25 de abril de 2018

Foi há 44 anos


Lembro como se fosse hoje quando o grande repórter Francisco de Oliveira (Mini Chico), cuja família tinha vindo para o Brasil fugindo da ditadura salazarista, entrou chorando na sucursal da Folha de Londrina em Maringá, onde trabalhávamos. Chorava e cantava Girândola, Vila Morena , de alegria pela entrada em Lisboa das tropas do general Espíndola. Era a vitória dos revolucionários, que mudou definitivamente o futuro de Portugal. De lá pra cá, nunca deixei de ouvir, com muita emoção, esta linda música do compositor José Afonso (aqui na voz de Amália Rodrigues), que se tornou hino da Revolução dos Cravos.

https://youtu.be/ObL11AOeBhc

Amália Rodrigues - Grândola, Vila Morena

23 de abril de 2018

Candidatura Joaquim Barbosa com jeitão de ópera-bufa


A Folha de São Paulo publicou na sua edição de 16/11/2013 um artigo do cientista político André Singer sobre três prisões emblemáticas da véspera:

“No feriado de 15 de novembro de 2013 o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, mandou prender três figuras nacionais do PT: José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. O fato de ser a data da comemoração da República completa o simbolismo ideal para um possível futuro candidato a chefe do Executivo”.

Quase 5 anos depois, eis que o vaticínio se confirma: aposentado, Joaquim Barbosa se lança na carreira política, já como pré-candidato a presidente, aproveitando que ainda surfa na onda do punitivismo redentor, transformado que foi pela mídia em celebridade.

Há quem estranhe ter o ex-ministro da Suprema Corte ingressado justamente no PSB, partido do lendário socialista Miguel Arraes. O mais correto, pensam alguns, seria ele ter trabalhado pela oficialização do PJ (Partido da Justiça), que poderia ser chamado, na avaliação do cientista Luiz Werneck Vianna de Partido do Tenentismo Togado”.

A conclusão de André Singer para esta ópera bufa, é brilhante: “O combate à corrupção é, sem dúvida, meritório, e merece aplausos. Mas transformá-lo em objetivo único constitui biombo para esconder conflitos de fundo.

Dado o arraso causado pela seqüência mensalão-Lava Jato, era provável que o PJ apresentasse um candidato para ocupar o vazio que ele mesmo criou.
Do ângulo estritamente eleitoral, pode dar certo.
Outra coisa é saber se será capaz de construir um rumo coletivo para nos tirar da crise”.

Requião vai alertar a caserna que Temer está matando a soberania nacional

Enquanto a Lava-Jato distrai o país, a pátria é subtraída em tenebrosas transações. O senador Roberto Requião vai terça-feira , em nome da Frente Ampla em Defesa da Soberania Nacional, conversar com os militares. O assunto é a privatização do Brasil, a enrega do patrimônio Nacional a grupos estrangeiros, caso do petróleo.Se depender do governo Temer, até a nossa água vai de embrulho. Ou será que vai continuar encoberta a venda do Aquífero Guarani para a Nestlée e a Coca-Cola?

O Power-Point de Temer


por Ruth Bolognese
Vamos lá, se o procurador–chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, se dedicasse a montar um desenho didático das ligações do presidente Michel Temer com a distribuição de propinas, reveladas pela revista Época, ia deixar no chinelo aquele famoso Power-Point do ex-presidente Lula.
E o Procurador-jejuador não iria pedir a condenação de Michel Temer por convicção de que ele comandou uma quadrilha de propina, como fez com Lula, e, sim, por excesso de provas, malas e caixas de papelão com dinheiro em espécie que quase não cabia nem no porta-malas do Corolla usado pelos emissários das propinas.

Tal pai tal o filho? Nem sempre

Em seu livro “Sobreviver, Crescer e Perpetuar” o engenheiro civil Norberto Odebrecht (1920-2014) escreveu : “ O empresário autêntico tem que ter, antes de tudo , caráter. Ele precisa saber que seu papel é servir e não ser servido”.
Como na teoria a prática é outra, o seu filho Emílio e o neto Marcelo, fizeram tudo ao contrário.

20 de abril de 2018

A máquina, a todo vapor



     Do blogueiro Cícero Catani:
"Se a moda pega, cada ato oficial de Cida arrisca virar comício, mesmo ocorrendo em lugar proibido, isto é, repartições públicas. A conferir:
Em seu blog, Angelo Rigon, de Maringá, alerta para o que pode ser campanha eleitoral fora de época: Pré-candidata ao governo, Cida Borghetti aparece em pelo menos três outdoors com mensagens diferentes, distribuídos em Maringá e cidades de vários pontos do estado, o que muitos enxergam como campanha antecipada.
E registra o que foi a posse do secretário de Saúde de Cida:

– A posse de Antonio Carlos Nardi na Secretaria de Saúde do Paraná, cargo no qual está há 11 dias, foi transferida da Acim para a Câmara de Maringá – e virou um verdadeiro comício de campanha de Cida Borghetti.
Deputados, como Osmar Serraglio e Alex Canziani, e políticos que presidem ou integram siglas que pertencem ao condomínio partidário de Ricardo Barros (na última eleição foram 14) lotaram o local. Como se diz, tinha gente saindo pelo ladrão.
Nos discursos, muita ênfase em não deixar Cida Borghetti – que tem aparecido com 5% nas pesquisas – somente até o final do ano no Palácio Iguaçu, e sim reconduzí-la para mais quatro anos. Se isso não for campanha eleitoral antecipada, como diria Ruth Bolognese, o que será que é, Justiça Eleitoral? Se o ato foi gravado, pode-se acreditar que pode vir aí a primeira infração da pré-campanha, já que foram utilizados recursos públicos e o comício aconteceu dentro de um prédio público.
Ainda na quinta, Cida deu posse, em Cascavel,  ao novo secretário Chefe da Casa Civil, deputado federal Dilceu Sperafico. Outra ato oficial que mais parecia comício eleitoral. Sperafico não vai mais concorrer, depois de seis mandatos. Vai é mais cuidar da campanha de Cida, na poderosa Casa Civil".


https://www.facebook.com/sergiorlsouza/videos/1800211010046828/UzpfSTEwMDAwMDc1MTgyNTIxMjoxNjM1MjkyMzAzMTcyNDgx/

9 de abril de 2018

Carta para Lula

           . por Carol Vergolino 




Sou branca, filha de professores universitários. Sou privilegiada, estudei em escolas em que meus amigos tinham seus nomes nos livros de história pernambucana. No fim dos anos 90, fiz pesquisa de opinião e vi muita coisa. Entrei na casa de muitas famílias em Pernambuco, antes e depois de Lula.
Não sou boa de nomes, mas sou boa de cheiro. Entrei na casa de um senhor. Ele e a casa cheiravam a fumo de rolo. Era em Afogados da Ingazeira, Sertão. Não tinha água. Não tinha nenhuma água. A pele dele era seca igualzinha ao chão da casa. De alento, ele tocava uma sanfona. Me respondeu a pesquisa inteira em poesia.
Entrei no sítio de uma moça, que não sabia a idade dela. Estava suja de sangue de apanhar do marido que bebia do lado. Ela me trouxe o saco de documento, fiz as contas, 35 anos. Formou-se uma fila. Fiz as contas da idade de vinte pessoas, crianças e adultos. A casa cheirava a álcool e à falta de identidade.
Entrei na casa de uma senhora que não tinha nada. Nem cheiro. Só tinha ela mesma e uma fome. Se o cheiro chegasse ali era de ausência.
Entrei numa casa que não tinha luz elétrica e perguntei o que ela compraria quando chegasse luz. Ela falou que já tinha e me trouxe uma lâmpada dentro de uma caixa de sapato. Essa casa cheirava à minha avó. O cheiro igual aos das bolinhas de naftalina.
Filmei em Recife pessoas que moravam dentro de uma ponte. Sim, dentro do concreto. Tinha uma escada do rio para o buraco que se chamava porta de casa e que cheirava a mofo. De vez em quando se perdia um menino mais afoito que caía no Rio Capibaribe. Chamava Vila dos Morcegos. Afinal, morar ali não era coisa de gente.
Morava no Engenho do Meio. Vi amigos de infância serem assassinados. Vi a favela de Roda de Fogo crescer e com ela a violência dos corpos no sinal. A gente ia lá ver o corpo pra saber se tínhamos estado com ele no dia anterior.
Tive mãe sequestrada. Passei horas negociando seu sequestro. Aí o cheiro do Brasil chegou pra mim. A iminência da morte cortando na minha carne. Cheiro de flores de funeral. Graças, no fim deu tudo certo e Dona Teca esta aí pra cheirar à lavanda.
Passei anos sem fazer pesquisa e depois volto a andar pelo estado pra filmar. O cenário e o cheiro são outros.
Depois do governo Lula, as coisas mudaram. E, no sertão, chegaram as cisternas. Pareciam discos voadores ao lado da casa do povo. Agora todo mundo tinha água pra beber. E pra ajeitar um roçado miúdo. As casas cheiravam à terra molhada.
Chegou o bolsa família e toda e qualquer casa agora tinha cheiro. De pelo menos um feijão cozinhando na lenha.
Começou a brotar Instituto Técnico Federal e as pessoas voltaram a estudar pra contar muito mais do que a própria idade.
Os morcegos que viviam pendurados na ponte, construíram suas próprias casas. E aprenderam a usar banheiro.
Chegou a luz elétrica. Chegou Avon, chegou moto-taxi, chegou biscoito recheado, iogurte. Chegou possibilidade, universidade, chegou ousar sonhar. Chegou tanto cheiro junto, que não dá pra diferenciar.
Seu Ze de Severino juntou três comunidades, conseguiu verba num projeto do governo Lula e fez uma rede de encanamento pra todo mundo ter água na torneira. Seu Zé nunca esperou que fizessem por ele, mas nunca seria capaz de fazer antes de Lula.
Com essas mudanças e tantas outras, aqui se viu menos corpos estirados no chão. Virou mar de rosas? Não, claro que não. Lula não fez as reformas estruturais que deveria ter feito. Isso é fato. Mas de fato mudou a vida das pessoas mais pobres que chegaram a entrar na universidade e viajar de avião. Veja que absurdo. Desde que o golpe começou, muitos desses direitos foram tirados. O retrocesso é claro. Um golpe claro de classe. Pobre não pode.
No último mês executaram Marielle e prenderam Lula. Sinto cheiro de sangue. Sinto cheiro de ternos muito bem engomados dizendo quem agora pode cheirar a qualquer coisa. Sinto também muito cheiro de desodorante vencido da luta. Sinto cheiro de pneu queimando e sinto ardor de spray de pimenta.
Já estamos sem um Estado democrático há alguns anos. Vai ter muito cheiro de luta pra voltarmos a viver numa democracia. Mas aviso aos navegantes que vou colocar meu corpo nesse cheiro de luta aí. Sou Marielle, sou Lula, sou todas essas pessoas que não lembro o nome, mas seu cheiro tá entranhado em mim.
*Produtora de cinema e membra da partidA


5 de abril de 2018

É caso de polícia



Circula desde  ontem à noite na internet  o vídeo de um dono de boate de São Paulo, oferecendo prêmios a quem matar o ex-presidente Lula na cadeia. Nome do imbecil: Oscar Maroni. Ele diz: ““Se o Lula for preso, a cerveja é de graça até a meia noite. Agora, se matarem ele na prisão, a cerveja vai ser de graça durante o mês inteiro”. Um dos amigos que bebe na mesa com Maroni pergunta com ar de deboche:“E se a morte for com requintes de crueldade?”. O empresário responde: “Aí eu dou meu rabo”.
Em 2016 quando Lula foi conduzido coercitivamente para depor, Maroni ofereceu acesso vitalício à sua boate ao juiz Sérgio Moro.
Fonte: site Pragmatismo

Foi uma indignidade


O ministro Barroso comparar Lula a estupradores e assassinos durante o julgamento do HC do ex-presidente, foi um momento de indignidade que , por sua tradição, o STF não merecia. Resta saber se Lula vai entrar com ação de danos morais contra o ministro. É o mínimo que , senão ele pessoalmente, o PT deve fazer.

19 de março de 2018

Péssima notícia para Lula



A presidente do STF, Carmem Lúcia disse hoje que o habeas corpus preventivo a Lula está nas mão do ministro Edson Fachin, a quem caberá a iniciativa de levar ao plenário da suprema corte. A julgar por declarações recentes do relator, a situação de Lula é muito complicada. Fachin não dá nenhum indicativo de que possa retroagir na sua posição a favor do encarceramento do réu condenado em segunda instância.


13 de março de 2018

O que estão fazendo com a Venezuela?



Os Estados Unidos lideram uma política criminosa de isolamento da Venezuela, mesmo sendo a Venezuela o maior fornecedor de petróleo do mundo para os norte-americanos, mais até do que a Arábia Saudita. O Brasil foi um dos países sul-americanos que entrou na cantilena do Tio San e que , ao invés de atuar como mediador, decidiu partir para a hostilização ao país vizinho.
Tudo bem que Nicolás Maduro é um tosco, que conduz muito mal a política e a economia venezuelanas. Mas isso por si só não explica o clima de guerra que no Brasil se fomenta  contra aquele país, que até pouco tempo era o nosso maior parceiro comercial (superavit na balança comercial de cerca de  U$ 5 bilhões a favor do Brasil).
A Venezuela nadava de braçada na era Chaves quando o petróleo estava em alta. O preço do barril despencou e o incompetente Maduro não conseguiu segurar a onda. Para se segurar no poder, começou a brincar de ditador, sendo que nem qualidades para isso ele possui.
Mas a rigor, o povo venezuelano não pode ser massacrado pelos países vizinhos como está sendo atualmente. A economia, centrada apenas no petróleo, fica fragilizada quando os preços do produto no mercado internacional caem. Os últimos governos venezuelanos, principalmente Chaves, jamais se preocuparam em desenvolver a indústria e o setor de prestação de serviços , certamente acomodados pelo poderio econômico das suas gigantescas reservas petrolíferas.
O petróleo é um fóssil que ainda gera muita cobiça. E isso fragiliza os países produtores que não se prepararam para o jogo duro do mercado. Os árabes sempre souberam lidar com isso e pelo menos no auge da OPEP, permitiam no máximo que os grandes compradores cortassem o baralho, mas eram eles que davam as cartas.
O problema maior da Venezuela é sua proximidade com os Estados Unidos e o fato de depender quase 100% da venda do petróleo que extrai do seu subsolo. Os americanos tentaram privatizar a estatal do petróleo venezuelano num processo em que estavam mancomunados  multinacionais e grandes empresários nativos, inclusive barões da comunicação, os Marinho de lá. Mas aí surgiu um calo chamado Hugo Chaves no caminho dos entreguistas e o jogo virou. Chaves sentou em cima do petróleo nacional e gritou: “Aqui não, violão”.
Enquanto viveu, Hugo Chaves se manteve no poder, diga-se de passagem, por via direta (eleições populares) e conseguiu se impor no mercado, sem medo de enfrentar o seu poderoso comprador. Chaves chegou a esculhambar o presidente Bush numa assembleia geral da ONU.
Mas Chaves era Chaves. Maduro não é Chaves, e de tão verde chega a ser pândego. Disso se aproveitam os americanos e lhe apertam o torniquete do bloqueio econômico . O resultado é o desastre social que a sociedade venezuelana vive, sem que o governo do seu maior parceiro comercial no continente tenha a dignidade de colocar sua diplomacia a serviço do entendimento, e não do acirramento das tensões.
Em tempo: não nos iludamos: o Brasil é um grande fornecedor de matéria prima para os norte-americanos, que não estão se contentando apenas em comprar o nosso petróleo , mas querem dele se apoderar, como mostra o desmonte do regime de partilha do pre-sal, feito a partir de uma lei de autoria do senador tucano José Serra.
Aliás, foi Serra, enquanto Ministro das Relações Exteriores que pilotou a política externa brasileira de criminalização do governo venezuelano, contribuindo para piorar ainda mais a situação daquele povo