30 de novembro de 2016

Retrato do Brasil da era Temer



Foto: Gisele Arthur (Blog Cafezinho)

Ao fundo, a PM de Brasília reprimindo manifestação contra a PEC 55 e no primeiro plano, do lado de dentro da Câmara Federal, parlamentares se refestelam saboreando um delicioso coquetel.


28 de novembro de 2016

Simples assim


“Temer desmoraliza o país ao se referir ao caso Geddel-Calero como uma mera disputa entre ministros”.
.  Luis Nassif

As voltas que o mundo dá


Do portal 247:


"Em fevereiro deste ano, quando o marqueteiro João Santana, que fez a campanha presidencial de Dilma Rousseff, foi preso pelo juiz Sergio Moro, na Operação Acarajé, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) soltou rojões.
Santana era acusado de receber recursos da Odebrecht no exterior, que, aparentemente, nada tinham a ver com Dilma, mas sim com campanhas feitas pelo publicitário na África e na América Latina, mas ainda assim o presidente nacional do PSDB comemorou.
"Ultrapassamos a fase testemunhal, das delações, e chegamos à fase documental. As investigações mostram que o publicitário do PT recebeu dinheiro durante o período eleitoral", disse ele. "É um forte indício de que o que apontamos lá atrás, que a campanha recebeu dinheiro de propina, estava correto. Por isso, temos que ter a serenidade de não apenas fazer o embate político, mas tratar as coisas no leito adequado: a Justiça", afirmou o tucano.
Bom, sabe-se agora, pelas delações da Odebrecht, reveladas pelo jornalista Renato Onofre, na revista Veja, que quem era pago pela Odebrecht, via seu marqueteiro Paulo Vasconcelos, era Aécio – e não Dilma".


26 de novembro de 2016

Fidel, suas contradições e a pergunta: como o julgará a história?




Fidel Castro, que faleceu ontem a noite aos 90 anos era uma figura de extremas contradições. Liderou a Revolução de 1959 , pondo fim à transformação da Ilha num quintal dos Estados Unidos e botando pra correr o serviçal de Washington, Fulgêncio Batista. Promoveu grandes transformações sociais em Cuba, que aderiu definitivamente ao socialismo soviético após o bloqueio comercial decretado pelo presidente Kennedy.
Fidel governou Cuba com mão de ferro durante meio século, criando e potencializando mecanismos de de auto-proteção do país contra o inimigo comum, que estava ali bafejando no seu cangote o tempo todo. Se notabilizou quando deu uma surra nos americanos na Baia dos Porcos . A partir daí somou aliados e desafetos, colecionou admiradores e inimigos, atraindo para a Ilha, simpatias e repulsas. Simpatia pelo desenvolvimento de áreas sociais muito importantes, como a saúde e a educação e repulsas, sobretudo , pela maneira violenta e desumana com que tratava os adversários internos da Revolução.
Gostemos ou não, o fato é que Fidel Castro tornou-se um dos maiores nomes da política ocidental, uma liderança respeitada e odiada, mas nunca ignorada nos quatro cantos do mundo. Nunca na história da humanidade, um líder popular teve uma retórica tão intensa quanto ele. Nunca  se viu alguém discursar por tanto tempo quanto ele. Chegou a falar durante 12 horas em uma tribuna. Quebrou todos os protocolos da ONU, discursando por 4 horas. Em 1988 eu tive o privilégio de fazer parte de uma comitiva de professores da Universidade Estadual de Maringá, como convidado, claro, numa viagem de intercâmbio cultural e científico da nossa UEM com a Universidade de Havana. Ficamos lá durante 10 dias, por coincidência no ano das comemorações dos 29 anos da entrada dos revolucionários na capital, expulsando Fulgencio Batista após dois anos de preparação da Revolução em Sierra Maestra.
Fui à Praça José Marti assistir a uma solenidade de comemoração , que reuniu 500 mil pessoas. Isto mesmo, 500 mil pessoas. Fui mais cedo porque queria ficar bem perto do palanque. E fiquei. Naquele dia, Fidel discursou durante 5 horas e 20 minutos.
No dia seguinte fui à redação do Gramma, principal jornal do país e lá, com minha carteirinha de jornalista, emitido pela FENAJ - Federalão Nacional dos Jornalistas, e fui muito bem recebido, como periodista. Consegui uma foto aérea da concentração na Praça, que mostrava aquele mar de gente. Depois  publiquei a foto numa reportagem que fiz para a revista POIS É, que eu editava junto com o Moscardi e o Antônio Carlos Moreti.
Antes da comitiva voltar, os professores programaram um tour , com opção pelas praias de Varadero ou Caio Largo. Eu escolhi Caio Largo, para onde a gente iria num aerofloot, avião russo da Segunda Guerra Mundial. Mas acabei dispensando a viagem quando soube que naquele sábado o então presidente da União Soviética, Mikail Gorbachev, iria a Havana para anunciar o perdão da dívida que Cuba tinha com a URSS . Ali Gorbachev  desfilaria em carro aberto. Preferi não perder essa oportunidade histórica. Mas infelizmente, ele acabou cancelando a viagem na última hora porque precisou ir à Armênia, onde ocorrera um terremoto.
O que quero dizer, finalmente, é que Fidel foi um dos principais líderes mundiais do século XX. Gostem  ou não , ninguém pode deixar de reconhecer a sua importância histórica, principalmente para a luta da América Latina contra o imperialismo yanke . Como a história o julgará?
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25 de novembro de 2016

Temer pode morrer abraçado com Geddel


Inimigo do SUS



“Sistema de saúde para todos é sonho e seus defensores são ideólogo e não técnicos”. Palavras do ministro Ricardo Barros em entrevista ao portal BBC Brasil no último dia 11 de novembro. Aí o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser Pereira não deixou por menos: “Barros é inimigo declarado do SUS”.
Em carta publicada em sua página pessoal do facebook  ele declarou:
Pouco lhe importa que o direito universal à saúde esteja na Constituição. A Constituição, ora a Constituição… E se não consegue mudar a Constituição nesse ponto, não hesita a dar todo apoio à Emenda 241, que, afirma contra toda evidência: “Não tem redução de recursos de saúde com a PEC. Isso não existe, outras despesas poderão ser reduzidas”. Quais? As despesas com educação? Ou quem sabe o deputado vai propor uma emenda à emenda, incluindo o gasto com juros, para que estes, depois, possam ser cortados?
Ao invés, ele informa que tem uma solução para a falta de recursos. O ministério elabora uma proposta de “planos de saúde acessíveis”, com cobertura de atendimento reduzida, para o público de menor renda. Ora, já existem muitos planos de saúde “populares” empenhados em enganar aqueles que os subscrevem. Planos de saúde podem ser bons para os ricos; para no máximo 15% da população. Os demais contam com o SUS, que é a maior realização da democracia brasileira. Atacá-lo, como faz o ministro Ricardo Barros, é tentar realizar o objetivo doentio da direita neoliberal brasileira: desmontar o Estado Social que o Brasil construiu desde a Constituição de 1988″.


24 de novembro de 2016

Enfim, admitem agora que Temer é golpista


O colunista Fernando Canzian, da Folha, descobriu hoje, 24 de novembro, que um sujeito que anda como golpista, fala como golpista e governa como golpista deve ser golpista:
Pelo modo como age, o presidente Michel Temer até parece ter sido convencido pela tal “narrativa do golpe” que o acusou de ilegítimo para substituir Dilma Rousseff.
Com visível perda de ímpeto, seu governo tenta promover a maior mudança constitucional desde 1988 com um esclarecimento incompleto e envergonhado à população do que está em jogo na PEC do teto e na reforma da Previdência.
Sem seu empenho e protagonismo, e em meio à operação para anistiar o caixa dois no Congresso, Temer aumenta a suspeita de que o maior objetivo de seu governo era mesmo “estancar a sangria” da Lava Jato.
Não é bonito isso?
. Do blog DCM (Diário do Centro do Mundo)

22 de novembro de 2016

Está no Congresso em Foco



Apelidado de Suíno, Geddel era desafeto de Renato Russo na escola


Líder da Legião Urbana considerava o colega baiano “in-su-por-tá-vel” e se recusava a fazer trabalhos com ele. Os dois estudaram juntos no Marista, em Brasília, na década de 1970. Na época, conforme biografia de Renato, Geddel já profetizava: “Vou ser político”

Prisão com base em presunção subjetiva. Pode isso, Arnaldo?

O juiz Sérgio Moro mandou prender Antônio Palocci, ministro nos governos Lula e Dilma, por presumir que ele colocaria em risco a ordem pública. Mais ainda: por presumir que havia risco de Palocci voltar a receber propina e, caso existam contas secretas no exterior, ele poderia voltar a movimentá-las. Então foi assim: o juiz Moro engaiolou Palocci com base no que o ministro Celso de Melo, do STF, chamou de “presunção subjetiva”. Não sou advogado, portanto, não tenho qualificação profissional para discorrer sobre o tema, mas nem acho que precisa ser jurista pra saber que prender alguém por presumir que esse alguém delinquiu (e sem que haja provas concretas e cabais) é um risco muito grande ao estado de direito.

21 de novembro de 2016

O Brasil retoma a marcha do caranguejo


A fome impede o ser humano de crescer, se desenvolver, adquirir conhecimento, cultura. O país que não propicia condições mínimas para que as pessoas abaixo da linha da pobreza se alimentem, não merece respeito. Gostem ou não, Lula fez isso por meio de políticas compensatórias nos seus dois governos, cujas políticas foram seguidas à risca por Dilma.
Quem diz, por exemplo, que o Bolsa Família é esmola não conhece a cara da fome e sequer se deu trabalho de verificar o avanço social que o programa proporcionou, principalmente no Nordeste. Em muitas cidades pequenas, onde mercearias e mini-mercados estavam à beira da falência, houve uma revitalização surpreendente do comércio a partir de 2003.
Jovens que capengavam no ensino  médio, não tinham perspectivas de ir adiante, por falta de condições de concorrer a vagas nas universidades públicas. Com o fortalecimento do Fies, criação do Pro Une e transformação do Enem em caminho para vagas no ensino superior, o quadro mudou. Hoje você vê nas cidades do interior do Nordeste muitos jovens frequentando faculdades particulares, fazendo Engenharia, Agronomia, Psicologia, Fisioterapia, Administração. Muitos já estão graduados, como ocorre, por exemplo, em Pintadas, minha cidade natal.

Bem entendido, isso não é uma defesa de Lula e Dilma , as a constatação de que o Brasil trilhou por caminhos de um futuro melhor, que a partir de agora no que vai dar. Uma coisa é praticamente certo: tem retrocesso a vista.

A torre de Gedel e os casos de Maringá


Os pareceres técnicos eram contrários ao empreendimento de quase 100 metros de altura, pois ele impactaria e agrediria a visibilidade de monumentos históricos, como a Igreja Santo Antônio, o Cemitério dos Ingleses, o Forte Santa Maria, entre outros igualmente tombados pelo patrimônio histórico de Salvador e alguns até considerados patrimônios da humanidade pela Unesco. Mas Gedel Vieira Lima, que fez parte daquele time chamado “Anões do Orçamento”, agora é super-ministro do governo usurpador de Michel Temer, quis liberar a obra à força, pois lá ele possui um apartamento que vale mais de R$ 2 milhões. Por conta disso, fez pressão sobre o Ministro da Cultura, Marcelo Calero, que pediu demissão.


É possível que o “anão do orçamento”, um dos políticos que mais envergonham a Bahia, seja convidado a se retirar do governo , não por que sua presença abala o presidente, mas porque Michel Temer não deverá aguentar a pressão popular pela saída de Gedel.

Faço esse comentário apenas para lembrar que em Maringá  o Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial está  às voltar com pressão do mercado imobiliário para aprovar a verticalização das Avenidas Cerro Azul e Teixeira Mendes, onde o Código de Posturas veda prédios altos – na Cerro Azul, salvo engano, só de 6 pavimentos, pelo menos no trecho que vai da Catedral ao Cemitério. Esta semana o Conselho volta a se reunir, depois que um de seus membros teria ouvido  poucas e boas por ter pedido vista do processo. O que se espera é que tal processo seja submetido à apreciação da comunidade, pelo menos das associações de moradores das  Zonas 2 e 4.

A propósito, nunca é demais lembrar que nas administrações Silvio/Pupin (2005/2012) o desrespeito à política de ocupação do solo urbano de nossa cidade foi enorme. A começar pela destruição de árvores centenárias (vide caso das Canafístulas no terreno dos Vilanova, da Rodoviária Américo Dias Ferraz e do Contorno Norte, construído em áreas residenciais e criando problemas insolúveis para os moradores que precisam cruzá-lo  no seu dia-a-dia.


19 de novembro de 2016

Que justiça seja feita. Mas assim?

                                                           . Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania
Quando vi as cenas patéticas de Garotinho e Cabral presos, o primeiro pensamento que me ocorreu foi o de que eles devem ser culpados, sim. Mas o segundo pensamento foi:
— E daí se eles forem mesmo culpados? Isso dá direito aos que tentam lhes provar a culpa de seviciarem-nos física, moral e psicologicamente?
Ora, deveria estar fora de discussão que Garotinho tem razão quando diz que, por ser ex-secretário de Segurança, a possibilidade de ser morto em um lugar como Bangu é imensa.
Eis que surge a pergunta: mas por que, diabos, não levam esse homem para Curitiba? Lá ele estaria a salvo da vingança de gente que prendeu. Aliás, nenhum país sério coloca alguém que prendeu bandidos junto com quem essa pessoa prendeu. Isso é assassinato.
Está claro, evidente, cristalino como água que Garotinho foi vítima de vingança. É um péssimo político, um homem público de vida turva e que quando teve poder nas mãos não foi clemente com os mais fracos como pede que sejam consigo.
O problema, porém, é que eu não sou igual a Garotinho. Não é porque ele era injusto que eu serei também.
O homem nem foi julgado e já está cumprindo pena…
E o que a Globo fez com a imagem dele fez mal a muita gente que o despreza como homem público, mas que não pode desprezá-lo como pessoa, como ser humano, como membro da mesma espécie.
E Cabral? Esse foi até pior que Garotinho. Foi inclemente com muitos e, mais do que previsivelmente, roubou muito. Só que ainda tem direito a ser julgado antes da punição. Mas a divulgação para a imprensa daquela foto dele de frente e de perfil foi um abuso, uma pena antecipada.
Se para prenderem ex-governadores cometem abusos como esses, o que não farão com você se algum dia for alvo de uma injustiça?
Ah, você nunca irá preso porque nunca fez nada errado? E de onde você tirou a ideia de que a Justiça não comete injustiças? Inventou isso agora ou alguém incutiu essa merda na sua cabeça?
Desde que o mundo é mundo que até os melhores sistemas de justiça cometem erros. Que dizer de um sistema viciado, corrompido e que obedece a critérios políticos e não à lei?
Quando vejo Moro, Dallagnol e cia. com aquele ar de superioridade sobre o resto da espécie e achando que estão fazendo alguma coisa de bom pelo Brasil, sinto asco. Só o que a Lava Jato está fazendo é comprovando o que sempre se soube neste país, que a lei não é igual para todos.
A montagem fotográfica no alto da página já diz tudo. Ao lado do suplício de Garotinho e Cabral, o sorridente Eduardo Azeredo, contra quem há uma imensidão de provas documentais e materiais de crimes sórdidos. Há quase vinte anos espera julgamento e a Justiça finge que ele não existe.
Mas se fosse só ele, não seria nada. O PSDB inteiro está nessa situação. Porque só petistas e quem a eles se aliou oferecem riscos à investigação da Lava Jato?  Tantos outros tucanos foram citados e nada acontece. É óbvio que estão acima da lei. E regimes em que há pessoas acima da lei são conhecidos como ditaduras.
Só pode discordar da premissa acima quem acha que a Justiça não deve ser igual para todos. E quem pensa assim não merece nem atenção, quanto mais resposta.


17 de novembro de 2016

O denunciado puniu o denunciante


     . Com informações de Fábio Silveira, da Gazeta do Povo.
“O advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o auditor Luiz Antonio de Souza –  o primeiro a  colaborar com as investigações da Operação Publicano, foi também o primeiro  servidor da Recita Estadual a perder o cargo –  vai à Justiça para recorrer da decisão. Além de alegar que “não foi concedido direito de defesa” ao seu cliente, Ferreira afirma que há também o fato de o ato de exoneração ter sido assinado pelo governador Beto Richa. “O Luiz Antônio foi julgado pela pessoa que ele acusou, no caso o governador”, afirmou o advogado.

O auditor denunciou que o  dinheiro de propina arrecadado pelos auditores de Londrina foi injetado na campanha do tucano à reeleição, em 2014.

Conselho breca verticalização pretendida pela gestão Pupin/Barros

   
O prefeito Roberto Pupin tentou  aprovar esta semana  projetos de verticalização das avenidas Teixeira Mendes e Cerro Azul, mas encontrou resistência no Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial. Um representante da UEM, que é arquiteto,  pediu vistas no processo e deixou furibundos conselheiros ligados à administração municipal.
Alguém tem dúvidas que proposta de verticalização, ainda mais no apagar das luzes do mandato de um prefeito, tem o objetivo claro de favorecer a especulação imobiliária? Mexer assim no Código de Posturas do município requer, no mínimo, um debate com as pessoas diretamente interessadas, no caso os moradores dos bairros afetados.
Não é de hoje que a Associação dos Moradores da Zona 2  briga pela preservação das características originais do bairro, inclusive da Av. Cerro Azul, onde o máximo que se permite é a construção de prédio de 6 andares.
Só pra lembrar, o Projeto Ágora, que previa três torres e um grande jardim do Burle Marx no Novo Centro de Maringá foi totalmente descaracterizado, exatamente por Ricardo Barros quando ele foi prefeito (1989-1992). Em nome da especulação imobiliária transformou o Novo Centro (da Av. Paraná a Av. São Paulo) numa verdadeira  favela high-tech.
Claro, ninguém é idiota o suficiente para desconsiderar a importância do adensamento, pois esta é uma característica marcante  das cidades modernas. Mas subir prédios em áreas residenciais, onde sempre existiu habitações baixas, casas principalmente, requer muita discussão com a comunidade. Qualquer pascácio sabe que a verticalização produz impactos ambientais importantes. De forma que ela não pode ser analisada apenas sob a ótica da incorporação imobiliária, como é o caso.
Não conheço esse membro do Conselho que brecou o processo de verticalização da Cerro Azul e da Teixeira Mendes , pedindo vistas para que o mesmo seja submetido a discussões técnicas mais aprofundadas, mas devo cumprimentá-lo . Ele merece o meu profundo respeito.

15 de novembro de 2016

Salada peemedebista


Segundo informações da jornalista Roseli Abrão, postada em seu blog,  começa a ser desenhado um novo cenário para 2018 no Paraná. É o do PMDB de Michel Temer se compondo com o ministro da Saúde Ricardo Barros para fechar com a candidatura Cida Borghetti ao Palácio Iguaçu, onde ela estará como governadora quando o titular Beto Richa se desincompatibilizar para disputar o Senado. Um dos articuladores dessa aliança é o deputado federal João Arruda, sobrinho de Requião e, salvo engano, genro de Joel Malucelli. Seria de Arruda, inclusive, a ideia de convidar Cida para se filiar ao PMDB.
Esse cenário é possível, mas não parece tão fácil de se concretizar. Simplesmente porque o senador Requião tem o controle do diretório estadual do PMDB e ele próprio quer ser candidato. Caso desista, o mais provável é que se acerte com Osmar Dias, pré-candidato do PDT, o que deixaria Cida com chances muito remotas. Enfim, o PMDB, que há muito tempo faz papel de coadjuvante no processo eleitoral, está virando noiva muito antes da hora.

13 de novembro de 2016

A cabeça do ovo e a piscina do Alvorada



                                                            . Por Mauro Santayana

Surreal e kafquiana, para dizer o mínimo, a nova investigação em curso para saber se a Odebrechet teria "beneficiado" Lula fazendo, de graça, consertos na piscina do Palácio do Alvorada.
"Beneficiado", como? Lula, agora, virou dono do Palácio do Alvorada? Se a construtora consertou a piscina do palácio, ótimo. Ela arrumou e valorizou o patrimônio público. Nesse caso, qual foi o prejuízo para o erário?
Ou o Sr. Luis Inácio, já acusado antes - sem provas - de "roubar" crucifixos, faqueiros "fakes", cujas fotos foram tiradas de um site de leilões dos EUA, etc, saiu com a piscina debaixo do braço, quando deixou de ser Presidente da República?
Ou mandou consertá-la para cometer outros crimes, quem sabe para fazer um "test-drive" nos emblemáticos - e caríssimos, ostentatórios - pedalinhos do sítio de Atibaia?
No afã de encontrar crimes que possam ser atribuídos ao ex-presidente da República, os responsáveis pelo "caso" tem que ter um mínimo de bom-senso e de sentido de proporção, para não passar ao mundo a impressão de que estão simplesmente forçando a barra para criar mais um de uma longa série de factoides políticos, ou simplesmente procurando, com microscópio eletrônico, pêlo em cabeça de ovo para incriminar o ex-presidente da República.



12 de novembro de 2016

Que vaselina prefere, sólida ou líquida?

                                     . Por  Francisco Costa
Você foi para as passeatas, para gritar Luladrão. O Moro continua acalentando o seu sonho de consumo: prender Lula, mas não encontra provas. Ajude-o.
E já que toquei no assunto, lembra quando você falou “somos todos Cunha”? Ele está preso, é ladrão.
E as delações da Odebrecht, você está acompanhando? Marcelo e os outros executivos da empresa já citaram mais de oitenta nomes: Temer, Serra, Aécio, Aloysio, Temer, Agripino, Jucá, Alkimin, FHC, Cunha, Cabral, Heráclito... 
Sacanagem, o Lula não está, nem a Dilma.
Mas você odeia ladrões.
Agora vamos esquecer os ladrões, vamos falar de Economia.
O Temer está impondo uma política de austeridade, de economia das finanças públicas. Deu dois banquetes aos parlamentares golpistas, com o nosso dinheiro, mais de trezentos mil, o custo de cada rega bucho.
Patrocinou um show de pagode com a nossa grana, mais de meio milhão.
De julho para cá o cartão corporativo, aquele que as autoridades usam sem ter que ressarcir as despesas feitas, já estourou mais do que foi estourado no primeiro semestre desse ano, em nome da austeridade.
Os ministros, aspones e puxa sacos já realizaram quase 300 vôos em aviões da FAB, contrariando a lei e queimando o dinheiro público.
Você foi para as ruas para quê mesmo? Pedir austeridade e responsabilidade, não é mesmo?
Como você disse que o PT aparelhou o Estado, não é? Só numa tacada Temer nomeou mais de 14 000 para cargos comissionados, rateio entre os partidos que apoiaram o golpe, e aí?
Pelo apoio ao golpe, o Judiciário recebeu aumento, que vai nos custar mais de 56 paus. Teve ministro do STF que este mês embolsou contra cheque (olerite, na terra do volume morto, Cantareira, cabeça e pinto) de R$ 116 000,00, o que quer dizer que em dezembro vai receber mais de duzentos paus.
Os procuradores receberam aumento, na mesma proporção. A polícia federal recebeu aumento. Os deputados e senadores receberam aumento, todos os golpistas, e você?
Recebeu também, claro: aumento no gás, aumento no arroz, feijão, óleo de soja... E ainda vai ficar com o salário congelado por 20 anos.
Desculpe-me. Congelado, não. Vai crescer abaixo da inflação, o que quer dizer que vai diminuir.
Isso sem contar os seus direitos em risco: décimo terceiro, aumento na jornada de trabalho, redução nos dias de férias...
E o desemprego continua subindo, a inflação não se estabilizou, a dívida pública se agigantando...
Lembra do patinho da Fiesp? Ele tinha uma faixa: “eu não vou pagar o pato”.
Realmente a Fiesp não vai pagar, vai receber mais e mais e mais...
Está sabendo da situação do Rio de Janeiro? Tem mais 22 estados na fila de espera, para o povo dizer nóis si fudemo também.
Termino por aqui, meu caro sacripanta, sei que você não gosta de ler, prefere que o Bonner leia para você, mas me permite só mais três perguntas?
1) O que você fez com as panelas e camisetas da CBF?
2) Doeu?
3) Você usou vaselina sólida ou líquida?
Francisco Costa
Rio, 08/11/2016.

Por uma reforma que corrija a boca torta que o uso excessivo do caximbo deixou na classe política


A democracia só é forte se nela sobreviverem partidos fortes. E partidos fortes não devem ser apenas aqueles que tem maior número de deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores e por conseguinte, muito dinheiro do fundo partidário. Partido forte, no meu modesto modo de entender é aquele que atua em consonância com a sociedade, sintonizado com as aspirações da maioria da população. Como conseqüência natural disso, cresce em número de diretórios, em número de filiados e sobretudo, de votos. As condições para montar e manter uma boa estrutura surge naturalmente como decorrência da confiança que o programa partidário inspira.
Mas vamos e venhamos: a proliferação de siglas é ruim para a democracia, principalmente porque a maioria dos tais nanicos, sem qualquer configuração ideológica, acabam se prestando ao papel de laranjas, sobretudo em campanhas majoritárias. A coligação que coopta o maior número possível de siglas, não tem outro objetivo que  não o de conquistar maior espaço nos programas eleitorais gratuitos do rádio e da televisão.
Por tudo isso é que dá pra ficar com um pé atrás quando se lê que o Fundo Partidário distribuiu só em 2016 cerca de RS 615 milhões entre os 35 partidos políticos existentes no Brasil, com perspectiva desse valor chegar a 1,5 bilhão em 2017. No critério de partilha fica com a maior fatia o partido de maior representatividade no Congresso Nacional em termos numéricos. Por isso, os mais aquinhoados foram o PT, o PSDB e o PMDB.
Torna-se cada vez mais urgente uma reforma política, mas uma reforma séria e de grande profundidade, que certamente não seria esta  em andamento no Congresso Nacional , onde as posições dos parlamentares são geralmente voltadas para interesses dos segmentos que dizem representar. Melhor é não fazer nada no afogadilho e nem manter os remendos que tem sido introduzidos na legislação eleitoral. Porque na verdade o que o Brasil precisa é de projetos de reforma amplamente discutidos com a sociedade, cujos debates poderiam ser encabeçados por instituições respeitáveis, tipo OAB e CNBB. Necessário se faz que haja uma reforma política capaz de  mudar usos e costumes da política brasileira e de  corrigir a boca  dos políticos tradicionais , entortada  ao longo dos anos  pelo uso excessivo do cachimbo.
Só assim o país pode avançar e consolidar de vez a sua  incipiente democracia, ainda capaz de produzir espetáculos deprimentes como aquele apresentado pelo plenário da Câmara Federal na sessão que aprovou o impeachment da presidente Dilma. Ou será que já esquecemos das invocações que fizeram de Deus e de deuses, de familiares e de uma senhora chamada MORAL, para derrubar uma presidente legitimamente eleita? E mais: que alguns parlamentares que gritavam em nome da ética apareceram depois em listas de delações premiadas ou envolvidos em escândalos outros?
Ora, ora, se deputados e senadores tivessem realmente interesse em promover uma reforma política séria já o teriam feito. Como não fizeram nada nesse sentido, a não ser colocar remendos na legislação em causa própria ou de suas corporações, melhor seria que contribuíssem para que a sociedade organizada exerça esse papel. Ainda dá tempo para  2018.

10 de novembro de 2016

O trabalhador no bico do urubu



ESTÁ EM MARCHA BATIDA A MÁQUINA DE TRITURAR DIREITOS TRABALHISTAS NO BRASIL


Por falta de tempo na sua sessão dessa quarta-feira o Supremo Tribunal Federal adiou o julgamento do Recurso Extraordinário 958.252 que questiona a Súmula 331 do TST. Esta súmula admite a terceirização mas só das atividades-meio, não das atividades-fim e ainda por cima mantém a contratante dos serviços terceirizados como solidária nos passivos trabalhistas.

A Celulose Nipo Brasileira (Cenibra) decidiu entrar no STF com um recurso visando anular essa responsabilidade solidária bem como permitir a terceirização de atividades fim. O objetivo é reduzir custos com a terceirização, mas , tirando também do contratante a responsabilidade de arcar com as verbas rescisórias caso a terceirizada dê o calote no empregado.

Caso a Suprema Corte aceite o recurso, estará avalizando a terceirização no Brasil, inclusive com a aceleração do processo de votação do projeto de lei do deputado Sandro Mabel. A decisão do STF por si só cria o que os advogados chamam de jurisprudência. Uma vez derrubada a súmula do TST, cerca de 12 milhões de subcontratados ficarão pendurados na brocha. Sem contar que a liberação de atividades-fim pode converter cerca de 27 milhões de trabalhadores em subcontratados.

O STF apenas adiou o julgamento, mas vai julgar provavelmente na próxima semana. As centrais sindicais estão em estado de alerta, ainda mais depois que o Supremo derrubou a desaposentação, apesar dessa questão já ter sido pacificada pelo STJ. Se os ministros aprovarem o Recurso Extraordinário estaremos diante de uma ameaça real de enfraquecimento da CLT, que pode até estar precisando de atualização mas nunca de desmantelamento.

8 de novembro de 2016

O dissidente que se fez prefeito


É natural que após uma eleição majoritária de ânimos tão acirrados  como foi esta do segundo turno em Maringá todo eleitor se ache um analista político e queira encontrar explicações plausíveis para o resultado final. Também me julgo nesse direito, e até com base na minha vivência em campanhas, ouso dar os meus pitacos, indo um pouco além do senso comum.

Começando pelo começo, a ascensão de Ulisses Maia guarda uma certa semelhança com a de José Cláudio. Claro que o momento histórico é outro e os pontos  coincidentes  são mínimos, podendo ser contados  nos dedos da mão. Um desses pontos é o fato de ambos terem disputado  uma eleição de prefeito antes e de ninguém acreditar no início das respectivas campanhas vitoriosas  que  ambos fossem  para o segundo turno.

 

Na eleição de 2000, Zé foi vítima de muita baixaria, arquitetada  pelo apresentador Ratinho que, vamos lembrar, vinha de São Paulo para  abrir o saco de maldades  em nome de um ingênuo   Dr. Batista. Claro que  Dr. Batista deve ter se arrependido  da besteira que fez, tanto que no segundo turno da eleição de 2004  desembarcou na campanha de João Ivo Calef, dizendo alto e bom som que estava caindo nos braços do PT.

 

Dessa vez , foi o comandante do grupo político que administra a cidade desde 2005  quem fez o papel de Ratinho.  Deu tudo errado como se viu no resultado  das  urnas. Bater do PT , tentando desmoralizar figuras respeitáveis como Humberto Henrique e Carlos Mariuci,  com o propósito de  atingir por tabela o candidato do PDT  foi um tiro no pé.

 

Mas a derrota do grupo dos Barros, liderado por Ricardo,  não se explica apenas a partir do festival de  baixarias.  Há dois aspectos importantes a serem considerados. Um, acho que o principal, é o da fadiga de poder. Afinal, 12 anos de mando absoluto  produz  um desgaste gigantesco. Ainda mais que não se trata apenas de um grupo político, mas de uma família com ligeiros traços oligárquicos .

 

 O eleitorado, afinal, identificou quão maléfico é a concentração de poder nas mãos de uma só pessoa. Sim, porque até os macacos do Bosque 2 sabem  quem é que  manda  na administração municipal desde 2005. E sabiam também, quem realmente estava por trás de tudo o que acontecia na campanha de Silvio Magalhães Barros II.

 

O outro ponto muito importante a ser considerado é o potencial do próprio Ulisses, que afinal de contas, não caiu de pára-quedas. Desde que se elegeu vereador em 20012 com uma votação expressiva (foi o mais votado daquele pleito), Ulisses vem palmilhando as ruas de Maringá,  visitando bairros, conversando com as pessoas e pavimentando a estrada que o  levará à cadeira de prefeito, salvo engano o 17º   da história do município, aí incluindo os dois vices que assumiram a titularidade – Sinclair Sambatti e João Ivo Calef.  

 

Quanto ao fato dele ter estado no primeiro escalão da  administração Silvio, isso não o desqualificou como oposição. Como bem observou o historiador Reginaldo Dias, Ulisses significou a vitória da dissidência. Ele se desgarrou do grupo hegemônico lá atrás, e durante quase todo  o seu segundo mandato de vereador constituiu-se  em  pedra nos sapatos do prefeito Pupin e  seu tutor. Vale a lembrança de que dissidentes costumam dar certo . No caso em questão,  Ulisses Maia  vem reforçando no eleitorado  a convicção   de que ele será sem dúvida uma agradável surpresa. O tempo dirá.


 

O cara do momento



O governador do Maranhão , Flavio Dino (PC do B) defende a candidatura Ciro Gomes para presidente, como representante da esquerda e demais setores progressistas da sociedade brasileira. Assino embaixo, porque Ciro melhorou muito seu discurso depois de estudar em Harward e editar um livro sobre economia e sociedade em parceria com Mangabeira Unger. É atualmente o político mais qualificado para disputar a presidência e em vencendo, reorganizar o estado social, com políticas públicas voltadas aos mais pobres. Mais do que isso: tem capacidade e coragem para romper com a política de remuneração absurda, pelo tesouro, do capital especulativo. Tudo bem que é pavio curto, fala o que pensa doa a quem doer, mas no momento é o cara.

Requião põe Meireles na lona


O super ministro Henrique Meireles enviou um documento ao Senado, explicando como, na visão dele é lógico, a PEC 241/55 vai resolver o problema da economia brasileira. Aí o senador Roberto Requião, em discurso  bem elaborado e com embasamento técnico , desmontou os argumentos de Meireles. Começou lembrando que em 1980 a produção da indústria brasileira era maior que a da Malásia, da Coréia do Sul, da Tailândia e da China, juntas. Hoje nosso país produz no máximo 12% do que produzem esses países. Motivo? Ora o motivo! Não é outro senão o da financeirização  da nossa economia, que vem de longe, mas está exacerbada neste momento em que o governo predatório de Michel Temer lança a PEC da morte para liquidar de vez o estado social brasileiro e aumentar os lucros estratosféricos do capital  vadio. Goste você ou não do senador paranaense, vale a pena assistir a este vídeo, uma verdadeira aula de nacionalismo, que o ministro da fazenda deveria ao menos,  refletir sobre o que está colocado:

7 de novembro de 2016

O Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo. É riqueza pra burro



http://clickpolitica.com.br/brasil/mascara-caindo-marcelo-odebrecht-e-leo-pinheiro-entregam-aecio-sem-pena-na-delacao-confira/

5 de novembro de 2016

Com sua licença Millôr, vou fazer uma reflexão sem dor




A lógica do neoliberalismo que tanto seduz a classe média brasileira é a da redução cada vez maior do poder do Estado. Dessa forma, o estado social vai para o espaço e como a supressão de políticas públicas de proteção dos mais pobres deságua em revoltas populares, aplica-se o remédio do Estado Penal Máximo. Isso explica, segundo o ex-presidente nacional da OAB , Cezar Brito, o sentimento patronal potencializado pela mídia de que “todo trabalhador é antes de tudo um inimigo”. Mais do que isso: “ Todo o estudante que, ao invés de estar na sala de aula ocupa a escola para protestar, é antes de tudo, um baderneiro”.
Dessa forma, o que vemos são os veículos de comunicação de massa com seu jornalismo parcial e desonesto, criando e potencializando um certo clima de revolta de “pacatos cidadãos” contra os movimentos sociais. E nessa de informar e deixar implícito em suas coberturas de que apenas narram os faros para que cada um tire suas conclusões os telejornais seguem na sua marcha diária de incitar o ódio coletivo contra partidos políticos identificados com a esquerda e contra todos aqueles que ousam desafinar o coro dos contentes. É por aí que está sendo alimentada a conflagração, é nesse ninho que se está chocando o ovo da serpente e este é o terreno fértil por onde o analfabetismo funcional se reproduz e abre passagem para o fascismo.

4 de novembro de 2016

CNBB emite nota contra a PEC 241



Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”
(São João Crisóstomo, século IV)
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.
Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?
A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.
A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).
A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.
É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.
A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB”




Ministro da Saúde continua falando bobagem

http://oglobo.globo.com/brasil/ministro-da-saude-diz-que-nao-cabe-ao-governo-manter-hospitais-20403198

3 de novembro de 2016

Ricardo Barros toma vaia histórica

Isso foi ontem, curiosamente num dia de finados, durante o 21o. Congresso Internacional de Médicos de Familia no Rio de Janeiro:

Um rasgo de sinceridade de Nelson Marchezan Jr, prefeito eleito de Porto Alegre


Caros colegas, hoje eu quase me arrependo de ter votado sim no impeachment , porque acho que V.Exas. não perceberam que nós não chegamos ao fundo do poço.Não chegamos ao fundo do poço porque o salário de V.Exas. está em dia, porque o salário dos milhares de servidores desta Casa está em dia.

O salário do Judiciário está em dia.
Os salários do Ministério Público estão todos em dia.
O salário dos nossos vizinhos aqui do Tribunal de Contas da União estão todos em dia. O salário de juízes e promotores de 150 mil, 200 mil está em dia.
Realmente, o setor público brasileiro não abriu os olhos para a crise em que nós estamos.
A crise não chegou aqui. E para nós, os marajás do serviço público, os salários mais altos do serviço público, a crise não chegou. Ninguém aqui se deu conta da crise.
Ninguém aqui se deu conta das 200 mil empresas fechadas no Brasil. Ninguém aqui anda na rua e vê o número de zumbis andando de madrugada, porque estão perdendo suas casas, perdendo sua fonte de renda. Ninguém se deu conta de nada. Os senhores vivem onde? Os senhores são alienígenas ou alienados?