28 de fevereiro de 2017

Governo escancara. O Brasil está a venda


Entenda porque a pressa do governo Temer em abrir a porteira para o capital estrangeiro se apossar de terras brasileiras

Por Sérgio Palhano (blog do Luis Nassif)


Lavagem está sendo institucionalizada, com manobra de fundos e pressa de oficializar compra e venda de ativos em 30 dias

Sensacional! Agora teremos a lavagem de dinheiro institucionalizada pelo governo com a abertura para compra de terras por estrangeiros. Está explicada a pressa de Meireles em oficializar mecanismos de vendas de ativos em 30 dias, conforme anunciado recentemente.

Fundos de investimento espalhados pelo mundo controlando Offshore em paraíso fiscal que detém o controle de empresa nacional, cujo objetivo é comprar e vender ativos imobiliários e exploração de atividade agrícola ou extrativista.

Trocando em miúdos pega-se o caixa 2, o dinheiro de drogas, trafico de armas etc, converte-se em dólares através de doleiro, compra-se cotas de investimentos em fundos nos paraísos fiscais e no dia seguinte você recebe em casa cotas de participação em empreendimentos imobiliários, terras agricultáveis e de mineração perfeitamente legais aqui no Brasil.

26 de fevereiro de 2017

Requião desanca a política de ajuste fiscal adotada no Brasil


Privatizar para melhorar a eficiência é pura falácia


“Privatizar é um dos caminhos para a eficiência de serviços que devem ser públicos mas o estado não dá conta”. Esse é um dos argumentos dos privatistas, daqueles que se puderem privatizam tudo – da coleta de lixo à saúde; da cobrança de tributos à educação. O colunista da BBC Brasil Tim Vickery desmistifica esse discurso chinfrim (e desonesto) , pegando como exemplo a saúde:
“Na Grã-Bretanha, gasta-se 9,1% do PIB com saúde. Nos Estados Unidos, são 17,1% e subindo. Mesmo assim, na semana passada, quando a minha mãe sofreu um pequeno derrame, fiquei bem feliz que ela é inglesa e não americana. Ela foi bem e rapidamente tratada no hospital, e a recuperação está sendo acompanhada por uma equipe de especialistas que visitam a sua casa - sem que ela desembolse um centavo por tudo isso.
Claro que nada vem de graça. Alguém tem que pagar. Mas, por enquanto (já que isso é uma outra história), o país goza de um sistema socializado, financiado principalmente mediante impostos e sem cobranças, ou com contas pequenas para remédios.
Nos Estados Unidos, entretanto, o sistema é fragmentado e particular, visando o lucro. Os rios de dinheiro gastos não vão fluindo para um resultado eficiente, a não ser pelos acionistas. A expectativa de vida na Grã-Bretanha é de 81 anos - e somente 78,9 nos Estados Unidos.
A ideia de que a iniciativa privada é sempre a melhor e mais eficaz é uma das grandes falácias da nossa época. Fica evidente, por exemplo, que o seu modelo de saúde é negativo para o povo dos Estados Unidos em resultados e, principalmente, em custos”.
Quem teve a oportunidade de pelo menos folhear o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior , se deu conta do mal que o governo Fernando Henrique fez ao Brasil, privatizando tudo o que podia. Entregou de mão beijada empresas como a Vale do Rio Doce, estatal que tinha a exclusividade na exploração , por exemplo, das jazidas de ouro do país. Sub avaliada, a Vale foi vendida por pouco mais de três bilhões de dólares, quando valia mais de 100 bilhões. E o pior: parte do dinheiro do grupo que adquiriu a companhia ainda obteve dinheiro do BNDES para pagar o negócio.
Então é assim: a empresa passou a gerar lucros enormes para a iniciativa privada , ao ponto do seu primeiro balancete semestral mostrar que os lucros dos primeiros seis meses praticamente pagaram a aquisição. Antes, já haviam feito o mesmo com a Companhia Siderúrgica Nacional, outro crime de lesa pátria.
Agora o governo Temer quer forçar a barra para os Estados privatizarem, vejam só, suas empresas de energia e de saneamento básico. E aqui no Paraná, onde por muito menos Jayme Lerner jogou a Sanepar nas mãos de uma empresa francesa, que teve seu peso gerencial reduzido com Requião, Beto Richa se assanha para retomar com força total o seu projeto de entrega da Sanepar e da Copel ao capital privado. É a era do escárnio.

24 de fevereiro de 2017

Terrorismo midiático para oxigenar a PTfobia


É muito interessante a análise que faz em vídeo divulgado no Youtube, o  engenheiro eletricista  Leonardo Stoppa, pós-graduado em geração e transmissão de energia. Segundo ele, o  governo Dilma construiu um sistema de interligação nacional na transmissão de energia. Para isso, buscou a parceria das companhias distribuidoras, entre elas a nossa Copel. Como o governo federal teve que recorrer às termoelétricas, que produz um megawatt muito, mas muito mais caro do que o da hidrelétrica, a presidente decidiu subsidiar a tarifa, para o consumo domiciliar e também para as empresas.
O que houve foi que em virtude da crise o consumo caiu e as companhias, que tinham entrado como parceiras no ousado projeto, resolveram agora, buscar na justiça uma indenização pelos prejuízos que alegam terem sofrido. O governo Temer, claro, defende (e incentiva) o pagamento, porque isso satisfaz uma estratégia do seu governo,  de jogar a sociedade contra a ex-presidente, a partir do momento em que colocar a indenização na conta dos consumidores, com o já admitido  aumento brutal das tarifas.
Antes da interligação, a transmissão de energia era feita de locais variados. Hoje, Belo Monte, por exemplo, pode mandar energia para o Sul do país e o Sul, por meio da Itaipu ou qualquer outra usina hidrelétrica poderá mantar para o Norte e outra qualquer região do Brasil. Significa que o novo sistema pode evitar apagões, que poderão ocorrer por problemas técnicos na transmissão e não pela falta de energia, segundo o especialista.

A conclusão óbvia é que ao noticiar a indenização das companhias distribuidoras pelo governo e consequente aumento nas tarifas, sem esclarecer os fatos como eles ocorreram, o Jornal Nacional fez terrorismo pra cima da  população, fazendo aumentar a PTfobia e o ódio dos coxinhas contra Dilma. Até o seu Zé3 das Candongas já percebeu que esses barulho todo tem fins eleitoreiros. Não por acaso, o destaque no principal telejornal da Rede Globo ocorreu logo depois que o Data Folha divulgou sua última pesquisa para presidente da república.

Qualquer semelhança com o governo Temer é mera coincidência


23 de fevereiro de 2017

Uma aula de brasilidade


Muita gente não gosta do Requião e deve ter suas razões pra isso. Muitos odeiam o senador paranaense pela sua verborragia  e volta e meia, pela sua agressividade verbal, geralmente contra pessoas fragilizadas diante da autoridade que ele representa nos momentos de fúria.  Concordo com os que pensam assim, mas não posso fazer coro aos que, como Luiz Nora, chegam a dizer que Requião não é um ser humano.  Mas não tem como deixar de reconhecer que nas três vezes em que foi governador do Paraná tratou a educação com sensibilidade e respeito, cuidou bem das finanças do estado e no último mandato, diante da crise das pequenas e médias empresas, as isentou de 90 mil itens do ICMS e impediu aumentos abusivos das tarifas de água e  luz. A Sanepar, por exemplo, ficou quase quatro anos sem subir o preço da água, porque antes  de autorizar qualquer majoração, ele exigiu do presidente Stênio Jacó redução das perdas antes de qualquer coisa. No Senado, Requião é um dos melhores oradores da atualidade. Seus discursos são peças oratórias imperdíveis, como   este que fez agora, usando o quadro mundial como preâmbulo, para fazer sérias denúncias contra o entreguismo do governo Temer. Aos que querem se informar e ouvir uma peça de oratória irretocável, sugiro que veja este vídeo. Esqueça a revolta que tem do temperamento explosivo do Senador, mas preste a atenção não discurso, que é realmente uma aula de brasilidade:




22 de fevereiro de 2017

Hélio Fernandes (Tribuna da Imprensa) sobre Alexandre Moraes:



“Alexandre não tem perfil de Ministro, seriedade de Ministro, competência de Ministro. Tenho que confessar com imensa tristeza: Renan Calheiros estava coberto de razão, quando comparou Moraes, então ministro da Justiça, a um "chefete de policia". Foi falando por falar, desperdiçou o tempo geral, fingindo que "reforçaria o Supremo", que era o homem certo para o cargo certo

As 16,20 comentou: "Havendo solução de confronto, deve se dar prioridade e preservar a harmonia do poderes". Logo depois tratou do "perigo de uma crise institucional, que pode ser provocada pela falta de serenidade". Não localizou o Poder onde estariam os mais exaltados.

Mas deixou entrever que ele é sempre um homem calmo, aberto ao dialogo e ao entendimento. "Esqueceu" da violência que a policia de São Paulo praticava contra estudantes que ocupavam escolas. Ou das arbitrariedades da "Força Tarefa", no estranho "caso do hacker".

 Nos dois episódios, ele era o Secretario de Segurança, sabidamente pretendendo se candidatar a governador. Com impossibilidade total, era filiado ao PSDB. Sua vida sofreu a reviravolta que o país está assistindo. Foi Ministro da Justiça e indicado para o Supremo, filiado ao PSDB. Lógico, teve que se desfiliar”..


21 de fevereiro de 2017

Sobra questionamento ao curriculum do indicado de Temer ao STF

Do insuspeito Estadão sobre o Ministro da Justiça:

“O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, não tem mais condições de permanecer no cargo, se é que algum dia as teve. Seu despreparo para tão importante função já estava claro havia algum tempo, mas o episódio em que ele antecipou a realização de operações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Lava Jato, justamente na véspera da prisão do ex-ministro petista Antonio Palocci, teria de servir como gota d’água para sua dispensa, em razão de tão gritante imprudência. Infelizmente, porém, o presidente Michel Temer, sabe-se lá por que razões, preferiu contemporizar, correndo o risco de ter de enfrentar novas crises em razão do comportamento irresponsável de Moraes. (…). “Só velhas relações de compadrio podem explicar como o dono desse desastroso currículo virou ministro da Justiça”.

Pois é, se o Estadão achava isso de Alexandre Ministro da Justiça imagine como ministro do Supremo.


Sabatina ou baralho marcado?





               . DeJosias de Souza em seu blog (UOL)


O que assusta na marcha da política rumo à desfaçatez é a sua crueza. Nesta terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado realiza uma suposta sabatina com Alexandre de Moraes. Trata-se de um encontro aviltante, constrangedor e desnecessário.
É aviltante porque a bancada de interrogadores inclui senadores que merecem interrogatório. É constrangedor porque as perguntas que o interrogado merece escutar são mais embaraçosas do que as respostas que ele não terá condições de dar. É desnecessário porque o jogo já está jogado.

Nesse tipo de sessão, o cinismo é o mais próximo que os participantes chegam das suas melhores virtudes. Todos sabem que o indicado de Michel Temer à vaga do Supremo Tribunal Federal será aprovado. Mas o sucesso da pantomima está justamente na compenetração com que os atores exibem suas virtudes fingidas.

20 de fevereiro de 2017

Bird critica desmonte do estado social brasileiro



    . Do portal 247
   



O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa 'Noite Total', da rádio Globo & CBN; ele disse que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo; "É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse", lamentou Jim Yong Kim

17 de fevereiro de 2017

O Brasil sucumbe em TEMERbrosas transações


Os governos Lula e Dilma ainda são acusados de quebrar a Petrobras. Dizem que o problema é a corrupção, mas a corrupção na estatal vem de longe. Não esqueçamos a denúncia feita em 1996 por Paulo Francis  no  programa  Manhattan Connection , da Globo News. A denúncia gerou uma ação indenizatória contra o jornalista que, pressionado pela condenação,  acabou sofrendo um infarto e morrendo.
Por conta do chamado “Petrolão”, uma campanha de desmoralização de uma das maiores empresas mundiais no campo da pesquisa e da extração de petróleo , foi colocada em marcha. Isso pra que? Naturalmente para facilitar o seu desmonte e, pelo fatiamento, sua desnacionalização. “O petróleo é nosso” , dizia-se por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia pelo presidente Getúlio Vargas. “O petróleo é deles”, diz-se agora na era Temer, apesar de todos os investimentos (exitosos, diga-se de passagem) feitos por Lula na pesquisa e depois na exploração do fóssil em águas profundas – o Pre-Sal.
Faço esse preâmbulo para justificar minha indignação ao ouvir hoje de manhã na CBN, o Carlos Alberto Sardenberg fazer uma defesa apaixonada (e descarada) do processo de desnacionalização total de máquinas e equipamentos petrolíferos. Doravante, a Petrobras deverá comprar tudo das indústrias estrangeiras. Isso depois da estatal ter aumentado e muito o conteúdo nacional mínimo na compra de bens e serviços  – foi de 57% em 2003 para 77,34% ao final do governo Lula. As compras da Petrobras no mercado brasileiro saíram  de U$ 5 bilhões para U$ 25,9 bilhões.
O argumento do atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, para voltar aos níveis anteriores a 2003 é de que a burocracia encarece demais a produção nacional de equipamentos. Segundo ele, comprando no mercado externo sai mais barato, reduzindo os custos operacionais da estatal.
Quando o presidente Lula lançou o Pre-Sal e decidiu que o governo incentivaria a indústria brasileira de equipamentos para extração , tanto no solo quanto em alto mar, entidades representativas da indústria como a Abimaq bateram palma. Acharam que por aí o Brasil iria crescer, iria desenvolver suas tecnologias, oxigenar a industria naval, com ampliação dos estaleiros existentes e construção de novos empreendimentos na área. Enfim, era mais impostos, mais postos de trabalho. Tudo isso,no entanto está indo pro vinagre com o governo Temer, que aos poucos vai liquidando o Pre-Sal e entregando nossas riquezas para o capital externo, sobretudo para as grandes petrolíferas norte-americanas.
Ora,  se a burocracia encarece o produto, se há dificuldade na certificação dos índices de nacionalidade das peças vendidas à Petrobras, não seria mais sensato reduzir a burocracia e qualificar institutos que possam fazer tais aferições? Ao invés disso, o governo prefere entregar tudo de mão beijada, num crime de lesa-pátria que vai custar muito caro às futuras gerações.
A pergunta que fica é seguinte: aonde este governo ilegítimo e predador do futuro vai levar o nosso país? Não tentemos responder, mas é passada a hora da oposição se encher de coragem e vergonha na cara e puxar esse debate. Já não é sem tempo  a dita sociedade organizada entrar em ação, não apenas contra o desmonte da Petrobras e da indústria nacional, mas contra o desmonte do estado social e sobretudo, contra a transformação do nosso país verdadeiramente numa república de bananas.
Mas na é caso pra desesperar, mas pra refletir, de preferência lembrando Chico, até como forma de  evitar  ” aquela página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, de nossas novas gerações ,  em que dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações…”


15 de fevereiro de 2017

Se...


O presidente Michel Temer anunciou que afastará todo e qualquer ministro denunciado  ou tornado réu na Lava-Jato. Na fala e na expressão facial de Sua Excelência, ficou muito claro a intenção de aparentar decência e moralidade . Mais ou menos na linha da mulher de Cesar, que  “ tem que parecer honesta”. Mas o discurso não engana, até porque veio recheado de condicionais, tipo ; “se comprovada a denúncia”, “se o ministro for denunciado”. Enfim, “se” pra lá, “se” pra cá.  Temer fala   com a certeza de que ninguém do seu primeiro escalão será denunciado e muito menos tornado réu. O único do núcleo duro que talvez pudesse ser denunciado acaba de ganhar a prerrogativa do fórum privilegiado, inclusive com a confirmação de um ministro do STF. Tá tudo dominado.

12 de fevereiro de 2017

Como a coisa aqui tá feia decidi ir embora. Vou me embora...pro passado:

Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer


         . por Janio de Freitas (Folha de S.Paulo em 12.02.2017)

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.
Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.
Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.
Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.
Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.
POLÍTICA, SIM
Se divulgar a delação da Odebrecht, como propõe Rodrigo Janot, pode levar à "destruição de prova útil" –como disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao repórter Thiago Herdy–, "de outro lado, há o uso de vazamentos para o jogo político, algo que não nos interessa".
Sem esse interesse, não teria havido os vazamentos. Atos cuja gravidade não se confunde com a liberação particular de informações para jornalista. O inaceitável eticamente nos vazamentos da Lava Jato é a perversa leviandade com que torna públicas, dando-lhes ares de verdades comprovadas, acusações não provadas, em geral nem postas (ainda?) sob verificação.
Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, por exemplo, proporcionou um desses vazamentos: acusou Edinho Silva e outro petista de receberem determinado cheque, relatando até o encontro para a entrega. O então ministro José Eduardo Cardozo localizou e exibiu o cheque de tal pagamento: o destinatário do cheque nominal era um certo Michel Temer. Mas a Lava Jato pusera Edinho Silva, secretário de Comunicação da Presidência de Dilma, nas manchetes e na TV como recebedor do suborno da empreiteira.
Otávio Azevedo e outros ex-dirigentes da Andrade Gutierrez estão chamados a corrigir seus depoimentos, porque a delação da Odebrecht revelou que distorceram ou omitiram. E também foram vazamentos acusatórios. Diz a regra que trapacear nas delações as anula. Não porém para protegidos na Lava Jato, como Otávio Azevedo e Alberto Youssef.
Ficou comprovado que a Lava Jato e mesmo o seu juiz programavam vazamentos nas vésperas dos dias importantes na campanha contra Dilma e Lula. Só por "interesse político" –evidência que ninguém na Lava Jato tem condições honestas de negar."

10 de fevereiro de 2017

Pode estar vindo aí uma nova onda de desmoralização de Lula e Dilma


Segundo denuncia o jornalista Eduardo Guimarães em seu blog, a diretora de jornalismo da  Globo News, Eugênia Moreyra,  deu ordem expressa na redação para a produtora que irá com ela a Brasília na semana que vem cobrir a divulgação das  delações autorizadas pelo ministro Fachin:
“— (…) Fachin vai liberar todos os vídeos das delações [da Odebrecht] de uma só vez. Não dará tempo de decupar [analisar e editar] as imagens… Você vai liderar uma força-tarefa em Brasília. Sua equipe vai assistir a todos os vídeos das delações. Assim que ouvirem “Lula” ou “Dilma”, coloquem no ar, na hora, ao vivo, interrompendo qualquer programa, no Plantão. Depois a gente assiste o resto. Dilma e Lula têm que ser denunciados na frente de qualquer outro delatado”.
Guimarães diz que recebeu a informação de  uma jornalista de prestígio da Globo que, por razões óbvias ele não identifica. No contato feito com o blogueiro ela “ relatou o que chama de “estratégia cruel e desonesta” que diz que será usada pela emissora para criar nova onda de desmoralização dos ex-presidente Lula e Dilma.



9 de fevereiro de 2017

A caminho de formação de uma geração que não pensa


O QUE TEM A VER A REFORMA DO ENSINO MÉDIO COM O MERCADO DE TRABALHO? TUDO E MAIS UM POUCO

A reforma do ensino médio, que teve como grande inspirador o ator de filmes pornográficos Alexandre Frota, foi aprovada nesta quarta-feira pelo Senado, sem maiores discussões. Privilegia basicamente a formação técnica profissional, ainda que o sistema educacional brasileiro não disponha de estrutura para colocar os jovens acima de 15 anos no caminho da profissionalização.
Mas o que realmente preocupa nisso tudo, é a desobrigação de disciplinas indispensáveis à formação humanística e intelectual dos alunos, que certamente serão privados de disciplinas como sociologia e filosofia, totalmente desinteressantes para um sistema pré-determinado a formar exército industrial de reserva.
Claro que os liberais consideram a expressão marxista uma tolice, achando que a economia de mercado não gera excesso de demanda de mão-de-obra e que a culpa do desemprego é da luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista.
É nesse contexto que a reforma do ensino médio tem que ser vista. Aliás a formação de mão-de obra qualificada para o mercado é o foco principal das faculdades privadas, cujo crescimento foi, paradoxalmente, fomentado pelos governos trabalhistas de Lula e Dilma, do PT.
Tudo bem que é importante haver qualificação profissional a partir do ensino médio, mas a reforma ora aprovada e a ser implementada exclui a perspectiva da escola ser formadora da cidadania, posto que para o neoliberalismo de fundo de quintal, como é esse que predomina no Brasil, estimular a formação de gerações que pensam é contraproducente.
“Queremos trabalhadores que fazem, que produzem e não trabalhadores que pensem, que discutam, que questionem”, disse um empresário local numa rodinha de amigos, ao manifestar seu apoio à reforma do ensino médio e à flexibilização das leis trabalhistas que Fernando Henrique tentou fazer lá atrás e que agora Michel Temer vai enfiar goela abaixo dos trabalhadores, dos sindicatos obreiros e respectivas centrais.

O estado é o réu


A violência surfa na onda da insensatez
                                           

O que está acontecendo no Espírito Santo não é novidade. Onde há ausência do Estado, por meio das forças policiais, responsáveis diretas pela segurança da população, o caos se estabelece, a violência cresce, o medo se amplifica, o reino da barbárie se instala. Não faz muito tempo problemas idênticos em Salvador e em Porto Alegre tomaram conta do noticiário nacional. São Paulo está de vez enquando às voltas com incêndios de ônibus , ondas de assaltos, homicídios. O Rio, então, nem se fala. Vamos lembrar também que faz pouco tempo houve uma explosão da criminalidade em Londrina e também em vários bairros de Curitiba, onde PMs apareceram empurrando viaturas com falta de combustível.

Situações como estas são decorrentes, naturalmente, da ausência da polícia nas ruas e da absoluta falta de políticas públicas de segurança, que possam garantir um mínimo de tranqüilidade para as populações dos grandes e médios centros urbanos. Pior: a ação de quadrilhas de assaltantes de banco e caixas eletrônicos tem se expandido para pequenas cidades e, volta e meia, o noticiário policial dá conta de latrocínios também na zona rural.

O problema não é de hoje, mas as ondas de violência vêm num crescendo assustador. Além de mal aparelhadas, as polícias, sobretudo a Militar, que faz o policiamento ostensivo, é mal treinada e mal remunerada. Na outra ponta, a ponta onde está o pavio da bomba, um sistema carcerário que ao contrário de ressocializar o preso, alimenta com espantosa velocidade a produção de marginais cada vez mais perigosos. A forma desumana como os presos são tratados, geralmente amontoados em celas minúsculas e fétidas, pode ser tomada como a causa maior da violência urbana. Basta ver as estatísticas que apontam: cerca de 70% dos crimes de sangue e contra o patrimônio que ocorrem hoje no Brasil são praticados por reincidentes, geralmente detentos que saíram da cadeia por fuga ou por cumprimento da pena.

Com a violência instalada e a população correndo perigo permanentemente, é preciso que o Estado tome providências urgentes para frear esse trem desgovernado. Isso é urgente. Mas nada vai adiantar se paralelamente  às ações de repressão à criminalidade nas ruas não houver políticas públicas de ataque (em várias frentes) das causas. A começar pela melhoria do sistema prisional, passando pela maior eficiência do judiciário e chegando à implementação de projetos , não de governo, mas de estado, que garantam um mínimo de segurança social às populações carentes.

Não é possível que vamos continuar por muito tempo vendo a elite política do país fazendo sua guerra de babuínos (uns jogando excrementos nos outros) e a elite econômica pensando só em si mesma, ao mesmo tempo em que se empenha no apoio ao desmonte do estado social. Nessa marcha, agora acelerada pelos projetos de reforma do governo Temer, a desigualdade social no Brasil só tende e aumentar. E, claro, a explosão da violência vem na esteira dessa insensatez.



6 de fevereiro de 2017

Quem mais barraria o desmonte?


A senadora Gleisi Hoffmann escreve a Lula:

"Precisamos de sua forte liderança porque não podemos aceitar o fim do direito à aposentadoria, o corte brutal nos valores dos benefícios concedidos aos extremamente pobres e a imposição de sacrifícios ainda maiores às mulheres que exercem dupla jornada de trabalho.
Da mesma forma, Lula, só com a mobilização popular seremos capazes de barrar as questionáveis mudanças nas leis trabalhistas, a entrega do nosso petróleo aos estrangeiros e, se não bastasse, a criminosa doação do patrimônio público a empresas de telecomunicações.
Como é fácil perceber, ainda precisamos muito de seu carisma, de sua história e de sua disposição para a briga. Muitas pessoas se comoveram com o seu drama. Foi uma lição de vida. Mas, querido presidente, pode ter certeza de uma coisa: o seu choro também simbolizou um profundo gesto de esperança. Precisamos de você!"


5 de fevereiro de 2017

Para os urubus lerem na cama


. do historiador e filósofo  Leandro Karnal



"Estive em são Bernardo do Campo para uma palestra no Instituto Mauá. A cidade já tinha alguma movimentação em função do velório de dona Marisa. A divergência política e o contraditório são excelentes para a democracia. Todo choque tem algumas barreiras. Uma é a ética: divergir não implica atacar. Outra, muito importante, é a morte. Nada existe além dela. Extinguem-se as animosidades. Termina o ódio no túmulo. Atacar ou ter felicidade pela morte de um ser humano é uma prova absoluta de que a dor e o ressentimento podem enlouquecer alguém. Se você sente felicidade pela morte de um inimigo, guarde para si. Trazer à tona torna pública sua fraqueza, sua desumanidade. Acima de tudo, mostra que este inimigo tinha razão ao dizer que você era desequilibrado. Contestem, debatam, critiquem: mas enderecem tudo isto a quem possa revidar. Por enquanto temos apenas um homem que perdeu sua companheira, filhos órfãos e netos sem a avó. Entre os vivos, surgem divergências e debates. Diante da morte, impõe-se silêncio e respeito. Nunca deixem de ser, ou ao menos, tentar parecer, um ser humano. Quando você não tiver uma palavra de conforto para quem perdeu a mãe ou a esposa, simplesmente, cale a boca. Sinto-me envergonhado por coisas que li na internet."

4 de fevereiro de 2017

Ciro vem aí


O PDT vai ter espaços na televisão em março conforme  a  Lei nº 9.096/95. E quem vão monopolizar a propaganda partidária é Ciro Gomes, provável candidato a presidente em 2018. Ciro fará duras críticas à política econômica do governo Temer e, claro, indicará soluções que consideram viáveis para tirar o Brasil do buraco. Sai de baixo.

3 de fevereiro de 2017

NÃO HÁ DE SER INUTILMENTE


                 .  Por Leandro Fortes
A morte de Dona Marisa Letícia é o triunfo físico da narrativa de ódio reinaugurada pela direita brasileira, a partir da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, contra as forças reacionárias capitaneadas pela candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em sua insana odisseia pela retomada do poder, ainda quando o TSE contabilizava os últimos votos das eleições presidenciais, Aécio e sua turma de mascarados se agregaram, não sem uma sinalização evidente, aos primeiros movimentos da Operação Lava Jato e com ela partiram, sob os auspícios do juiz Sergio Moro, para a guerra de tudo ou nada que se seguiu.
Foi esse conjunto de circunstâncias, tocado pela moenda de antipetismo e ódio de classe azeitada diuturnamente pela mídia, que minou a saúde de Dona Marisa, não sem antes submetê-la ao tormento da perseguição, do constrangimento, da humilhação pública, da invasão cruel e desumana de sua privacidade.

A perseguição ignóbil ao marido, Luiz Inácio Lula da Silva, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia, a discreta primeira-dama nascida na luta e na construção dos Partidos dos Trabalhadores, tivesse a saúde atingida.
Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.
Nem que para isso fosse preciso levar à morte uma mulher digna, honesta e dedicada aos seus e ao País.
Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam.
Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa.
Na hora certa, daremos o troco.


Leandro Fortes é jornalista em Brasília,  autor dos livros "Cayman: o dossiê do medo" (2002, Editora Record), "Fragmentos da Grande Guerra" (2004, Editora Record), "Jornalismo investigativo" (2005, Editora Contexto), "O Brasil no contexto" (co-autor, 2007, Editora Contexto), "Políticos ao entardecer" (co-autor, 2007, Editora Cultura) e "Os segredos das redações" (2008, Editora Contexto). Pela Editora Senac-DF, publicou os livros "Beirute - Aromas, Amores e Sabores" (2004), "O Bistrô de Alice" (2005), "Gula D'África" (2007) e “Louco por café” (2009).

2 de fevereiro de 2017

Fantasmas que atormentam

Operação Quadro Negro e Operação Publicano, dois fantasmas, que não são do tipo gasparzinho, ainda sobrevoam o Palácio Iguaçu. Na primeira, o governador Beto Richa é acusado de ter recebido via caixa 2 (leia-se propina)  R$ 3,4 milhões para sua campanha de reeleição. Na segunda, acusação também de recebimento de propina, dinheiro de superfaturamento na construção de escolas, algumas inclusive que nem chegaram a ser construídas mas foram pagas. O Ministério Público acelera as investigações, que pode inviabilizar qualquer tentativa de Beto Richa concorrer a uma cadeira no Senado. Não é de se descartar o “ efeito Sérgio Cabral” no Paraná.