29 de dezembro de 2016

Uma reflexão importante e necessária


Combater a corrupção é fundamental, embora em outros tempos essa era uma disposição que não existia, nem por parte da Justiça e nem do Ministério Público. O experiente jornalista Mauro Santayana analisa o outro lado da moeda da operação lava-jato. É o lado do desmonte de grandes empresas brasileiras da área da construção civil, que sucumbem ante a transformação de doações de campanha e caixa 2 em propina, sem levar em conta que o problema não está na empresa A ou B, no político B ou C, mas em todo um sistema corrompido, este sim, a ser alterado com a máxima urgência.
O combate a corrupção, da forma seletiva e de potencialização do ódio como fazem os procuradores e o juiz Moro, já provocou , segundo Santayana, “um prejuízo ao país de R$ 140 bilhões, demissão de milhares de trabalhadores, interrupção de dezenas de projetos na área de energia, indústria naval, infra-estrutura e defesa, quebra de milhares de acionistas, investidores e fornecedores”.
Não se trata de aliviar a barra dos executivos e mega empresários presos, mas de discutir mecanismos que não ocasionem a morte de  gigantes da engenharia, que ergueram grandes obras não só no Brasil mas em vários outros países. “ A engenharia nacional está perecendo. Foi ferida de morte por um sistema judiciário que pretende condenar, a priori, qualquer contato entre empresas privadas e o setor público, e desenvolveu uma Jurisprudência da Destruição de caráter descaradamente político, que não concebe punir corruptos sem destruir grandes empresas, desempregar milhares de pais de família, interromper e destroçar dezenas de projetos estratégicos”, diz Mauro Santayana, que sentencia:
“A engenharia brasileira faleceu, com seus escritórios de detalhamento de projetos, suas fábricas de bens de capital, seus estaleiros de montagem de navios e plataformas de petróleo fechados, suas linhas de crédito encarecidas ou cortadas, seus ativos vendidos na bacia das almas e seus canteiros de obras abandonados.E o seu sepultamento está marcado para algum momento de 2017.
Será sacrificada no altar da estúpida manipulação midiática de factóides econômicos, com atitudes desastrosas como a antecipação suicida pelo BNDES – em plena recessão – do pagamento de R$ 100 bilhões ao Tesouro”.
Esse dinheiro colocado no tesouro, certamente para pagar juros da dívida pública é um dinheiro que poderia ser imediatamente aplicado em infra-estrutura e que “ vai em troca de uma insignificante, irrelevante, pouco mais que simbólica redução de 1% na dívida pública, quando, sem fazer alarde, os dois últimos governos reduziram a Dívida Nacional Bruta de 80% em 2002 para 67% em 2015, e a Dívida Líquida de 60% para 35% no mesmo período, pagando US$ 40 bilhões devidos ao FMI, e economizando mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais nos anos seguintes”.

Lendo esse texto maravilhoso do Santayana, aciono minha santa ignorância para perguntar: por que a grande imprensa e as redes nacionais de televisão não recuperam o mínimo de senso ético que tinham no passado e passam a divulgar os fatos como eles realmente são? Por que o noticiário econômico distorce tanto a realidade fiscal brasileira, defendendo crimes de lesa pátria como a PEC 55 e a reforma da previdência proposta pelo governo TEMERário? Por que apóiam o desmonte criminoso do estado social que está sendo feito ao mesmo tempo em que o governo impostor fatia a Petrobras e entrega de mão beijada as nossas reservas de petróleo a multinacionais?

27 de dezembro de 2016


Eis uma prova de que o governo Temer está entregando nossas reservas estratégicas a preço de banana


          por Conceição Lemes (Blog Viomundo)
Na última quarta-feira (21/12), a Petrobras fechou um acordo com a petroleira francesa Total estimado em US$ 2,2 bilhões.
Ele prevê a cessão à Total dos direitos de exploração destas áreas do pré-sal: 22,5% do campo de Yara e 35% do campo de Lapa, que começou a operar no dia anterior na Bacia de Santos.
O acordo envolve ainda compartilhamento de terminal de regaseificação e transferência de fatias em térmicas, entre outros negócios.
Para a imprensa francesa, a Total fez um bom negócio com a Petrobras.
O Les Echoes (tradicional diário francês de economia) destaca (o negrito é nosso):
Esses campos “guardam reservas gigantescas de petróleo e o valor pago foi interessante.
(…) as reservas do grupo francês serão acrescidas de 1 bilhão de barris, a um custo estimado entre US$ 1,75 e US$ 2,4 o barril. Nas reservas adquiridas anteriormente pela companhia, o preço do barril custou US$ 2,55.
A Radio France Internationale, também conhecida como RFI, em matéria transmitida para o mundo inteiro na sexta-feira, 23 de dezembro , conclui:
“a Total pagou pouco em relação ao que vai lucrar extraindo o petróleo brasileiro”.
A RFI é uma rádio pública francesa, com sede em Paris.
O Viomundo conversou com João Antônio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), sobre essa repercussão.
Viomundo – O que achou da avaliação da imprensa francesa?
João Antonio de Moraes — Só confirma o que a FUP e os movimentos sociais veem denunciando há bastante tempo. A gestão Pedro Parente-Michel Temer está entregando nossas reservas de petróleo a preço vil.
Veja bem. É a imprensa francesa assumindo que a França está levando grande vantagem em cima do Brasil ao se apossar de nossas reservas de petróleo a um preço muito aquém do mercado internacional.
Viomundo – O que significa esse acordo com Total?
João Antônio de Moraes – Perda de soberania energética. Ele fere a nossa soberania energética, independentemente do preço.
E, mais uma vez, confirma que o golpe, longe de ser para combater a corrupção, veio para entregar as riquezas do nosso povo e liquidar os direitos trabalhistas. A questão energia também estava no centro dos golpes contra Getúlio Vargas e João Goulart.
Viomundo – Explique melhor.
João Antônio de Moraes – Nos anos 50, houve uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas. Foi logo após a criação da Petrobras.
Já João Goulart, depois de tomar posse, havia dito que iria nacionalizar as refinarias de petróleo. Na sequência, ele foi vítima de um golpe. E a exemplo desses dois golpes, o contra a presidenta Dilma veio para entregar as nossas riquezas.
Viomundo – Supondo que o preço fosse justo, valeria a pena vender esses ativos à Total?
João Antônio de Moares – Ainda assim seria ruim para o Brasil, pois o país perderia controle sobre reservas extremamente estratégicas. As áreas sob o controle da Petrobras garantem o abastecimento do Brasil. Já sob o controle da Total garantem o abastecimento da França.
Viomundo – O que fazer?
João Antônio de Moraes — Mais do lamentar, a gente tem que lutar e resistir para impedir que essa situação continue. E nisso os blogs da imprensa alternativa, progressista, como o Viomundo, têm um papel importante em divulgar o que a grande mídia esconde todos os dias.


Um pequeno chega pra lá no grande escárnio


OPOSIÇÃO FRUSTRA PLANO DE DOAÇÃO DE R$ 100 BILHÕES COM DINHEIRO PÚBLICO ÀS TELES
O plano do governo era aprovar a toque de caixa, enfiando goela abaixo do Senado o Projeto de Lei Complementar, já aprovado pela Câmara, que altera Lei Geral de Telecomunicações . Na pratica significa a doação da frequência e bandas para as teles que, somada ao perdão de multas alcança a soma de R$ 100 bilhões. Ou seja, o governo Temer daria essa fábula de presente de Natal às teles, inclusive à falida OI.
Mas aí a oposição, puxada pelo senador paranaense Roberto Requião botou a boca no trombone e foi ao STF. A ministra Carmén Lúcia acatou mandado de segurança e deu 10 dias para que o presidente do Senado Renan Calheiros se explicasse. Fazia parte da estratégia não submeter o assunto ao plenário, que é exatamente o que pedia Requião desde o início. Por tratar-se de assunto explosivo (nitroglicerina pura) o Palácio do Planalto acertou com o ímprobo Renan para tratorar o Senado da República .
Como cachorro picado de cobra tem medo de linguiça, Calheiros achou melhor não bater de frente mais uma vez com a Suprema Corte. E assim a maracutaia de doação de R$ 100 bilhões do patrimônio público às operadoras de telefonia e banda larga vai ter que ser debatida no plenário do Senado quando terminar o recesso parlamentar, com sessões transmitidas ao vivo para todo o país e com as lentes do mundo apontadas para a cara da desfaçatez. Se mesmo assim a maioria dos senadores aprovarem essa indecência, aí meu irmão, pode tirar os olhos, porque é sinal que a classe política brasileira, salvo honrosas exceções, está mesmo chafurdada na lama.
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26 de dezembro de 2016

Cadeia só para os corruptos que não têm nossa simpatia, ora pois…


Continuam poluindo as redes sociais , especialmente o facebook, manifestações de ódio contra o PT , e especialmente contra Lula. Na verdade, também acho que Lula deve ser punido, caso haja provas das denúncias que fazem contra ele. Ninguém pode estar acima da lei, nem mesmo que tem o dever de aplicá-la e às vezes extrapolam no direito (e dever) que tem de investigar, sentenciar, punir e absolver.
Também não podem estar acima da lei aqueles que participaram e participam ainda de esquemas escabrosos de corrupção e estão sempre livres, recebendo a todo momento, salvo conduto, da mídia e dos indignados do face. A sujeira do passado não pode continuar sendo varrida para debaixo do tapete e os enlameados de ontem , menos ainda, podem ser apresentados como limpinhos de hoje.
Pombas, o escândalo Banestado foi há pouco mais de uma década, a privataria tucana, que saqueou o país de uma maneira absurda parece que foi ontem e já caiu no esquecimento. As delações envolvendo políticos que sejam de partidos que não o PT, viram pó da noite pro dia, sem intimação, sem oferecimento de denúncia, sem nada.
Como explicar o silêncio obsequioso sobre a citação por delatores de nomes como Aécio, Alckmin, Serra, Padilha, Moreira Franco e o próprio Temer, entre outros? Como achar uma explicação minimamente plausível para a doação escandalosa de R$ 100 bilhões que o governo quer fazer, com apoio da Câmara e do Senado, às teles?
Meu Deus, não é possível que tudo isso esteja acontecendo, e ainda temos que ver pessoas desinformadas , ou se informadas, mal intencionadas, externando sua indignação contra a corrupção no país, mas de forma tão seletiva? Então, os corruptos que merecem ser execrados são apenas aqueles pelos quais não temos nenhuma simpatia? Quer saber, esse show de hipocrisia já deu no saco.

21 de dezembro de 2016

Entidades deverão ir à justiça contra “Plano Ricardo Barros”



                                             . Da Rede Brasil Atual

Entidades prometem mover ações judiciais contra o governo de Michel Temer caso ele autorize a venda dos planos, que terão menor preço, mas com restrições de serviços e atendimentos
Gestores e especialistas em saúde não acreditam no sucesso do chamado Plano de Saúde Popular que está em estudo pelo governo Temer. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) prometem mover ações judiciais contra o governo de Michel Temer caso ele autorize a venda dos planos.
Segundo o Idec, o Plano de Saúde Popular tornaria pior a cobertura mínima atual exigida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "O valor de um plano de saúde de 80 reais sequer a consulta médica deve ser paga. Então, ele vai ser afetado certamente no volume de consultas, no tempo de espera para uma consulta, para um exame ou cirurgia, inclusive, emergencial", afirma a coordenadora do Idec, Elici Bueno, em entrevista à repórter Vanessa Nakasato, da TVT.
Na semana passada o grupo de trabalho – formado pelo Ministério da Saúde e entidades ligadas às operadoras de planos de saúde – entregou para a pasta as propostas para a criação do plano popular.
O plano permite que os procedimentos básicos e obrigatórios não sejam oferecidos aos clientes e autoriza a criação de contratos com coparticipação – modelo em que o usuário, além da mensalidade, paga parte das despesas da operadora com consultas e exames. Além disso, o adiamento de cirurgias programadas mudou de 21 dias para 45 dias e o prazo para a marcação de consulta com médicos especialistas será ampliado de 14 para 30 dias.
O argumento do ministro da saúde, Ricardo Barros, é de que o Plano de Saúde Popular desafogaria o SUS, que sofre com a falta de recursos. A secretária de Saúde de São Bernardo do Campo, Odete Gialdi, rebate e diz que a população continuará precisando da saúde pública, já que o plano proposto não cobrirá tratamentos caros e complexos.
"Vai provocar um acesso desigual, as pessoas vão chegar no sistema querendo entrar por uma outra porta. Esse projeto vai impactar o sistema público de saúde naquilo que é mais caro, que é a média e alta complexidade e o serviço de urgência", diz a secretária.
As especialistas afirmam que as únicas a serem beneficiadas pelo plano de saúde do governo serão as operadoras, que já movimentam 125 bilhões de reais por ano e são beneficiadas por isenções tributárias, mas perderam ultimamente dois milhões de clientes. "Nós vamos ter mais um projeto que não resolve o acesso, não produz mais saúde e não ajuda a resolver os problemas de saúde da população brasileira."


Governo Temer quer reduzir trabalhador a extrato de pó de bosta


O governo Temer está anunciando a oficialização, que deve se dar por Medida Provisória, de uma tal “jornada de trabalho flexível”. O argumento é o do estímulo à economia, por meio de facilidades para a contratação de mão de obra, sobretudo nos setores de comércio e serviços.
Seria, na prática, a contratação por hora trabalhada, com jornada móvel, a ser determinada ao bel prazer do empregador. Ou seja, o empregado fica como um joguete, à disposição para trabalhar nos horários que forem convenientes à empresa e não a quem labora. Ou seja, não haverá equilíbrio nas relações de trabalho. Seria uma versão moderna da escravidão.
Além disso, o governo deve aproveitar a mesma MP para aumentar o prazo do contrato temporário de trabalho, de 90 para 190 dias com prorrogação de mais 45 dias. Eis aí outra grande sacanagem, porque o argumento de aumentar o nível de empregabilidade é furado, como já está mais do que provado .
Iniciativas de flexibilização de jornada de trabalho nunca resultaram em mais vagas de trabalho, resultaram sim em supressão de direitos. Quem acha que isso é bom para a economia, para a saúde financeira das empresas está redondamente enganado. Afinal, a fragilização do emprego significa menos poder de compra da classe trabalhadora, que é onde está a grande demanda por produtos básicos que a indústria produz e o comércio vende.
Na esteira dessa MP desastrosa , e malandra, deve vir a terceirização. Este será outro grande golpe que darão no trabalhador brasileiro.Na calada da noite, a Câmara Federal aprovou dia desses o projeto de terceirização, inclusive de atividades fim. O projeto, que nasceu da cabeça de um parlamentar da pior espécie, chamado Sandro Mabel , foi para o Senado, mas apesar do esforço de senadores como Paulo Paim , do Rio Grande do Sul e Roberto Requião, do Paraná, vai acabar passando pela câmara revisora também.
A terceirização vinha se arrastando no parlamento brasileiro há 18 anos. Mas como diz o caboclo “porteira que passa um boi passa uma boiada”, agora a porteira se abriu de vez e a casa grande está vindo com uma fúria assustadora pra cima da senzala.
Como parar essa verdadeira tsunami que desce do planalto para arrasar a planície? As centrais sindicais estão atônitas, sem poder de reação. Não há que negar a existência de centrais pelegas, mas nesse momento em que todas podem ser varridas do mapa se continuarem de braços cruzados, é incompreensível a divisão.
Principalmente a CUT, que é a mais poderosa de todas, está se limitando a manifestações isoladas e até fazendo questão de se afastar das demais , como se fosse vestal, na tentativa que algumas fazem para tentar se contrapor ao desastre a partir de lobby no Senado da República.
Uma coisa é certa: se os trabalhadores não puderem contar com as centrais sindicais nessa hora, podem apostar: os direitos sociais sacramentados via Constituição de 1988 vão mesmo para o vinagre. Vide, por exemplo casos da PEC 55 e da reforma da previdência, instrumentos que o governo ilegítimo de Michel Temer tem em mãos para recolocar o Brasil no mapa da fome. Infelizmente, esta é verdadeiramente, a crônica de uma tragédia anunciada.
Tenho dito!!!

17 de dezembro de 2016

FHC renega, mas o PSDB coça o coldre




O ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE já anunciou que deve colocar em pauta para julgamento na corte o pedido do PSDB de cassação da chapa Dilma-Temer lá para fevereiro. No momento os tucanos fingem ajudar a salvar o presidente impostor, mas não deixam de estar de olho na hipótese de uma eleição indireta para o mandato tampão que vai até 31 de dezembro de 2018. O nome dos tucanos é Fernando Henrique, que não se cansa de dizer publicamente que não quer. Quem desdenha quer comprar, já dizia minha avó paterna, dindinha Joana. Mas a sabedoria popular é mais profunda: "quem renega satanás reconhece a sua existência" .

16 de dezembro de 2016

É uma feijoada ou é um porco?

    . Do  Blog do Mello

Temer e o ex-deputado Eduardo Cunha teriam se encontrado com o presidente da Odebrecht Engenharia, do grupo Odebrecht, em 2010 para acertarem a entrega de propina para o PMDB em troca de vantagens para a Odebrecht. Naquela época, foi assinado um contrato de 1 bilhão de reais com a empresa. Coincidência?

Curiosamente, uma das perguntas que o ex-deputado Eduardo Cunha fez para serem endereçadas ao atual presidente Temer, e que seria utilizada por sua defesa, tratava do assunto, mas foi censurada pelo juiz Sérgio Moro. Coincidência?

Pelo visto, basta seguir a trilha das perguntas censuradas por Sérgio Moro para descobrirmos o caminho das propinas a Temer. E são vinte e uma.

Se isso não é uma feijoada, é um porco.


15 de dezembro de 2016

É duro dar razão a ele, mas nessa estou com Gilmar Mendes


O ministro Luiz Fux cancelou, por liminar monocrática, uma decisão da Câmara Federal e mandou que os deputados rediscutam e aprovem o projeto  anticorrupção tal qual foi enviado com dois milhões de assinaturas pelo  Ministério Público.
Tudo bem que a Câmara Federal pisou na bola, mas cabe ao Senado corrigir os erros cometidos por deputados, alguns imaturos e outros mal intencionados.  Não é preciso ser jurista para saber que a decisão de Fux  desqualifica , não parlamentares desqualificados, mas a instituição. E, bem o mal, o Poder Legislativo  é  imprescindível na democracia.  A ingerência de um poder sobre outro  é ruim para o país.

Não gosto do ministro Gilmar Mendes, sempre criticados pelos próprios colegas, mas nessa tirada irônica de  que “Fux deveria fechar o Congresso e entregar a chave à Lava-Jato”  ele tem razão.

13 de dezembro de 2016

Orgia dos poderes institucionais


                                 Por Jânio de Freitas (Folha de São Paulo)
Aproveite: nenhum dos seus antepassados teve a oportunidade de testemunhar um nível de maluquice dos dirigentes nacionais como se vê agora.
O passado produziu crises de todos os tipos.
O presente, porém, não é, na sua originalidade, uma crise a mais. É um fenomenal desvario.
Uma orgia dos poderes institucionais, tocada pela explosão de excitações da mediocridade e da leviandade brasilianas.
O ministro Celso de Mello cobrava ontem, no Supremo Tribunal Federal, a nossa “reverência à lei fundamental”, à Constituição, e “aos Poderes da República”.
Qual dos próprios Poderes faz tal reverência?
Ilegalidades são neles aceitas, e aproveitadas, inclusive como normas.
A exemplo do custo, em “benefícios”, de cada congressista, sem sequer a contrapartida de obrigações rígidas na função parlamentar; ou dos descaminhos processuais no Judiciário, nos quais o desprezo de prazos é sempre a negação da justiça merecida por uma das partes; ou da ilegitimidade de um Executivo que entregou parcelas importantes do seu poder a corruptos históricos, sem sequer despertar a administração sonolenta.
É essa natureza despudorada imposta às instituições que se eleva agora ao paroxismo.
E rompe as barreiras restantes, mais aparentes que reais, na confrontação que disputa hierarquia e predominância entre os Poderes.
Presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia tem ilustrado a explosão com intervenções cíclicas talvez apropriadas, nas circunstâncias, mas inesperáveis.
Já na posse, concitou os integrantes do Judiciário à união porque “unidos seremos mais fortes”.
NA INTENÇÃO DEhttp://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.pngforça estava implícita a ideia de combates não perceptíveis nas perspectivas do Supremo e do Judiciário.
Muito ao contrário, em um e em outro depositavam-se esperanças de solução mansa e inteligente para muitas das aspirações e frustrações da cidadania.
Em seguida a informar-nos que “o papel da Justiça é pacificar”, os modos suaves e o conceito de serenidade judicial da ministra nos trazem, como a erupção de profundezas ígneas, um brado alarmante: (…) “o Estado democrático previsto tem sido, ou parece ser até aqui, nossa única opção. Ou a democracia ou a guerra”.
Completou-se o chamado à união do Judiciário para se tornar mais forte, mas a alternativa apresentada pelosAUTOREShttp://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png do impeachment, e pelo alheamento do Supremo na ocasião, não tinha duas hipóteses.
Faz lembrar o madrilenho “No passarón”, de La Passionaria.
Seria uma conclusão da presidente do Supremo sobre o presente conflitivo? Uma proposta? Alguma nostalgia, talvez? Ininteligível.
Sobretudo diante do que se constata: Renan Calheiros desafiou o Supremo e venceu –o que não deve ser exemplo para nenhum cidadão, por mais honra e razão que tenha.
A lógica das guerras e dos privilégios é complexa demais para os não beneficiários.
No reino das extravagâncias institucionais, nãoCABE ESPERAR UMhttp://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png encaminhamento razoavelmente saudável.
Os que me desancaram quando escrevi que a crise passava de política a institucional afiem, agora, os insultos: se ainda vale alguma coisa o que testemunhei, o carnaval institucional está muito perto de capítulos dramáticos.

Tomara que ao menos não passem a trágicos.

12 de dezembro de 2016

A insensatez que aprofunda o caos


O PIB encolheu 4,4% em relação a 2015  neste ano  da turbulência política em que o Congresso Nacional cassou uma presidente eleita. Mas o presidente que assumiu, fruto de uma trama parlamentar arquitetada por ele próprio , que era o vice, não parece estar nem aí com os problemas sociais que sua política de ajuste fiscal provoca.
No chamado mundo desenvolvido, Europa à frente, a preocupação do momento é com o crescimento da pobreza e a necessidade urgente de implementar políticas de incentivo aos investimentos produtivos como forma de conter o desemprego, ao mesmo tempo em que países como a Finlândia e a Inglaterra lançam mão de políticas compensatórias para minimizar os efeitos dramáticos da estagnação econômica.

Aqui, andando na contramão da história, o governo TEMERário já cancelou 1,12 milhões de Bolsa Família  e igual cifra de benefícios da Previdência, entre auxílio doença e aposentadoria por invalidez. Isso sem levar em conta que o Bolsa Família auxilia na manutenção dos mais pobres mo mercado formal de trabalho, o que segundo especialistas do Instituto Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo  (órgão da ONU), ajuda no fortalecimento das fontes de receita da Seguridade Social.
Tudo parece que tente a piorar com a aprovação (e sanção) da PEC 55, que limita teto de gastos do governo , significando na prática o congelamento dos orçamentos da Educação, da Saúde e da Segurança Pública. Enfim, esta é a crônica do caos anunciado, que desenha no horizonte , os contornos da convulsão social no Brasil.



11 de dezembro de 2016

O governo Temer derrete. Será que chega a 2018? Duvido

       . da coluna Painel (Folha de São Paulo)


Recordar é viver Já tem partido da base fazendo as contas de quando será o melhor momento para desembarcar da gestão Michel Temer. Até habitués do Planalto passaram a incluir em seus cálculos políticos o fator Odebrecht. Ninguém — nem mesmo aqueles ainda fiéis — aposta na melhora do ambiente depois dos tiros contra a cúpula palaciana. Aliados começam a reclamar do governo em escala semelhante às queixas que eram feitas à petista Dilma Rousseff no início da crise que a destituiu.
Uma atrás da outra O escândalo que afastou Geddel Vieira Lima do governo atiçou descontentes. A avaliação é que, conforme os detalhes da delação venham a público, o grupo a favor do presidente perca argumentos.
Abraço de afogado De todos os tucanos mais emplumados, Geraldo Alckmin é único cacique que vem mostrando maior resistência ao aprofundamento do matrimônio entre PSDB e PMDB.
Vai que eu vou depois O governador de SP ponderou em reunião recente que é preciso haver distância regulamentar do aliado — ou o partido será arrastado pela crise junto com o governo.
Deixa lá O Ministério da Fazenda não é entusiasta da ideia aventada no Planejamento de liberar parte do FGTS para que brasileiros quitem empréstimos com bancos. Avalia que o fundo — poupança do trabalhador — não pode ser desvirtuado.
Ixi A pasta tampouco vê com bons olhos a redução do compulsório — recursos que os grandes bancos depositam no BC — para aumentar a oferta de crédito na praça.
Arroz com feijão Na avaliação interna, a melhor medida para elevar o crédito e reduzir o nível de endividamento de famílias e empresas é a baixar Selic — só possível com a inflação controlada.
Corra, Temer, corra O Planalto espera que, em um “calendário duro”, o Senado aprove a Previdência em dois meses. Se a Câmara honrar o cronograma e passar aBOLA até junho, a PEC poderia ser promulgada em outubro.
Só milagre Aliados reclamaram da tímida ofensiva do governo para defender a reforma na mídia. Ocorre que a campanha publicitária custou R$ 12 milhões, um terço do que Dilma gastou para alardear suas medidas fiscais.
Voz da experiência O ex-presidente Fernando Collor vai lançar o livro “Réplica para a História: Uma Catarse”, em que reúne discursos e artigos sobre o processo de impeachment vivido por ele em 1992 e o enfrentado por Dilma Rousseff em 2016.
Quem sabe sabe Para o hoje senador pelo PTC, a comparação mostra “o grau de prejulgamento” que ocorreu há 14 anos. “O rito era o mesmo; o ritmo, o rigor e, agora, o remate, não. O Senado praticamente decretou a inexistência da lei no Brasil”, escreve na quarta capa.
Deixa comigo O deputado Sergio Zveiter, que deve presidir a comissão da reforma da Previdência, é também o mais cotado para relatar a medida provisória das concessões. Ele é do PMDB do Rio, assim como Moreira Franco, secretário da área.
Dia do fico Os líderes na Câmara esbravejam, mas já tem presidente de partido do centrão dizendo, em rodas de conversa, ver com bons olhos a candidatura de Rodrigo Maia (DEM) à reeleição.

10 de dezembro de 2016


Chemem o Geddel, chamem o Geddel!!!


A versatilidade é a mãe do progresso. Não poderia ser melhor, nosso ministro-chefe da Casa Civil é transversal. Vai de norte a sul em um único dia: é acusado de grilagem no Rio Grande do Sul e de crime ecológico e escravidão no Mato Grosso. Maluf está envergonhado, humilhado. Perde de longe! E xingavam o Geddel só por causa de um apartamentozinho de nada que colocaram no lugar errado. Chamem o Geddel de volta. É uma questão de justiça.
  . Rogério Cerqueira Leite

8 de dezembro de 2016


Se a Justiça não é por nós quem por nós será, senão Deus?


COM APOIO TOTAL DA GLOBO E DOS COXINHAS QUE FORAM ÁS RUAS GRITAR "FORA RENAN!", RENAN FICA , MAS OS "INDIGNADOS" NÃO HAVERÃO DE SE IMPORTAR COM A JOGADA FEITA PARA A APROVAÇÃO DA PEC 55 E PELA RECOLOCAÇÃO DO BRASIL NO MAPA DA FOME.


Domingo os coxinhas foram às ruas gritar “fora Renan!”. Mas o governo viu logo que se Renan caísse assumiria o vice-presidente do Senado, Jorge Viana, do PT. E aí a PEC da morte correria risco. A Globo puxou com seu noticiário sacana o coro de execração de Renan, mas diante da possibilidade da PEC 55 ser travada no Senado, imediatamente apoiou o governo Temer no “fica Renan!”.
O problema não é a decisão do colegiado do Supemo em manter Renan, embora lhe tirasse da linha sucessória . O problema, já denunciado por diversos senadores da oposição , é que o julgamento de hoje fez parte de um acórdão com o Planalto pela aprovação da PEC maldita e na seqüência , pela viabilização de outras propostas de retirada de direitos sociais e trabalhistas.
Aprovada a Proposta de Emenda Constitucional 55, virá em seguida a reforma da previdência, que deverá, com perdão do mau gosto da ironia, instituir o atestado de óbito como documento básico para se requerer aposentadoria daqui para a frente.

5 de dezembro de 2016

Com ele os planos de saúde vão nadar de braçada

    . Da revista Carta Capital

O atual ministro e seu partido, o PP, tiveram suas campanhas financiadas por empresários e operadoras de planos de saúde. Em 4 de agosto de 2016, por meio da Portaria Nº 1.482, instituiu-se um grupo de trabalho para discutir e elaborar um projeto de criação de planos de saúde populares.
Tal medida visa aumentar o lucro dos empresários de um setor que apresenta um faturamento anual na casa dos R$ 100 bilhões e funcionará como uma verdadeira “arapuca” para os usuários.

A armadilha está no oferecimento de uma cobertura menor, por meio da alteração da lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que regula os planos, e da redução do rol de procedimentos que constitui a cobertura mínima obrigatória oferecida pelos planos privados aos usuários.

3 de dezembro de 2016

Livre pensar...


Os deputados federais agiram na calada da noite e, aproveitando o clima de comoção com a tragédia da Chapecoense, desossaram o projeto encaminhado pelo Ministério Público para apreciação do Congresso Nacional. Nem vem ao caso questionar se o PL necessitava de reparos ou não, embora eu entenda que precisava passar por um longo processo de discussão no Parlamento Brasileiro.

Mas vamos e venhamos: nenhum deputado, nenhum senador chegou lá com votos de marcianos. A nossa cultura é a cultura do levar vantagem. É injusto generalizar, nem no que diz respeito às pessoas comuns e nem a seus representantes. O que o país tem que fazer é se olhar no espelho, fazer uma reflexão profunda sobre a escala de valor predominante no nosso meio. Qual a diferença do parlamentar que recebe propina do cidadão que tenta subornar o guarda? Do sujeito (ou a sujeita) que fura uma fila, que fura o sinal vermelho? O que difere o gestor público corrupto do sindico ou do presidente de associação de bairro desonesto?

Enfim, o país precisa mesmo se olhar no espelho, passar-se a limpo, se depuar. Se não for assim, não adianta a gente ficar aqui esculhambando fulano e sicrano. Combater a corrupção temos que combater sempre, incessantemente, mas o que precisamos combater fundamentalmente é a cultura da corrupção, começando também por analisar melhor os candidatos que elegemos para todas as instâncias de poder. A crítica pela crítica, o esculacho pelo esculacho, a manifestação rasa de ódio contra A ou B, o ato de enrolar o rabo e sentar em cima, não vão nunca levar o país a lugar nenhum.
A ação firme da justiça, punindo quem rouba o dinheiro público com a dureza da lei, é indispensável. Mas a atuação de juízes e promotores, o comportamento da mídia e da população como um todo diante dos mal feitos, não pode se enveredar pelo campo do ódio, da vendeta, Não pode haver seletividade nas punições e nem nos protestos. Se todos são iguais perante a lei, então que sejam todos mesmo. E ainda que um erro não justifique o outro, é criminoso o esquecimento em que são jogados escândalos de ontem, como se fosse possível uma sociedade avançar no campo da moralidade e da ética, simplesmente passando uma borracha no seu passado recente.

1 de dezembro de 2016

Uma historinha para o Ulisses ler na cama



Dá pra imaginar quantos novos amigos Ulisses Maia  conquistou depois que se elegeu. Muitos continuam na expectativa de ser convidados para um cargo de relevância na próxima administração municipal de Maringá. Não sei como o prefeito  está administrando os assédios, mas acho que ele , hábil como é, deve estar se valendo da velha escola política mineira  que tinha em Tancredo Neves um dos seus maiores expoentes. Conta o historiador Ronaldo Costa Couto:
“Quando Tancredo estava  formando sua equipe de governo  em Minas, um deputado fez o diabo para  ser secretário de Estado. Qualquer secretaria servia. Saiu dizendo aos quatro ventos e plantando notas na imprensa  que   tinha sido sondado. Depois se promoveu a convidado. Acabou citado em todas as listas de secretariáveis.  Mas os dias passavam, e nada da confirmação do governador. Na semana da posse, aflito, foi a Tancredo.
– Governador, não sei mais o que fazer. Há dias que os jornalistas, os amigos, minha família toda, e até os adversários não param de me perguntar se vou ou não vou ser seu secretário. Já estão até ironizando. Não quero constrangê-lo, mas não sei mais o que dizer…
– Diga que convidei e você não aceitou”.

No apagar das luzes de sua administração, o prefeito Pupin aplica um golpe baixo no meio-ambiente


Não sei se este será o único ou apenas um dos decretos de autorização de loteamentos irregulares, que atentam contra o meio ambiente no município de Maringá.  Publicado no Diário Oficial de número 2590 o decreto 1476 ,  assinado pelo prefeito Roberto Pupin no último dia 16 , autoriza a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo a analisar e aprovar  projetos de parcelamento do solo  na Macrozona Rural de Proteção de Manancial. Na prática, abre caminho para loteamentos rurais sobre bacias hidrográficas, a começar pelos  ribeirões Morangueiro e Sarandi.


Tudo bem que o decreto manda preservar as reservas legais, as matas ciliares e a biodiversidade, mas até os pernilongos dos fundos de vale mal  cuidados  sabem que a qualidade dos recursos hídricos do município, que já não é boa, tende a ficar ainda pior, com poluição irremediável. Falando o português claro: o que o prefeito em fim de mandato fez foi abrir a porteira para a especulação imobiliária sobre as bacias hidrográficas do município. É caso para a Promotoria Especial do Meio Ambiente.

30 de novembro de 2016

Retrato do Brasil da era Temer



Foto: Gisele Arthur (Blog Cafezinho)

Ao fundo, a PM de Brasília reprimindo manifestação contra a PEC 55 e no primeiro plano, do lado de dentro da Câmara Federal, parlamentares se refestelam saboreando um delicioso coquetel.


28 de novembro de 2016

Simples assim


“Temer desmoraliza o país ao se referir ao caso Geddel-Calero como uma mera disputa entre ministros”.
.  Luis Nassif

As voltas que o mundo dá


Do portal 247:


"Em fevereiro deste ano, quando o marqueteiro João Santana, que fez a campanha presidencial de Dilma Rousseff, foi preso pelo juiz Sergio Moro, na Operação Acarajé, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) soltou rojões.
Santana era acusado de receber recursos da Odebrecht no exterior, que, aparentemente, nada tinham a ver com Dilma, mas sim com campanhas feitas pelo publicitário na África e na América Latina, mas ainda assim o presidente nacional do PSDB comemorou.
"Ultrapassamos a fase testemunhal, das delações, e chegamos à fase documental. As investigações mostram que o publicitário do PT recebeu dinheiro durante o período eleitoral", disse ele. "É um forte indício de que o que apontamos lá atrás, que a campanha recebeu dinheiro de propina, estava correto. Por isso, temos que ter a serenidade de não apenas fazer o embate político, mas tratar as coisas no leito adequado: a Justiça", afirmou o tucano.
Bom, sabe-se agora, pelas delações da Odebrecht, reveladas pelo jornalista Renato Onofre, na revista Veja, que quem era pago pela Odebrecht, via seu marqueteiro Paulo Vasconcelos, era Aécio – e não Dilma".


26 de novembro de 2016

Fidel, suas contradições e a pergunta: como o julgará a história?




Fidel Castro, que faleceu ontem a noite aos 90 anos era uma figura de extremas contradições. Liderou a Revolução de 1959 , pondo fim à transformação da Ilha num quintal dos Estados Unidos e botando pra correr o serviçal de Washington, Fulgêncio Batista. Promoveu grandes transformações sociais em Cuba, que aderiu definitivamente ao socialismo soviético após o bloqueio comercial decretado pelo presidente Kennedy.
Fidel governou Cuba com mão de ferro durante meio século, criando e potencializando mecanismos de de auto-proteção do país contra o inimigo comum, que estava ali bafejando no seu cangote o tempo todo. Se notabilizou quando deu uma surra nos americanos na Baia dos Porcos . A partir daí somou aliados e desafetos, colecionou admiradores e inimigos, atraindo para a Ilha, simpatias e repulsas. Simpatia pelo desenvolvimento de áreas sociais muito importantes, como a saúde e a educação e repulsas, sobretudo , pela maneira violenta e desumana com que tratava os adversários internos da Revolução.
Gostemos ou não, o fato é que Fidel Castro tornou-se um dos maiores nomes da política ocidental, uma liderança respeitada e odiada, mas nunca ignorada nos quatro cantos do mundo. Nunca na história da humanidade, um líder popular teve uma retórica tão intensa quanto ele. Nunca  se viu alguém discursar por tanto tempo quanto ele. Chegou a falar durante 12 horas em uma tribuna. Quebrou todos os protocolos da ONU, discursando por 4 horas. Em 1988 eu tive o privilégio de fazer parte de uma comitiva de professores da Universidade Estadual de Maringá, como convidado, claro, numa viagem de intercâmbio cultural e científico da nossa UEM com a Universidade de Havana. Ficamos lá durante 10 dias, por coincidência no ano das comemorações dos 29 anos da entrada dos revolucionários na capital, expulsando Fulgencio Batista após dois anos de preparação da Revolução em Sierra Maestra.
Fui à Praça José Marti assistir a uma solenidade de comemoração , que reuniu 500 mil pessoas. Isto mesmo, 500 mil pessoas. Fui mais cedo porque queria ficar bem perto do palanque. E fiquei. Naquele dia, Fidel discursou durante 5 horas e 20 minutos.
No dia seguinte fui à redação do Gramma, principal jornal do país e lá, com minha carteirinha de jornalista, emitido pela FENAJ - Federalão Nacional dos Jornalistas, e fui muito bem recebido, como periodista. Consegui uma foto aérea da concentração na Praça, que mostrava aquele mar de gente. Depois  publiquei a foto numa reportagem que fiz para a revista POIS É, que eu editava junto com o Moscardi e o Antônio Carlos Moreti.
Antes da comitiva voltar, os professores programaram um tour , com opção pelas praias de Varadero ou Caio Largo. Eu escolhi Caio Largo, para onde a gente iria num aerofloot, avião russo da Segunda Guerra Mundial. Mas acabei dispensando a viagem quando soube que naquele sábado o então presidente da União Soviética, Mikail Gorbachev, iria a Havana para anunciar o perdão da dívida que Cuba tinha com a URSS . Ali Gorbachev  desfilaria em carro aberto. Preferi não perder essa oportunidade histórica. Mas infelizmente, ele acabou cancelando a viagem na última hora porque precisou ir à Armênia, onde ocorrera um terremoto.
O que quero dizer, finalmente, é que Fidel foi um dos principais líderes mundiais do século XX. Gostem  ou não , ninguém pode deixar de reconhecer a sua importância histórica, principalmente para a luta da América Latina contra o imperialismo yanke . Como a história o julgará?
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25 de novembro de 2016

Temer pode morrer abraçado com Geddel


Inimigo do SUS



“Sistema de saúde para todos é sonho e seus defensores são ideólogo e não técnicos”. Palavras do ministro Ricardo Barros em entrevista ao portal BBC Brasil no último dia 11 de novembro. Aí o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser Pereira não deixou por menos: “Barros é inimigo declarado do SUS”.
Em carta publicada em sua página pessoal do facebook  ele declarou:
Pouco lhe importa que o direito universal à saúde esteja na Constituição. A Constituição, ora a Constituição… E se não consegue mudar a Constituição nesse ponto, não hesita a dar todo apoio à Emenda 241, que, afirma contra toda evidência: “Não tem redução de recursos de saúde com a PEC. Isso não existe, outras despesas poderão ser reduzidas”. Quais? As despesas com educação? Ou quem sabe o deputado vai propor uma emenda à emenda, incluindo o gasto com juros, para que estes, depois, possam ser cortados?
Ao invés, ele informa que tem uma solução para a falta de recursos. O ministério elabora uma proposta de “planos de saúde acessíveis”, com cobertura de atendimento reduzida, para o público de menor renda. Ora, já existem muitos planos de saúde “populares” empenhados em enganar aqueles que os subscrevem. Planos de saúde podem ser bons para os ricos; para no máximo 15% da população. Os demais contam com o SUS, que é a maior realização da democracia brasileira. Atacá-lo, como faz o ministro Ricardo Barros, é tentar realizar o objetivo doentio da direita neoliberal brasileira: desmontar o Estado Social que o Brasil construiu desde a Constituição de 1988″.


24 de novembro de 2016

Enfim, admitem agora que Temer é golpista


O colunista Fernando Canzian, da Folha, descobriu hoje, 24 de novembro, que um sujeito que anda como golpista, fala como golpista e governa como golpista deve ser golpista:
Pelo modo como age, o presidente Michel Temer até parece ter sido convencido pela tal “narrativa do golpe” que o acusou de ilegítimo para substituir Dilma Rousseff.
Com visível perda de ímpeto, seu governo tenta promover a maior mudança constitucional desde 1988 com um esclarecimento incompleto e envergonhado à população do que está em jogo na PEC do teto e na reforma da Previdência.
Sem seu empenho e protagonismo, e em meio à operação para anistiar o caixa dois no Congresso, Temer aumenta a suspeita de que o maior objetivo de seu governo era mesmo “estancar a sangria” da Lava Jato.
Não é bonito isso?
. Do blog DCM (Diário do Centro do Mundo)

22 de novembro de 2016

Está no Congresso em Foco



Apelidado de Suíno, Geddel era desafeto de Renato Russo na escola


Líder da Legião Urbana considerava o colega baiano “in-su-por-tá-vel” e se recusava a fazer trabalhos com ele. Os dois estudaram juntos no Marista, em Brasília, na década de 1970. Na época, conforme biografia de Renato, Geddel já profetizava: “Vou ser político”

Prisão com base em presunção subjetiva. Pode isso, Arnaldo?

O juiz Sérgio Moro mandou prender Antônio Palocci, ministro nos governos Lula e Dilma, por presumir que ele colocaria em risco a ordem pública. Mais ainda: por presumir que havia risco de Palocci voltar a receber propina e, caso existam contas secretas no exterior, ele poderia voltar a movimentá-las. Então foi assim: o juiz Moro engaiolou Palocci com base no que o ministro Celso de Melo, do STF, chamou de “presunção subjetiva”. Não sou advogado, portanto, não tenho qualificação profissional para discorrer sobre o tema, mas nem acho que precisa ser jurista pra saber que prender alguém por presumir que esse alguém delinquiu (e sem que haja provas concretas e cabais) é um risco muito grande ao estado de direito.

21 de novembro de 2016

O Brasil retoma a marcha do caranguejo


A fome impede o ser humano de crescer, se desenvolver, adquirir conhecimento, cultura. O país que não propicia condições mínimas para que as pessoas abaixo da linha da pobreza se alimentem, não merece respeito. Gostem ou não, Lula fez isso por meio de políticas compensatórias nos seus dois governos, cujas políticas foram seguidas à risca por Dilma.
Quem diz, por exemplo, que o Bolsa Família é esmola não conhece a cara da fome e sequer se deu trabalho de verificar o avanço social que o programa proporcionou, principalmente no Nordeste. Em muitas cidades pequenas, onde mercearias e mini-mercados estavam à beira da falência, houve uma revitalização surpreendente do comércio a partir de 2003.
Jovens que capengavam no ensino  médio, não tinham perspectivas de ir adiante, por falta de condições de concorrer a vagas nas universidades públicas. Com o fortalecimento do Fies, criação do Pro Une e transformação do Enem em caminho para vagas no ensino superior, o quadro mudou. Hoje você vê nas cidades do interior do Nordeste muitos jovens frequentando faculdades particulares, fazendo Engenharia, Agronomia, Psicologia, Fisioterapia, Administração. Muitos já estão graduados, como ocorre, por exemplo, em Pintadas, minha cidade natal.

Bem entendido, isso não é uma defesa de Lula e Dilma , as a constatação de que o Brasil trilhou por caminhos de um futuro melhor, que a partir de agora no que vai dar. Uma coisa é praticamente certo: tem retrocesso a vista.