30 de abril de 2016

O PT e o pecado do pregador


O PT surgiu , e surfou  durante muito tempo, numa  onda que quebrava na praia , batizada pelos surfistas  da política de “moralidade pública”. O Lula das greves do ABC criou o partido com o assessoramento qualificado de figuras exponenciais da  esquerda e da democracia cristã, casos de Francisco Wefort, Marilena Chauí , Plínio de Arruda Sampaio, Helio Bicudo  e um pouco mais adiante, o sociólogo Florestan Fernandes, o mais notável dos marxistas brasileiros.
Sobre Florestan, que tive a honra de entrevistar para a revista POIS É quando ele esteve em Maringá para uma aula inaugural na UEM, há fato interessante a registrar no que diz respeito ao seu ingresso na política partidária. Isso me foi contado por ele próprio, quando  perguntei : “O que explica um intelectual de esquerda, marxista de quatro costados  ingressar num partido político , disputar uma eleição e praticamente, sem fazer campanha, se eleger deputado constituinte?”.
A explicação estava toda na importância que Florestan dava à Constituinte de 1988 e que, após a visita de Lula e Plínio em sua sala na USP,  foi convencido a assinar  ficha de filiação no PT. A forma de convencimento foi um capítulo à parte:
“Professor, vim lhe convidar para entrar no PT e disputar as eleições do ano que vem, porque avaliamos que só os estudantes universitários de São Paulo o elegerão com um pé nas costas”,  incentivou  o então líder metalúrgico. “O que esse partido me oferece para que eu nele me filie?”,  indagou Florestan. Sem pestanejar, Lula  deu uma resposta surpreendente: “Oferece nada não,professor. Pelo contrário, lhe tira, porque o senhor terá que pagar o dízimo”. Rindo da franqueza chão-de-fábrica  do líder metalúrgico, Florestan esticou o braço direito: “Então este partido me serve, me dê cá a ficha”.
O PT, com o professor Florestan na cabine de comando, ajudou o timoneiro Ulysses Guimarães a conduzir o transatlântico  a um porto seguro, costurando avanços sociais que  acabaram debatidos e aprovados. Os avanços estão hoje sintetizados nos artigos e parágrafos da Constituição Cidadã, que versam sobre  as responsabilidades do estado para com a seguridade social.
O PT , apesar de uma certa soberba que o colocava no cenário político brasileiro como vestal, escalou a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2003 e lá se encontra até hoje. Chegou chegando com o próprio Lula, gostemos ou não, o maior líder popular do país desde Getúlio. O PT de Lula, que no caminho se perdeu e por isso perdeu alguns de seus fundadores, caso de Plínio, Bicudo e Wefort , acabou saindo dos trilhos.
 Compreensível , então, que um partido que  antes de chegar ao poder tanto falou contra a corrupção e o fisiologismo, seja odiado e execrado quando se nivela ao que há de pior no espectro partidário.
Apesar desse nivelamento por baixo, inquieta essa paranóia coletiva de uma ameaça comunista no Brasil e a forma seletiva como a mídia trata os casos de corrupção levantados e apurados nas diferentes operações da Polícia Federal e do Ministério Público. A operação mais notável e de efeito devastador contra o PT vem sendo a Lava-Jato, da qual não tem escapado quase nenhum grande partido, embora só ao PT esteja reservada a chuva de ovos e tomates. E por que isso?
 “Ocorre que o pecado do pecador, todos perdoam, mas  para o pecado do pregador não tem perdão”, costuma dizer Ciro Gomes, o  paulista de Pindamonhangaba que se notabilizou como político do Nordeste. O que isso quer dizer? Quer dizer , não, simplesmente diz :  antes de subir a rampa do Planalto, o PT se julgava detentor do monopólio da ética e da moralidade. Mas, em nome de um projeto egoísta de poder,  acabou entrando na pocilga e sujando suas vestes brancas. Isso é imperdoável mesmo.

Os nós táticos de Randolfe e Lindberg em Janaína e Reale



O jovem senador Randolfe Rodrigues preparou uma pegadinha para a advogada Janaína Paschoal e ela caiu como uma pata, daquelas amarelas que desfilam sempre defronte a frente a Fiesp. Randolf indagou se podiam mesmo ser considerados crimes os decretos suplementares relatados na denúncia. Sem pestanejar, a histriônica jurista foi categórica na afirmação de que a presidente Dilma Roussef cometeu crime sim ao assinar tais decretos. Foi aí que o senador contra-atacou deixando Janaína constrangida: “Esses decretos foram assinados pelo vice-presidente, Michel Temer”.
Diante do inesperado, a advogada, que voltou a dar o mesmo espetáculo que deu na Câmara, quando parecia estar exorcizando demônios , ficou sem argumento para sustentar a tese de crime de responsabilidade. Mas , claro, isso não muda a situação, porque a oposição, PSDB e DEM à frente, querem é impichar tenha ou não havido crime. Para eles, vale o conjunto da obra, embora até o Baianinho Engraxate saiba que o conjunto da obra nesse caso não cola.
Não foi só Janaína que tomou invertida na sua passagem pelo Senado na última quinta-feira, não. Miguel Reale Júnior, um outrora respeitado jurista também levou o que os técnicos de futebol chamariam de nó tático. O também jovem senador Lindberg Farias desmontou os argumentos de Reale sobre o alegado crime de responsabilidade. O senador carioca chegou a citar artigos da Constituição e da Lei de Responsabilidade fiscal que pelo jeito o co-autor da denúncia desconhecia ou se conhecia teria feito leituras erradas ao interpretá-los. Enfim, os depoimentos de Reale e Janaína na comissão do Senado da República só convenceu, e encantou, quem quer a cassação da presidente a qualquer preço, pouco importando se há materialidade dos crimes arrolados ou não.
Não sou jurista, mas acompanhando os debates na Câmara dos Deputados e agora no Senado,  não tive dificuldade nenhuma para formar juízo de valor sobre o lado jurídico da questão. Vendo, então, a desfassatez de um Aluísio Nunes, de um Anastasia , de um Ronaldo Caiado e de um Cássio Cunha Lima, passo a ter mais certeza ainda de que tudo não passa realmente de um golpe.
Bem, falam a todo momento que o Supremo convalidou os ritos todos, mas há um detalhe que não citam: a suprema corte não fez qualquer julgamento de mérito.



29 de abril de 2016

O Senado e a dimensão burlesca do golpe


O pedido de impeachment é um lixo que carece de fundamento jurídico. É um ventilador de besteiras nas bocas de personagens dantescos.

Jeferson Miola (Carta Maior)




O pedido de impeachment defendido no Senado ontem, 28 de abril, pelos advogados do PSDB Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, não seria sequer aceito para discussão em qualquer Parlamento digno e sério do mundo moderno.
 
Além disso, está por ser inventada uma republiqueta na face da Terra capaz de aceitar como válida para a deposição de uma Presidente eleita por 54.501.118 votos uma denúncia tão desqualificada apresentada daquela maneira tresloucada.
 
O pedido de impeachment é um lixo que carece de fundamento jurídico e de razoabilidade intelectual. É um ventilador de besteiras nas bocas de personagens dantescos.
 
É impossível conter o sentimento de vergonha alheia causado por Miguel Reale e Janaína Paschoal: são seres burlescos que causam vergonha nos demais seres humanos que pertencem à espécie humana como eles.

 
Miguel Reale Jr representa a ressurreição, no século 21, da índole udenista e reacionária da classe dominante que derrubou Jango em 1964 e que hoje se veste de PSDB, PMDB, DEM etc para promover novo golpe contra o Estado Democrático de Direito no Brasil.
 
Reale Jr. carrega esta índole golpista no DNA, traz de família – a conspiração e o golpismo são da natureza da burguesia, que sempre conspira para eliminar a “ameaça” representada por governos populares e progressistas.
 
Reale herdou o Júnior no sobrenome por ser filho de Miguel Reale, um jurista que, na biografiadescrita pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil [CPDOC] da Fundação Getúlio Vargas, “ainda na época de estudante filiou-se à Ação Integralista Brasileira, organização política de inspiração fascista fundada por Plínio Salgado .... e veio a tornar-se um dos mais destacados teóricos do movimento integralista”. Nos anos posteriores, foi dirigente do PSP e integrante do governo paulista de Adhemar de Barros, ferrenho opositor de Getúlio Vargas e criador do bordão “rouba mas faz”.
 
O CPDOC/FGV menciona ainda que “em 1964, [Miguel Reale] cumpriu importante papel nas articulações que levaram à deposição do presidente João Goulart e à implantação da ditadura militar no país. Nos anos seguintes, foi colaborador do regime militar, principalmente na elaboração da Emenda Constitucional de 1969” – na verdade, foi um dos redatores dos Atos Institucionais que aprofundaram o terror da ditadura civil-militar.
 
Janaína Paschoal não tem ancestrais conhecidos na política nacional. Além do estrelato na notoriedade por causa do impeachment sem crime de responsabilidade, ganhou fama de jurista de causas vergonhosas na atuação como advogada de defesa de Douglas Kirchner, fanático religioso e procurador do Ministério Público Federal que foi demitido do serviço público pela prática de agressão e tortura física e psicológica contra a própria esposa.
 
Apesar da pantomima espalhafatosa, Janaína Paschoal não é um ponto fora da curva. Ela é a imagem fiel do golpe, é o símbolo lapidar dos golpistas; ela é, enfim, a perfeita síntese dos 367 bandidos que na “assembléia geral de bandidos comandados por um bandido chamado Eduardo Cunha” do 17 de abril expuseram o Brasil ao ridículo perante o mundo.

28 de abril de 2016

Vergonha, vergonha!

Blog do Angelo Rigon

“Recentemente a prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay (PR), ganhou o noticiário nacional ao substituir os cargos comissionados de sua administração por parentes deles. Eram cinco, que se desincompatibilizaram para disputar a eleição deste ano, mas, diante da péssima repercussão da notícia, três deles foram exonerados.
Pois não é que o prefeito Carlos Roberto Pupin (PP) fez a mesma coisa em Maringá?
Dos vários cargos comissionados que deixaram a administração no final de março, prazo fatal para a desincompatibilização, pelo menos três tiveram parentes nomeados na sequência.

Sergio Marcos Bueno, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, que veio de São José dos Pinhais no ano passado, pré-candidato pelo PRB, foi substituído pelo próprio filho, William Marcos Scheffer Bueno. O filho vai ganhar o mesmo que o pai: R$ 7.140,83. Bueno estaria em disfunção; nomeado no Gabinete do Prefeito, dava expediente no CSU Deputado Rivadávia Vargas.

Outro caso é o do ex-vice-prefeito Willy Taguchi, pré-candidato do PTB, que era diretor-geral da Secretaria de Habitação. Sua mulher, Meiry Tomiyama Taguchi, foi nomeada 12 dias depois que ele deixou o cargo. Ela assumiu uma gerência na Secretaria da Mulher, com salário um pouco menor: R$ 4 mil.509,89.

O terceiro caso tornado público é o de Maria Izabel Nogueira, que cuidava das ATIs na Secretaria de Esportes e Lazer, também com o salarião de R$ 7.140,83. Ela foi substituída pela sobrinha, Mônica Nogueira Ferreira.

Maria Izabel é muito ligada à dona Luíza Pupin, e sua irmã é funcionária antiga da residência da primeira-dama. A tia da nova assessora será candidata a vereadora por um dos partidos do chamado condomínio de Ricardo Barros, que é o paizão de todos.
Quer dizer, assim como em Campo Mourão, em Maringá o prefeito usa o dinheiro do contribuinte para ajudar as famílias dos cabos eleitorais do seu grupo político. Isso é o que veio a público. Pode ser que existam outras situações semelhantes.
Trata-se de uma espécie de Bolsa CC – que consome cerca de R$ 20 milhões por ano, bancada pelo bolso do maringaense”.


25 de abril de 2016

O impeachment aos olhos do mundo



Show de hipocrisia



por Conceição Lemes
A hipocrisia despudorada da deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG), na sessão da Câmara de 17 de abril de 2016, jamais será esquecida.
Ao proferir o 303º voto a favor da abertura do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, a saltitante parlamentar afirmou:
“Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-251. É para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão.
O meu voto é por Tiago, David, Gabriel, Mateus, minha neta Júlia, minha mãe Elza. Meu voto é pelo Norte de Minas, é por Montes Claros, é por Minas Gerais, meu voto é pelo Brasil.
Sim, sim, sim, sim, sim, sim…”

18 de abril de 2016

Olha quem vai pagar o pato?





por Francisco Luís, especial para o Viomundo
Os empresários que financiaram o impeachment, bancando inclusive os jatinhos para deputados votarem nesse domingo, já começam a cobrar a fatura de um possível governo Temer.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, pretende-se acabar com a obrigatoriedade de gastos fixos na Educação e Saúde (diminuindo os recursos para essas áreas), fazer a reforma da previdência e das leis trabalhistas, e talvez recriar a CPMF.
No jornal impresso, o título da matéria é “Empresariado pede reformas impopulares em seis meses”, mas agora, na versão online, foi alterado para “Reformas impopulares são sonho de empresários no governo Temer”.
A sinalização é clara. Eles elegeram os trabalhadores para pagar o pato da crise e a fatura chegará nos próximos meses. Muitos que festejaram o impeachment, logo, logo  sentirão o amargo gosto de seu ódio. Ódio pode destruir muito coisa, mas jamais ajudará a construir algo de bom.
Os que foram às ruas defender a democracia já sabiam disso. Lentamente cairá à ficha da população, pois os empresários querem que o custo da crise seja no lombo do trabalhador e não nos seus lucros.
Vamos continuar a luta para impedir a implantação da barbárie social e evitar perder os ganhos de uma década no Brasil.

17 de abril de 2016

Detalhe prosáico, mas nem tanto



A imprensa não comentou e nenhum cientista social gastou minutos do seu tempo para analisar a questão. Passou batida, talvez por ser mesmo um detalhe prosaico, a separação que Eduardo Cunha fez no Plenário da Câmara para evitar o contato físico mais direto entre  os parlamentares manifestamente contra e os manifestamente a favor do impeachment. Os da oposição ficaram à direita da mesa diretora e os da situação, em sua maioria vinculados a partidos vermelhos (ou rosa - choque) à esquerda.  Teria sito proposital ou foi uma separação aleatória? Em se tratando de Cunha, ardiloso que só o cramulhão , é difícil imaginar que não tenha sido de caso pensado.
Bem, os termos direita, para quem está do lado do rei (no nosso caso aqui, o rei mercado) e e esquerda (teoricamente os que se colocam do lado do povo)  podem ser sintetizados a partir de explicações, como esta do O filósofo inglês Roger Scruton, em sua obra “Os Pensadores da Nova Esquerda”:

O uso moderno do termo 'esquerda' deriva da Assembleia dos Estados Gerais de 1789, quando, na França, a nobreza sentou-se à direita do rei, e o Terceiro Estado, à sua esquerda. Poderia ter sido o contrário. Na verdade, era o contrário para todo o mundo, menos para o rei. Contudo, os termos 'esquerda' e 'direita' permanecem conosco e são agora aplicados a facções e opiniões em toda ordem política.”

14 de abril de 2016

O republicanismo suicita do PT


Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
Imagine um jogo de futebol em que um time compre o juiz e entre com 13 jogadores.
Você sabe disso.
E mesmo assim entra em campo com 11 jogadores e finge não notar a roubalheira do árbitro.
Este é, em suma, o republicanismo à PT. O melhor adjetivo para qualificá-lo, como se vê hoje, é suicida.
Republicanismo suicida.
Na política, sobretudo num país dominado por uma plutocracia corrupta e predadora, você tem que jogar o jogo de acordo com o adversário, e não com princípios românticos que podem ser facilmente destruídos por gente interessada em manter a sociedade num estágio de desigualdade primitiva.
Nas circunstâncias brasileiras, republicanismo é uma palavra que a direita usa para minar os outros – sem quejamaispratique.
O republicanismo conservador é FHC nomeando Gilmar Mendes para o STF ou Mário Covas colocando seu chapa Robson Marinho no Tribunal de Contas do Estado.
Roosevelt, nos Estados Unidos, só conseguiu implantar sua New Deal – hoje um modelo para o revolucionário Bernie Sanders – quando indicou para a Suprema corte juízes progressistas, alinhados com seu ideário.
Até então, Roosevelt sofria sucessivas derrotas num Supremo predominantemente conservador.
Lula, no Brasil, optou por indicar, por exemplo, Joaquim Barbosa por ser negro. Barbosa se converteria, logo, numa extensão togada da plutocracia.
Na Polícia Federal, o republicanismo petista deixou que seu comando ficasse nas mãos brutalmente partidarizadas de delegados antipetistas.
Na Lava Jato, isto se revelou uma tragédia. Nada aconteceu com delegados da Lava Jato que, na campanha presidencial, publicaram barbaridades contra Dilma nas redes sociais.
Sérgio Moro é filho do republicanismo petista. Sua atuação francamente antipetista jamais foi contestada pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Moro teve campo livre para ir fazendo coisas indecentes como forçar Lula a um depoimento e grampear conversas presidenciais.
Tudo em nome do republicanismo.
Mas em nenhuma área a postura autodestrutiva do PT foi mais deletéria para a democracia do que na imprensa.
As empresas jornalísticas que orquestram o golpe foram amplamente financiadas por Lula e Dilma por meio de verbas publicitárias bilionárias.
Apenas a Globo recebeu anualmente 500 milhões de reais com audiências declinantes e um conteúdo jornalístico criminoso. Tudo isso sem contar a tolice que é um governo petista fazer propaganda para um público – o da Globo – que abomina qualquer coisa ligada ao PT.
Lula teve uma esplêndida oportunidade de moralizar as verbas publicitárias governamentais. Sua administração poderia partir da chamada base zero para determinar os gastos com propaganda.
Outros presidentes, antes de Lula, fizeram o mesmo. Mas em troca de apoio. FHC abarrotou a Globo de dinheiro público, não apenas pela publicidade mas por financiamentos de bancos estatais, mas foi tratado como um estadista imaculado. A Globo simplesmente ignorou a compra de votos no Congresso que permitiu o segundo mandato do decano dos golpistas de 2016.
Num país como a Suécia, o republicanismo é uma virtude admirável porque sua plutocracia é civilizada.
Num país como o Brasil, em que a plutocracia é predadora, republicanismo, para voltar à metáfora do futebol, é você jogar com onze quando o adversário tem 13 e mais um juiz ladrão.

"Um bando de ladrões querem atentar a uma presidenta honesta" Ciro Gomes


Sinal de alerta


"O clima de punição a todo custo em voga no Brasil tem levado instituições e opinião pública a naturalizarem ilegalidades. Com a democracia em jogo, o movimento que o País vive hoje é temeroso e lembra o cenário de países que foram palcos de golpes de Estado recentemente na América Latina. O diagnóstico é feito pelo magistrado Roberto Caldas, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão judicial ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Caldas, ex-membro da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo e à frente da Corte desde o início do ano, alerta para características de um curso similar aos casos da Venezuela em 2002, quando da tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chávez, de Honduras em 2009, quando Manuel Zelaya foi retirado de casa ainda de pijamas e enviado em um avião para a Costa Rica, e do Paraguai em 2012, quando o Congresso votou em menos de 48h pelo impeachment de Fernando Lugo".
     .  Carta Capital

Um golpe na agenda social do país





Faz parte do pacote , embalado pelo projeto “Ponte para o futuro”, do PMDB de Michel Temer: desvinculação de 25% de receitas dos estados, municípios e do Distrito Federal dos recursos de áreas vitais como saúde, educação e tecnologia. A PEC 143/2015 foi aprovada na surdina pelo Senado. Digo na surdina porque não mereceu uma linha nos grandes jornais e nem qualquer menção nos telejornais das grandes redes de televisão, que só tem olhos para o impeachment. Adverte o senador Requião que isso é apenas uma mostra do que virá por aí, caso Michel Temer vire presidente da república, com Eduardo Cunha na vice. Veja o discurso feito no senado sobre o assunto pelo senador paranaense Roberto Requião que, gostem ou não, ainda é um dos poucos que levantam no parlamento brasileiro a bandeira da justiça social. 

          

11 de abril de 2016

Acreditem, mas aplaudiram o assassinato dos sem terra na ALEP


Na sessão de sexta-feira na Assembleia Legislativa do Estado, muita gente que ocupava as galerias, aplaudiu a morte dos sem-terra na Fazenda Araupel. A PM se disse surpreendida por uma tocaia, mas o senador Requião denuncia que um dos trabalhadores mortos levou um tiro nas costas. Como pode alguém que está de tocaia ser alvejado nas costas? O aplauso pelo assassinato de dois seres humanos  seria caso de prisão em qualquer país democrático  do mundo, por incitação à violência. Ainda mais que está provado que as terras da Araupel são devolutas. Já há decisão judicial determinando que tal propriedade pertence à União. Portanto, os invasores da fazenda não são exatamente os trabalhadores sem-terra.



8 de abril de 2016

Carta Aberta à Comunidade Acadêmica Internacional


"Nós, pesquisadores e professores universitários brasileiros, dirigimo-nos à comunidade acadêmica internacional para denunciar um grave processo de ruptura da legalidade atualmente em curso no Brasil.
Depois de um longo histórico de golpes e de uma violenta ditadura militar, o país tem vivido, até hoje, seu mais longo período de estabilidade democrática – sob a égide da Constituição de 1988, que consagrou um extenso rol de direitos individuais e sociais.
Apesar de importantes avanços sociais nos últimos anos, o Brasil permanece um país profundamente desigual, com um sistema político marcado por um elevado nível de clientelismo e de corrupção. A influência de grandes empresas nas eleições, por meio do financiamento privado de campanhas, provocou sucessivos escândalos de corrupção que vêm atingindo toda a classe política.
O combate à corrupção tornou-se um clamor nacional. Órgãos de controle do Estado têm respondido a esta exigência e, nos últimos anos, as ações anticorrupção se intensificaram, atingindo a elite política e grandes empresas.
No entanto, há uma instrumentalização política desse discurso para desestabilização de um governo democraticamente eleito, de modo a aprofundar a grave crise econômica e política atravessada pelo país.
Um dos epicentros que instrumentaliza e desestabiliza o governo vem de setores de um poder que deveria zelar pela integridade politica e legal do país.
A chamada “Operação Lava Jato”, dirigida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que há dois anos centraliza as principais investigações contra a corrupção, tem sido maculada pelo uso constante e injustificado de medidas que a legislação brasileira estabelece como excepcionais, tais como a prisão preventiva de acusados e a condução coercitiva de testemunhas. As prisões arbitrárias são abertamente justificadas como forma de pressionar os acusados e deles obter delações contra supostos cúmplices. Há um vazamento permanente e seletivo de informações dos processos para os meios de comunicação. Existem indícios de que operações policiais são combinadas com veículos de imprensa, a fim de ampliar a exposição de seus alvos. Até a Presidenta da República foi alvo de escuta telefônica ilegal. Trechos das escutas telefônicas, tanto legais quanto ilegais, foram apresentados à mídia para divulgação pública, ainda que tratassem apenas de assuntos pessoais sem qualquer relevância para a investigação, com o intuito exclusivo de constranger determinadas personalidades políticas.
As denúncias que emergem contra líderes dos partidos de oposição têm sido em grande medida desprezadas nas investigações e silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia. Por outro lado, embora não pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a “Operação Lava Jato” tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso na Câmara dos Deputados – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho de Ética dessa mesma casa legislativa.
Quando a forma de proceder das autoridades públicas esbarra nos direitos fundamentais dos cidadãos, atropelando regras liberais básicas de presunção de inocência, isonomia jurídica, devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa, é preciso ter cautela. A tentação de fins nobres é forte o suficiente para justificar atropelos procedimentais e aí é que reside um enorme perigo.
 O juiz Sérgio Moro já não possui a isenção e a imparcialidade necessárias para continuar responsável pelas investigações em curso. O combate à corrupção precisa ser feito dentro dos estritos limites da legalidade, com respeito aos direitos fundamentais dos acusados.
O risco da ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) -, pode comprometer a democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem precedentes.

Por isso gostaríamos de pedir a solidariedade e o apoio da comunidade acadêmica internacional, em defesa da legalidade e das instituições democráticas no Brasil".
A carta dem 3.216 assinaturas

7 de abril de 2016

É bem isso

DEPENDÊNCIA DO DINHEIRO PÚBLICO. ISSO EXPLICA, EM PARTE,  A POSTURA DA GLOBO E A VASSALAGEM DOS SEUS APRESENTADORES E COMENTARISTAS.
                 . Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

O que leva jornalistas graduados da Globo a se engajarem tão ferozmente na tentativa de golpe comandada por sua empresa?
É uma pergunta fascinante, e de resposta complexa.
Existem as razões miseráveis de sempre, mas há mais que isso. Bajulação, vassalagem e coisas do gênero contam apenas parte da história.
Há um fator provavelmente mais importante que tudo isso: medo. Pavor.
Jornalistas como Merval, ou Waack, ou Míriam Leitão, para citar alguns entre tantos, sabem que seu emprego corre enorme risco caso não se concretize um golpe que mantenha franqueado o acesso irrestrito da Globo aos cofres públicos.
A Globo tem uma dependência brutal do dinheiro do contribuinte. Apenas em publicidade de estatais, e estamos falando somente da tevê, arrecada cerca de 500 milhões de reais por ano.
A Globo sempre se valeu também de empréstimos indecentes do BNDES. Sua gráfica – um investimento estúpido dos anos 90, quando a internet já mostrava sua força – foi financiada pelo BNDES.
Na gestão FHC, um aporte do BNDES salvou a empresa da bancarrota depois de mais um investimento fracassado, este em tevê a cabo.
FHC devia “favores especiais” à Globo – tirar de cena a amante perigosa, Mírian Dutra, jornalista da emissora. Tivesse Mírian delatado FHC e provavelmente não teríamos que suportar hoje suas monocórdias e farisaicas prédicas pseudomoralistas.
Em outra passagem clássica, a Globo construiu o Projac com dinheiro do antigo banco estadual do Rio, o Banerj. O empréstimo foi pago com anúncios, o que levou o Pasquim na ocasião a definir Roberto Marinho como o maior ladrão de bancos da história do Brasil.
Um macaco teria feito a Globo ser o que é, tantas as mamatas e tamanhos os privilégios. Isto é, desde que o amigo símio estivesse disposto a vender a alma.
Este fantástico esquema de irrigação de cofres com recursos públicos depende de um golpe para prosseguir.
É claro que o governo petista, ainda que com formidável atraso, não vai mais financiar uma empresa que é capaz de tudo para derrubar uma democracia.
Se Dilma fica até 2018 e Lula se elege por mais quatro anos, a Globo estará condenada à morte. Ou, na melhor das hipóteses, a uma agonia parecida com a da Editora Abril.
Não é só o dinheiro público que vai sumir. Fora isso, a Era Digital fez da mídia que sustenta a Globo, a tevê, um veículo em acentuada decadência. O que ocorre hoje com a mídia imprensa é o que aguarda a televisão amanhã.
Inexoravelmente.
Tudo isso posto, como a Globo vai manter sua estrutura obesa de jornalistas caros, ainda que recorra a esquemas sonegadores como a prática do PJ?
Não há milagre.
Os maiores salários são os primeiros a ser eliminados quando a situação definitivamente se complica. A Editora Abril, por exemplo, acaba de demitir o diretor de redação da Veja, Eurípides Alcântara, depois de dizimar os redatores-chefes da revista.
Ali Kamel cabe numa Globo bilionária patrocinada pelo dinheiro público. Mas e numa Globo sem isso e com os anunciantes migrando para a internet?
Na Inglaterra, a internet já responde por metade do bolo publicitário. Todas as demais mídias – tevê, jornais, rádios – disputam o resto.
No Brasil, isso não vai demorar a acontecer.
Os jornalistas mais caros da Globo ficarão inviáveis. (Não só eles, aliás: os executivos também.)
Um golpe colocaria um presidente amigo, e isso significaria para a Globo a manutenção da fábrica fácil de fazer dinheiro.
Os jornalistas da Globo sabem que, sem isso, estarão numa empresa dinossauro em que terminarão demitidos com cartas bonitas de despedida pelos serviços sujos prestados.

Por isso, sobretudo, se engajam tão dramaticamente na luta contra a democracia: pela própria sobrevivência profissional.

3 de abril de 2016

Orgulho do Nrdeste


Empresa de energia lança campanha Orgulho De Ser Nordeste
" A Coelce, distribuidora de energia do Ceará, lança, segunda, nas redes sociais, o movimento ‪#‎OrgulhoDeSerNordeste‬. Vai incentivar que os internautas manifestem carinho pelas raízes nordestinas. Além disso, a campanha vai promover, pelo Facebook, um “desafio de cordel”.
. Blog do Ancelmo Góis 

2 de abril de 2016


Temer quer nos dar um cavalo de troia de presente



A Constituição prevê o impeachment, isso todo mundo sabe. Mas o que se discute é a forma como se quer chegar ao impedimento da presidente Dilma e a maneira sórdida como se busca crime de responsabilidade, onde respeitáveis juristas insistem que crime não há. Por isso é que se diz que o impeachment é golpe.
O que foge à compreensão da esmagadora maioria dos brasileiros, gente de bem com toda certeza, é o que se esconde por trás do que se trama nos bastidores do poder político. O golpe, adverte o professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani , “é o cavalo de troia da implantação definitiva do projeto neo liberal no Brasil”.
Já ficou claro no projeto “Ponte para o Futuro” do vice Michel Temer que , uma vez concretizado o impedimento da presidente, ele assume a coloca em andamento projetos de redução, ao mínimo possível, da participação do Estado na economia brasileira. Tudo começa pelo desmonte de mecanismos de proteção social, como alguns subsídios e políticas compensatórias, de distribuição efetiva de renda.
No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso isso já foi tentado. Lembram-se dos debates a cerca da flexibilização da CLT? Flexibilizar significa fragilizar e, na esteira desse processo de fragilização, acabar com conquista dos trabalhadores, tipo multa de 40% do FGTS em caso de demissão sem justa causa e adicional de férias. Por mais que o 13º. Salário movimente a economia no final do ano e por mais ganho que traga ao setor produtivo, esta é uma conquista do trabalhador que o empresariado quer rever.
Some-se a tudo isso, o desejo de suprimir programas sociais comprovadamente de sucesso, como o Fies, que não foi implantado no governo PT, mas oxigenado de tal maneira, a permitir o acesso das classes menos aquinhoadas à educação de terceiro grau. Certamente, “Ponte para o Futuro” desmontará o “Ciência sem Fronteira”, o Pronatec e outros programas inclusivos.
Seria, sem dúvida, um enorme passo atrás. Daí porque o professor chamar isso de cavalo de troia, ou , como queiram, presente de grego, expressão originária da Guerra de Troia , quando um cavalo de madeira foi deixado junto aos muros de Tróia pelos Gregos, supostamente como um presente. Conta a história que “Os troianos levaram o cavalo para dentro de seus muros, acreditando que suposto presente era uma rendição dos gregos. No entanto, dentro do cavalo se encontravam vários soldados gregos. Durante a noite e após os troianos terem se embebedado e a maioria já estar dormindo, os gregos abriram os portões para que todo o exército entrasse e destruísse a cidade completamente”.
A comparação está no fato de que , para viabilizar uma saída da crise que nos afeta a todos , as elites econômica e política do país realimentam o propósito de meter as mãos nos recursos públicos protegidos pela Constituição de 1988. “Eles querem implantar aquelas mesmas medidas que não conseguiram na década de 1990, durante o governo FHC, e também nos três primeiros anos do governo Lula, quando o então ministro Antônio Palocci comandava uma equipe econômica vinculada ao mercado financeiro”, afirma o professos Fagnani.
Segundo ele “as elites brasileiras não acompanharam os avanços registrados pela sociedade desde 1960. Essas elites ainda adotam as mesmas práticas predatórias do passado e não conseguem conviver com antagonismos. Como em 1964, elas querem a derrubada do regime democrático. Elas não conseguem conviver com o estado democrático e, por isso, partem para sua destruição e dissolução, o que ocorre através do golpe, ilegal e ilegítimo”.

“Prova cabal de que o golpe é somente o caminho para o aprofundamento do neoliberalismo , é o documento “Ponte para o futuro”, lançado pela banda golpista do PMDB como alternativa de projeto para o país, mas que serve mesmo, na prática, como o cartão de apresentação da campanha “Temer presidente".
O projeto de Brasil apresentado por Temer, e que foi demolido pelo senador peemedebista Roberto Requião, em discurso no Senado, propõe o estado mínimo, com o esfacelamento de todas as políticas de proteção social implementadas nos últimos anos. E esse esfacelamento já começou pela aprovação repentina do projeto de terceirização pela Câmara dos Deputados.
A terceirização, tal qual foi proposta pelo deputado-empresário Sandro Mabel, não se restringe a atividade-meio, tanto no setor público quanto no privado. Chega fatalmente à atividade fim, como praga a corroer as relações de trabalho .
E quer saber? Não serão apenas os trabalhadores que sairão perdendo, não. A atividade produtiva como um todo, porque ao terceirizar tudo, como forma de se livrar de obrigações trabalhistas, tanto a produção de bens quanto a prestação de serviços sofreriam uma queda de qualidade espantosa. E aí é um perde-perde que não tem tamanho. A quem, afinal, interessa a precarização dos direitos trabalhistas? A empresário sério e preocupado com qualidade de vida dos seus trabalhadores é que não.
Só pra citar um exemplo prático recente envolvendo uma estatal paranaense: a Sanepar pós-governo Lerner terceirizou vários dos seus serviços, alguns importantes que até poderiam ser classificados como atividade fim, caso da leitura de hidrômetros e emissão das faturas, que é por onde a empresa consolida o seu faturamento. A terceirizada não honrava seus compromissos com os trabalhadores, até que chegou um dia que seus diretores anoiteceram e não amanheceram. Choveram ações trabalhistas e, claro, a empresa teve , como solidária, que indenizar a maioria dos terceirizados .
Digo isso com um certo conhecimento de causa porque trabalhei na assessoria de imprensa da Sanepar em Maringá durante 10 anos , como contratado da Fundação Sanepar. A partir do governo Lerner , quando a Sanepar teve alterado seu organograma, com a supressão das superintendências regionais, meu vínculo empregatício foi transferido para uma empresa prestadora chamada Mercado, que simplesmente fechou as portas sem, sequer, pagar as verbas rescisórias.
A terceirização é isso e mais um pouco. E é por aí que caminhará o governo de transição de Michel Temer, a ser exercido por uma coalizão muito sombria, com partidos que estão hoje na oposição, como é o caso do PSDB , do DEM e do PPS dos “limpinhos” Rubens Bueno e Roberto Freire. Que Deus tenha piedade de nós.

Temer é sério candidato ao troféu da indignidade


Do alto da sua experiência política, que não é pequena, o senador Álvaro Dias aconselha  Michel Temer a também entregar o seu cargo de vice-presidente da república, já que o PMDB por ele comandado exigiu que todos os ministros e ocupantes de cargos de confiança no governo pulassem do barco.
Agora no PV, o ex-tucano escreveu em sua página do Facebook:"Renuncia. E o cargo mais importante do partido, o de vice-presidente? Temer não vai entregar? Assim fica consagrado o maior espetáculo de traição, covardia e oportunismo político de nossa história". Álvaro vai mais longe dizendo que se assumir no lugar de Dilma, Michel Temer receberá o Oscar da indignidade política. Como discordar disso?


1 de abril de 2016

Primeiro de abril


Cuidado com o conjunto da obra


“Conjunto da obra”  é a nova expressão exaustivamente usada por defensores do impeachment  para justificar suas posições. Até o Sardemberg, comentarista da   CBN  anda mudando o tom da conversa. Não fala mais em pedaladas fiscais como crime de responsabilidade, mas como crime que pode ser perdoado “e no caso da presidente Dilma seria se a economia estivesse crescendo, se a situação econômica do país estivesse um pouco melhor”.

Mas,  diz  Sardemberg , fazendo coro com lideranças partidárias , com alguns juristas e economistas: “a presidente da república deve ser impichada pelo conjunto da obra”. Hoje de manhã ouvi o ex-presidente Fernando Henrique dizer na Globo News que o problema da Dilma, que alimenta o processo de impedimento é o conjunto da obra. Até  Janaína Paschoal, a advogada que virou estrela ao defender o pedido de impeachment que ela protocolou na Câmara junto com Miguel Reale e Hélio Biudo,  falou em conjunto da obra.E se tornou a nova musa do golpe midiático.

Então é assim, a presidente da república corre o risco de ser apeada do poder, não mais por pedaladas fiscais, que muitos juristas tem dito que não configuram crime de responsabilidade, mas pelo conjunto da obra. Então fiquei pensando uma manchete da Folha de São Paulo e do Estadão mais ou menos assim, em caso de impeachment: “O congresso cassa a presidente pelo conjunto da obra”.

Um artista plástico, um músico famoso, um escritor de respeito, qualquer um deles pode parar numa cadeira de imortal, como na Academia Brasileira de Letras, por exemplo,  ou pode ser hostilizado na rua e apanhar da mídia, por conta do com junto da sua obra. Portanto, cuidado, logo o conjunto da obra será objeto de investigação da Lava-Jato.