6 de novembro de 2018

Bolsonaro pisa na bola com o mundo árabe e deixa o agronegócio com a pulga atrás da orelha


O QUE BOLSONARO QUER DE ISRAEL, UMA FÁBRICA DA GLOCK OU OS DRONES ASSASSINOS?

O presidente eleito vive cheio de mesuras para o lado de Israel, mas deixa transparecer um certo ar de provocação ao mundo árabe. O anúncio que fez de levar a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém,  pode criar sérias consequências para o agronegócio brasileiro, que tem nos países árabes seus grandes compradores, principalmente de  frangos e derivados.

Os empresários catarinenses desse setor apoiaram Bolsonaro com todo entusiasmo , mas se a mudança da embaixada se concretizar,  terão muitos contratos cancelados.

Mas afinal, que interesses o Brasil pode ter mais em  Israel do que nos países árabes? E o que o Brasil compra de Israel? Compra quase nada. Talvez Bolsonaro esteja agora interessado nos drones que matam e na vinda pra cá de uma fábrica da Glock. Era dessa marca a pistola que os assaltantes tomaram dele no Rio, onde levaram também a moto e o capacete do  deputado.

Não me recordo de nenhum premier do estado de Israel já ter visitado o Brasil. Diante do flerte do presidente brasileiro eleito em 28 de outubro com o governo israelense, é possível que o presidente Benjamin Netanyahu venha para a posse.

Se não vier, ele pode até mandar para Bolsonaro uma pistola Glock de presente. Talvez Netayahu não queira perder tempo viajando para um país onde tem pouco interesse comercial.
Pra ele,  deve ser mais interessante ficar lá, planejando ações de massacre ao povo palestino.

3 de novembro de 2018

Livre pensar



A tolerância é uma virtude. 
Mas deixa de ser quando você tolera o intolerante

29 de outubro de 2018

O provável novo cenário


O BRASIL DA ERA BOLSONARO E OS PROVÁVEIS PROTAGONISTAS DA NOVA CENA POLÍTICO-PARTIDÁRIA
Passadas as eleições, que tiveram dois extremos no segundo turno, é hora das conjecturas sobre o novo quadro político-partidário brasileiro, que terá um presidente até pouco tempo atrás improvável e um parlamento com renovação surpreendente, de caras e não necessariamente de idéias.
Uma coisa já parece muito clara: o Lulopetismo saiu fragorosamente derrotado das urnas, mas não significa que está morto. Teve redução da sua bancada na Câmara mas mesmo assim continuará sendo o partido com o maior número de parlamentares, seguido pelo até então inexpressivo PSL , inflado pelo fenômeno Bolsonaro.
É claro também o fato de que o PT , que já tinha perdido muita massa muscular nas eleições municipais de 2016, tentará manter a hegemonia da oposição. Só tentará, porque a cláusula de barreira levará muitos pequenos partidos, inclusive de esquerda, a buscarem sua sobrevivência nas fusões com agremiações maiores. Poucos, ou quase nenhum nanico, buscará o guarda-chuva petista.
Este é um cenário que não favorece o PT, que tende a ficar confinado nos grotões, ainda mais se insistir na narrativa do “nós contra ele”. Até porque, lideranças do mesmo espectro ideológico podem ser infladas por meio de fusões e incorporações e dessa forma, assumir o protagonismo da oposição ao governo Jair Bolsonaro.
Não precisa ser pitonisa para prever o crescimento, por exemplo, do PDT e do PSB, abrigo natural de siglas nanicas que , por serem nanicas, sucumbirão à cláusula de barreira. Em termos de nome , é possível imaginar pelo menos dois, que tentarão se colocar como atores principais na cena política do país a partir de janeiro . Um, por razões óbvias, é o próprio Fernando Haddad, herdeiro natural do espólio político de Luis Inácio Lula da Silva, que dificilmente se desvencilhará das garras da Justiça em tempo de pedir a bola e chamar o jogo pra si.
O outro é Ciro Gomes, que a despeito de todo o emparedamento que lhe impôs o cacique petista na fase das pré-convenções , saiu fortalecido das urnas no primeiro turno.
Certamente magoado com o Lulotetismo, que lhe tirou o PSB e impediu que alguns governadores do Nordeste fossem com ele, Ciro Gomes fez as malas e viajou com a família para a Europa assim que foi anunciado o resultado das urnas.
Voltou na antevéspera do segundo turno , teve uma recepção apoteótica no aeroporto de Fortaleza e quando todos imaginavam que anunciaria ali seu apoio a Fernando Haddad, ele passou direto. No dia seguinte insinuou , como fizera no fechamento das urnas do primeiro turno, um “# ele não”, mas não foi além disso.
Claro que causou grande decepção aos apoiadores e simpatizantes da candidatura Haddad. Por que Ciro Gomes se omitiu no momento mais crucial da campanha, justamente quando Haddad ensaiava uma virada? Apenas mágoa pela rasteira que levou? Se foi isso, com certeza se apequenou. O que ele quis dizer com o “não tomo partido por questões práticas?”.
Em princípio me pareceu que havia, somado ao ressentimento , o desejo de se descolar já do petismo, para começar aqui e a gora, a sua nova caminhada rumo a 2022.
Este raciocínio , creio eu, é o mais lógico. Mas vendo hoje na TV Senado a análise consistente e desapegada do historiador Antônio Barbosa (UnB), tive a certeza de que Ciro já está em campanha para a sucessão de Jair Bolsonaro, começando por comandar um processo de articulação de uma oposição menos figadal no Congresso. Nem digo uma oposição diretamente à figura do presidente, mas ao projeto neoliberal comandado por um certo Posto Ipiranga, que também atende pelo nome de Paulo Guedes.
Se esta leitura estiver correta, escrevam aí: Ciro Gomes, que terá seu irmão Cid como senador, moverá céus e terras para isolar o PT nos embates políticos contra projetos impopulares que certamente voarão do Palácio do Planalto para a mesa do presidente da Câmara Federal. Ciro, vamos combinar , é político sagaz. Sabe como agitar o ambiente partidário e nessa queda de braço com o bolsonarismo, tentará colocar o PT na condição de mero coadjuvante.
Vai ser interessante, muito interessante, acompanhar o processo de construção da nova correlação de forças no Parlamento brasileiro que, bem ou mal, é onde a onça bebe água. Pelo menos na vigência plena do regime democrático. Que os anjos digam , amém.

Simples assim


O clima de euforia não comporta qualquer observação crítica ao discurso do vencedor. Tudo pode parecer choro de derrotado. Mas há um dado que é revelador do grande empenho feito pela elite empresarial neste segundo turno a favor da candidatura consagrada ontem nas urnas.
Ouvi um economista comentar agora de manhã na CBN que está embutido no orçamento da União para 2019 uma renúncia fiscal de cerca de R$ 350 bilhões. É mais que o dobro do déficit público atual, que servirá como pretexto para o novo presidente acelerar, ainda este ano, o processo de reforma da previdência, que deve brindar o trabalhador brasileiro com a aposentadoria pé na cova.
Há também a sedutora proposta de aprofundar a perversidade da reforma trabalhista com a criação das carteiras de trabalho azul e a verde e amarela . A primeira preserva alguns direitos e a segunda, suprime todos os direitos. Vai na linha daquilo que o candidato falou várias vezes na campanha: "O trabalhador terá que optar entre ter todos os direitos e ficar sem emprego ou ter o emprego e abrir mãos dos direitos".
Não pensem que o apoio maciço do grande empresariado ao candidato vencedor se deu apenas devido à cor dos seus olhos.

25 de outubro de 2018

"Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos"


O texto da ex-editora executiva da Folha de São Paulo, publicado hoje pelo jornal é uma demonstração de coragem e compromisso com a verdade histórica. Copio e colo aqui, porque trata-se de uma tentativa, ainda que isolada, de resgate da dignidade do jornalismo brasileiro que, por medo ou comprometimento com a causa fascista, está descendo a ladeira, a caminho do alagadiço. Vale a pena ler:


Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.
As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação –com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.
Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.
Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.
Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.
O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.
É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.
O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.
Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições –que estão esfarrapadas?
Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.
A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.
Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia –para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.
Não adianta pedir desculpas 50 anos depois".

23 de outubro de 2018

Tempos apavorantes,de exacerbação dos sentimentos homofóbicos

  O texto é do blogueiro  Luis Modesto, de Maringá:

"Aos que amo, evitem andar só!
Espero que tudo esteja bem contigo ao ler estas linhas.
Escrevo para compartilhar um aperto que tem convivido de forma conflitante com a esperança em meu peito.
A cada dia recebo nova e mais impactante notícia sobre a violência que temos sofrido nas ruas e nas famílias. Xingamentos, ameaças, demissões, espancamentos e assassinatos. Todos os dias nos chegam relatos.
Sei que teu corpo em transformação te torna alvo. Tua cor, cabelo e roupas te tornam alvo. Teu desejo de uma sociedade mais justa e socialista, teu feminismo, tua defesa do desenvolvimento e da soberania nacional atraem ódio. Discordar pode ser sentença.
Nossos dias contemplam as tragédias passadas e veem a roda da história repeti-las sob a mais absurda farsa, dando triste concretude à máxima do autor do 18 Brumário de Luís Bonaparte.
Sei que vocês tem sentido insegurança e desconforto em alguns locais públicos e as vezes em suas próprias famílias, e pelo que tenho entendido, não são muitos os que se mostram dispostos a chegarem às vias de fato. Sei que o que dá mais insegurança é a conivência ou apatia daqueles que considera pessoas boas e o silêncio obsequioso de parcela dos que falam sobre democracia.
Na Berlim das vésperas de Hitler, os bares e cafés fervilhavam cultura e liberdade. Era oásis para o mundo progressista e para quem buscava respirar ares mais leves. Janelas começaram a ser estilhaçadas e nenhum vizinho se levantou.
Pessoas começaram a ser presas por serem ou pensarem diferente e todos fingiam não perceber. Houve fogueiras de livros, e teve quem assistiu as chamas iluminarem as ruas de suas janelas. Judeus, homossexuais e comunistas começaram a ser levados para os campos de concentração, e tudo parecia natural.
O Führer era o grande líder de uma “Alemanha acima de tudo”, lema nazista. Um mito!
Tal como os anos de chumbo no Brasil, desinformação e conivência social permitiram a continuidade do regime e a repressão da resistência.
O messianismo de hoje ressuscita o voto de cabresto em alguns templos, desperta em parcela significativa das Forças Armadas a ousadia de retomar as rédeas da Nação e autoriza a livre manifestação da violência indiscriminada, pondo em terra a premissa do estado como único detentor do uso da força.
No contra fluxo desse aperto, a esperança pede para resistir nesses poucos dias que nos restam. É necessário ter em mente as especificidades tenebrosas dessa quadra da história e refinar nossa forma de agir.
Podemos ser vitoriosos – e haveremos de ser! – mas ainda restará um fel a diluir nos anos que virão.
Sei que vocês são fortes e não se afastam de nossas trincheiras, e que essa obstinação e força é nossa chave para a vitória, mas peço com carinho e cuidado: não andem a sós.
Escrevam, conversem, organizem, denunciem, mas olhem ao redor. A democracia não nos pede martírio, mas luta organizada e inteligente.
Ampliar nossas fileiras é essencial e os nossos já estão aqui, todos e todas. Há progressistas nas igrejas, lojas e fábricas, mas precisamos trazê-los. Onde menos imaginamos há quem também se incomode com isso tudo que tem emergido, mas não entenderão se usarmos nossos argumentos.
É preciso olhar com os olhos do outro, sentir com o coração e a carteira do outro, reconhecer seus anseios e fazer o chamado: vem que estamos contigo!
Se a tática do inimigo, tal como os Jesuítas com os nativos, foi aprender a forma de falar e as necessidades de quem querem conquistar, a nossa, que somos parte desse povo, é de mergulhar profundamente em suas inseguranças e medos e semear esperança na democracia.
Te peço, inteligência tática e atenção a tudo o que está ao teu redor, cautela e evitar andar só. Precisamos de você bem para o momento seguinte, o de preparar o Brasil para um tempo de paz e prosperidade".

17 de outubro de 2018

Democraticídio

               
                         . Tereza Cruvinel (Jornal do Brasil)


As advertências sobre o risco Bolsonaro para a democracia não são choro antecipado de perdedor, artifício de petistas desesperados para virar o jogo.
O democraticídio virá, não apenas porque condiz com a natureza autoritária do deputado-capitão, mas porque, se eleito, não será capaz de dar outra resposta aos impasses que enfrentará.
Os avisos vêm até dos que ajudaram a semear o antipetismo, um dos mais fortes nutrientes da candidatura favorita.

Outros, que poderiam falar mais alto, justificam a omissão com a bazófia de que, ainda que ele tente, nossas instituições terão força para evitar qualquer ruptura.
Em 1964 também tínhamos instituições que pareciam funcionar, mas elas não apenas cederam ao primeiro movimento de tanques.

Elas ajudaram a executar a parte civil do golpe. Bolsonaro e seu entorno, a começar do vice troglodita, nunca esconderam o pendor autoritário e a saudade da ditadura, nos elogios da tortura e nas homenagens ao grande torcionário, Brilhante Ustra.
E sempre expôs com sinceridade brutal seus preconceitos contra mulheres, gays e negros.
A partir de 2013, a nostalgia da ditadura foi legitimada pelos manifestantes que passaram a pedir intervenção militar.

E ele foi crescendo, como estuário de ressentimentos, do antipetismo, do incômodo dos conservadores, das vítimas da recessão, dos revoltados com a corrupção (insuflados pela Lava Jato) e dos ansiosos por uma promessa de segurança.

Militares já no poder
Já está em curso uma tomada de poder pelos militares, facilitada por Temer, ao nomear um general para a Defesa e fazer de outro homem forte palaciano.
O presidente do STF, Dias Toffoli, também arranjou um general para chamar de seu.
Um grupo de militares ligados à campanha de Bolsonaro atua com toda desenvoltura em Brasília, elaborando projetos de infraestrutura e desenhando a ocupação do governo.
Militares e policiais eleitos para a Câmara formarão uma bancada importante.
Foi percebendo a militarização do poder que o guarda de Campinas disse ontem, ao prender estudantes que panfletavam por Haddad: “a ditadura militar voltou, graças a Deus”.
Então, é lorota esta conversa de instituições que vão resistir. Elas já estão em frangalhos.
E ainda que o capitão, se feito presidente, seja forçado ao comedimento pelo banho sagrado do voto popular, outros fatores o empurrarão para soluções autoritária, tais como seu indiscutível despreparo para governar, sua inaptidão para lidar com os cânones do presidencialismo, que pressupõem a divisão do poder com o Congresso.

O que ele fará quando sofrer a primeira grande derrota parlamentar?
Daqui para o dia 28, debate não haverá, como se depreende da grosseira resposta que ele deu ontem a Haddad, por rede social: “quem conversa com poste é bêbado”.
Nesta linha, falando das famílias que buscam os corpos dos mortos no Araguaia, ele já disse que “quem procura osso é cachorro”.

Sem debate, receberá um cheque em branco, em relação à democracia e às políticas que adotará.
Ignorante confesso de economia, delegará os problemas a seu “posto Ipiranga”, o economista Paulo Guedes, já previamente nomeado ministro da Economia (uma superpasta que Collor também entregou à sua superministra Zélia Cardoso de Mello).
Por ser um neoliberal extremado é que o mercado abraça Bolsonaro.
Para resolver o problema da dívida pública, Guedes quer uma privatização generalizada, vai manter a emenda que congela o gasto público e proporá reformas tributária e previdenciária. Bolsonaro terá que entregá-las.

Seu PSL elegeu 52 deputados, fazendo a segunda maior bancada, mas para aprovar uma emenda constitucional serão necessários 308 votos.
Será preciso buscar 256 voltos em negociações com os partidos mas ele já disse que não negocia, não barganha.

Em algum momento, haverá trombada. Direitos serão suprimidos, ele já avisou, e haverá resistência nas ruas, ninguém duvide. E ele vai mandar as tropas, ninguém também duvide. Não enxerga quem não quer os sinais do que virá.

15 de outubro de 2018

Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo


De Caetano Veloso, na Folha, sobre as postagens do “guru”de Bolsonaro, o charlatão Olavo de Carvalho, que acenam até com a eliminação física da esquerda no caso de uma eventual chegada de Jair Bolsonaro ao poder. 


Olavo de Carvalho sugere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente à sua posse seus opositores sejam não apenas derrotados mas totalmente destruídos enquanto grupos, organizações e até indivíduos.
Ele diz que os que consideram Bolsonaro uma ameaça à democracia não estão lutando para vencer uma eleição e sim “pela sobrevivência política, social e até física”. Isso é anúncio de autoritarismo matador.
Escritor e filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, representante do conservadorismo.
Bolsonaro já disse que a ditadura matou pouco, já apareceu usando tripé de câmera como fuzil a metralhar petistas, já louvou o torturador e assassino coronel Brilhante Ustra. Quando atacado a faca por um maníaco, todos os outros concorrentes à presidência condenaram veementemente o atentado e seu autor; quando um eleitor seu matou um artista baiano que declarara voto no PT, Bolsonaro disse que não tinha nada a ver com isso.
Esse texto de Olavo anuncia uma escalada de ações violentas e conclama seus seguidores a perpetrá-las tão logo Bolsonaro chegue (se ele chegar) ao Alvorada.
É evidente que todo cidadão brasileiro que mereça esse nome –seja ele Fernando Henrique Cardoso, Roberto Carlos, Roberto Schwartz, Suzana Vieira, Chico Buarque, Luiz Tenório de Oliveira Lima, Letícia Sabatela, Fernando Haddad, Zezé de Camargo, Miriam Leitão ou ACM Neto– deve agir contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro. A não ser que este desautorize publicamente o texto de Olavo. Único modo, aliás, de dar credibilidade a suas tentativas de amenizar o sentido de seus antigos brados.
Olavo, o sub-Heidegger do nosso sub-Hitler (ou sub-Spengler do nosso sub-Goebels), diz que petistas, artistas, mídia, professores, jornalistas e intelectuais apelam a recursos ilícitos e imorais para obter vitória. No entanto, acabo de ler um texto em letras grandes, produzido pelos correligionários do capitão, que diz: “O PT QUEBRA IMAGENS, ESFREGA O CRUCIFIXO NOS ÓRGÃOS GENITAIS, URINAM (sic) NA BÍBLIA E AGORA QUER APOIO CATÓLICO”.
Deve ser a milionésima fake news expedida pela campanha bolsonarista. Olavo é figura histórica da anti-esquerda. Catequizou gerações de jovens brasileiros a um anticomunismo delirante e ressentido.
islamismo através dos ensinamentos de Olavo, seu carismático professor. A força dos parágrafos de Fritjof Schuon, autor que li fascinado, devem ter chegado com beleza aos ouvidos da moça, através das explanações brilhantes de Olavo. Mas desconfio de que o que o animava não era a beleza do Islã, sua tradição, sua riqueza espiritual. O que o entusiasmava eram as teocracias tardias que o desfiguram.
Olavo hoje posa nos EUA segurando arma pesada. Quão útil será sua cruzada para a indústria armamentista? É-se inocente útil mesmo quando se torna paranoicamente suspicaz. Para ele, o que há na aventura da modernidade é necessariamente o mal.
Intelectual erudito e mente insana, nem sabe que eu só sei de um caso de artista que masturbava-se com um crucifixo (ele o declarou em entrevista na TV) –e era justamente um que hoje aparece ao seu lado.
Eu nunca fui petista. Nunca fui comunista. Odeio ter ouvido de Dirceu que o caso não é de ganhar eleição mas de tomar o poder. Meu pai me ensinou a ser anti-stalinista e, vendo a discrepância entre a vida real dos trabalhadores e os planos das “vanguardas” políticas, aprendi a ser anti-leninista (diante das filas para ver a múmia de Lenin em Moscou, reafirmou-se meu desprezo: detesto o mais ínfimo resquício de culto à personalidade que ronda Lula). Mas farei o que me for possível para vencer o crescimento da desigualdade e, acima de tudo, defenderei os direitos da pessoa humana.
Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele? Respeitarei como presidente quem quer que se eleja. Mas exijo dele que exiba compromisso com os direitos da pessoa humana e, como os outros cidadãos, rejeite o que foi sugerido por Olavo de Carvalho.

Fonte: Blog Tijolaço

O PT deu e continua dando sopa pro azar


Ao dizer, ainda que em tom de blague, que não invadiria a casa de Bolsonaro porque ela é improdutiva, dando a deixa para que sua claque gritasse “Bolsonaro preste atenção, sua casa vai virar ocupação” , Guilherme Boulos torna-se um importante cabo eleitoral do candidato da bala. Somando fatos como este à falta de um discurso mais afirmativo do candidato Fernando Haddad, eis que se consolida o cenário eleitoral que a direita mais almejava. Assim , Bolsonaro vai avançando na desarvorada trincheira inimiga, por onde passeia como Pelé e Garrincha passeavam pelas defesas gringas na Copa de 1958.

Impressiona a forma como Bolsonaro vem transformando mentiras em verdades, sem que o candidato do PT consiga se contrapor a elas. No máximo queixa- se das fak news, mas sem conseguir desarmar as minas que o adversário vai colocando meticulosamente em seu caminho. Haddad insiste na sua narrativa acadêmica e civilizada, quando civilidade é tudo o que parece não atrair a atenção de um eleitorado seduzido pelo discurso tosco e ameaçador.

Tudo piora quando se constata que a campanha do petista se isola no petismo, sem conseguir agregar , como seria natural, todo o campo progressista. A culpa dessa fragmentação é dos partidos e lideranças do espectro mais comprometido com o estado do bem estar social? É também, mas não só. Também , porque o momento é de formação de um dique de contenção ao avanço do nazifascismo no Brasil. Não só, porque o PT construiu esse isolamento lá atrás, na fase das articulações partidárias. Foi ali, de uma cela da Polícia Federal em Curitiba, que seu principal líder comandou, egoisticamente, o processo de construção de alianças para uma campanha que já se previa, de satanização da esquerda.

Agora, a coisa chegou num ponto que não há mais conserto, até pela exiguidade do tempo. Evitar a eleição de Bolsonaro, com um percentual de votos acima de todos os prognósticos, é tarefa quase impossível . Só um fato novo de extraordinária relevância seria capaz de promover uma reversão de expectativa.

Como fato novo não creio que surgirá, Bolsonaro segue em ascensão, relativizando suas manifestações de ódio e promessas de violência contra os adversários, que não são nada prosaicas, como prosaico quis ser Guilerme Boulos, no seu espasmo de sandice.

12 de outubro de 2018

Sinal de alerta


À medida que o segundo turno caminha e Bolsonaro cresce nas pesquisas, mais a sua tropa de choque se assanha e se mostra violenta, quer nas ruas, quer nas redes sociais, quer nos pitacos que dá nos blogs. Confesso que está ficando meio assustador. Se Bolsonaro perde, o que é uma hipótese remotíssima, certamente a fúria será grande, porque não aceitarão a derrota. Se ganha, que é a hipótese mais provável, manifestarão violência talvez ainda maior, impulsionada pelo discurso do candidato, que é de sedimentação de uma cultura de ódio,  sem  precedente na nossa história republicana.

Liberei agora de manhã vários comentários a postagens que fiz no meu blog do odiario.com  A maioria não deveria ser liberada, mas fiz isso para mostrar a que ponto está chegando a intolerância. Assim, externo  publicamente a minha preocupação com esse clima de vendeta, que só Deus sabe no que vai dar.

8 de outubro de 2018

Para derrotar o PT era preciso ir tão longe?



                    .  por Ruth Bolognese (Blog Contraponto)
Primeiro a gente derrota o PT e depois vamos pensar no que fazer”, dizia a bela senhora da elite curitibana ao justificar o voto em Jair Bolsonaro na fila da votação. Resumia, com vivacidade e segurança, o pensamento do eleitor brasileiro esclarecido, aquele que conhece a insensatez do fenômeno em que se transformou o capitão reformado do Exército nestas eleições, mas, mesmo assim, viu nele a única saída.
O único problema da elegante senhora curitibana é que voto cai na urna e não é retornável. Derrotar o PT era uma questão de honra? Ok. A onda conservadora poderia ser plenamente compreendida se elegesse um Geraldo Alckmin, ou mesmo o Henrique Meirelles, com sua dicção de executivo do banco de Boston. Estaria dentro do script da nossa história de altos e baixos em busca da democracia mais plena ou menos plena. Ou, vá lá, depois do social, vamos optar por esse tal de neo-liberalismo e pronto.
O que ocorreu no país desde este domingo (7) não teve nada de mudar o rumo para, no final, continuar mais ou menos como estava. Voltar aos tempos do FHC e das privatizações a qualquer custo. Ou dar uma lição a “estes petistas” de como os brasileiros renegam a corrupção, os erros na economia, os malfeitos.
O que houve foi uma opção meio desesperada pelo caminho mais obscuro, vindo de gente que lutou pela democracia, com vocação para a tolerância e o pensamento democrático. E é isso o mais assustador. A senhora curitibana, certamente, não deseja viver numa sociedade onde as mulheres são colocadas em segundo plano, onde se espanca pessoas pela opção sexual, ou se prega o armamento da população como forma de reduzir a violência. Mas teve a coragem de dar seu voto para um candidato a presidente que prega tais barbaridades.
O custo de derrotar o PT não pode ser o caminho para o abismo. E a grande questão é justamente essa: qual é o preço que a sociedade brasileira, a elite esclarecida, os estudantes, os professores, os intelectuais, os produtores e os industriais estão dispostos a pagar para varrer o PT do Brasil? Se for o abismo, então não há nada mais a debater. Que venham as burcas e as barbas dos talibãs.

6 de outubro de 2018

Críticas ao 13o.empolga empresários que vão com tudo para a campanha do Bolsonaro


O TRABALHADOR ESTÁ PRESTES A CAIR NO CONTO DA FADA-MADRINHA
Depois que o vice de Bolsonaro detonou o 13o. e o abono de férias, setores significativos do empresariado fecharam com o candidato e começaram a fazer campanha abertamente em suas empresas, inclusive pressionando seus empregados, como ocorreu com a Havan e o Condor.
Isso está ocorrendo no Brasil inteiro, principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os empregados, pelo que mostram as pesquisas, vão seguir os "conselhos" dos seus senhores, que ficaram empolgados também com a proposta de criar dois tipos de carteira de trabalho - a azul e a verde e amarela. Quem for contratado pela azul, terá direitos trabalhistas básicos, quem for contratado com a verde e amarela não terá direito nenhum. Adivinhe que tipo de carteira terá preferência no mercado formal de trabalho?
O trabalhador brasileiro, que já se ferrou de verde e amarelo com a reforma trabalhista do presidente TEMERário, terá menos segurança jurídica ainda num eventual governo Bolsonaro.
Depois não vá dizer que a cigana lhe enganou.

Deixem Deus fora disso


Seja o que Deus quiser? Não, não podemos invocar o nome de Deus para nos conformar com essa sujeirada toda.
Depois de apoiar ostensivamente a campanha "tudo, menos o PT", a Globo chega ao final da campanha vendo o provável eleito de braços dados com sua maior concorrente, a Rede Record do bispo Macedo.
E vislumbrando um acordo mais ali na frente, para minimizar o impacto da divisão das verbas publicitárias que sempre concentrou, a Globo minimizou a ausência de Bolsonaro no debate de quinta-feira. O mediador Willian Bonner limitou-se a informar, candidamente, que Bolsonaro não compareceu por ordem médica, sem questionar o circo armado em torno dessa ordem para poupar o mesmo do confronto , tete-a-tete , com seus concorrentes.
Enquanto os demais candidatos debatiam, discutiam propostas ou simplesmente colocavam suas ideias e confrontavam suas biografias, Bolsonaro ganhava 27 minutos de propaganda na Rede Record, ferindo de morte a legislação eleitoral que naquele momento já não permitia mais propaganda eleitoral gratuita na televisão.
Enfim, estamos diante de uma das eleições presidenciais mais contaminadas desde o restabelecimento das diretas.
É algo tão, ou mais grave, do que foi o segundo turno das eleições de 1989, quando a Globo conseguiu eleger um certo caçador de marajás, que todo mundo sabe no que deu.
Eu até poderia dizer "seja o que Deus quiser". Mas não vou cometer tal heresia , porque não quero fazer como vem fazendo pastores picaretas, que de forma despudorada andam invocando o nome do Senhor para justificar esta sujeirada toda.

Empresário comete crime contra a democracia


EM NOME DE UMA FALSA MORAL CRISTÃ E DO TERRENO FÉRTIL PARA A PROPAGAÇÃO DO NAZIFASCISMO
"Voto no Bolsonaro porque ele diz o que pensa; protege os princípios da família, da moral e dos bons costumes; luta contra o aborto e contra a sexualização infantil; é a favor da redução da maioridade penal e segue os valores cristãos”.
Foi o que disse Pedro Zonta, dono da Rede de Supermercados Condor ao se justificar perante a Promotoria Pública quando foi intimado para justificar o envio de carta aos seus 12 mil empregados, pressionando-os para votar em Bolsonaro.
Não só ele, grandes empresários da região Sul do país fizeram e estão fazendo isso. Outra grande rede de supermercados do Paraná, que ainda não teria sido intimada pelo MP faz o mesmo. E em Cianorte, donos de shoppings atacadistas de confecções, teriam prometido feriado e churrascada para os empregados caso Bolsonaro vença a eleição.
É um verdadeiro massacre contra a os primados da democracia. É sobretudo uma violação dos princípios constitucionais, que garantem o livre direito de manifestação, principalmente por meio do voto.

5 de outubro de 2018

O esperado debate da Globo,sem a presença do fujão




Acabou perto da uma da manhã dessa sexta-feria, 5, o último debate do primeiro turno entre os candidatos a presidente. Teria sido melhor se nele estivesse o líder das pesquisas, que amarelou, respaldado numa recomendação médica que não convenceu ninguém, a não ser a seus fiéis (e cegos) seguidores.

Mas de um modo geral, o debate foi bom, com alguns destaques e outros pontos altamente negativos. Na minha modesta maneira de ver, o grande destaque ficou com Guilherme Boullos, tão corajoso quanto articulado. Ciro também foi bem, porque normalmente vai tal é a sua capacidade intelectual.
Há que se reconhecer a firmeza de Fernando Haddad , que agredido e desrespeitado pelo pífio Álvaro Dias, o colocou no seu devido lugar logo no início da contenda. Marina até surpreendeu pela firmeza e conhecimento dos temas abordados. Meireles sempre com o mesmo discurso do chama o Meireles e da apropriação de programas de geração de emprego que ele toma pra si como houvesse sido ele o presidente da república que criou emprego, fez e aconteceu.

Alckmin deixou bem claro que se encaixa direitinho nos 50 tons de Temer, definido lá atrás no debate da Band, por Boulos. Defendeu com unhas e dentes a reforma trabalhista e em nenhum momento sequer aventou a hipótese de rever o teto dos gastos. A fala do "picolé de chuchu" dá sono.
Quanto ao formato, achei muito bom. Esse estilo frente-a-frente, olho-no-olho obrigou os candidatos e serem mais verdadeiros, cada um a se mostrar como realmente é. E nesse quesito, Álvaro Dias foi o fiasco da noite, primeiro atropelando os tempos e passando pelo vexame de resumir a uma nota só o seu samba do crioulo doido.

2 de outubro de 2018

O confronto das rejeições



Bolsonaro tem uma rejeição recorde na história de candidatos a presidente eleitoralmente viáveis; o PT vê subir, meio assustado, a rejeição à sigla e ao seu principal líder. O resultado disso é a polarização de dois extremos, que coloca o Brasil diante do risco de termos uma eleição decidida entre os de maior rejeição e não necessariamente entre quem tem capacidade maior de seduzir o eleitor por suas propostas. É uma contradição que não nos permite prever para que lado o Brasil será conduzido a partir de 2019. Boas perspectivas é tudo o que não temos no atual momento em que assistimos a população se encantar pelo discurso fascista de um ex-capitão do Exército, cujo despreparo é evidente.

Estamos na reta final do primeiro turno e a pesquisa Ibope não dá indicativo de que possa surgir uma surpresa daqui até domingo. Por mais que Ciro Gomes apareça nas simulações de segundo turno como o único candidato que vence tanto Bolsonaro quanto Haddad, ele se mostra estacionado , com chances remotas de chegar lá.

Restará a Ciro e a Alckmin, que tenta recuperar os votos que perdeu para bolsonaro, o debate de quinta-feira na Globo, certamente com audiência maciça. Para que haja alguma influência, é preciso que qualquer um desses dois tenha um desempenho extraordinário e os dois da ponta, desempenho pífio. Se é que Bolsonaro vai aparecer, o que duvido muito.

1 de outubro de 2018

Lula põe o Brasil para dançar à beira do abismo


Matéria da Folha de São Paulo diz que "da cadeia, Lula isolou Ciro Gomes"

Não só isolou Ciro como abriu caminho para a possibilidade da eleição de Bolsonaro. Não fosse isso, o quadro hoje estaria diferente, bem mais favorável à democracia e a um futuro governo (fosse Ciro ou Haddad) realmente comprometido com o estado de bem estar social. A fritura começou lá atrás, quando já preso, Lula detonou o projeto de união do campo progressista com uma chapa Ciro/Haddad. Depois, sacrificou a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, para tirar o PSB de Ciro.
Alguns governadores de esquerda, e do próprio PT, defendiam a união, mas prevaleceu a palavra do líder petista, que se tivesse calçado a sandália da humildade, estaríamos, com Ciro e Haddad juntos, prestes a liquidar a fatura no primeiro turno.
Haddad cresceu em decorrência da transferência de votos e deve ir para o segundo turno com Bolsonaro, que encarna o que há de mais atrasado na política brasileira. A desidratação de Ciro Gomes serve como uma luva para a direita brasileira, que não quer Bolssonaro, mas que ante a impossibilidade de ter seu candidato predileto contra o PT no segundo turno agora pende para o lado do ex-capitão, meio que na base do "não tem tu, vai tu mesmo".
Por mais que Haddad apareça na frente de Bolsonaro na simulação de segundo turno, por maior que seja a rejeição do candidato da bala, vamos combinar que a rejeição do PT não é pequena. Diante desse quadro se acontecer o pior, a história vai cobrar isso de Lula, que sinceramente, não deseja o mal do nosso país, mas por querer brincar de Deus, como costuma dizer Ciro, nos leva a todos a dançar à beira do abismo.

29 de setembro de 2018

O Fla x Flu está dado





O eleitor do Bolsonaro é impenetrável. São alienados que não mudam de ideia de jeito nenhum,  mesmo que hajam provas contundentes de seus mal feitos, como ocorreu no caso do roubo do cofre, cujo impacto a própria  ex-mulher que o denunciou tenta minimizar dizendo que mentiu porque estava nervosa. É um eleitorado na faixa de 20%  que ,como diria o matuto  “haja o que hajá”, não deixa de votar nele por nada nesse mundo. Parte considerável desse eleitorado bolsonarizado é de evangélicos, guiados pelos seus pastores.

O que passa desse percentual, são votos que migraram de outras candidaturas, como a de Marina e principalmente a de Alckmin. Esses, num segundo turno, podem fraquejar , como Bolsonaro disse que fraquejou no quinto filho e aí nasceu uma mulher.

O eleitorado de Haddad é em grande parte transferência de Lula. Esse também não muda e está consolidado em mais de 20%, com viés de alta. Isso indica que o segundo turno está praticamente definido entre os dois candidatos. O quadro só muda se, por medo da volta do PT ou receio  pelo tiro no escuro que representa Bolsonaro, ocorrer na última semana uma inesperada debandada de eleitores dos demais candidatos para uma terceira opção,que seria Ciro Gomes ou mesmo Alckmin, este com possibilidades bem mais remotas. Ocorrendo isso, qualquer um dos dois da ponta, perderiam nos segundo turno, cujas simulações mostram Ciro em grande vantagem sobre Bolsonaro e Haddad.




Spinoza adverte



Após a fortíssima adesão de evangélicos (?) à campanha que prega a tortura, a caça aos presos, e outros crimes contra a Humanidade, reforço a tese de Spinoza, retomada pelas Luzes e pelas democracias modernas, de estrita separação entre política e mundo religioso. A política não é terreno puramente racional, ressalta Spinoza. Mas a religião reforça as paixões que movem o mundo político, ameaçando assim a comunidade estatal e civil.

 Spinoza escreve contra o que provocou a guerra religiosa na Europa, da guerra dos Trinta Anos aos atentados que geraram a Noite de São Bartolomeu. Esta última, um golpe de Estado para afirmar a autoridade pública e o convívio entre cidadãos teve como origem ataques físicos e morais de ambos os lados, massacres praticados por católicos e protestantes. Se o poder público, movido pela política, é dominado pelo religioso, pensa Spinoza, desaparecem a liberdade, as ciências, a pesquisa, a tolerância. Impera o fanatismo bárbaro.

Ultimi barbarorum, colocou ele num cartaz, após o assassinato de um dirigente político que favorecia as liberdades. Foi demovido de sair às ruas com o cartaz, para não ser linchado pelos "piedosos'. Em meus livros sobre Razão de Estado retomo sempre o tema bem como nos prefácios que escrevi e publiquei aos livros de Spinoza (sobretudo o Prefácio meu ao último volume das Obras Completas, o volume IV, que contem a Ética e a Gramática da Lingua Hebraica). Se não forem tomadas medidas sérias, a partir dos que realmente são democratas, logo estaremos assistindo a queima de livros, Autos da fé, e coisas horripilantes em nome de Jesus, da Bíblia e da moral. também católicos entram na via ensandecida de juntar religião e política. Tempos perigosos.

. Professor Roberto Romano (Unicamp)