29 de janeiro de 2016

O gato subiu no telhado do Palácio Iguaçu



. Do Blog do Cícero Catani


Segundo reportagem publicada no site de CartaCapital, o esquema, afirmam testemunhas, abasteceu a campanha do governador e de seus aliados nas últimas eleições. Agora, os investigadores querem saber como o dinheiro foi movimentado…Depois da partilha, o restante da quantia era enviado ilegalmente para fora do Brasil por meio de um doleiro, ainda não identificado. Sabe-se apenas que o homem de prenome Rui frequentemente levava dólares e euros à sede da construtora. O doleiro levaria as notas amarradas na perna e saía sempre portando uma mala.”


Revista CartaCapital


Sob ameaça de instauração de uma CPI contra sua administração, o governador do Paraná, Beto Richa, passou os últimos dias cercado de aliados e advogados para montar uma estratégia que tente afastá-lo do escândalo na Secretaria de Educação.


As investigações sobre o esquema de pagamentos de propinas apontam que o montante desviado ultrapassa os 20 milhões de reais. Segundo reportagem publicada no site deCartaCapital, o esquema, afirmam testemunhas, abasteceu a campanha do governador e de seus aliados nas últimas eleições. Agora, os investigadores querem saber como o dinheiro foi movimentado.

Os primeiros detalhes das apurações revelam que o dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes, teria enviado recursos para contas no exterior.

As acusações partiram de ex-funcionárias das empresas de Lopes. O empresário seria o responsável por organizar a distribuição do dinheiro entre servidores da Educação e para as campanhas políticas. A propina era desviada de escolas projetadas, mas não construídas.


O restante da quantia era enviado ilegalmente para fora do Brasil por meio de um doleiro, ainda não identificado. Sabe-se apenas que o homem de prenome Rui frequentemente levava dólares e euros à sede da construtora. O doleiro levaria as notas amarradas na perna e saía sempre portando uma mala. A identificação de Rui depende da degravação de um aparelho onde ficavam registradas as imagens da câmera de segurança no saguão da empresa.


Os investigadores esperam ainda identificar outros participantes do esquema na análise das imagens do circuito interno. Suspeita-se que o doleiro seria o facilitador das remessas de recursos para ao menos dois países, Moçambique e Estados Unidos. Durante o último ano, Lopes tinha interesse na abertura de uma filial no país africano, mas segundo as funcionárias, não houve sucesso na conquista de obras no exterior.


Uma subsidiária teria, porém, sido criada no nome de uma empregada doméstica em Moçambique e de outros laranjas e servido para lavar dinheiro. Outra via de ocultação de propina seria em Nova York. Uma das delatoras afirma que Lopes costumava viajar com grandes quantias para os EUA e não escondia de ninguém o fato de manter recursos fora do País.


As contas nos EUA, segundo uma testemunha, estariam registradas em nomes da esposa e do filho de Lopes. Os dois foram detidos por envolvimento no esquema. Gustavo Lopes cumpre prisão preventiva desde o fim do ano passado e a esposa de Eduardo, Patricia Baggio, foi presa na sexta-feira 15. A Justiça lhe concedeu prisão domiciliar por causa da amamentação de um filho de 4 meses.


A busca e apreensão na casa do empreiteiro poderá fornecer novas pistas. Diversos celulares, em posse de Lopes, eram usados para falar com integrantes da Assembleia Legislativa e intermediários de políticos. Os aparelhos não estavam em nome do empresário, mas  de laranjas. A identificação dos destinatários das chamadas pode se tornar uma prova cabal de envolvimento dos parlamentares investigados.


Como em todo folhetim policial, a logística para o transporte de dinheiro envolvia um estratagema curioso. Quantias de até 800 mil reais eram sacadas na boca do caixa e levadas para a sede da construtora. Lá, a propina era separada em caixas de vinho e redistribuída no meio das garrafas como presente aos destinatários da propina.


Para esclarecer várias dúvidas da investigação será necessário despertar o interesse do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os autos que citam o nome de Richa e de Durval Amaral, ex-chefe da Casa Civil e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, estão em poder da PGR. Os trechos em que são citados o presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), e o deputado Plauto Miró (DEM) foram enviados para o procurador-geral do Paraná.


Sobre o envolvimento de Amaral, há outras perguntas sem respostas. Segundo as testemunhas, o empresário teria tentado, ainda antes do início da operação, firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com o estado e o TCE. A iniciativa permitiria à Valor concluir as obras em atraso. O relatório, a respeito da lisura do acordo, segundo a advogada das delatoras, teria ficado, curiosamente, a cargo do conselheiro acusado de participar do esquema.

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