26 de fevereiro de 2017

Requião desanca a política de ajuste fiscal adotada no Brasil


Privatizar para melhorar a eficiência é pura falácia


“Privatizar é um dos caminhos para a eficiência de serviços que devem ser públicos mas o estado não dá conta”. Esse é um dos argumentos dos privatistas, daqueles que se puderem privatizam tudo – da coleta de lixo à saúde; da cobrança de tributos à educação. O colunista da BBC Brasil Tim Vickery desmistifica esse discurso chinfrim (e desonesto) , pegando como exemplo a saúde:
“Na Grã-Bretanha, gasta-se 9,1% do PIB com saúde. Nos Estados Unidos, são 17,1% e subindo. Mesmo assim, na semana passada, quando a minha mãe sofreu um pequeno derrame, fiquei bem feliz que ela é inglesa e não americana. Ela foi bem e rapidamente tratada no hospital, e a recuperação está sendo acompanhada por uma equipe de especialistas que visitam a sua casa - sem que ela desembolse um centavo por tudo isso.
Claro que nada vem de graça. Alguém tem que pagar. Mas, por enquanto (já que isso é uma outra história), o país goza de um sistema socializado, financiado principalmente mediante impostos e sem cobranças, ou com contas pequenas para remédios.
Nos Estados Unidos, entretanto, o sistema é fragmentado e particular, visando o lucro. Os rios de dinheiro gastos não vão fluindo para um resultado eficiente, a não ser pelos acionistas. A expectativa de vida na Grã-Bretanha é de 81 anos - e somente 78,9 nos Estados Unidos.
A ideia de que a iniciativa privada é sempre a melhor e mais eficaz é uma das grandes falácias da nossa época. Fica evidente, por exemplo, que o seu modelo de saúde é negativo para o povo dos Estados Unidos em resultados e, principalmente, em custos”.
Quem teve a oportunidade de pelo menos folhear o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior , se deu conta do mal que o governo Fernando Henrique fez ao Brasil, privatizando tudo o que podia. Entregou de mão beijada empresas como a Vale do Rio Doce, estatal que tinha a exclusividade na exploração , por exemplo, das jazidas de ouro do país. Sub avaliada, a Vale foi vendida por pouco mais de três bilhões de dólares, quando valia mais de 100 bilhões. E o pior: parte do dinheiro do grupo que adquiriu a companhia ainda obteve dinheiro do BNDES para pagar o negócio.
Então é assim: a empresa passou a gerar lucros enormes para a iniciativa privada , ao ponto do seu primeiro balancete semestral mostrar que os lucros dos primeiros seis meses praticamente pagaram a aquisição. Antes, já haviam feito o mesmo com a Companhia Siderúrgica Nacional, outro crime de lesa pátria.
Agora o governo Temer quer forçar a barra para os Estados privatizarem, vejam só, suas empresas de energia e de saneamento básico. E aqui no Paraná, onde por muito menos Jayme Lerner jogou a Sanepar nas mãos de uma empresa francesa, que teve seu peso gerencial reduzido com Requião, Beto Richa se assanha para retomar com força total o seu projeto de entrega da Sanepar e da Copel ao capital privado. É a era do escárnio.

24 de fevereiro de 2017

Terrorismo midiático para oxigenar a PTfobia


É muito interessante a análise que faz em vídeo divulgado no Youtube, o  engenheiro eletricista  Leonardo Stoppa, pós-graduado em geração e transmissão de energia. Segundo ele, o  governo Dilma construiu um sistema de interligação nacional na transmissão de energia. Para isso, buscou a parceria das companhias distribuidoras, entre elas a nossa Copel. Como o governo federal teve que recorrer às termoelétricas, que produz um megawatt muito, mas muito mais caro do que o da hidrelétrica, a presidente decidiu subsidiar a tarifa, para o consumo domiciliar e também para as empresas.
O que houve foi que em virtude da crise o consumo caiu e as companhias, que tinham entrado como parceiras no ousado projeto, resolveram agora, buscar na justiça uma indenização pelos prejuízos que alegam terem sofrido. O governo Temer, claro, defende (e incentiva) o pagamento, porque isso satisfaz uma estratégia do seu governo,  de jogar a sociedade contra a ex-presidente, a partir do momento em que colocar a indenização na conta dos consumidores, com o já admitido  aumento brutal das tarifas.
Antes da interligação, a transmissão de energia era feita de locais variados. Hoje, Belo Monte, por exemplo, pode mandar energia para o Sul do país e o Sul, por meio da Itaipu ou qualquer outra usina hidrelétrica poderá mantar para o Norte e outra qualquer região do Brasil. Significa que o novo sistema pode evitar apagões, que poderão ocorrer por problemas técnicos na transmissão e não pela falta de energia, segundo o especialista.

A conclusão óbvia é que ao noticiar a indenização das companhias distribuidoras pelo governo e consequente aumento nas tarifas, sem esclarecer os fatos como eles ocorreram, o Jornal Nacional fez terrorismo pra cima da  população, fazendo aumentar a PTfobia e o ódio dos coxinhas contra Dilma. Até o seu Zé3 das Candongas já percebeu que esses barulho todo tem fins eleitoreiros. Não por acaso, o destaque no principal telejornal da Rede Globo ocorreu logo depois que o Data Folha divulgou sua última pesquisa para presidente da república.

Qualquer semelhança com o governo Temer é mera coincidência


23 de fevereiro de 2017

Uma aula de brasilidade


Muita gente não gosta do Requião e deve ter suas razões pra isso. Muitos odeiam o senador paranaense pela sua verborragia  e volta e meia, pela sua agressividade verbal, geralmente contra pessoas fragilizadas diante da autoridade que ele representa nos momentos de fúria.  Concordo com os que pensam assim, mas não posso fazer coro aos que, como Luiz Nora, chegam a dizer que Requião não é um ser humano.  Mas não tem como deixar de reconhecer que nas três vezes em que foi governador do Paraná tratou a educação com sensibilidade e respeito, cuidou bem das finanças do estado e no último mandato, diante da crise das pequenas e médias empresas, as isentou de 90 mil itens do ICMS e impediu aumentos abusivos das tarifas de água e  luz. A Sanepar, por exemplo, ficou quase quatro anos sem subir o preço da água, porque antes  de autorizar qualquer majoração, ele exigiu do presidente Stênio Jacó redução das perdas antes de qualquer coisa. No Senado, Requião é um dos melhores oradores da atualidade. Seus discursos são peças oratórias imperdíveis, como   este que fez agora, usando o quadro mundial como preâmbulo, para fazer sérias denúncias contra o entreguismo do governo Temer. Aos que querem se informar e ouvir uma peça de oratória irretocável, sugiro que veja este vídeo. Esqueça a revolta que tem do temperamento explosivo do Senador, mas preste a atenção não discurso, que é realmente uma aula de brasilidade:




22 de fevereiro de 2017

Hélio Fernandes (Tribuna da Imprensa) sobre Alexandre Moraes:



“Alexandre não tem perfil de Ministro, seriedade de Ministro, competência de Ministro. Tenho que confessar com imensa tristeza: Renan Calheiros estava coberto de razão, quando comparou Moraes, então ministro da Justiça, a um "chefete de policia". Foi falando por falar, desperdiçou o tempo geral, fingindo que "reforçaria o Supremo", que era o homem certo para o cargo certo

As 16,20 comentou: "Havendo solução de confronto, deve se dar prioridade e preservar a harmonia do poderes". Logo depois tratou do "perigo de uma crise institucional, que pode ser provocada pela falta de serenidade". Não localizou o Poder onde estariam os mais exaltados.

Mas deixou entrever que ele é sempre um homem calmo, aberto ao dialogo e ao entendimento. "Esqueceu" da violência que a policia de São Paulo praticava contra estudantes que ocupavam escolas. Ou das arbitrariedades da "Força Tarefa", no estranho "caso do hacker".

 Nos dois episódios, ele era o Secretario de Segurança, sabidamente pretendendo se candidatar a governador. Com impossibilidade total, era filiado ao PSDB. Sua vida sofreu a reviravolta que o país está assistindo. Foi Ministro da Justiça e indicado para o Supremo, filiado ao PSDB. Lógico, teve que se desfiliar”..


21 de fevereiro de 2017

Sobra questionamento ao curriculum do indicado de Temer ao STF

Do insuspeito Estadão sobre o Ministro da Justiça:

“O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, não tem mais condições de permanecer no cargo, se é que algum dia as teve. Seu despreparo para tão importante função já estava claro havia algum tempo, mas o episódio em que ele antecipou a realização de operações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Lava Jato, justamente na véspera da prisão do ex-ministro petista Antonio Palocci, teria de servir como gota d’água para sua dispensa, em razão de tão gritante imprudência. Infelizmente, porém, o presidente Michel Temer, sabe-se lá por que razões, preferiu contemporizar, correndo o risco de ter de enfrentar novas crises em razão do comportamento irresponsável de Moraes. (…). “Só velhas relações de compadrio podem explicar como o dono desse desastroso currículo virou ministro da Justiça”.

Pois é, se o Estadão achava isso de Alexandre Ministro da Justiça imagine como ministro do Supremo.


Sabatina ou baralho marcado?





               . DeJosias de Souza em seu blog (UOL)


O que assusta na marcha da política rumo à desfaçatez é a sua crueza. Nesta terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado realiza uma suposta sabatina com Alexandre de Moraes. Trata-se de um encontro aviltante, constrangedor e desnecessário.
É aviltante porque a bancada de interrogadores inclui senadores que merecem interrogatório. É constrangedor porque as perguntas que o interrogado merece escutar são mais embaraçosas do que as respostas que ele não terá condições de dar. É desnecessário porque o jogo já está jogado.

Nesse tipo de sessão, o cinismo é o mais próximo que os participantes chegam das suas melhores virtudes. Todos sabem que o indicado de Michel Temer à vaga do Supremo Tribunal Federal será aprovado. Mas o sucesso da pantomima está justamente na compenetração com que os atores exibem suas virtudes fingidas.

20 de fevereiro de 2017

Bird critica desmonte do estado social brasileiro



    . Do portal 247
   



O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa 'Noite Total', da rádio Globo & CBN; ele disse que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo; "É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse", lamentou Jim Yong Kim

17 de fevereiro de 2017

O Brasil sucumbe em TEMERbrosas transações


Os governos Lula e Dilma ainda são acusados de quebrar a Petrobras. Dizem que o problema é a corrupção, mas a corrupção na estatal vem de longe. Não esqueçamos a denúncia feita em 1996 por Paulo Francis  no  programa  Manhattan Connection , da Globo News. A denúncia gerou uma ação indenizatória contra o jornalista que, pressionado pela condenação,  acabou sofrendo um infarto e morrendo.
Por conta do chamado “Petrolão”, uma campanha de desmoralização de uma das maiores empresas mundiais no campo da pesquisa e da extração de petróleo , foi colocada em marcha. Isso pra que? Naturalmente para facilitar o seu desmonte e, pelo fatiamento, sua desnacionalização. “O petróleo é nosso” , dizia-se por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia pelo presidente Getúlio Vargas. “O petróleo é deles”, diz-se agora na era Temer, apesar de todos os investimentos (exitosos, diga-se de passagem) feitos por Lula na pesquisa e depois na exploração do fóssil em águas profundas – o Pre-Sal.
Faço esse preâmbulo para justificar minha indignação ao ouvir hoje de manhã na CBN, o Carlos Alberto Sardenberg fazer uma defesa apaixonada (e descarada) do processo de desnacionalização total de máquinas e equipamentos petrolíferos. Doravante, a Petrobras deverá comprar tudo das indústrias estrangeiras. Isso depois da estatal ter aumentado e muito o conteúdo nacional mínimo na compra de bens e serviços  – foi de 57% em 2003 para 77,34% ao final do governo Lula. As compras da Petrobras no mercado brasileiro saíram  de U$ 5 bilhões para U$ 25,9 bilhões.
O argumento do atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, para voltar aos níveis anteriores a 2003 é de que a burocracia encarece demais a produção nacional de equipamentos. Segundo ele, comprando no mercado externo sai mais barato, reduzindo os custos operacionais da estatal.
Quando o presidente Lula lançou o Pre-Sal e decidiu que o governo incentivaria a indústria brasileira de equipamentos para extração , tanto no solo quanto em alto mar, entidades representativas da indústria como a Abimaq bateram palma. Acharam que por aí o Brasil iria crescer, iria desenvolver suas tecnologias, oxigenar a industria naval, com ampliação dos estaleiros existentes e construção de novos empreendimentos na área. Enfim, era mais impostos, mais postos de trabalho. Tudo isso,no entanto está indo pro vinagre com o governo Temer, que aos poucos vai liquidando o Pre-Sal e entregando nossas riquezas para o capital externo, sobretudo para as grandes petrolíferas norte-americanas.
Ora,  se a burocracia encarece o produto, se há dificuldade na certificação dos índices de nacionalidade das peças vendidas à Petrobras, não seria mais sensato reduzir a burocracia e qualificar institutos que possam fazer tais aferições? Ao invés disso, o governo prefere entregar tudo de mão beijada, num crime de lesa-pátria que vai custar muito caro às futuras gerações.
A pergunta que fica é seguinte: aonde este governo ilegítimo e predador do futuro vai levar o nosso país? Não tentemos responder, mas é passada a hora da oposição se encher de coragem e vergonha na cara e puxar esse debate. Já não é sem tempo  a dita sociedade organizada entrar em ação, não apenas contra o desmonte da Petrobras e da indústria nacional, mas contra o desmonte do estado social e sobretudo, contra a transformação do nosso país verdadeiramente numa república de bananas.
Mas na é caso pra desesperar, mas pra refletir, de preferência lembrando Chico, até como forma de  evitar  ” aquela página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, de nossas novas gerações ,  em que dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações…”