23 de julho de 2016

O novo xodó da classe média metida a besta


Michel Temer passou a ser o grande ídolo da elite brasileira e da classe média, que sempre se esforça para estar próxima de quem a explora e nunca de quem com ela é explorado. A mídia, principalmente a televisão, Rede Globo à frente, vive ressaltando os feitos do presidente interino, ao mesmo tempo em que omite (só quando não dá mesmo para fugir da notícia) o lado sombrio de Temer e sua equipe de ministros nada probos. Omite também, ou trata com descaso, as propostas de desmonte do estado social.

Há quem veja em Temer um galã da novela das nove, embora eu não consiga dissociar a sua tez da tez  de Cristopher Lee, o ator que celebrizou a figura do Conde Drácula no cinema. Parece que ambos foram trocados na maternidade. 


Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso agora é a falsa delação premiada de João Santana, que os telejornais e os jornalões impressos destacaram, como sendo uma bomba que ele soltou no quintal da presidente afastada Dilma Rousseff.

Na verdade, o marqueteiro não chegou a delatar Dilma, apenas abriu uma frestinha da caixa preta, para falar o que todo mundo sabe: a quase totalidade das campanhas eleitorais no Brasil se move com o oxigênio  do caixa 2.  “Se todos que já foram remunerados com caixa 2 no Brasil fossem tratados com o mesmo rigor que eu, era para estar aqui, atrás de mim, uma fila de pessoas que chegaria a Brasília”, queixou-se Santana ao juiz Sérgio Moro.

Santana disse taxativamente isso ao magistrado maringaense, que virou celebridade mundial graças à Lava-Jato, que ele conduz quase como justiceiro:

 “Nos últimos meses, eu vi destruídos, um trabalho e uma imagem pessoal que construí, com muito esforço, ao longo de mais de 20 anos. Eu entendo porque isso aconteceu. Primeiro porque escolhi uma profissão fascinante, mas cheia de riscos e incompreensões. Segundo porque me transformei em um profissional de destaque nacional e internacional. Terceiro porque meu trabalho esteve ligado, nos últimos anos, a um grupo político que está hoje sob severo questionamento. O que eu não entendo e não me conformo é com o fato de eu e minha mulher estarmos sendo acusados, injustamente, de corrupção, formação de organização criminosa e de lavagem de dinheiro. De estarmos sendo tratados como criminosos perigosos. E de estarmos servindo, involuntariamente, aos interesses dos que sempre tentaram ligar o marketing político a atividades obscuras e antiéticas”.


Um comentário:

Anônimo disse...
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