e Geneton Moraes Neto. Morreram do coração _como viveram do coração. Dói demais.
Em suas longas carreiras, esses jornalistas deram dignidade à profissão de repórter. Criaram estilos próprios, inconfundíveis. Goulart praticamente inventou o plano-sequência na TV, com o famoso bordão "Vem Comigo", fazendo com que a câmera o seguisse sem cortes.
Nos conhecemos no Globo Repórter, início dos anos 1980. Ele produziu e dirigiu o famoso Comando da Madrugada, que foi ao ar na Globo, na Manchete e na Band, colocando inteligência nos fins de noite da telinha. Eu o chamava de "o homem que inventou a reportagem".
Goulart de Andrade filmou a própria morte, quando teve um enfarte ao fazer uma matéria no Incor, em São Paulo. Foi salvo pelo médico Euclydes de Jesus Zerbini, que realizou o primeiro transplante de coração no Brasil. Goulart me contou: "Fiquei três minutos apagado". E acrescentou: "Mas o médico se chamava Jesus...". A cena foi exibida no Globo Repórter.
Uma das coisas mais notáveis da carreira dele foi a entrevista que fez com um carroceiro no centro de São Paulo. O homem falava cinco idiomas e era leitor de Dostoiévski e Sartre. Vivia na rua por opção. Goulart tinha fixação nos personagens do povo, gente desconhecida, anônima. Eu e ele costumávamos nos encontrar, na minha casa ou na dele. Podíamos passar uma noite inteira conversando.
Geneton fez proezas. Inventou a reportagem-dossiê, uma marca registrada. Era um pesquisador implacável. Os entrevistados tinham medo dele. Publicou 11 livros com temas jornalísticos. Foi dublê de repórter e editor no Fantástico, na época em que era diretor-geral do programa. Na Globonews, produziu dezenas de documentários, todos criados por ele. Escrevia, filmava e editava as suas matérias.
Falava baixo, era calmo e doce. Ele me deu a honra de escrever o prefácio de um dos meus livros, Assalto ao Poder, publicado pela Editora Record em 2010. Quase todas as vezes em que falei em público, em palestras ou reuniões profissionais, lá estava o Geneton. Era um amigo incondicional. Um dos livros de Geneton, Cartas ao Planeta Brasil, é um clássico da história recente do país, um retrato sem retoques do regime militar através dos personagens mais importantes da trama.
Os dois morreram do coração, como viveram do coração. Dói demais.
CARLOS AMORIM é jornalista. Trabalhou na Globo, SBT, Manchete, SBT e Record. Ocupou cargos de chefias em quase todos os telejornais da Globo. Foi diretor-geral do Fantástico. Implantou o Domingo Espetacular (Record) e escreveu, produziu e dirigiu 56 teledocumentários. Ganhou o prêmio Jabuti em 1994 pelo livro-reportagem Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e em 2011 pelo livro Assalto ao Poder. É autor de CV_PCC - A Irmandade do Crime. Criou a série 9mm: São Paulo, da Fox. Atualmente, se dedica a projetos de cinema.


No parlamentarismo tudo bem, mas no presidencialismo, o nome disso é golpe


A comentarista de economia da Rede Globo, Mirian Leitão, disse hoje no Bom Dia Brasil que Dilma  está caindo porque fez uma gestão desastrosa do ponto de vista econômico no seu primeiro governo e a bomba explodiu no início do segundo, quando ela perdeu popularidade e apoio no Congresso Nacional.  Fiquei pensando na hora: será que vivemos  num sistema parlamentarista e  não sabemos? No presidencialismo, o presidente só é passível de impeachment quando comete crime de responsabilidade, investigado e provado, com provas muito consistentes, que não é o caso. Quando o presidente (no caso a presidente) deixa o barco afundar por incompetência administrativa e política (no caso da Dilma foi falta de jogo de cintura para lidar com a Câmara e o Senado), o remédio tem um nome: eleição. Portanto, apear o PT do poder seria legítimo se fosse por meio do voto popular.

Diante de uma situação como essa, que requer solução imediata para tirar o país do atoleiro o que deveria ser feito era um pacto de salvação nacional, tomando-se como exemplo o Pacto de Moncloa, que tirou a Espanha do atoleiro após a queda do franquismo . Acho que a democracia brasileira, que se fortalece a cada eleição, merecia um pouco mais de desprendimento da classe política, que está provado com esse episódio do impeachment , não pensa no país, mas apenas no próprio umbigo. E, respaldados  pela mídia e pela Suprema Corte, que passa o verniz da legalidade no rito montado lá atrás pelo improbo Eduardo Cunha, os senadores afiam a lâmina da guilhotina.

22 de agosto de 2016

VEJA vasa mais uma vez, agora para beneficiar Serra e Aécio


“Entramos em um dos mais interessantes quebra-cabeças da Lava Jato: a operação fruto da árvore envenenada, possivelmente montada para livrar Aécio Neves e José Serra das delações da OAS. Trata-se do vazamento parcial da delação do presidente da OAS Léo Pinheiro, implicando o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal”.
É o que escreve Luis Nassif em seu site GGN.
Parece realmente muito claro que foi um vazamento para dar pretexto para que delação não haja, pois o que se especula é que “a delação do Léo Pinheiro seria devastador para Serra e Aécio Neves. O teor da delação é nitroglicerina pura. Mas a justiça considera que qualquer suspeita ilegalidade na condução do inquérito anula todo o processo. E a antecipação do que Léo Pinheiro disse pela Veja, cartacteriza o que se anda chamand de “fruto da árvore envenenada”. O esforço para que as investigações feitas a partir da delação seja anuladas é grande. Salvar Serra e Aécio  Neves é um objetivo bastante claro.
Nassif aponta que “foi assim com a Operação Castelo de Areia e foi assim com a Satiagraha”. A primeira sucumbiu diante de uma possível delação anônima e a segunda, por conta de algum deslize técnico dos investigadores. Assim, os grandões citados escapara ilesos, inclusive o banqueiro Daniel Dantas. Sobrou apenas para o delegado da PF Protógenes Queiroz, até hoje pagando o preço do fracasso da Operação Satiagraha,



Não termina, começa

Lula em entrevista ao SBT:

"Às vezes a história demora séculos para julgar e eu trabalho com isso. A história não termina dia 29. Ela começa dia 29."

19 de agosto de 2016

SISMMAR vai a justiça contra "pedaladas" de Silvio e Pupin


Diante da denúncia levantada pela imprensa local de que a atual administração, do prefeito Carlos Roberto Pupin (PP), e a administração de seu antecessor, Silvio Barros (PP), deixaram de repassar dinheiro dos trabalhadores da Prefeitura ao fundo de Previdência, o que segundo a denúncia pode ser classificado como uma "pedalada fiscal", o Sismmar (Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá) tomará as seguintes providências:

CPI. O sindicato cobrará dos vereadores a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para que a Câmara Municipal cumpra seu papel constitucional e investigue as supostas irregularidades;
Conselho Municipal. A diretoria do Sismmar se reunirá com conselheiros da Maringá Previdência para cobrar esclarecimentos, já que eles foram eleitos para fiscalizar os recursos da aposentadoria dos servidores municipais;
 Justiça. Confirmadas as irregularidades, o sindicato tomará as medidas judiciais cabíveis na defesa dos interesses dos servidores municipais. 

A denúncia foi feita pelo site Maringá Manchete, nesta quinta-feira (18), após o Executivo enviar à Câmara Municipal dois projetos solicitando o parcelamento da dívida da Prefeitura no valor de R$ 20 milhões. Segundo a publicação,"em auditoria nas contas detectou-se o não pagamento dos impostos devidos à Previdência Social. A Prefeitura pagou abono aos servidores, mas não incorporou o valor aos salários dos trabalhadores, com isso não recolheu o imposto devido".
. Assessoria de Imprensa do SISMMAR

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16 de agosto de 2016


Do glamouroso FHC ao exterminador do futuro Michel Temer



QUANDO A HIPOCRISIA NOS EMBRULHA O ESTÔMAGO PRA VALER
Na dá pra entender como a elite e a classe média brasileira execram tanto os presidentes Lula e Dilma e endeusa Fernando Henrique. FHC pegou o país com uma carga tributária de 27% do PIB e entregou com 36% e a dívida pública que era de 38% do PIB Fernando Henrique deixou com 78%. Eis aí a base da crise. Uma crise que Lula maquiou, criando tempos de prosperidade com dias contados e Dilma agravou com sua falta de jogo de cintura para emplacar um projeto econômico realista e consistente. O que espanta é que, em nome de um preconceito social absurdo, a sociedade brasileira segue no vai da valsa, acreditando numa recuperação do país, com Temer e sua política de exterminação do futuro.
“Ah, mas o problema é a corrupção, o PT quebrou a Petrobrás, institucionalizou a roubalheira”, dizem alguns setores da sociedade organizada, fazendo coro a uma mídia igualmente PTfóbica, que ignora o retrovisor, como se a história da corrupção no país tivesse começado em 2003. A barreira cronológica tem o claro objetivo de apagar escândalos até mais escabrosos do que os que viram manchete hoje, como foram os casos da privataria tucana e das contas CC5 do Banestado, nos quais estiveram nas cabeças tucanos de bicos muito vistosos.
Mesmo nos dias atuais, há uma espécie de cortina de fumaça sendo alimentada à base de gelo seco, para blindar o presidente interino e alguns de seus ministros, envolvidos até a medula com o propinoduto levantado pela Lava-Jato. Isso prova que o impeachment e a tentativa de prender Lula e varrer o PT do mapa não tem como alvo a corrupção. Até porque, como ver entrevistas de figuras de proa do tucanato e do governo interino falando em moralidade pública na televisão, sem que nossos estômagos fiquem embrulhados? É deprimente o espetáculo diário de hipocrisia na mídia, cujo noticiário é descaradamente seletivo. É desse jeito que vamos moralizar o Brasil? Me poupem.

13 de agosto de 2016

Povo e povas, bora ser feliz?




"O valioso tempo dos maduros’, de Mário de Andrade:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. 
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
Bora ser feliz meu povo e minhas povas!!!!!!!
Mário de Andrade