31 de março de 2016

O nosso incrível Dr. Flamel

Ele parece ter poderes mágicos de fazer inveja ao incrível  Nicholas Flamel, o da pedra filosofal

O esforço, quase desesperado, do governo , em recompor minimamente a  sua base de sustentação no Congresso Nacional inclui segurar mais pela verba do que pelo verbo, o apoio do PP. Como Ricardo Barros é comandante em chefe  do partido , um dos  mais atingidos pela Lava-Jato,  o deputado está, naturalmente, buscando todo e qualquer recurso federal para projetos de infra-estrutura do seu interesse pessoal na cidade de Maringá. Um desses projetos é o da correção de uma das maiores cagadas de que se tem notícia na engenharia brasileira. Refiro-me aos viadutos sacis do Contorno Norte, que por si só, constituem verdadeiro aborto da natureza. Mas aí vem a correção, tardia, mas enfim, antes tarde do que nunca. Segundo informações do Blog do Rigon, o governo federal acaba de liberar R$ 12 milhões para a Prefeitura de Maringá iniciar a construção da segunda pista de oito viadutos do Contorno Norte. É metade do valor das obras, que nem o Baianinho engraxate entendeu direito porque foram feitas pela metade.
Diante disso, dessa liberação e da perspectiva de dinheiro grosso para o Contorno Sul, que vai ser desviado por áreas que deixam o mercado imobiliário exultante, é certo que Ricardo Barros fará o diabo para segurar o PP na base governista. Como ele vai conseguir conciliar esses interesses pecuniários com o casamento que mantém com o tucanato de Beto Richa, de cujo governo sua esposa Cida é vice e ele próprio, teria costurado sua volta ao secretariado no lugar do irmão Silvio, isso é outra conversa.  Impossível? Nem tanto, porque  se tem alguém com capacidade incrível para acender uma vela pra Deus e outra pro diabo, esse alguém chama-se Ricardo José Magalhães Barros, donatário da Capitania Hereditária de Maringá

30 de março de 2016

A "Ponte para o Futuro" do Temer




O Senador Roberto Requião (PMDB-PR) vem detonando não é de hoje o projeto de governo de Michel Temer, que também não é de hoje, chamado “Ponte para o futuro”.    Qualquer pascácio percebe que a jogada é reduzir o poder do Estado na economia, o que significa o fortalecimento cada vez maior dos grandes grupos privados , em detrimento de quem não detém modo de produção, tem apenas a força do trabalho.  “Ponte para o Futuro que se pretende como programa após deposição da presidente Dilma Rousseff ainda que proposta encabeçada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, visa desmantelar programa Minha Casa Minha Vida, congelar os salários, aumentar estoque de mão de obra (desemprego), destruir o Sistema Único de Saúde (SUS), manter política de juros estratosféricos, e privatizar o ensino médio no país; em síntese, há uma  tentativa de aniquilamento do Estado Social e da Constituição Cidadã de 1988”, denuncia Requião um  dos poucos parlamentares do PMDB que não apoiam  a forma vergonhosa como o  partido desembarcou do navio do governo.

28 de março de 2016

Quem é o herdeiro?






Tanto o deputado Pedro Correa( ex-presidente do PP) quanto o doleiro Alberto Youssef detalharam a participação do então deputado José Janene (falecido em 2010) nos principais esquemas de corrupção que pipocaram no país nos últimos anos, inclusive o da Petrobras. Pelo que li e pelo que vi (em vídeos) até agora, nenhum promotor ou mesmo o juiz Moro perguntaram aos delatores quem substituiu Janene nos esquemas depois que ele se foi. Seria interessante saber quem foi o herdeiro do espólio.

27 de março de 2016

Nem tudo é o que parece ser


1968 -2016 - O QUE PARECIA SER, ERA; O QUE PARECE SER NÃO É
Instado por uma jovem da platéia a traçar um paralelo entre as manifestações de rua de 1968 e as de hoje, Caetano Veloso foi enfático ontem no programa Altas Horas: “O momento era outro, havia um objetivo claro que era combater a ditadura, que sufocava, prendia e matava. As manifestações de hoje se dão num quadro muito confuso e os objetivos parecem pouco claros”.
De fato, o objetivo explicitado nas ruas com multidões vestidas de verde e amarelo é , aparentemente, de indignação contra a corrupção. Digo aparentemente porque há outros interesses por trás, como o de varrer a esquerda do mapa, ressuscitar um projeto neoliberal que contemple o estado mínimo, pondo fim às políticas compensatórias implantadas pelos governos Lula e Dilma e retroagindo em conquistas sociais importantes, principalmente na área trabalhista.
A esmagadora maioria das pessoas que vai, de boa fé protestar , não propriamente contra a corrupção em si, mas contra o governo e o PT, pouco se dá conta de que o que move o PIB nacional, capitaneado pela Fiesp, é o desejo de retomar um projeto que outrora fora pilotado pelo PSDB de Fernando Henrique, que é o de privatizar tudo e reduzir o poder do Estado sobre a economia.
Em última análise, o que se pretende é flexibilizar a legislação trabalhista, enterrando de vez a CLT e mandando rezar missa de sétimo dia pela nova configuração do FGTS , sobretudo na questão da multa de 40% e por conquistas trabalhistas históricas como o 13º. salário e o atual modelo de férias , além é claro, de enfraquecer o sindicalismo obreiro.
Tudo isso é muito sutil e a trama, evidentemente, se esconde atrás do sentimento patriótico da população que, repito, vai pras ruas de camisetas amarelas e bandeiras do país, gritar palavras de ordem não contra a classe política como um todo, mas contra um partido especificamente. Sim, porque fosse verdadeiro o desejo coletivo de restauração da moralidade pública no Brasil , seria normal uma certa generalização, com a exposição de figuras de todo o espectro partidário, inclusive figuras estaduais e regionais, que se perpetuam e se enriquecem na atividade político-partidária.
Não é preciso ser cientista social para perceber que as manifestações de rua , tanto as amareladas quanto as avermelhadas, são capengas e vesgas, pois ambas fogem do foco essencial que é o do sistema de financiamento de campanhas que , apesar da nova legislação, não parece suficiente para sepultar o caixa 2.
Caetano foi preciso na seguinte observação: manifestações como a do último dia 13, por exemplo, estão longe de se parecer com aquela passeata dos 100 mil de março de 1968, quando cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas do Rio de Janeiro para protestar contra a invasão do restaurante universitário "Calabouço", que redundou no assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto, por forças policiais. “Na verdade, disse Caetano Veloso, as manifestações desse 13 de março tem mais para a Marcha da Família com Deus pela Liberdade do que com o protesto dos 100 mil”. Assino embaixo.

25 de março de 2016

Que o juiz seja juiz e não justiceiro


A jornalista Tereza Cruvinel (Rede TV e portal Brasil 247)  lembra que ao autorizar a divulgação da conversa entre Lula e Dilma, o juiz Sérgio Moro alegou interesse público. E acrescentou que os governados têm o direito de saber o que fazem (inclusive na intimidade) os governantes.
Tal posição manifestada pelo magistrado da Lava-Jato torna intrigante o seu desinteresse pelas revelações da Odebrecht , cuja lista de beneficiários de um sistema de distribuição de “caplilés”  elenca mais de 200 nomes, de quase todos os partidos, inclusive do PSDB , que tomou o lugar do PT no papel de vestal. A lista é importante e precisa ser investigada, não para execrar fulano ou cicrano , mas como um passo importante para que enfim, a Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU e a Justiça comecem a desnudar  o sistema dominante, que é ilegal e viciado, de financiamento privado de campanhas. Enfim, desnudar uma prática deletéria que predomina na política brasileira não é de hoje.
Ora, se os governados tem o direito de saber tudo, até as intimidades, dos governantes , porque não jogar luz sobre a escuridão do sistema de financiamento eleitoral, causa maior da corrupção no setor público ,  que se tornou endêmica no Brasil?
Diz Cruvinel que “ se o objetivo é passar o país a limpo, tal sistema precisa ser conhecido  para ser desmontado e substituído.  Moro, em seu já muito citado artigo sobre a Operação Mãos Limpas da Itália, refere-se  à necessidade de “deslegitimação” do sistema partidário que lá estava fortemente associado à corrupção. Já a Lava Jato parece querer deslegitimar apenas uma parte do sistema partidário,  composta pelo PT e partidos aliados”.
Essa parcialidade pode abalar a credibilidade do juiz que tanto orgulha (e com razão) os maringaenses. Confesso que também sinto uma ponta de orgulho por ser da minha cidade o magistrado que “botou pra quebrar”, ainda mais sabendo que trata-se do filho de um ex-professor meu, por quem eu tinha grande apreço.
“A divulgação da lista iluminaria uma parte do porão. Mas a “colaboração definitiva”, expressão cunhada pela Odebrecht para indicar a disposição de seus dirigentes de falar tudo o que sabem, e certamente sobre todos, é fundamental para o completo desvelamento do esquema”,  Observa Tereza Cruvinel que,  ao contrário do que possam pensar alguns apressados PTfóbicos, não tem qualquer simpatia pelo Partido dos Trabalhadores.

Como jornalista e cidadão que alimenta o desejo de ver a corrupção, o clientelismo e a hipocrisia varridos da política brasileira, torço, naturalmente, para que Sérgio Moro prossiga na sua tarefa, de magistrado e não de justiceiro. É como magistrado, aplicador das leis e da Constituição contra todos os atingidos pela Lava-Jato e que comprovadamente delinqüiram, que eu gostaria de ver Sérgio Moro entrar para a história. Infelizmente, o pouco empenho que ele tem demonstrado de punir lideranças políticas que não sejam do PT ou de partidos aliados do governo, me faz ficar com um pé atrás, esperando o desfecho da sua saga para só então, me aliar aos que o admiram.

São todos iguais nessa noite...


O ex-presidente nacional do PP, Pedro Correa fez delação premiada, que ainda será homologada pela justiça, mas o que a Folha de São Paulo antecipa hoje é o suficiente para deixar muita gente com desarranjo intestinal. Ele detona Augusto Nardes (ministro do TCU), Fernando Henrique Cardoso, pela compra de votos na emenda da reeleição e muitos outros figurões da república. Não escapa quase ninguém, todos sujos na dedoduragem de um sabujo. São rodos iguais nessa noite...


20 de março de 2016

Um filho da puta bem dito



 Ayrton Centeno
— Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
A última vez que tal conselho deixou de ser ouvido custou 21 anos de ditadura ao Brasil.
— Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Em 1964, no momento em que articulava o golpe contra Jango, o arquiconspirador Carlos Lacerda desconsiderou a possibilidade de reversão do que urdia. Embora sagaz, não imaginou que a usurpação de um presidente eleito, que parecia abrir-lhe o caminho para a presidência, viesse a ser, como foi, o começo do fim de suas próprias ambições presidenciais. Aos 50 anos, vivia o auge de sua carreira. Foi preso e cassado pelos novos inquilinos do poder que ajudou a implantar. Morreria em 1977 sem recuperar seus direitos políticos. Provavelmente lamentaria não ter sido admoestado — antes da vitória que se transformaria em derrocada — por um adversário mais atrevido que lhe dissesse nas fuças:
— Eu estou protegendo você, seu filho da puta!

18 de março de 2016

Calafrios


Ao saber que sete das dez ações contra a posse de Lula que foram protocoladas no Supremo Tribunal Federal haviam ido parar na mesa do ministro Gilmar Mendes, a presidente Dilma Rousseff teve calafrios. Não era pra menos: o ministro não esconde de ninguém, e nem mesmo das câmeras, o seu ódio do PT, de Lula e Dilma. Mesmo tendo externado por diversas vezes seus maus bofes, o ministro vai atuar como juiz em processos que envolvem aqueles que ele elegeu como desafetos. Como pode isso? Até onde se sabe, o magistrado deve não só ser isento, como parecer isento. Se num embate político como o que vem ocorrendo no Brasil o mesmo toma partido , como ele pode julgar os personagens principais da parte contrária? E o que dizer do juiz Cata Preta, que foi às manifestações de domingo, fez declarações duras contra  o governo e quinta decidiu pela suspensão da posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil? Tá tudo dominado.


16 de março de 2016

Amor e ódio com igual intensidade


"No século XX, os dois políticos brasileiros mais amados e odiados foram Getulio Vargas e Carlos Lacerda (Juscelino Kubitschek não era unanimidade, mas era difícil odiá-lo).
Com o anúncio do ex-presidente Lula como novo ministro da Casa Civil, amor e ódio são proclamados com exaltação e cólera.
Nunca vi nada igual.
Mas já li e ouvi muito sobre os tempos de Lacerda e Getulio.
Será que eles despertaram tanta paixão, contra e a favor, como Lula hoje?".
   . Mário Magalhães (blogueiro do UOL)

Pode ser, pode não ser. Se for será...



A grande pergunta do momento é: Dilma acertou em levar Lula para dentro do seu governo, ainda mais para a Casa Civil? Como uma pergunta puxa a outra , esta vem em seguida: Estaria Lula tentando salvar a própria pele com o foro privilegiado que o tira do alcance do juiz Sérgio Moro?
Pode ser, pode não ser. Se for, será; se não for, continuará não sendo. O quadro é tão confuso quanto essa assertiva desacertada. Mas uma coisa é certa: a partir de agora quem vai dialogar com o Congresso é o dono dos porcos. Os partidos aliados não conversam mais com a bancada do PT, que não tem credibilidade e nem poder de decisão para prometer alguma coisa no balcão de negócios em que se transformaram os espaços reservados ao cochicho na Câmara e no Senado.
Agora é diferente: o que Lula prometer em nome do governo, o governo cumprirá, o que de certa forma acalma um pouco os ânimos dos partidos da base, todos fisiológicos. Mas ao mesmo tempo, a presença de Lula na articulação política do Planalto irrita ainda mais a oposição, que agora sim, vai querer ver o oco da presidente e um grilo cantando dentro.
 A situação é complicada, quase surreal. Tanto pode dar um novo fôlego à presidente Dilma, que luta desesperadamente contra o impeachment ,  como pode acelerar a esteira que a conduzirá ao cadafalso, com Lula e todo o PT indo a reboque.

Eu particularmente torço para que dê certo, apesar de achar que Lula virar ministro foi um tiro no pé, posto que reforça a suspeita de que ele aceitou o encargo para tentar salvar o governo Dilma e ao mesmo tempo fugir da caneta  do temível Sérgio Moro.

O tempo dirá se o passo dado foi na direção do precipício ou da sobrevida.

14 de março de 2016

Foi há 52 anos, exatamente num 13 de março




Coincidência, mas foi no dia 13 de março de 1964 (há 52 anos) que o presidente João Goulart cavou sua sepultura ao proclamar as reformas de base. Em discurso para 200 mil pessoas na Central do Brasil, Jango atiçou a ira das forças retrógradas do país ao enfatizar: “Desgraçada democracia essa defendida por esses democratas que querem um povo emudecido e abafado nas suas reivindicações. “Essa democracia, trabalhadores é a democracia do anti-povo, da anti-reforma, do anti-sindicato, aquela que melhor atende os seus interesses e dos grupos que eles representam. Eles defendem a democracia dos privilégios, da intolerância, a democracia do ódio. A democracia que querem é para liquidar a Petrobras é a mesma democracia que levou o presidente Vargas ao extremo sacrifício”.
Em dado momento, enfatizou com muito entusiasmo as palavras que seriam determinantes para a sua queda: “Espero que dentro de menos de  60 dias já comecem a ser  divididos os latifúndios à beira das estradas, ao lado das ferrovias, ao lado dos açudes construídos com dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da nação. Feito isso, trabalhadores do campo, vocês  já poderão ver concretizadas, embora em parte, a sua mais justa reivindicação, aquela que garantirá  um pedaço de terra para vocês trabalharem, cultivarem e viverem dignamente do fruto do seu trabalho”.
Disse mais:  “Só conquistaremos a paz social através da justiça social. Perdem o seu tempo os que imaginam que o governo seria capaz de sufocar a voz do povo e abafar as suas reivindicações. Não me tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos a favor da estrutura sócio- econômica injusta e superada”.
Jango encerrou a sua longa fala com as seguintes palavras: "Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação, pela justiça social e pelo progresso do Brasil".
Exatamente 18 dias após o pronunciamento do presidente no célebre comício da Central do Brasil, o governo dele caiu pela força da baioneta, com amplo apoio da sociedade dita organizada e de setores conservadores da Igreja Católica .O resultado foram cerca de três décadas de escuridão e de atraso. E pensar que ainda tem gente defendendo a volta da ditadura militar. Vá de retro!


12 de março de 2016

Delator de corrupção na Receita Estadual envolvendo o governador Beto Richa pede proteção à Justiça


                        . 
                                                  . por Fábio Silveira, do blog Baixo Clero, de Londrina

O auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, principal delator na Operação Publicano, pediu medidas especiais para garantir a segurança dele, em decorrência da abertura de investigações contra o governador Beto Richa (PSDB), autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No pedido, alegando “razões de extrema cautela” e justificando temer “pela integridade física” de Souza, o advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o delator, pediu que o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, determine “isolamento absoluto, monitoramento diuturno por câmeras de segurança, da movimentação de pessoas que cercam o cubículo que mantém a restrição de liberdade [de Souza]” e pede ainda que ele só faça as refeições com alimentos fornecidos pela sua família.
Ferreira lembra no requerimento que em interrogatório realizado na segunda-feira (7), Souza reafirmou a denúncia de que dinheiro de propina obtido por auditores fiscais em troca de facilitar a sonegação, teria alimentado a campanha de Beto Richa à reeleição. A afirmação tinha sido feita nos depoimentos ao Gaeco – e por isso subiu até a Procuradoria Geral da República, que pediu a abertura das investigações – e foi reafirmada em juízo, durante o interrogatório.Segundo o delator, foram R$ 4,4 milhões para a campanha do tucano.
Nesse mesmo interrogatório, Souza relatou ameaças à sua integridade física, feitas dentro da PEL 1, onde ele está preso. “Os fatos articulados pelo Requerente [Souza], por si só, demonstram a necessidade de medidas excepcionais visando a proteção de sua vida”, escreveu o advogado. Ele argumentou que a autorização do STJ para que Beto Richa seja investigado com base nas declarações feitas pelo delator – que deverá ser chamado novamente a depor – justificam as medidas de segurança.
“Tais questões afloram sentimentos de absoluto cuidado com a integridade física do Requerente, já, outrora, ameaçada por interesses muito menores. Logicamente que aqui não se imputa ao senhor Governador de Estado qualquer ação imprópria, porém, a cautela do caso induz o reconhecimento claro de que interesses enormes estão em jogo, sendo o Requerente pilar de sustentação das acusações a serem investigadas pelo Superior Tribunal de Justiça”, conclui a defesa.
O juiz Juliano Nanuncio ainda não respondeu o requerimento.


11 de março de 2016

Posso até ir às manifestações em Maringá, mas só se...



...se os organizadores da manifestação a direcionarem para contra a corrupção em todos os níveis, inclusive em Maringá. Pedir a saída de Dilma, neste momento, é chover no molhado. A presidente está abatida, literalmente, e é questão formal e de tempo, via TSE (pois o Congresso não tem moral, acredito), sua saída. O problema não é Dilma, o grave é corrupção e o inchaço da máquina pública, que acontece em todo o Brasil.

Se manifestação incluir o pedido de CPI para o apurar os gastos com obras do portal do Parque do Ingá, do CAT e outras. Se pedir a suspensão da licitação do Contorno Sul Metropolitano e a redução do número de CCs na PMM, podem contar comigo. Estarei à frente. Se for só para pedir a saída de Dima e a corrupção do PT, me recuso. Vamos protestar contra a corrupção do PT, do PMDB, do PP, do PSDB e de todos, sem esquecer que em Maringá há um esquema grandioso, mas mascarado, de corrupção e gente boa recebe.
PS: De qualquer forma apoio toda a qualquer manifestação democrática, sem violência de qualquer tipo.
Akino Maringá, colaborador (Blog do Rigon)

9 de março de 2016

04 DE MARÇO: BALÃO DE ENSAIO OU PRÉ-AVISO?








                                           Rogério Cerqueira Leite *

No Chile de 1973 antes do golpe que levou Pinochet ao poder foi tentado um outro golpe. Naquele, Pinochet se comportou como aliado de Allende, mas era apenas jogo de cena. O que os militares queriam era conhecer a estratégia de resistência do governo e seu poder de reação. É o que se chama de pré-golpe.
Em vários outros países e momentos da história isso já aconteceu. A pré-prisão de Lula hoje foi um teste para saber qual o poder de reação do PT e dos movimentos sociais. E como o governo se comportaria numa situação dessas.
Neste momento, Moro deve estar analisando o cenário e o mesmo deve estar sendo feito por alguns dos procuradores da Lava Jato que colocaram como objetivo de vida prender Lula.
Um jurista com quem conversei em off hoje me disse que se nada for feito de muito forte, Lula será preso, mesmo com evidências muito frágeis de crime, daqui a duas ou três semanas. Logo após as manifestações de 13 de março.
A Globo é a verdadeira operadora desta ação, mas ao mesmo tempo todas as outras emissoras e quase todos os outros veículos de comunicação aceitaram lhe secundar.
Ela está buscando a cada dia convencer mais gente de que Lula é culpado. O caso dos pedalinhos e do barco de metal são histórias que ilustram bem isso. São bobagens, mas que ajudam na compreensão dos setores mais populares.
Da mesma forma que o triplex. Para uma pessoa simples, só a palavra triplex já é algo que denota riqueza e que por isso pode ser facilmente associado à corrupção.
Mas a Globo também parece operar com os procuradores e Moro.
O post do editor chefe da revista Época na madrugada de hoje anunciando por metáfora a operação deixou claro que a Globo já sabia do que ia ocorrer. Escotesguy como é alguém que quer brilhar mais do que a notícia, não se aguentou nas calças e acabou revelando o que sempre se soube. A Globo sabe das operações antes. E, aliás, o JN de ontem já deixava claro que a Globo sabia o que ia ocorrer hoje.
O que vai acontecer agora? Ainda é muito cedo para se saber. Lula teve uma reação forte e indignada. E acendeu a militância. E dialogou com os setores mais pobres do país que lhe viram falar.
A reação dos petistas e dos movimentos também foi rápida.
A resistência no aeroporto de Congonhas foi simbólica. Por quase uma hora o ex-deputado federal professor Luizinho resistiu de braço esquerdo erguido na porta da PF contra mais de uma centena de opositores.
Mas as imagens da Globo News que buscavam desmoralizar Lula e o ex-deputado acabaram servindo de alerta para que os petistas fossem pra lá. E ao chegarem conseguiram se tornar maioria e expulsar aqueles que atacavam o ex-presidente.
Se essa reação vier a se tornar uma tônica, não vai ser fácil prender Lula.
Além disso, juristas, artistas e intelectuais começaram a manifestar solidariedade a Lula. E isso pode vir a se transformar em grandes atos.
É muito mais fácil organizar atos em defesa de Lula e da democracia do que em defesa do governo contra o impeachment.
A onça vai beber água nos próximos dias.
Hoje foi o teste. E como em todos os testes, os resultados dele estão sendo avaliados por todos os lados da história.
E a história sempre tem lados.
       
·         Doutor em física pela Universidade de Paris, o professor (e pesquisador) Rogério Cerqueira Leite é um dos mais respeitados cientistas brasileiros



A bem da verdade


Até por questão de justiça, é importante informar que o professor Dalton Moro, que faleceu em 2005, era apolítico. Fui aluno dele no curso de Estudos Sociais da UEM e lembro bem que ele se recusava a falar em política partidária. Tudo o que dizia em sala se relacionava à Geografia, sua disciplina. Mais tarde, ele realmente se envolveu numa campanha política, mas para ajudar o amigo Basílio Bacarin, também professor, que se elegeu vereador em Maringá pelo PSDB. São injustas, portanto, as críticas que se fazem ao falecido Dalton para atingir o filho dele, juiz Sérgio Moro.


7 de março de 2016

Pacto de Moncloa, urgente!


Os petistas podem não gostar, mas a avaliação que faz o sociólogo José de Souza Martins no livro Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder é praticamente uma ressonância magnética do partido e do seu principal líder Luis Inácio Lula da Silva. Martins viu a ascensão de Lula e do PT bem de perto  e por isso, mais do que ninguém, tem credenciais de sobra pra dizer o que diz: “O Partido dos Trabalhadores nunca foi de esquerda e  sua origem eclesiástica explica a dificuldade de seus dirigentes e militantes em aceitar a divergência política”.

 Mais do que isso: “ Lula e o PT acham que falam na perspectiva da luta de classes. Mas, para haver luta de classes, as classes teriam de existir. No mundo inteiro, elas estão submersas. As classes sociais não existem mais, de certo modo. No Brasil, a classe operária almeja o consumo, a educação. Não está lutando por bandeiras de classe social. As próprias elites, para recorrer a um termo muito usado pelo PT, estão divididas. O capital financeiro diz uma coisa. O capital industrial diz outra. Eles estão preocupados com sua existência imediata. Os operários, também. Não há urna estrutura de classes que sustente o discurso petista”.

 Ainda há pouco, ouvi o sociólgo de 77 anos na CBN falando sobre  o momento político do país. E aí , criticou duramente a oposição e a mobilização social existente nas ruas, porque todos não focam o cenário e a cultura do levar vantagem que tomou conta dos agentes políticos, mas focam em pessoas e especificamente num partido, no caso o PT. Do jeito que a coisa vai,  o Brasil não vê luz no fim do túnel, “pela simples razão de que não há um túnel. Primeiro é preciso construir o túnel para que haja luz no fim dele”.

O que sugere José de Souza Martins? Sugere que os partidos e suas lideranças, sejam  os da base aliada, sejam os da oposição, precisam tomar juízo e com a responsabilidade que ainda não demonstraram possuir, tentar uma saída via pacto de salvação nacional. Algo parecido com o Pacto de Moncloa, aquele firmado em 1977 na Espanha paa salvar o país depois de 35 anos da ditadura do generalíssimo Francisco Franco. Ou seja, “ O Pacto de Moncloa foi assinado por representantes de todos os partidos com participação no Congresso, sindicatos e outros setores que selaram o acordo, para combater a alarmante crise econômica que a Espanha enfrentava e também garantir o processo que instituiu as bases legais do moderno Estado democrático espanhol. Em menos de um ano, houve uma expressiva queda da inflação espanhola.


 

5 de março de 2016

Falta simetria e com assimetria Lula apanha sozinho, mas cresce e incomoda muito mais...





É uma palavrinha chata, que mais parece coisa de gente metida a besta, mas por estar no Aurélio e com tradução muito simplificada, ela certamente entrará com tudo no vocabulário popular. Refiro-me a SIMETRIA que nada mais é do que um sinônimo de paridade, “altura, largura e cumprimento das partes necessárias para compor um todo”.

Está claro, então que , o que está faltando no comportamento da mídia e, porque não, do Ministério Público, da Polícia Federal e até da Justiça, juiz Sérgio Moro à frente, é simetria. Ou seja, falta paridade na avaliação dos fatos políticos que a Operação Lava-Ajato vem gerando.

Muito interessante uma entrevista que li há pouco no portal UOL, do filósofo Vladimir Safatle, da USP, sobre os últimos acontecimentos que balançaram o coreto da república. Diz ele , reconhecendo a importância da Operação Lava-Jato, “ que seria pesaroso perder o que se oferece à sociedade com a investigação e o debate da corrupção pública   mas pairam incertezas  sobre a parcialidade”. Verdade: falta simetria e sobra assimetria, o antônimo de paridade.

“"A simetria significa que todos os atores envolvidos serão punidos. Porque uma coisa é clara: toda e qualquer pessoa que atentou contra o bem comum, que utilizou da sua posição de governo para adquirir benesses em relação ao bem comum, seja para si próprio, seja para seu grupo, merece ter uma punição exemplar. Não há o que se discutir nesse ponto. O que há de se discutir é: todos precisam passar por isso. E o que a gente está vendo é que isso não está acontecendo até agora."
O problema, segundo o filósofo, é que se o país continuar com esse sistema de assimetria o tiro vai acabar saindo pela culatra. Não dá pra imaginar que Lula, tratado desigualmente em relação a figuras de peso que a ele se opõe, vá deixar tudo como está para ver como é que fica. Na entrevista coletiva que deu  ontem após sair do depoimento para onde foi levado coercitivamente, mostrou que não está prostrado. Pelo contrário, vai a partir de agora correr o país pra botar fogo na fundanga. E podem acreditar: o juiz Moro vai tentar pará-lo com uma provável decretação de prisão preventiva. Preso, Lula aprofunda seu status de vítima, podendo evoluir para mártir. E é aí que mora o perigo.


4 de março de 2016

Coincidência, simples coincidência



Essa é Débora Bergamasco, a repórter que publicou a delação que vazaram para a revista Isto É. Na revista semanal, que é a terceira em importância, depois da Veja e da Época, ela havia publicado uma extensa entrevista com o então Ministro da Justiça, Eduardo Cardoso. Apenas coincidência, mas Débora abandonou o marido Marcelo Moraes, diretor do Estadão, para ficar Cardoso, com quem vive hoje. Cardoso teria facilitado o acesso da sua amada ao depoimento que ainda estava em segredo de justiça, pois a delação não havia sido homologada pelo ministro Teori Zawasck?

Lava-Jato faz surgir outro Lula, diz cientista político



"O efeito imediato da 24ª fase da operação Lava Jato, realizada nesta sexta-feira (4), é o enfraquecimento da imagem de "intocável" que Luiz Inácio Lula da Silva sustenta há anos, ao mesmo tempo em que a operação da Polícia Federal abre ao ex-presidente da República uma oportunidade de consolidar uma imagem de "perseguido", afirma o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em São Paulo.
Para Teixeira, a imagem do "injustiçado" e do "perseguido pelas elites e pela mídia" vai ser utilizada de qualquer maneira pelo PT no processo eleitoral, porque a condução da Lava Jato abriu espaço para essa retórica".

.  UOL

Lula tenta fazer do limão uma limonada



“Quiseram matar a jararaca mas não bateram na cabeça, bateram no rabo e a jararaca está viva como sempre esteve”, disse Lula na  entrevista coletiva após chegar da Polícia Federal, para onde foi levado por condução coercitiva. 

2 de março de 2016

Imagine esse doido numa loja de cristais



Donald Trump vai acabar mesmo sendo o candidato republicano a presidente dos Estados Unidos, para a suprema desmoralização do partido que sempre se alternou no poder com os democratas. Trump é um bilionário o excêntrico, meio lunático e identificado com a extrema direita americana. Tanto que certamente terá o apoio incondicional da organização racista Ku Klux Clan.

Para os países do terceiro mundo, como é o nosso caso, uma eventual vitória de Trump (Deus nos livre) será uma tragédia. Tragédia seria na verdade para o mundo, que correria o risco de ver voltar com tudo a guerra fria, porque o relacionamento de Tio San com a Rússia acabaria com qualquer perspectiva de paz, inclusive no Oriente Médio. O fato concreto é que colocar Donald Trump na casa branca equivaleria a colocar um relevante dentro de uma loja de cristais. Deus salve a América!