5 de dezembro de 2016

Com ele os planos de saúde vão nadar de braçada

    . Da revista Carta Capital

O atual ministro e seu partido, o PP, tiveram suas campanhas financiadas por empresários e operadoras de planos de saúde. Em 4 de agosto de 2016, por meio da Portaria Nº 1.482, instituiu-se um grupo de trabalho para discutir e elaborar um projeto de criação de planos de saúde populares.
Tal medida visa aumentar o lucro dos empresários de um setor que apresenta um faturamento anual na casa dos R$ 100 bilhões e funcionará como uma verdadeira “arapuca” para os usuários.

A armadilha está no oferecimento de uma cobertura menor, por meio da alteração da lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que regula os planos, e da redução do rol de procedimentos que constitui a cobertura mínima obrigatória oferecida pelos planos privados aos usuários.

3 de dezembro de 2016

Livre pensar...


Os deputados federais agiram na calada da noite e, aproveitando o clima de comoção com a tragédia da Chapecoense, desossaram o projeto encaminhado pelo Ministério Público para apreciação do Congresso Nacional. Nem vem ao caso questionar se o PL necessitava de reparos ou não, embora eu entenda que precisava passar por um longo processo de discussão no Parlamento Brasileiro.

Mas vamos e venhamos: nenhum deputado, nenhum senador chegou lá com votos de marcianos. A nossa cultura é a cultura do levar vantagem. É injusto generalizar, nem no que diz respeito às pessoas comuns e nem a seus representantes. O que o país tem que fazer é se olhar no espelho, fazer uma reflexão profunda sobre a escala de valor predominante no nosso meio. Qual a diferença do parlamentar que recebe propina do cidadão que tenta subornar o guarda? Do sujeito (ou a sujeita) que fura uma fila, que fura o sinal vermelho? O que difere o gestor público corrupto do sindico ou do presidente de associação de bairro desonesto?

Enfim, o país precisa mesmo se olhar no espelho, passar-se a limpo, se depuar. Se não for assim, não adianta a gente ficar aqui esculhambando fulano e sicrano. Combater a corrupção temos que combater sempre, incessantemente, mas o que precisamos combater fundamentalmente é a cultura da corrupção, começando também por analisar melhor os candidatos que elegemos para todas as instâncias de poder. A crítica pela crítica, o esculacho pelo esculacho, a manifestação rasa de ódio contra A ou B, o ato de enrolar o rabo e sentar em cima, não vão nunca levar o país a lugar nenhum.
A ação firme da justiça, punindo quem rouba o dinheiro público com a dureza da lei, é indispensável. Mas a atuação de juízes e promotores, o comportamento da mídia e da população como um todo diante dos mal feitos, não pode se enveredar pelo campo do ódio, da vendeta, Não pode haver seletividade nas punições e nem nos protestos. Se todos são iguais perante a lei, então que sejam todos mesmo. E ainda que um erro não justifique o outro, é criminoso o esquecimento em que são jogados escândalos de ontem, como se fosse possível uma sociedade avançar no campo da moralidade e da ética, simplesmente passando uma borracha no seu passado recente.

1 de dezembro de 2016

Uma historinha para o Ulisses ler na cama



Dá pra imaginar quantos novos amigos Ulisses Maia  conquistou depois que se elegeu. Muitos continuam na expectativa de ser convidados para um cargo de relevância na próxima administração municipal de Maringá. Não sei como o prefeito  está administrando os assédios, mas acho que ele , hábil como é, deve estar se valendo da velha escola política mineira  que tinha em Tancredo Neves um dos seus maiores expoentes. Conta o historiador Ronaldo Costa Couto:
“Quando Tancredo estava  formando sua equipe de governo  em Minas, um deputado fez o diabo para  ser secretário de Estado. Qualquer secretaria servia. Saiu dizendo aos quatro ventos e plantando notas na imprensa  que   tinha sido sondado. Depois se promoveu a convidado. Acabou citado em todas as listas de secretariáveis.  Mas os dias passavam, e nada da confirmação do governador. Na semana da posse, aflito, foi a Tancredo.
– Governador, não sei mais o que fazer. Há dias que os jornalistas, os amigos, minha família toda, e até os adversários não param de me perguntar se vou ou não vou ser seu secretário. Já estão até ironizando. Não quero constrangê-lo, mas não sei mais o que dizer…
– Diga que convidei e você não aceitou”.

No apagar das luzes de sua administração, o prefeito Pupin aplica um golpe baixo no meio-ambiente


Não sei se este será o único ou apenas um dos decretos de autorização de loteamentos irregulares, que atentam contra o meio ambiente no município de Maringá.  Publicado no Diário Oficial de número 2590 o decreto 1476 ,  assinado pelo prefeito Roberto Pupin no último dia 16 , autoriza a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo a analisar e aprovar  projetos de parcelamento do solo  na Macrozona Rural de Proteção de Manancial. Na prática, abre caminho para loteamentos rurais sobre bacias hidrográficas, a começar pelos  ribeirões Morangueiro e Sarandi.


Tudo bem que o decreto manda preservar as reservas legais, as matas ciliares e a biodiversidade, mas até os pernilongos dos fundos de vale mal  cuidados  sabem que a qualidade dos recursos hídricos do município, que já não é boa, tende a ficar ainda pior, com poluição irremediável. Falando o português claro: o que o prefeito em fim de mandato fez foi abrir a porteira para a especulação imobiliária sobre as bacias hidrográficas do município. É caso para a Promotoria Especial do Meio Ambiente.

30 de novembro de 2016

Retrato do Brasil da era Temer



Foto: Gisele Arthur (Blog Cafezinho)

Ao fundo, a PM de Brasília reprimindo manifestação contra a PEC 55 e no primeiro plano, do lado de dentro da Câmara Federal, parlamentares se refestelam saboreando um delicioso coquetel.


28 de novembro de 2016

Simples assim


“Temer desmoraliza o país ao se referir ao caso Geddel-Calero como uma mera disputa entre ministros”.
.  Luis Nassif

As voltas que o mundo dá


Do portal 247:


"Em fevereiro deste ano, quando o marqueteiro João Santana, que fez a campanha presidencial de Dilma Rousseff, foi preso pelo juiz Sergio Moro, na Operação Acarajé, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) soltou rojões.
Santana era acusado de receber recursos da Odebrecht no exterior, que, aparentemente, nada tinham a ver com Dilma, mas sim com campanhas feitas pelo publicitário na África e na América Latina, mas ainda assim o presidente nacional do PSDB comemorou.
"Ultrapassamos a fase testemunhal, das delações, e chegamos à fase documental. As investigações mostram que o publicitário do PT recebeu dinheiro durante o período eleitoral", disse ele. "É um forte indício de que o que apontamos lá atrás, que a campanha recebeu dinheiro de propina, estava correto. Por isso, temos que ter a serenidade de não apenas fazer o embate político, mas tratar as coisas no leito adequado: a Justiça", afirmou o tucano.
Bom, sabe-se agora, pelas delações da Odebrecht, reveladas pelo jornalista Renato Onofre, na revista Veja, que quem era pago pela Odebrecht, via seu marqueteiro Paulo Vasconcelos, era Aécio – e não Dilma".