29 de setembro de 2018

O Fla x Flu está dado





O eleitor do Bolsonaro é impenetrável. São alienados que não mudam de ideia de jeito nenhum,  mesmo que hajam provas contundentes de seus mal feitos, como ocorreu no caso do roubo do cofre, cujo impacto a própria  ex-mulher que o denunciou tenta minimizar dizendo que mentiu porque estava nervosa. É um eleitorado na faixa de 20%  que ,como diria o matuto  “haja o que hajá”, não deixa de votar nele por nada nesse mundo. Parte considerável desse eleitorado bolsonarizado é de evangélicos, guiados pelos seus pastores.

O que passa desse percentual, são votos que migraram de outras candidaturas, como a de Marina e principalmente a de Alckmin. Esses, num segundo turno, podem fraquejar , como Bolsonaro disse que fraquejou no quinto filho e aí nasceu uma mulher.

O eleitorado de Haddad é em grande parte transferência de Lula. Esse também não muda e está consolidado em mais de 20%, com viés de alta. Isso indica que o segundo turno está praticamente definido entre os dois candidatos. O quadro só muda se, por medo da volta do PT ou receio  pelo tiro no escuro que representa Bolsonaro, ocorrer na última semana uma inesperada debandada de eleitores dos demais candidatos para uma terceira opção,que seria Ciro Gomes ou mesmo Alckmin, este com possibilidades bem mais remotas. Ocorrendo isso, qualquer um dos dois da ponta, perderiam nos segundo turno, cujas simulações mostram Ciro em grande vantagem sobre Bolsonaro e Haddad.




Spinoza adverte



Após a fortíssima adesão de evangélicos (?) à campanha que prega a tortura, a caça aos presos, e outros crimes contra a Humanidade, reforço a tese de Spinoza, retomada pelas Luzes e pelas democracias modernas, de estrita separação entre política e mundo religioso. A política não é terreno puramente racional, ressalta Spinoza. Mas a religião reforça as paixões que movem o mundo político, ameaçando assim a comunidade estatal e civil.

 Spinoza escreve contra o que provocou a guerra religiosa na Europa, da guerra dos Trinta Anos aos atentados que geraram a Noite de São Bartolomeu. Esta última, um golpe de Estado para afirmar a autoridade pública e o convívio entre cidadãos teve como origem ataques físicos e morais de ambos os lados, massacres praticados por católicos e protestantes. Se o poder público, movido pela política, é dominado pelo religioso, pensa Spinoza, desaparecem a liberdade, as ciências, a pesquisa, a tolerância. Impera o fanatismo bárbaro.

Ultimi barbarorum, colocou ele num cartaz, após o assassinato de um dirigente político que favorecia as liberdades. Foi demovido de sair às ruas com o cartaz, para não ser linchado pelos "piedosos'. Em meus livros sobre Razão de Estado retomo sempre o tema bem como nos prefácios que escrevi e publiquei aos livros de Spinoza (sobretudo o Prefácio meu ao último volume das Obras Completas, o volume IV, que contem a Ética e a Gramática da Lingua Hebraica). Se não forem tomadas medidas sérias, a partir dos que realmente são democratas, logo estaremos assistindo a queima de livros, Autos da fé, e coisas horripilantes em nome de Jesus, da Bíblia e da moral. também católicos entram na via ensandecida de juntar religião e política. Tempos perigosos.

. Professor Roberto Romano (Unicamp)

18 de setembro de 2018

Quase definido. Mas o quase pode mudar tudo


No bate-bapo que teve ontem à noite com a bancada do Canal Livre da Band o diretor geral do Instituo de Pesquisas DataFolha, Mauro Paulino, criou expectativas e gerou desânimos nas principais candidaturas à presidência da república. Analisando a partir dos números das últimas sondagens, disse que é quase certo a ida dos dois extremos da campanha para o segundo turno – Bolsonaro e Haddad.
Porém, existem certas variáveis que o autorizam a prever a possibilidade de surpresas. Uma delas é que a satanização do PT, que parte considerável da população não quer ver de volta ao Palácio do Planalto, pode levar a uma enxurrada de votos úteis em Bolsonaro, liquidando a fatura no primeiro turno. Há também a possibilidade (real, segundo Paulino), de parcela considerável do eleitorado, principalmente das mulheres , temer a possível eleição de Bolsonaro e migrar com força total para uma terceira opção.
Paulino não descarta ser Alckmin o beneficiário desse cavalo de pau do eleitorado feminino, mas acha quase improvável que isso aconteça. Ciro, na avaliação dele, seria o destinatário natural dos descontentes e temerosos com a polarização Bolsonaro/PT. Neste caso, um dos dois ficariam fora do segundo turno e, o que chegar lá, chegará meio desidratado, facilitando a vitória do ex-governador do Ceará.
A conclusão final a que chegou o diretor do Datafolha é que neste momento a definição dos dois candidatos que deverão duelar no segundo turno está mais para Bolsonaro e Haddad, mas esta não é uma questão fechada. Vai depender muito da intensidade do tiroteio entre os dois de agora até 7 de outubro, e claro, da habilidade de Ciro e Alckmin para lidar com esse movimento pendular do processo eleitoral.
Se ambos não compreenderem esse quadro e agirem mais com o fígado e menos com a cabeça, correm o risco de botar lenha na fogueira do voto útil e chegarem no dia da eleição desmilinguidos.
Numa eventual virada de expectativa, Marina perderia ainda mais massa muscular. Do bloco logo abaixo, desapareceriam Álvaro Dias e Meireles, mas Amoedo se manteria no mesmo patamar, já que o DataFolha detecta ser dele (apesar do baixo percentual) o voto mais convicto.

17 de setembro de 2018

Polarização explosiva


POLARIZAÇÃO PERIGOSA E A CRÔNICA DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

É cada vez mais nítida a polarização esquerda-ultra direita no segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad. Será um cenário explosivo, perigoso para a paz das ruas. Haddad tem um índice de rejeição baixo, o de Bolsonaro está nas nuvens. Mas Haddad herda a rejeição do PT, o que favorece Bolsonaro num confronto direto.

A vitória de Bolsonaro, perfeitamente possível, seria uma tragédia , em vários sentidos. Tragédia para a paz social e para o futuro do país, que terá um todo poderoso da economia comprometido até a medula com o mercado financeiro em geral e o rentismo, em particular.
Não se trata de gostar ou não do ex-capitão, o problema está nas suas concepções distorcidas de estado e sobretudo, na sua incapacidade intelectual de formular qualquer projeto de salvação nacional que não passe pela cabeça do seu "Posto Ipiranga", o banqueiro Paulo Guedes, envolvido em escândalos gigantescos na área financeira.

Guedes, sabe qualquer cidadão medianamente informado, defende com obstinada intransigência, o estado mínimo. Ou seja, ele quer tirar do estado brasileiro e passar para a iniciativa privada, setores vitais da administração federal para a promoção do bem estar social. Ciro Gomes insiste que "estado mínimo é coisa de barão de bucho cheio".

O lamentável de tudo isso, é que podem ser os pobres, em quem mais um eventual governo Bolsonaro pisará , a conduzir o neofascista ao comando do país.

14 de setembro de 2018

Isso é que é competência


O rei Roberto Carlos demorou décadas para conseguir um milhão de amigos. O Bolsonaro conseguiu um milhão de inimigas em três dias.

7 de setembro de 2018

2018 com cheiro de 1989



O jornalista Fernando Brito faz uma análise interessante sobre a polarização que pode se dar a partir da semana que vem com a oficialização de Fernando Haddad como candidato a presidente pelo PT e Jair Bolsonaro, que deve ganhar mais musculatura após o atentado. Isso colocaria a sucessão presidencial de 2018 no túnel do tempo, para uma comparação inevitável com 1989, caso o substituto do ex-presidente decole. De um lado, Haddad como um Lula rejuvenescido e do outro , Bolsonaro como um Collor envelhecido.
Resta saber qual será dessa vez o papel do personagem central da primeira eleição direta para presidente pós-regime militar , a toda poderosa Rede Globo de Televisão.
Remember : em 89 a Globo alavancou a candidatura de Fernando Collor de Melo, com espaços generosos em seus telejornais para o “caçador de Marajás”. Em 2018 a Globo bate em Bolsonaro e ripa o PT, mas sempre deixando subentendido que num confronto direto de segundo turno, ela fica com o lado dos seus grandes anunciantes e patrocinadores. Alguma dúvida quanto ao preferido?


O conselho de quem sabe das coisas


O professor de filosofia da Unicamp, Roberto Romano alerta :

 “Se ficarem na defensiva, como estão, os adversários de Bolsonaro vão se tornar vulneráveis a ataques dos correligionários dele, como se admitissem que são responsáveis pelo que aconteceu”, afirma.Na avaliação de Romano, os candidatos deveriam ter lamentado o atentado, mas, em seguida, ter ressaltado que Bolsonaro foi vítima do tipo de atitude que sempre alardeou. Em 3 de setembro, por exemplo, o candidato do PSL disse durante um ato de campanha: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. Para Romano, se não explorarem isso, os adversários de Bolsonaro podem perder votos. “Eleição só se ganha com ataque. Foi assim, sobretudo, com Fernando Collor e com Dilma Rousseff, que, aliás, exagerou na dose devido à atuação de seu marqueteiro, João Santana”.

4 de setembro de 2018

Fiocco passou a perna em Richa e Ricardo



Lembram da fábrica de aviões e  helicópteros que , com estardalhaço o Secretário de Indústria e Comercio do Paraná, Ricardo Barros , o prefeito Roberto Pupin e o governador Beto Richa anunciaram para Maringá em 2013? O anúncio foi feito em solenidade no Palácio Iguaçu, onde foi recebido com tapetes vermelhos o empresário Luigino Fiocco.

Pois não é que o tal Fiocco, que já naquela época era procurado pelas autoridades policiais italianas acabou sendo preso no Brasil? Ele é acusado de fraudes que totalizam 200 milhões de euros.
Na época em que anunciaram a tal fábrica de helicópteros para  Maringá, Luigino Fiocco chegou a fazer parte de uma missão comercial brasileira à China, como convidado especial da dupla Beto Richa/Ricardo Barros. Segundo o blogueiro Cícero Catani, que postou há pouco a nota da prisão, Richa disse ao tal mega-empresário  que “o grupo irá se orgulhar por optar pelo Paraná, pois atingirá seus objetivos e terá retorno garantido. Nosso objetivo não é só atrair empresas, mas que elas prosperem e possam ampliar seus investimentos aqui”.
E disse mais o governador  Beto Richa, na ocasião entusiasmado com a conquista de seu secretário :“O acordo com a  sua empresa mais uma vez demonstra a eficiência da política de industrialização e de atração de novos investimentos para o Paraná.”. Vale lembrar que o O protocolo de intenções com a empresa de Fioco (Avio Internacional Group, , da Suíça) para a instalação de uma fábrica de aviões e helicópteros em Maringá previa investimentos da ordem de R$ 174 milhões e criação de mais de mil empregos. Beto Richa e Ricardo Barros , segundo observa o jornalista Celso Nascimento, caiu no conto “príncipe da fraude”, como Fiocco é conhecido na Itália.

3 de setembro de 2018

Luto

O Brasil está de luto, a ciência está de luto, a educação está de luto. O descaso fez com que o fogo destruísse uma parte importante da memória nacional. De quem é a culpa? Quem será punido por isso? Ninguém, porque não há na legislação brasileira punição para o crime subjetivo e o povo, que ainda não aprendeu a reparar danos de lesa pátria pelo voto, vai passar batido em mais essa.

2 de setembro de 2018

Incitação clara à violência


Em ato de campanha realizado neste domingo (02/09), o candidato do PSL à Presidência da República  subiu em um carro de som segurando um objeto que simulava uma metralhadora e disse: “Vamos fuzilar a pretalhada aqui do Acre”.

Na sequência do discurso, direcionada para uma plateia com alguns apoiadores inflamados, Jair continuou: “Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá, só que lá não tem nem mortadela, vão ter que comer é capim mesmo”.
. Blog O Cafezingo
O vídeo está disponível no YouTube.

1 de setembro de 2018

O Brasil não pode passar uma borracha sobre esta mancha de sangue



VOCÊ , QUE SE DIZ UMA PESSOA DE DEUS, QUE TEM SENTIMENTO E COMPAIXÃO PELO SEU SEMELHANTE, VEJA ESTE VÍDEO. E ACREDITE:
Bolsonaro rendeu homenagens hoje, pela segunda vez, aos policiais que que promoveram o massacre de Eldorado dos Carajás em 1996. " Quem tinha que estar preso era o pessoal do MST, gente canalha e vagabunda. Os policiais reagiram para não morrer", disse o presidenciável da bala, quando visitou a região do massacre em julho último. Hoje , ele esteve fazendo campanha no Acre e falou novamente em condecorar os policiais assassinos.
Se você ainda não viu, veja como tudo aconteceu .

https://youtu.be/C7QFwIHH39o