28 de maio de 2016

Vamos relembrar o escândalo das contas CC5 - Caso Banestado?

A entrevista é antiga mas revela a dimensão do escândalo das contas CC5, aquele sistema de lavagem de dinheiro numa agência do Banestado em New York. O delegado e o procurador que investigavam e tinham achado a ponta do iceberg foram afastados das investigações pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. O desvio foi de U$ 30 bilhões. E o que aconteceu com a Operação Macuco? Foi simplesmente enterrada. Com ela, um escândalo que pode ser considerado a mãe de todos os esquemas de corrupção no Brasil . Vale a pena ouvir toda a entrevista do delegado Castilho:

26 de maio de 2016

Jornal francês diz que foi golpe mesmo


Em um país em recessão, a revolta popular foi instrumentalizada por políticos corrompidos para depor a presidente Dilma Rousseff, escreve a correspondente do jornal francês "Libération" Chantal Reyes. "Sabemos agora que as motivações para destituí-la não tinham nada de nobre", diz, antes de resumir as conversas reveladas pela Folha nas quais Romero Jucá (PMDB-RR) defende uma "mudança de governo para parar tudo", ou seja, frear as investigações do gigantesco escândalo de desvio de recursos da Petrobras.
A conversa entre Jucá e Sérgio Machado, ex-diretor da Petrobras, traz para dentro do escândalo o PSDB, partido de oposição, de centro-direita. Mas o que é pior, segundo o "Libération", é que o Supremo Tribunal Federal, de acordo com a conversa registrada, pensava que destituir a chefe de Estado reduziria a pressão popular sobre a Lava Jato.
. Folha de São Paulo

Vale a pena ouvir


OLha, não importa o que você pensa do Ciro Gomes. Eu mesmo já tive muitas restrições a ele que, num determinado momento achei que fosse um novo Collor. Hoje não penso mais assim. Gostemos ou não dele, é hoje a voz mais sensata e veemente da política brasileira. Essa entrevista a uma rádio gaúcha, é um libelo contra as tramas que armaram e continuam armando contra o país. Desvista-se de qualquer restrição ao comportamento às vezes destemperado, desse paulista de Pindamonhangaba que foi morar no Ceará ainda menino e de Sobral se projetou nacionalmente como um político de grande qualificação técnica. Ouça, e você verá, que os argumentos dele são irrefutáveis:

Livre pensar


"Você querer moralizar o Brasil com Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, é querer limpar o chão com merda".
. Ciro Gomes

Melô do escárnio: O que não valia pra Dilma agora vale pra Temer




O que Meirelles quer não é uma meta, é uma autorização para gastar à vontade. Os tais 170 bilhões de reais certamente correspondam ao maior déficit primário da nossa história, em valores correntes. Muito estranho para um governo que foi alçado ao poder em meio a uma campanha pela austeridade fiscal, a que Dilma, supostamente, era avessa.
Se a Dilma está sofrendo processo de impeachment por ter dado as tais pedaladas, na ânsia de cumprir uma meta fiscal muito ambiciosa, que sentido faz dar um imenso cheque em branco para o governo interino?
Tanta incoerência explícita, escancarada, tanto cinismo militante incomodam. As réguas e as regras que valem para uma não valem para outros? Noventa e seis bilhões de meta fiscal pedidos por Dilma são irresponsabilidade, mas os 170 bilhões pedidos por Temer transmudam-se em virtude.
. Senador Roberto Requião (PMDB-PR)

25 de maio de 2016

Olha isso !

                                         Foto: Blog do Lauro Barbosa

Olha só a qualidade do arroz que o governo do Estado do Paraná manda para as escolas. Não é por outra razão que os estudantes estão ocupando um colégio em Maringá e ameaçam ocupar outros, caso a pouca vergonha continue. É visível o total desprezo que o  governo Beto Richa/Cida Borgheti demonstram  pela educação.

Sérgio Machado, a caminho da delação premiada: “Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan”


      . Por Rubens Valente, de Brasília, na Folha de hoje (25/5)
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que apoia uma mudança na lei que trata da delação premiada de forma a impedir que um preso se torne delator — procedimento central utilizado pela Operação Lava Jato.
Renan sugeriu que, após enfrentar esse assunto, também poderia “negociar” com membros do STF (Supremo Tribunal Federal) “a transição” de Dilma Rousseff, presidente hoje afastada.
Machado e Renan são alvos da Lava Jato. Desde março, temendo ser preso, Machado gravou pelo menos duas conversas entre ambos. A reportagem obteve os áudios. Machado negocia um acordo de delação premiada.
Ele também gravou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), empossado ministro do Planejamento no governo Michel Temer. A revelação das conversas pela Folha na segunda (23) levou à exoneração de Jucá.
Em um dos diálogos com Renan, Machado sugeriu “um pacto”, que seria “passar uma borracha no Brasil”.
Renan responde: “antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação”.
A mudança defendida pelo peemedebista, se efetivada, poderia beneficiar Machado. Ele procurou Jucá, Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB) porque temia ser preso e virar réu colaborador.
“Ele está querendo me seduzir, porra. […] Mandando recado”, disse Machado a Renan em referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Renan, na conversa, também ataca decisão do STF tomada ano passado, de manter uma pessoa presa após a sua segunda condenação.
O presidente do Senado também fala em negociar a transição com membros do STF, embora o áudio não permita estabelecer com precisão o que ele pretende.
Machado, para quem os ministros “têm que estar juntos”, quis saber por que Dilma não “negocia” com os membros do Supremo. Renan respondeu: “Porque todos estão putos com ela”.
Para Renan, os políticos todos “estão com medo” da Lava Jato. “Aécio [Neves, presidente do PSDB] está com medo. [me procurou] ‘Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa'”, contou Renan, em referência à delação de Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que fazia citação ao tucano.
Renan disse que uma delação da empreiteira Odebrecht “vai mostrar as contas”, em provável referência à campanha eleitoral de Dilma. Machado respondeu que “não escapa ninguém de nenhum partido”. “Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum.”

24 de maio de 2016

Episódio Jucá cria desconforto ao governador Beto Richa

 
 . Blog do Cícero Catani


A divulgação da gravação do diálogo do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a tentativa de barrar a Operação Lava Jato, criou a primeira grande crise interna do governo interino de Michel Temer e desconforto ao governo Beto Richa

“Pessoal, esse Machado que aparece nas gravações publicadas pela Folha de São Paulo, é o mesmo que na semana passada mandou Beto Richa, Polícia Militar e Judiciário expulsarem as famílias de sem-terra que ocupavam a Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha de Itaipu“, posta em seu perfil no Face o pesquisador Aluizio Ferreira Palmar

“O corrupto Sérgio Machado comprou a fazenda com dinheiro da corrupção, quando foi presidente da Transpetro. Outro dono da fazenda, Licinio Machado, é o dono da Etesco, empresa envolvida no escândalo do Petrolão.
Homens, mulheres, crianças e até um cadeirante foram expulsos com extrema violência para garantir uma propriedade adquirida com dinheiro oriundo da corrupção“, relata Palmar.

Junto com o áudio gravado  por Machado, veio outra preocupação com a extensão do que mais poderia existir e que outras pessoas da cúpula do PMDB, com e sem ligações fortes com o Planalto, poderiam ser atingidas com as conversas.
(Com O Estado de S. Paulo)

23 de maio de 2016

É aí que mora o perigo


Alguém mais duvida que foi golpe?


Está cada vez mais claro que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ainda em andamento, é um golpe, inclusive com apoio explícito de ministros do STF. A notícia não saiu em nenhum blog sujo, financiado pelo PT como diriam comentaristas amestrados. Está na insuspeita Folha de São Paulo:

“Em diálogos gravados, Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato”. Segundo a matéria, que é manchete do UOL esta manhã,Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
 “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”, disse Machado a Jucá, acrescentando, apreensivo que o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB. O executivo quer proteção e na gravação mostra-se desesperado: “Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”.
Jucá também está preocupado, sabe que deixar o caso nas mãos do juiz Moro é um risco enorme para lideranças peemedebistas e, claro, para ele próprio. Segundo a Folha “o atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro: “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”. Jucá, vamos lembrar, é um dos principais articuladores do  impeachment de Dilma. Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. O pacto, pelo jeito, se fez e não por acaso, Dilma caiu. Ainda alimenta a esperança de que o Senado pode, ao fazer o julgamento definitivo, arquivar o processo. Mas acho que é pura ilusão, pois se é assim, o baralho já está marcado e não volta atrás.
Na conversa, Romero Jucá implica ministros do Supremo ao relatar que manteve conversas com alguns deles sobre o assunto. Não nominou nenhum ministro, mas não é preciso ter poderes extra-sensoriais  para saber que entre eles deve estar Gilmar Mendes, adversário confesso de Lula e Dilma. Diz a Folha: “ Na versão de Jucá ao aliado, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato”.
LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS, transcritos pela Folha/UOL:
SÉRGIO MACHADO – Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ – Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO – Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ – Sim.
MACHADO – Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ – Eu acho que…
MACHADO – Tem que ter um impeachment.
JUCÁ – Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO – E quem segurar, segura.
JUCÁ – Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO – Odebrecht vai fazer.
JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[…]
JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[…]
MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.
MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.
[…]
MACHADO – O Renan [Calheiros] é totalmente ‘voador’. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ – Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
***
MACHADO – A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado…
JUCÁ – Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…
MACHADO – Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ – Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO – Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ – Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[…]
MACHADO – O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ – Todos, porra. E vão pegando e vão…
MACHADO – [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ – Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO – Porque se a gente não tiver saída… Porque não tem muito tempo.
JUCÁ – Não, o tempo é emergencial.
MACHADO – É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ – Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? […] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO – Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ – Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é… Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO – Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.
***
MACHADO – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…
JUCÁ – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…
JUCÁ – É, a gente viveu tudo.
***
JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO – Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava Jato].
JUCÁ – Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento…
MACHADO -…E burro […] Tem que ter uma paz, um…
JUCÁ – Eu acho que tem que ter um pacto.
[…]
MACHADO – Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ – Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara… Burocrata da… Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].


20 de maio de 2016

Focinheiras para deixarem de falar bobagem





. Blog do Esmael
O governo golpista de Michel Temer resolveu colocar focinheira nos ministros interinos para que eles não falem “bobagens”. Os primeiros a utilizar o acessório, no Palácio do Planalto, foram Ricardo Barros (Saúde), Mendonça Filho (Educação), Alexandre Moraes (Justiça) e Henrique Meirelles (Fazenda).
O objetivo é evitar declarações “supersinceras” sobre suas pastas, isto é, proibi-los de falar o que pretendem fazer de verdade em suas respectivas pastas. A ideia é não deixá-los revelar as maldades em curso.
O ministro da Justiça defendeu que o governo não escolha mais mais votado da lista tríplice para a Procuradoria-Geral da República; o da Saúde defendeu a redução do Sistema Único de Saúde (SUS); o da Educação defendeu a cobrança de mensalidade nas universidades públicas; e o da Fazenda defendeu aumento da idade para aposentadoria.

19 de maio de 2016

O que nos leva a temer Temer

Poucos dias de governo e Michel Temer já mostrou a que veio. Com rapidez de uma estrela cadente, extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário;  o Ministério das Mulheres, alijando a mulher da sua gestão que se espera, seja curtíssima; acabou com o Ministério da Cultura, gerando protestos de artistas em todo o país e nomeou para o seu primeiro escalão, homens citados em delações premiadas e envolvidos, alguns até a medula, com a justiça. De quebra, um de seus ministros, que é maringaense, anunciou a redução do SUS (embora tenha recuado , bem à  moda Waldir Maranhão), deixando claro que  pretende desativar o Mais Médico, a Farmácia Popular e o Samu. Antes, enquanto relator do Orçamento da União , ensaiou um corte brutal de R$ 10 bilhões no bolsa família.


Enfim, Temer começa sob o signo do atraso, mostrando que seu projeto Ponte para o Futuro não passa mesmo de uma pinguela para o abismo. Em contrapartida, ele já deixou claro que pretende liberar os jogos de azar (bingo, jogo do bicho, cassinos), que qualquer criança sabe que é causa de destruição de femílias e pessoas viciadas, além de servir como porto seguro para a lavagem de dinheiro. Some-se a tudo isso, o apoio incondicional a um projeto de lei de José Serra, aprovado no Senado, que entrega o Pré-Sal e a Petrobras  às grandes petroleiras estrangeiras, principalmente americanas, tirando do país a possibilidade de alavancar o desenvolvimento do Brasil com os royaltys do petróleo que já começou a ser extraído em alto-mar.
Não foi por acaso que Michel Temer entregou o Ministério das Relações Exteriores ao “vampiro brasileiro”, que já fala em abandonar os BRICS e fechar embaixadas em países latino-americanos , cujos governos caminham na contramão do neoliberalismo. Ah, em tempo: o presidente interino já acabou com a CGU (Controladoria Geral da União), o órgão que tinha independência para investigar a má aplicação de verbas federais em obras públicas nos estados e municípios. Não se espantem se ele manietar  a Procuradoria da República , nomeando para cargo hoje ocupado por Rodrigo Janot um novo Geraldo Brindeiro, o engavetador que impediu que seguissem em frente centenas de processos contra o governo Fernando Henrique Cardoso.
Enfim, o governo Temer, que ainda é interino mas pode se efetivar com a confirmação pelo Senado do impeachment , tem dado razões de sobra para os brasileiros se preocuparem, e como diria Renato Russo, ficarem com o cu na mão.



18 de maio de 2016

Um Gorila na diplomacia, um carrasco na Justiça e um charlatão na Saúde


O jornalista Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania) critica  duramente o ministério de Temer , mas seu alvo principal são três ministros – Serra, das Relações Exteriores; Alexandre de Moraes, da Justiça e Ricardo Barros, da Saúde. Sobre Barros ele escreveu:

“ O Ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR) tratou de superar Serra e Moraes: mandou avisar à bugrada que Temer quer reduzir os atendimentos no SUS e impedir que as pessoas recorram à Justiça contra os planos de Saúde, um recurso que tem sido a salvação de milhões de famílias que, quando têm atendimento ou procedimentos negados pelos planos, recorrem à Justiça e obtém decisões que as salvam da desgraça.
Sobre diminuir o atendimento no SUS, nem é preciso falar muito. Que tipo de psicopata faz uma proposta dessa?
Mais uma vez, porém, foi preciso desmentir outro plano estarrecedor, devastador para o povo que está sendo gestado por esse governo golpista, ilegítimo, recheado de bandidos. Temer volta a público para desmentir uma conversa que só quem for muito panaca poderá acreditar que não aconteceu entre o presidente (de facto) e o ministro da Saúde (de facto).

Mas se você pensa que isso é tudo, está enganado. O ministro da Saúde de Temer, que anuncia política tão favorável aos planos de saúde quanto produzir leis que impeçam o cidadão de reclamar contra esses planos na Justiça, simplesmente teve sua campanha eleitoral lá no Paraná bancada exatamente por PLANOS DE SAÚDE (!!)”

17 de maio de 2016

Será que Requião é vidente ou isso estava evidente?


“Intervenção no SUS”. Não sabem o que fazer com ele, só dizem que está sem controle e que precisa ser “reorganizado”. Na prática, certamente são desculpas para justificar a redução dos repasses orçamentários para o Ministério da Saúde. A “reorganização” é só uma forma de descobrir como fazer o SUS funcionar pelo menos precariamente com menos recursos. Ou seja, descobrir quem vai chorar menos se não puder mais ser atendido: os pacientes de câncer, ou com diabetes ou de tuberculose ou as grávidas com zica…".]
Isso foi dito pelo senador Requião no dia 30 de março, antes do impeachment e quando ninguém imaginava que Ricardo Barros chegasse ao Ministério da Saúde. Foi quase uma profecia, porque Barros vem defendendo o encolhimento do SUS e até já anunciou o fim do SAMU e do propgrama Mais Médico.

14 de maio de 2016

A OAB não sabia?


. Do Portal 247
“Ordem dos Advogados do Brasil, que apoiou o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff, emite seu primeiro sinal público de descontentamento com o governo provisório de Michel Temer; em nota, a OAB afirmou que investigados na Lava Jato não podem ser ministros; “Quem é investigado pela Operação Lava Jato não pode ser ministro de Estado, sob o risco de ameaçar a chance que o Brasil tem de trilhar melhores rumos”, diz o texto assinado pelo presidente Claudio Lamachia; Temer nomeou dois investigados, Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves, e também um outro personagem citado nos inquéritos, que é Geddel Vieira Lima; deputado Paulo Pimenta foi à procuradoria-geral da República para que Rodrigo Janot diga que se, com as nomeações, Temer obstruiu também a Justiça – pois esta é uma das acusações feitas à presidente Dilma Rousseff quando da nomeação de Lula para a Casa Civil”.

Ué, a OAB não sabia que isso ia acontecer? Depois de ver toda a pantomima feita em torno do impeachment e ver o tanto de gente comprometida com a justiça que cercava o vice-presidente, principal artífice do golpe, não imaginavam que o ministério de Temer seria daí pra pior?

A trajetória vitoriosa do prático RB, que não por acaso, ganhou o apelido de " Leitão Vesgo"


Há dois anos, quando Ricardo Barros tateava o terreno da política paranaense para ver onde encaixaria seu mano Silvio e sua esposa Cida , comentei sobre o trabalho de bastidores que ele fazia para colocar pés e mãos nos barcos dos três principais candidatos a governador – Beto, Gleisi e Requião. Não conseguiu encaixar Silvio em nenhuma das três chapas, mas colocou a mulher na vencedora,de Beto. Por isso ela é hoje vice-governadora. Ele, enquanto deputado federal, foi vice-líder de FHC, de Lula e de Dilma.
Quando o barco da presidente já tinha afundado, na semana da votação do impeachment na Câmara, Ricardo  manobrou para o seu PP cair fora. E fez mais: tratou de articular o fechamento de questão, que era uma forma de se sentir mais confortável ao votar pelo impedimento. E claro, antes negociou junto com Ciro Nogueira (presidente nacional do PP) um ministério para o Partido Progressista no eventual governo Temer. Não por acaso é hoje ministro da saúde.
Leitão Vesgo, por mamar numa teta e estar sempre de olho na outra, foi o apelido que ele ganhou de André Vargas e que foi muito propagado por Requião. Muito adequado, não?

11 de maio de 2016



http://www.tijolaco.com.br/blog/roleta-do-stf-sorteia-gilmar-mendes-para-investigar-aecio-que-maravilha/

10 de maio de 2016

Se assim é que lhe parece...


O que era não é mais, o que é pode vir a ser e o que será só Deus sabe. Eita brasilzinho complicado, sô! Mas tem um lado bom: a democracia resiste bravamente aos golpes, contra-golpes, chicanas e contos do vigário, que fazem de Brasília a capital mundial da esculhambação.

Maranhão revogou a revogação. Mas Renan Calheiros já tinha determinado


9 de maio de 2016

Do mano Antônio Mendes, uma homenagem aos 69 anos de Maringá



Cunha ameaça Temer


Do Blog do Garotinho:
“Ontem conversei por telefone com um deputado federal do PR amigo íntimo de Eduardo Cunha. Ele tinha estado com Cunha minutos antes em sua residência oficial. Fez algumas afirmações que são de arrepiar os cabelos. Talvez não seja próprio revelar todas, mas uma, com certeza, já deve ter chegado a Michel Temer. Eduardo Cunha disse em alto e bom som a seguinte frase: "Se eu for abandonado não vou sozinho para o sacrifício. É bom que alguém diga a Michel (Temer) e a (Romero) Jucá que eu posso ser o início do fim de um governo que nem começou". O amigo de Cunha me revelou que nunca tinha visto Eduardo no estado que o encontrou nessa visita. Cunha estava abatido, ansioso e com espírito de vingança. 


Como a fonte é altamente confiável é bom Michel Temer se preparar para dias nervosos, afinal Eduardo Cunha como amigo é um perigo, e como inimigo é mais perigoso ainda. Imaginem na situação de ex-amigo. Eu não sei porque sou casado com Rosinha há 34 anos e nunca tive outra esposa. Mas dizem que os piores estragos que podem ser feitos na vida de um homem são por ex-mulheres e ex-amigos”. 

2 de maio de 2016




"Isso não vem ao caso"



A oposição aplaudiu o bloqueio que o ministro do Supremo Gilmar Mendes fez do crédito suplementar para propaganda institucional do governo federal. Algumas pessoas, inclusive do time dos coxinhas , desses que vão às ruas de verde e amarelo, tiveram orgasmo com o despacho do ministro. O que talvez elas ignoram é que a verba seria destinada a  institucionais , por exemplo, de campanhas de prevenção contra o zika vírus. Além disso, deveria incrementar a publicidade das Olimpíadas, que estão se aproximando. O governo avalia, corretamente diga-se, que o esvaziamento dos Jogos Olímpicos, podem provocar à imagem do Brasil um estrago maior que os dos 7 a 1 que tomamos da Alemanha ano passado. Mas, como diria o próprio ministro togado, cujas preferências partidárias são por demais conhecidas, “isso não vem ao caso”.


1 de maio de 2016

O Brasil à beira do "golpe paraguaio"



Fernando Lugo era bispo e, instado pelo Vaticano abandonou a batina para seguir carreira política, seguindo sua nova vocação e os apelos da população pobre do Paraguai que o queria na presidência da república. Mas Lugo tinha uma convivência conflituosa com os grandes latifundiários do país vizinho, em defesa naturalmente dos campesinos explorados e massacrados pela sanha dos acumuladores de terra.
Diante disso, Lugo não se sustentaria no poder. Não tinha nada, absolutamente nada que o desabonasse do ponto de vista do respeito ao bem publico. Mas enquanto líder religioso cometeu algum pecado da carne, ou seja, seu lado homem não resistia muito aos encantos de uma bela mulher. E mesmo bispo, teve um filho com uma de suas ovelhas. Isso, por si só, não seria motivo para que fosse apeado do poder, até porque para chegar à presidência teve que renunciar ao sacerdócio.
O impeachment do presidente Fernando Lugo decorreu de um julgamento rápido, com prazo de defesa bastante exíguo. Ficou claro que as acusações e o andamento do processo seguiu , única e exclusivamente, pelo viés ideológico, já que o presidente , por seu discurso e suas ações, era um homem de esquerda e vinha fazendo um governo de forte conteúdo social
A defesa de Lugo no parlamento paraguaio foi consistente, mas de nada adiantou porque já havia um julgamento prévio, com sentença pronta , só esperando o momento apropriado para a deposição ser oficializada. E assim, o parlamento  tirou do poder, do dia pra noite, um presidente eleito pelo voto popular.
A decisão do Senado Paraguai  foi criticada no mundo inteiro, pela imprensa internacional e pela diplomacia de vários países democráticos, inclusive o Brasil. Mesmo sento um impedimento convalidado pelo parlamento, o caso Lugo não deixou de ser classificado como golpe, um golpe nas instituições democráticas, que, pasmem, acabou contaminando outras democracias, que apesar de sólidas do ponto de vista constitucional, passaram a sofrer ameaças constantes de forças internas (e externas) , no caso das internas , tomadas de urticária ante programas de transferência de renda.
O Brasil é a bola da vez. O pretexto até que justifica uma onda de indignação nacional, mas aqui a Polícia Federal está agindo e à Justiça cabe o papel de condenar e mandar prender os envolvidos em assaltos aos cofres públicos.  Há um uma onda de repulsa ao PT e , sinceramente, não discordo dela porque o Partido dos Trabalhadores fez por merecer ao se nivelar ao que há de pior na política partidária brasileira. Quando chegou ao poder central com a eleição de Lula em 2002, todos esperavam que de hora em diante o governo petista colocaria fim a determinadas práticas fisiológicas, que caracterizaram o espectro partidário ao longo dos anos no país. Ledo engano. Em nome de um projeto de poder, de no mínimo 20 anos, o PT , então sob a liderança de José Dirceu, meteu os pés pelas mãos.
Veio o mensalão e o petrolão e o PT caiu em desgraça. Não apenas pelo pecado de entrar de cabeça nos esquemas de corrupção disponíveis, mas porque acabou fazendo o que sempre condenou, cometendo então o pecado do pregador. Mas vamos e venhamos, isso não justifica o impeachment da presidente Dilma que todos reconhecem, é uma mulher honesta e jamais cometeu qualquer crime contra o erário.
O argumento é frágil, posto que já está mais do que tecnicamente provado, que as tais pedaladas e os decretos suplementares não constituem crime de responsabilidade. Caso se constituísse, seria o caso de impichar a maioria dos governadores e prefeitos. E nem teria sentido nomear o ex-governador de Minas, Antônio Anastasia, reconhecidamente um campeão de pedaladas enquanto esteve no Palácio da Liberdade, como relator do processo de impeachment no Senado.
Tal qual ocorreu no país vizinho, portanto, o impedimento da presidente Dilma pode sim ser chamado de “Golpe Paraguaio”. Principalmente porque urdido no Palácio Jaburu, onde o vice Michel Temer, que também pedalou e assinou decretos suplementares enquanto interino, articula  desde o início, os passos do processo de impeachment, em companhia de ninguém menos que Eduardo Cunha e assessorado por lideranças igualmente envolvidas em escândalos de corrupção, inclusive com citações em delações premiadas, caso  de Romero Jucá, Aécio Neves, José Serra , etc.
Dizem que não é golpe porque o Supremo aprovou os ritos e alguns ministros togados sustentam que o processo é legal. Mas é inegável a existência da trama política liderada por Temer e patrocinada pela Fiesp, que dele espera a supressão de alguns direitos trabalhistas e um ponto final em políticas de transferência de renda implementadas pelo presidente Lula e mantidas por Dilma.  Por tudo isso, o impeachment é ilegítimo, por tudo isso é adequado chamá-lo de golpe. Esse é o ponto.