17 de outubro de 2017

13 de outubro de 2017

"Não sabe o imbecil, que da sua ignorância..."!


Sei que muita gente torce o nariz quando o assunto é  Roberto Requião.  Compreensível , pois afinal de contas,  o seu comportamento agressivo e sempre descortês com aqueles que o contrariam causa antipatia e às vezes repulsas. Esse lado  do senador também confesso que não gosto e até lamento, porque não fosse isso ele já teria sido candidato viável a presidente da república. Porém, uma coisa não tem como negar: Requião é de uma consistência ideológica e intelectual impressionante. Sem falar na coragem que ele adiciona à sua condição de um dos grandes oradores do parlamento brasileiro.
Esta semana Requião subiu à tribuna do Senado e fez um discurso que só não teve grande repercussão  porque ele é uma espécie de persona non grata da mídia comercial, a qual não poupa em seus ácidos pronunciamentos.

Pegando como gancho o texto  O Analfabeto Político de Bertolt Brecht , Requião detonou ocupantes das cadeiras no Congresso Nacional, o atual governo , o poder judiciário e setores da sociedade, compostos por analfabetos políticos graduados. A peça oratória é muito forte mas deveria servir como texto de cabeceira para que os brasileiros de bom senso reflitam na cama.
O discurso é longo, mas reproduzo alguns trechos que achei muito fortes e que traçam, na verdade ,  um retrato de ponto grande da sociedade brasileira, começando pela definição do grande pensador alemão:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
Requião se reporta dessa maneira à “república dos analfabetos políticos”:
“Talvez estejamos vivendo hoje um dos momentos mais sombrios  da história do nosso país. Estamos assistindo ao esplendor da ignorância, da desinformação e do obscurantismo”.
“O analfabetismo político não é um privilégio dos iletrados, dos incultos. O analfabetismo político nesses dias tão trevosos da historia do Brasil dá os ares da sua desgraça no Parlamento, no Executivo, no Judiciário, no Ministério Público. Entroniza-se com fanfarras e foguetórios  nas redações da nossa gloriosa mídia comercial”.
“O Senado e a casa ao lado atulham-se de pessoas assim. O Brasil à beira da extinção e essa casa tomada por reivindicações corporativas. O Brasil à beira da extinção e os ocupantes dos assentos dessa casa e da casa vizinha, tomados por parlamentares voltados para o próprio umbigo, cegos para a realidade das coisas. Troca-se um cargo e  uma emenda parlamentar pela soberania do país”.
“Para o analfabeto político pouco importa se vendem as nossas terras e as nossas florestas, se entregam nosso petróleo e nossas riquezas minerais, se arrasam o parque industrial brasileiro”.
“Sob os aplausos da mídia venal, leiloam as hidrelétricas a preços de pipoca, entregando-as, pasmem ó analfabetos, a empresas controladas pelo estado francês, chinês ou italiano. Que se dá a eles, aos analfabetos políticos, se os gastos públicos são congelados por inacreditáveis 20 anos? Se provocam a contração da economia e depois comemoram a queda da inflação e a redução de juros, com uma economia totalmente parada? O que há a comemorar se liquidam direitos e pulverizam conquistas?”
“O Brasil à beira da extinção como nação soberana e os analfabetos políticos com a cabeça enterrada na areia. Os analfabetos políticos graduados não atilam que a grande corrupção, a mãe da corrupção no país é a entrega do país aos interesses imperiais, sempre a preços vil, sempre  sob tramites suspeitos, sempre promovido por gente suspeita, por gente escolada em todo tipo de compra e venda”.
“Ora, senhoras e senhores justiceiros, queridas e queridos, será que não ocorrem às senhoras e aos senhores que são essas pessoas que deveriam estar na cadeia? Pessoas que estão a frente da venda das hidrelétricas, do petróleo, de terra, da floresta amazônica, dos portos, dos aeroportos e das estradas? As senhoras e os senhores acreditam que dessa vez eles  estão agindo honestamente? São os mesmos que agiam ontem, que agem hoje nesse descalabro entreguista. Esta é a maior prova de que o combate a corrupção é apenas um biombo, uma tapadeira, um pretexto deslavado para a submissão total e irrestrita do Brasil à globalização imperial, ao capital financeiro vadio”.
“O analfabeto político está sempre pronto para aderir ao primeiro picareta que surja na esquina desfraldando as bandeiras da moralidade; o analfabeto político adora os administradores (entre aspas) , os “técnicos”, os “empresários” . O analfabeto político tem queda por apresentadores de televisão”.
“O analfabeto político em sua ignorância impermeável  está sempre alerta, eternamente vigilante para apoiar  até mesmo um Luciano Hulke , um Dória ou, talvez até um Alexandre Frota”.
“OH Deus misericordioso! |Senhoras e senhores,  arremato com a parte final do texto de Brecht : `Não sabe o imbecil que da sua ignorância política, nasce a prostituta e o menor abandonado, o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e internacionais`.

9 de outubro de 2017

Tá russo


O fim das coligações nas proporcionais só  deverá ocorrer a partir de 2020. Para o ano que vem os partidos ainda deverão se coligar, atrelando a disputa por cadeiras nas assembleias legislativas e  Câmara Federal às candidaturas de governador.
No Paraná, segundo análise do blogueiro Esmael Morais , um dos partidos que mais deverá ter problemas para manter sua bancada em Brasília é o PT, que  mantém hoje  na Câmara Federal os deputados Ênio Verri e Zéca Dirceu.

As perspectivas não são boas, porque além da possibilidade de conquistar apenas uma vaga, Ênio e Zeca ainda deverão ter a concorrência da atual senadora Gleisi Hofmann, com chances reduzidíssimas de voltar ao Senado.

Dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, segundo Esmael, já se convencionou chamar o trio de “Grupo da Morte”. Dois deles poderão dançar. Mas há uma saída: seria o PT fazer uma aliança com Requião (PMDB) , que deve disputar  novamente a sucessão estadual. Tendo um bom puxador de votos na majoritária, o PT poderia almejar , pelo menos, a  manutenção das duas cadeiras que ostenta hoje. Nesse caso, as chances maiores seriam de Gleisi e Ênio.  Zéca Dirceu, por conta da situação jurídica do pai, está mais queimado do que pão francês de padeiro distraído.


Brasil em tempo de servidão


O ministro do TST, Maurício Godinho Delgado compara a jornada intermitente, contida na reforma trabalhista, como uma espécie de servidão voluntária.
  “Com todo respeito, a reforma retira muitos direitos, mas com uma inteligência, com uma sagacidade sem par. Os direitos serão retirados no dia a dia da relação de emprego. Um exemplo claro é  trecho da  lei que estabelece que benefícios como ajuda de custo, auxílio alimentação, abonos e diárias para viagens não são parte do salário. Ao fazer isso, tecnicamente, a reforma já está rebaixando o ganho econômico do trabalhador, sem contar que está rebaixando também a arrecadação do Estado”, enfatizou o ministro do Tribunal Superior do Trabalho.
O contrato de servidão a que se refere o magistrado  não possibilitará que o trabalhador possa ter crédito bancário. “Isso porque o salário dele é absolutamente desconhecido, nem o empregador sabe, nem ele saberá”.  Delgado critica duramente  a regra que prevê que os custos de um processo trabalhista serão divididos entre empresa e funcionário. “Por essa fórmula ingressar com ação trabalhista torna-se um risco terrível para o pobre. Era só o que faltava: o pobre ainda correr risco de sair com um passivo trabalhista às avessas”, concluiu.


Que justiça é essa?


Seu Divino sofreu um AVC, está em cadeira de rodas , tomando medicação controlada e usando frauda geriátrica. Levado pelo filho a uma repartição pública de São Paulo para tirar segunda via da carteira de identidade, seu Divino foi preso, porque a servidora que o atendeu, levantou que ele tinha uma condenação por pensão alimentícia não paga. A sentença é de 10 anos atras e foi cumprida agora, inclusive quando os filhos do segundo casamento do réu já são todos maiores de idade. Não é possível que ao prender um homem nessas condições, o delegado não tenha se sensibilizado e tentado junto à Justiça, uma análise das condições físicas do réu. Ele simplesmente foi colocado numa cela comum, junto com marginais perigosos e lá estava até hoje, contemplando a grade sem sequer entender o que está acontecendo, pois nem fala mais e até tem dificuldade de reconhecer as pessoas. Inevitável a pergunta: que Justiça é essa?

O fato foi noticiado pelo blogueiro Eduardo Guimarães, de São Paulo, que não só denunciou a prisão absurda, como arrumou um advogado para tentar tirar o pobre homem, de 69 anos, da cadeia. Diante de uma coisa tão absurda como esta, a gente não sabe se fica mais indignado ou mais preocupado com a absoluta falta de sensibilidade de certos operadores do Direito.

21 de setembro de 2017

Será que tem jeito? Cristo há de rever sua posição


Vi agora no Bom Dia Brasil uma matéria sobre a inatividade dos conselhos de ética da Câmara e  do Senado. Na Câmara a coisa é feia mesmo. Tem deputado que durante o dia participa das atividades parlamentares e à noite vai dormir na cadeia; tem parlamentar investigado, um até que foi flagrado por câmera indiscreta recebendo propina e deixando  cair maços de dinheiro do bolso do paletó.
Apesar de tudo isso, o Conselho de Ética da casa parece não existir. O último deputado submetido ao Conselho e que acabou cassado foi Eduardo Cunha, assim mesmo porque a pressão da sociedade foi gigantesca. Entre os membros que compõem este conselho na Câmara Federal alguns são denunciados, processados, réus. E nada. No Senado, o último a sofrer sanção foi Delcídio do Amaral. Aécio, a despeito de todas as provas, foi inocentado e teve seu processo arquivado sem maiores explicações.
Enfim, com raríssimas e honrosas exceções, os partidos se descaracterizaram e seus líderes perderam a vergonha (se é que um dia tiveram). A corrupção está nas entranhas da política brasileira e, ironicamente, os telejornais mostram diariamente declarações de parlamentares falando em ética e moral pública, quando da ética e da moral passam a quilômetros. E pensar que no nosso vizinho Uruguai, um vice-presidente renunciou ao cargo de segundo mandatário do país, só porque o Conselho de Ética do seu partido passou nele uma carraspana corretiva.
A desfaçatez no Brasil é tão grande que de vem em quando eu me pego  perguntando aos meus botões: “Será que o Brasil tem jeito?”  E aí,  encontro uma resposta que me angustia mais ainda: “Tem jeito, não. Nem no meu tempo, nem dos meus filhos, nem dos meus netos”. E Cristo, lá de cima, completa : “Nem no meu”.
Mas antes que algum espírito de porco pense que esse quadro de suprema desmoralização dos políticos justificaria um golpe militar, vamos lembrar Winston Churchil: “A democracia é a  pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”

18 de setembro de 2017

O vergonhoso papel do Brasil no processo de invasão que Trump trama contra a Venezuela


O presidente Donal Trump convocou países sul-americanos para uma reunião, no mínimo  estranha. Ele quer na verdade, apoio dos vizinhos da Venezuela para poder invadir o país de Maduro, não porque está preocupado com os problemas políticos e sociais daquele povo, mas porque apear Maduro do poder facilita para as grandes companhias de petróleo dos Estados Unidos se apoderarem das reservas venezuelanas,  que estão entre as maiores do mundo. O governo brasileiro, claro, vai ao encontro do “doidão” da Casa Branca abanando o rabo feito cachorro vira-lata.
O Brasil, pelo peso que tem na América Latina, será o principal membro dessa aliança. O governo Temer deve se jogar de cabeça no processo de confrontação da Venezuela, que engana-se quem pensa que está sozinha. O seu petróleo chama a atenção também da Rússia e da China, que certamente se colocarão do lado de Nicolás Maduro.

O senador paranaense Roberto Requião, que preside o Parlamento Latino-Americano, critica a posição brasilçeira , cujo governo “não se interessa pela crise de seus vizinhos, mas, vergonhosamente, pode se transformar numa “bucha de canhão” de Trump”. Requião aponta que os primeiros passos dessa submissão ao Grande Irmão do Norte foram o exercício militar conjunto das formas armadas do Brasil e dos EUA na Amazônia. As tropas norte-americanas deverão desembarcar em novembro no município de Tabatinga, às margens do Rio Solimões, para iniciar as manobras preparativas da eventual invasão. “Brasil, Colômbia e Peru foram chamados aos Estados Unidos para fazerem o trabalho sujo contra a Venezuela”, denuncia Requião que já presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado. “A América Latina pode ser transformada em um novo Afeganistão”, alerta.

 

15 de setembro de 2017

Marchese a sua impaciência com quem o confronta


Muito boa e oportuna a nota do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná em  apoio e solidariedade aos jornalistas Pauline Almeida e Luiz Fernando Cardoso, de O Diário do Norte do Paraná, “os mais recentes alvos do vereador Homero Marchese, do Partido Verde. O vereador, ligado ao MBL,” já brigou com praticamente todos os veículos de comunicação  e comunicadores de Maringá, por não admitir ser criticado”.
Desde que Marchese começou a se mostrar impaciente com os que contestam sua atuação na Câmara Municipal, que penso: “O que leva um estreante no Legislativo, para onde foi enviado com votação surpreendente, a assumir o mandato já se achando maior  do que o poder que passou a integrar?”
Não deve ser apenas soberba. Imagino ser fruto de uma formação política e ideológica  totalmente equivocada. Nesse caso, a vivência e as críticas recebidas podem levá-lo a refletir melhor sobre suas atitudes nada republicanas . Pode, mas não há indicativo de que  isso venha a acontecer.  Marchese , convenhamos, está sempre dando demonstração clara de que, se há uma qualidade que ele faz questão de não cultivar é a da humildade.

5 de setembro de 2017

Gedel, Gedel! Se não tens abelha como podes ter tanto mel?




Toda essa granam, cujo valor total ainda não foi divulgado, a PF apreendeu na casa de Getel Vieira Lima, em Salvador. Envolvido até a medula em escândalos de corrupção, Gedel era um dos homens fortes de Michel Temer até ser denunciado por um colega ministro no caso de um ap que ele tinha num dos prédios mais chics da capital baiana.

28 de agosto de 2017

Procurador entra com ADIN contra "reforma" trabalhista


JANOT VAI AO STF CONTRA MALDADE QUE FAZ INVEJA AO CAPIROTO
A reforma trabalhista, que virou lei, sancionada pelo presidente Temer, traz algumas maldades que deixa o Capiroto com inveja. Uma delas é o fim da gratuidade da Justiça Trabalhista, que agora está sendo questionado junto ao Supremo pelo procurador Rodrigo Janot. Ele protocolou na última sexta-feira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ao artigo que passa para o sucumbente (perdedor da ação) o dever de arcar com os custos do processo e honorários advocatícios, seja ele empregador ou empregado.
No caso do empregado, a quem a CLT protegia por ser a parte frágil da relação capital x trabalho, de nada adiantará ele provar que não tem condições de arcar com a sucumbência, porque vai ter que rebolar. Ou seja, o cidadão não tem seus direitos trabalhistas respeitados e quando bate à porta da justiça corre o risco de ser penalizado por ir atrás dos seus direitos.
Dizem os críticos da Justiça do Trabalho que o Brasil é campeão de ações , coisa que não existe nas relações de trabalho em países desenvolvidos. Mas esquecem que nesses países, até mesmo nos Estados Unidos que é sempre citado como referência, não pagar verbas rescisórias dá cadeia. Na Escócia por exemplo, se o empregado provar que foi passado para trás pelo patrão, é caso pra BO.
Vale lembrar que, segundo levantamento divulgado pelo Procurador Geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, metade das ações protocoladas na primeira instância da Justiça Trabalhista do Brasil é proveniente de verbas rescisórias não pagas. Isso , claro é, calote contra o trabalhador, que em muitos países daria cadeia.

21 de agosto de 2017

O desmanche deliberado do estado brasileiro


A situação política brasileira nunca foi tão imprevisível como atualmente; são tempos de enorme imponderabilidade. Denúncias e escândalos se sucedem vertiginosamente, a Nação é desmanchada com incrível ferocidade e o Estado de Direito está sendo violentado até a morte por ataques contínuos à democracia.
Isso tudo se desenrola num ambiente de exceção jurídica e de caos institucional em que viceja a atuação anômala dos não-eleitos – os empoderados sem voto popular – na arena da política: a mídia, o judiciário, ministério público, polícia federal, sistema financeiro e o grande capital.
Todo arsenal de análise da conjuntura e prospecção do futuro que era válido até antes do golpe de 2016, hoje já não oferece muita utilidade. Se é difícil estimar as tendências para o dia seguinte, prospectar saídas de médio e longo prazos para a situação atual é uma tarefa irrealizável.
Chegamos, por outro lado, a um ponto em que valores e referências como a sensatez, a decência e a legalidade perderam totalmente sentido.
Quem, em sã consciência, poderia imaginar que o conspirador Michel Temer ainda continuaria ocupando o Palácio do Planalto mesmo após ser flagrado altas horas da noite, numa agenda secreta, combinando crimes com um empresário-corruptor?
A blindagem assegurada ao Temer pela Câmara dos Deputados, com o objetivo de impedir seu julgamento pelo STF, é um marco da desfaçatez, do cinismo e da hipocrisia reinantes.
Com este vale-tudo da política e da justiça, toda classe de vilania e tirania passou a ser autorizada, aceita e validada. No Brasil golpeado e submetido ao regime de exceção, vige um “novo normal” à margem do Estado de Direito e da democracia.
Se tudo pode ser feito sem obediência às normas e às regras instituídas e, além disso, em afronta ao pacto social de 1988, então tudo estará autorizado, tudo estará validado, e o Brasil continuará o mergulho trágico nas profundezas do regime de exceção.
A partir do momento em que o establishment consumou, com a cumplicidade do STF, o processo fraudulento que derrubou uma Presidente honesta e inocente para colocar em seu lugar um conspirador corrupto, iniciou-se o festival de arbitrariedades e abusos que está longe de acabar.


11 de agosto de 2017

Acabar com o carrapato matando a vaca


Eis a lógica da reforma trabalhista com relação ao sindicalismo obreiro

Dos 7 mil existentes no país, 4 mil são sindicatos que não tem representatividade quase nenhuma e portanto , sequer negociam convenções coletivas. Isso é um fato concreto que demandaria um amplo debate entre os próprios trabalhadores em torno de um projeto amplo de reforma sindical.
O Brasil, claro, precisa de um sindicalismo independente. Já é passada a hora disso acontecer. Mas tal modelo teria que ser forjado no debate entre sindicatos obreiros , federações, confederações e centrais, e com aquilo que o saudoso Luiz Melodia chamaria de “auxilio luxuoso” de especialistas em Direito do Trabalho e em relações sociais, envolvendo empregados e patrões.
Ao invés disso o governo Temer decidiu dar uma paulada direta na cabeça do sindicalismo, tirando dos sindicatos a sua principal fonte de financiamento. O imposto sindical é o responsável pela proliferação dos chamados “sindicatos de carimbo”, mas é ao mesmo tempo também, responsável pelo surgimento e consolidação de sindicatos fortes , que atuam dignamente em favor das  categorias profissionais que representam.
O fim do imposto sindical inviabiliza a todos, os que merecem e os que não merecem subsistir com o nome de sindicato. O problema é que ao enfraquecer os legítimos representantes de grandes categorias profissionais, a reforma trabalhista mata a vaca com o pretexto de livrá-la dos carrapatos.  
O enfraquecimento do sindicalismo ocorre, contraditoriamente, num contexto muito desfavorável ao trabalhador. A reforma trabalhista tira direitos fundamentais  de quem está no mercado formal,  ao mesmo tempo em que mata a perspectiva de dias melhores para quem sobrevive na informalidade.
Doravante, nem todos os empregadores respeitarão jornadas de trabalho compatíveis com o limite físico de seus empregados, conforme o estabelecido pela CLT, que acaba de ser  assassinada a sangue frio pelo Congresso Nacional. Se o Estado lava suas mãos na questão da saúde mental e física do trabalhador sobrecarregado com o trabalho em jornadas estafantes, quem vai defende-lo senão o sindicato obreiro? E aí fica a pergunta: que sindicato teremos após a entrada em vigor da Reforma Trabalhista em novembro próximo?



7 de agosto de 2017

Coberturas jornalísticas com evidente distorção dos fatos


Do jornalista, sociólogo, escritor e apresentador de televisão, Lalo Leal , no site Carta Maior:
“A convocação da Constituinte na Venezuela foi, para a mídia brasileira, uma afronta. Não admitem uma organização política e social cuja formulação tenha origem em representações abrangentes da sociedade. Aqui no Brasil, como em vários outros países, a mídia praticamente escondeu aquilo que era o mais importante e a grande inovação de todo o processo: a forma de composição da nova Assembleia.
Foram eleitos 545 constituintes, dos quais 364 representam os municípios venezuelanos (um por município, dois por capital de estado e sete por Caracas, a capital do pais) e outros 181 dividem-se em 79 trabalhadores da ativa, 28 aposentados, oito camponeses/pescadores, oito indígenas, cinco pessoas com deficiência, cinco empresários, 24 estudantes e 24 representantes de conselhos comunais. Algo muito distante das bancadas brasileiras do boi, da bíblia, da bala e assemelhadas que ocupam o Congresso Nacional e deturpam a representação popular”.
Na verdade a cobertura jornalística na Venezuela tem se resumido às cenas de violência e a depoimentos escolhidos a dedo, extraídos de opositores do atual governo.
Em alguns jornais ficou clara a decisão do repórter de só circular por bairros ricos de Caracas onde a oposição ao governo e o repúdio à Constituinte era forte. Não se deu ao trabalho de ouvir pelo menos um, dos mais 8 milhões de venezuelanos que foram às urnas”.
Antes que confundam alhos com bugalhos, alerto aos apressados reacionários de plantão, que reproduzo esse texto de Lalo apenas para ressaltar minha repulsa ao jornalismo seletivo, passional e ideologicamente comprometido com o establishment .
É o mesmo jornalismo que vem guiando a cobertura das reformas trabalhista e previdenciária, onde não há o princípio do contraditório. Quem assiste ao Jornal Nacional, por exemplo, fica com a certeza de que a reforma trabalhista não retira direitos, que é moderna e vai permitir a retomada do pleno emprego.
Da mesma forma que passa a acreditar que há sim um déficit gigantesco na Previdência e que se não for implementada a “aposentadoria pé na cova”, o INSS não terá em futuro próximo como pagar aposentados e pensionistas.
Omitem, de maneira desavergonhada, que a receita da Previdência está sendo dissociada da seguridade social , que especialistas da área já provaram por A mais B ser superavitária. E sequer mencionam a rapinagem que o governo faz sobre o orçamento da Saúde , Previdência e Assistência Social via DRU, um mecanismo maroto que vem sendo usado ao longo dos últimos anos por vários governos, inclusive os do PT.
Antes, o governo podia tirar até 20% do orçamento geral da seguridade para tapar buracos do tesouro, mas agora esse teto foi elevado para 30%. Duvido que alguém vai ver a Miriam Leitão, por exemplo, fazer algum questionamento sobre essa rapinagem. Muito menos vai dizer que a reforma trabalhista deverá estimular o subemprego , afetando também a arrecadação do INSS e contribuindo de maneira decisiva para o agravamento da crise econômica do país.
Elementar, meu caro Watson, se o trabalhador tem seus salários aviltados, naturalmente vai consumir menos, o comércio vai vender menos e a indústria vai produzir menos . A queda do PIB é inevitável, como nesse cenário de terra arrasada potencializado pelo desequilíbrio das relações trabalhistas será inevitável o agravamento dos problemas sociais.

Tudo isso acontecendo e a mídia tradicional induzindo a população a continuar na praça dando milho aos pombos.

CONVULSÃO SOCIAL À VISTA: QUE A ESPERANÇA VENÇA O RISCO



A propósito do Brasil de hoje, onde o parlamento vota contra o povo, tirando direitos e aumentando o desequilíbrio da relação capital x trabalho, nada mais oportuno de que ver, ouvir ou ler as ponderações do teólogo e filósofo, frei Leonardo Bonff sobre os riscos de convulsão social no país e a esperança que o brasileiro precisa lutar para não perder:

“Quem perde a esperança está a um passo do suicídio, da morte voluntária. É o que não podemos e queremos. O povo brasileiro cultivou sempre em sua história a esperança, pois aguentou séculos de colonização espoliadora de nossas riquezas, três séculos de vergonhosa escravidão e duas ditaduras, a de Vargas e a de 1964. O momento atual é de participação e de ação, sempre com esperança. Entretanto, temo que estamos indo ao encontro de alguma convulsão social porque a desfaçatez e a sem-vergonhice do atual governo de tentar desmontar todos os benefícios que os dois governos do PT realizaram para milhões de cidadãos, não poderá perdurar. Haverá um momento de dizer: “Agora basta. Que se vayan todos”, como disse o povo argentino e pôs a correr um governo corrupto.
O Brasil cresceu aos nossos próprios olhos, enchendo-nos de orgulho e também aos olhos do mundo de tal forma que ganhou o respeito e a admiração. Não vamos tolerar que isso se desfaça por aqueles que Darcy Ribeiro dizia: “temos as oligarquias mais reacionárias e com falta de solidariedade do mundo inteiro”. O insuspeito ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus Diários da Presidência (1999-2000) [vol. 3, Companhia das Letras, 2017] chegou a confessar: “temos uma sociedade colonial, subdesenvolvida, arrivista, com muita mobilidade e, ao mesmo tempo, muita ganância”. São os atuais senhores da nova Casa Grande que querem que a maioria do povo volte à senzala. Isso não vamos permitir. Lutaremos com dignidade e valor”.

1 de agosto de 2017

Dois motivos para desarranjo intestinal no Palácio Iguaçu

O colunista político da Gazeta do Povo (online) Celso Nascimento deu duas notas esta semana  (reproduzida pelo blog do Cícero Catani) que devem ter deixado o governador Beto Richa com a pulga atrás da orelha. A primeira delas tem a ver com a Operação Quadro Negro, que aponta desvios de dinheiro grosso da construção e ampliação de escolas estaduais para o caixa 2 de algumas campanhas, inclusive a do próprio governador. Diz Celso que os valores desviados são bem maiores do que os já divulgados pela imprensa paranaense, entretanto o que  mais  apavora ocupantes de peso do Palácio Iguaçu e da Assembleia Legislativa é a riqueza de detalhes e a consistência das provas contra os envolvidos. Há casos de obras jamais realizadas que teriam sido pagas para a construtora Valor e parte do dinheiro repassada “a políticos do andar de cima”.
Na questão político-partidária propriamente dita, a nota que andou tirando o sono de Beto e seu grupo, foi a do surgimento, com musculatura eleitoral, do  deputado federal Rubens Bueno para o Senado. Rubens costura uma chapa majoritária do PPS com o jovem prefeito de Guarapuava Cesar Silvestre para governador. Sondagem da Paraná Pesquisas mostra Rubens Bueno com 20% das intenções de voto, tecnicamente empatado com o governador, que tem 22%. Mostra também que o perfil de Silvestre compete diretamente com Ratinho Júnior. Os dois disputando a sucessão estadual na mesma faixa, facilitam a vida de Osmar Dias, e mais ainda, a de Requião, cuja volta ao Palácio do Iguaçu significaria pesadelo para Beto Richa.


31 de julho de 2017

Osmar no Podemos, ou melhor, no Phodemos...

O ex-senador Osmar Dias, virtual candidato ao governo do Paraná, há tempo anda desconfortável no PDT. Principalmente porque não engole o discurso crítico de Ciro Gomes, o presidenciável do parido. Ele só não sabia como trocar o PDT do velho Brizola pelo Podemos, do irmão Álvaro. Agora encontrou o pretexto: o apoio que ele diz estar o PDT dando à Constituinte de Nicolás Maduro na Venezuela.

A elite deita e rola com o aval da classe média

               SOCIÓLOGO DIZ QUE A ELITE  FAZ A CLASSE MÉDIA DE IMBECIL



Para quem quiser compreender o Brasil atual e o ambiente de ódio construído pela elite brasileira, com apoio da mídia e da classe média imbecilizada, vem aí o terceiro livro do ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Jessé Souza. “A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato” sai agora em agosto, completando uma trilogia – “A Tolice da Inteligência Brasileira” , de 2015 e “A Ralé Brasileira”, de 2009 Em entrevista ao repórter Sérgio Lirio, da revista Carta Capital, o ex-presidente do IPEA não usa meias palavras no diagnóstico:
“Somos, nós brasileiros, filhos de um ambiente escravocrata, que cria um tipo de família específico, uma Justiça específica, uma economia específica. Aqui valia tomar a terra dos outros à força, para acumular capital, como acontece até hoje, e humilhar e condenar os mais frágeis ao abandono e à humilhação cotidiana. Essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo”.
Há , segundo o sociólogo um inegável sentimento de irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que ganharam aspecto de estações rodoviárias nos últimos 14 anos. ”A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as universidades”.
À luz da Ciência Social, Jessé Souza nos leva a compreender porque “ o moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais”.
É preciso explicitar o papel da elite, que prospera no saque e na rapina. Jessé fará isso no seu novo livro, segundo ele mesmo adianta à Carta Capital. “A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade”.

24 de julho de 2017

A mentira que o governo insiste em transformar em verdade



É difícil a gente não sentir náusea diante de mentiras oficiais absurdas como as que foram ditas hoje de manhã na CBN pelo ministro do Planejamento, Diogo Oliveira. Logo cedinho, enquanto eu fazia café, ouvi o ministro falar que o Brasil não pode continuar gastando com o passado, “precisa investir no futuro”. O passado a que ele se referia é o pagamento de aposentadorias. Quanto ao futuro, não dá pra ter a menor ideia de que futuro ele estava falando, se o governo Temer não tem feito outra coisa a não ser liquidar as perspectivas de futuro que a juventude brasileira ainda tem.
Acreditem, mas o ministro enfatizou que o governo gasta R$ 700 bilhões por ano com a Previdência. Não é preciso ser economista para saber que o gasto referido é na seguridade social e a seguridade social arrecada mais do que isso. É irritante o esforço que a equipe econômica faz para desvincular a previdência do tripé que ela forma com a saúde e a assistência social. Ao fazer isso, cria um déficit que não existe e embaça a visão que a sociedade precisa ter e não tem, das chicanas contábeis pilotadas pelo senhor Henrique Meireles.
Tomando por base o estudo da especialista Denise Gentil , que virou tese de mestrado em 2015 “a soma dos gastos federais com saúde, assistência e previdência totalizou, em 2014, R$ 632 bilhões. Como o orçamento da seguridade foi de R$ 686 bi, no final de todas as receitas e todas as despesas, ainda sobram R$ 54 bilhões. E como esse saldo se transforma em déficit? Com uma operação simples: antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia desse orçamento 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, o que, em 2014, significou um ralo de R$ 60 bilhões”.
Esse desvio se dá via DRU (Desvinculação de Receitas da União) , que no governo temer passou a ser de 30% . Normalmente, o montante, que hoje deve estar beirando os R$ 100 bilhões , vai para cobrir rombos do tesouro, inclusive com o pagamento de juros da dívida pública.
O advogado , procurador da Fazenda Nacional , mestre em Direito e professor da Universidade Católica de Brasília Aldemário Araujo Castro, lembra a propósito que a Constituição de 1988 “desenhou um avançado sistema de seguridade social, incluídas as proteções previdenciárias e assistenciais, cuidou de estabelecer importantes mecanismos de financiamento das políticas públicas nessas e outras áreas e por tanto, não tolera o retrocesso social que está ocorrendo”.
É muito claro para quem consegue enxergar um palmo adiante do nariz que o governo do “Dr. Mesóclise” , o ridículo, transformou-se rapidamente
“ em mero instrumento dos interesses mais mesquinhos do empresariado do agronegócio, da indústria, do comércio e da área financeira, adotando rumo diametralmente oposto ao indicado pela Constituinte de 1988”.
O jurista Aldemário dá exemplos concretos da busca frenética pela eliminação e restrição de direitos sociais presente nas ações do governo Temer:
“A) proposta (aprovada) de fixação de um teto draconiano de gastos primários (e ausência de limites para as despesas financeiras);
B) nova legislação sobre terceirização (e precarização) da força de trabalho;
C) reforma trabalhista (já aprovada) que, entre outras maldades, determina a prevalência do negociado sobre o legislado (“para pior”)
D) reforma previdenciária, que contempla um festival de redução de direitos.
Ora, ora, se o Constituinte construiu toda essa rede de proteção, baseada na solidariedade social e no bem-estar de todos, como pode a sociedade tolerar tanta agressão ao texto constitucional?
Como perguntar não ofende: qual é o papel, afinal , do STF, não é garantir que a Constituição do Brasil seja respeitada?

20 de julho de 2017

Por onde andarão os patos do Skaf?



                                     . Por Ricardo Kotscho (Balaio do Kotscho)
Por onde andarão os patos amarelos da Fiesp que enfeitavam as avenidas paulistanas e a Esplanada dos Ministérios em Brasília durante os protestos do ano passado contra a corrupção e o aumento de impostos?
Em lugar deles, agora podem ser encontrados moradores de rua molhados por jatos d´água pelo serviço de limpeza urbana da Prefeitura de São Paulo no dia mais frio do inverno, segundo noticiou a rádio CBN.
Com o anunciado aumento do imposto nos combustíveis a partir desta quinta-feira, será que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, agora vai soltar os patos enfurnados em algum porão?
Até o fechamento desta edição, Skaf ainda não tinha se manifestado sobre o aumento da taxação de PIS e Cofins na gasolina e no diesel, que vai provocar um efeito cascata nos preços de toda a cadeia produtiva.
Pelo zap-zap no celular, o prefeito João Doria atribuiu a molhação de roupas e cobertores dos mendigos a um "descuido" dos funcionários e recomendou "mais cuidado nos serviços de limpeza".
Até por uma questão humanitária, nestes dias gelados na cidade, talvez seja o caso de fazer uma nova parceria público-privada, tão ao gosto do prefeito, para ceder o albergue dos patos da Fiesp aos sem-teto, já que os da Prefeitura não tinham mais lugar.
Às quatro e meia da tarde, segundo a Folha, 15 pessoas aguardavam na fila do lado de fora para tentar entrar no centro de atendimento instalado próximo à praça Princesa Isabel, no centro.
No mesmo dia, a Prefeitura anunciou a inauguração de uma nova unidade de acolhimento com 460 vagas.
Como acontece diariamente nos Estados Unidos de Donald Trump, há duas versões opostas para o mesmo fato:
* Prefeito João Doria: "Por uma circunstância, molharam alguns cobertores das pessoas em situação de rua. Jamais profissional, seja da Prefeitura ou terceirizado, jogou jatos d´água nas pessoas. Essa é uma mentira".
* Daniela Batista de Oliveira, 28 anos, moradora de rua: "É uma humilhação isso aí, e no maior frio. A gente estava dormindo e chegaram jogando água. Eles molham todo mundo, não estão nem aí. Depois quem morre é a gente, e não eles, que têm as casas e os empregos deles".
* José Carlos dos Reis, 59, morador de rua da praça da Sé: "Os termômetros estavam marcando menos de 10 graus. Vieram tirar barraca, jogaram água cedinho, começaram a brigar para não levar os pertences. O prefeito tinha que dar uma assistência melhor".
Na noite anterior, um morador de rua, até agora não identificado, foi encontrado morto de frio em Pinheiros, na zona oeste, sem marcas de violência.
Segundo a Prefeitura, as empresas de limpeza foram notificadas "para que apurem se houve intercorrência" e foi feita a distribuição de mais de mil cobertores em várias regiões da cidade.
Ao levar cobertores pessoalmente, à noite, para a região da Estação Marechal Deodoro do metrô, o prefeito Doria foi hostilizado por um grupo de moradores de rua que o chamaram de "assassino", relatam os repórteres Guilherme Seto e Giba Bergamim Jr., da Folha.
Em Brasília, para evitar que o deficit fiscal ultrapasse o rombo de R$ 139 bilhões previsto no orçamento deste ano, o governo estuda também o aumento da Cide, outro imposto sobre combustíveis.
Enquanto isso, com o Congresso em férias, o PMDB de Michel Temer e o DEM de Rodrigo Maia disputam o espólio do PSB, o antigo Partido Socialista Brasileiro.
E vida que segue.





Pelas diretas já




Os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e João Capiberibe (PSB-AP) vão comandar amanhã ( nesta sexta-feira, 21)  em João Pessoa, na Paraíba,  comício pelas diretas já.

12 de julho de 2017

Senado aprova a volta da escravidão


                                  .  Da Rede Brasil Atual


 Conforme queria o governo, o texto da reforma trabalhista foi aprovado no Senado  sem mudanças. A oposição ainda tentava aprovar algum destaque, para que o projeto voltasse à Câmara. Sem mudanças, o PLC 38 vai à sanção de Michel Temer. O governo diz que fará alterações via medida provisória. "Esta reforma é para diminuir a rede de proteção social e precarizar as condições de trabalho", disse Humberto Costa (PT-PE). "Este projeto não vai criar empregos, e sim subempregos", afirmou Telmário Mota (PTB-RR).
"Uma parte de mim morre hoje", disse Paulo Paim (PT-RS), que desde o início da discussão tentou um acordo para incluir alterações no texto. "Vesti a minha melhor roupa (hoje), como se fosse o dia da minha morte."
"Este é um dia muito triste para o Senado Federal", reagiu Renan Calheiros (PMDB-AL). "O Senado se submete, por várias razões, a fazer o desmonte do Estado social. Da noite para o dia", acrescentou o ex-líder do partido, para quem o projeto prejudica sobretudo os mais pobres. Do ponto de vista da representação política, este talvez seja o "pior momento" do Senado, disse Renan. "O que os senhores estão fazendo com o Brasil?", afirmou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). "O trabalho intermitente é uma nova forma de escravidão."
"O que aconteceu aqui envergonha a nação", afirmou Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, pouco depois de a sessão ser retomada. "A classe dominante deste país não tem projeto para o Brasil. Quando há crise na economia, vocês disputam verba do orçamento. Os senhores deviam se envergonhar do que estão fazendo. A cabeça dos senhores é escravocrata", acrescentou, dirigindo-se aos governistas.
"Nós tínhamos acabado com a fome neste país, os senhores fizeram voltar. Os senhores rasgaram a Constituição, tiraram a Dilma, fizeram uma emenda constitucional para retirar dinheiro das políticas sociais e agora estão tirando direitos", disse ainda a senadora, uma das parlamentares que permaneceram na mesa diretora desde a manhã desta terça-feira (11). "O que ganha uma pessoa com o Bolsa Família vocês gastam em um almoço."

"Esta reforma trabalhista não tem uma vírgula a favor do trabalhador", afirmou João Capiberipe (PSB-AP). "É uma reforma unilateral e é burra, porque é recessiva. A renda do trabalhador vai despencar. E nós aqui estamos surdos, não enxergamos o óbvio", afirmando que a queda da renda levará à diminuição do consumo e da arrecadação da própria Previdência. "Este Congresso brincou com a democracia. Não se sai da crise agradando só a um lado."
Durante o dia, a oposição reafirmou a posição "insustentável" do presidente da República, denunciado pelo Ministério Público Federal. "O Michel Temer a um passo da guilhotina e o Senado insiste em manter a votação da reforma trabalhista", escreveu Paulo Paim (PT-RS) em rede social
Apoio
O tema ocupou os debates na internet. "Quero manifestar o meu apoio às senadoras de oposição que ocuparam a mesa do Senado hoje para impedir a votação da reforma trabalhista", declarou, por exemplo, o vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O senador Magno Alves (PR-ES) chamou de "pantomima" a manifestação das senadoras, enquanto José Medeiros (PSD-MT) entrou com representação no Conselho de Ética da Casa contra as parlamentares.
A oposição também questionou o fato de o Senado não fazer nenhuma mudança no texto vindo da Câmara. "É claro que não é bom (o episódio de hoje), mas, por outro lado, como é que pode se fazer uma reforma trabalhista sem que o Senado possa alterar um inciso, um artigo de uma lei tão importante?", disse Jorge Viana (PT-AC).

"Os próprios parlamentares do governo reconhecem que há distorções. Nós, aqui, vamos abrir mão do nosso papel de Casa revisora do Legislativo? Em, nome de quê?", questionou Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para quem o único motivo é dar "alguma sobrevida" ao governo Temer. O ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL) disse que o projeto apenas causará mais intranquilidade social. Eduardo Braga (PMDB-AM) também criticou o fato de o Senado não fazer alterações ao texto, mesmo considerando a necessidade de uma reforma na legislação.
Uma possível medida provisória para "corrigir" itens do projeto, conforme acena a base governista, também é posta em dúvida pela oposição. "Quem confia em Michel Temer?", disse Jorge Viana. Segundo ele, se o problema é de tempo, seria mais rápido aprovar alterações no projeto, que voltaria para a Câmara e seria sancionado pelo presidente. Uma MP, segundo ele, ficará meses tramitando.

"Esse projeto não retira direitos do trabalhador", reafirmou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-AL). Segundo ele, alguns "ajustes" serão feitos, como nos itens sobre trabalho intermitente, trabalho em gestantes e lactantes em locais insalubres e representação nos locais de trabalho. 

11 de julho de 2017

Senado pode manchar sua história com a aprovação da reforma trabalhista


A luta dos trabalhadores brasileiros por  melhores condições  de trabalho e remuneração digna  vem de longe. Já na primeira metade do século XX, os principais centros urbanos registravam mobilizações, com protestos nas ruas e greves. A primeira grande paralisação geral ocorreu em 1917 ,  quando 70% dos trabalhadores das principais capitais do país cruzaram os braços por melhores salários, férias remuneradas e jornada de 8 horas. Já na década de 30, com Getúlio Vargas no poder, as mobilizações não cessaram. Como foi a dos comerciários no Rio em 1932 , que levou o então presidente  a sancionar a Lei 4042, reduzindo de 12 para 8 horas a jornada diária do trabalho no comércio e na indústria.
Como se vê , os avanços que a classe trabalhadora obteve nos últimos 80 e poucos anos foram frutos de muita luta. E tudo isso está indo por água abaixo nesse momento de crise econômica, política e moral que o país vive. A elite nacional, guiada pela lógica perversa do mercado, se aproveita da turbulência política para forçar a aprovação das perversas reformas trabalhista e previdenciária. Isso depois de terem enfiado goela abaixo da sociedade aquela pilantragem da terceirização, inclusive de atividades fim.
Dobre a reforma trabalhista a ser votada hoje no plenário do Senado, a oposição fará tudo para rejeitar, mas infelizmente é minoria. O senador paranaense Roberto Requião, que votará pela rejeição do PL, elenca 10 motivos pelos quais a reforma trabalhista deve ser rejeitada:
1.Precedência do negociado sobre o legislado: o trabalhador, como parte fraca, vai se defrontar com o patrão, a parte forte, sem qualquer proteção legal;
  1. A destruição da Justiça do Trabalho como instrumento para equilibrar os poderes do trabalhador e do padrão nas relações trabalhistas;
  1. A instituição do trabalho intermitente que, na prática, para milhões de trabalhadores, vai liquidar com a obrigatoriedade do pagamento ao trabalhador do salário mínimo;
  1. A impossibilidade prática de os novos trabalhadores se aposentarem, sobretudo quando se considera a possível generalização do trabalho intermitente;
  1. O enfraquecimento planejado dos sindicatos em termos financeiros com a retirada abrupta do imposto sindical;
  1. O enfraquecimento funcional dos sindicados na medida em que não mais se requererá sua presença obrigatória para homologação de rescisões de contratos do trabalho;
  1. A generalização da terceirização inclusive em setores empresariais de atividades fins, com inevitável precarização do mercado de trabalho em larga escala;
  1. A pejotização generalizada da força de trabalho. Cada trabalhador vai se transformar em uma “empresa”, sem direito às férias, 13º, descanso remunerado, recolhimento do FGTS, desconto para a Previdência. As empregadas domésticas, por exemplo, recentemente reconhecidas como trabalhadoras, serão compelidas à “pejotização”, retornando à condição anterior de trabalhadoras precárias;
  1. A jornada de trabalho poderá ser estendida ilimitadamente, pois dependerá da negociação direta entre trabalhadores e empregadores. Em uma circunstância como a de hoje, com quase 14 milhões de desempregados, é de se prever que o trabalhador aceitará jornadas de trabalho estendidas;
  1. O projeto admite que mulheres grávidas ou lactentes trabalhem em locais insalubres, dependendo de avaliação sobre tais condições de médicos da empresa.
Segundo Requião “o dado mais extravagante levantado pelos proponentes da reforma é que ela resultará em criação de empregos. Isso é absolutamente falso. Ao contrário, a reforma é destruidora de empregos formais pois os empregadores não perderão tempo em trocar empregados celetistas por trabalhadores autônomos não registrados na CLT. Em situação de depressão como o Brasil, a retomada do desenvolvimento jamais será feita com precarização do mercado de trabalho. Ao contrário, sempre dependerá do aumento do consumo, que só ocorrerá com o aumento do emprego e dos salários”.



7 de julho de 2017

A Venezuela na ótica isenta da ciência política



A maioria dos brasileiros,  analisando os conflitos na Venezuela a partir do que vê nos telejornais da noite , sataniza  Maduro e coloca chifres de cramulhão na cabeça  da alma penada de Hugo Chaves. Pra todos efeitos, é o presidente venezuelano que atiça suas forças policiais sobre a população, agravando o estado de miserabilidade do povo e arruinando as instituições.

É isso que está posto, é isso que oxigena o discurso único que, no fundo, no fundo, tem o objetivo também de desmoralizar a esquerda, aqui, lá e acolá. Mas é preciso compreender os fatos a partir de análises menos passionais e pouco além do senso comum.

Neste sentido, chamo a atenção dos amigos leitores para um artigo do professor Igor Fauser, doutor em ciência política pela USP e professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC . Diz ele, logo de saída:
 “O conflito na Venezuela ingressou num período decisivo, com todo um conjunto de sinais de que a oposição direitista optou por uma tática de “tudo ou nada” na tentativa de inviabilizar a eleição da Assembleia Constituinte, marcada para o dia 30 de julho. O objetivo da ofensiva política em curso é derrubar, por qualquer meio, o governo legítimo do presidente Nicolás Maduro”.
As agências internacionais de notícias, que cobriram a invasão da Assembleia Nacional esta semana, mostram apenas um lado, em que os atacados são as vítimas e os que atacaram, bandidos, chegando ao nível do terrorismo.
O professor aponta que a mídia ignorou totalmente a ação mais chocante dessa semana na Venezuela. Foi, segundo ele, a destruição de um depósito da rede estatal de abastecimento Mercal, com queima de 50 toneladas de alimentos que seriam distribuídos em comunidades pobres do estado de Anzoátegui.
 “A suprema ironia foi uma pichação pintada numa parede pelos fascistas: “No más hambre” ("Chega de fome"). Ou seja: a oposição, na busca desesperada de promover o caos, já não disfarça sua estratégia de guerra econômica. Age abertamente para agravar os problemas da escassez e da alta dos preços, com a clara intenção de culpar o governo pela crise e fragilizá-lo politicamente”.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-revolucao-venezuelana-na-sua-hora-decisiva/6/38356)



5 de julho de 2017

Ministro Ricardo Barros libera dinheiro do SUS para "Hospital das Fraudes"



O ministro da saúde autorizou sexta-feira passada o início do processo de credenciamento pelo SUS do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira, de Montes Claros (MG). Até aí, nada demais. O problema é que este hospital é o mesmo denunciado por fraudar documentos que facilitassem o seu credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde. Queria ingressar no SUS mas sem se submeter a nenhum processo de licitação.
Lembram daquela deputada federal que ao votar pelo impeachment da presidente Dilma Roussef gritou ao microfone: “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão. Sim, sim, sim, sim!”.
No dia seguinte à aprovação do impeachment na Câmara, o prefeito Ruy Muniz foi preso pela Polícia Federal, na Operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde.
O prefeito é ninguém menos do que o marido da deputada Raquel Muniz. O ministro Barros foi pessoalmente a Montes Claros para anunciar a boa nova à deputada e ao marido prefeito, donos do hospital, que sob a gestão do prefeito “probo” recebeu em 2015 nada menos que 26 mil consultas especializadas e 11 mil exames, tirados de concorrentes da rede pública, e portanto, credenciados ao SUS.
Segundo o jornalista Luiz Carlos Gusmão, do blog Em Cima da Notícia, “além de favorecer seu hospital, Ruy Muniz denegria a imagem de hospitais públicos e filantrópicos da região. Apesar de todas as denúncias que pesam contra o hospital da deputada e do prefeito, o Ministério da Saúde autorizou R$ 3 milhões para o credenciamento do mesmo. apelidado de “hospital das fraudes”.
Só pra lembrar: a deputada Raquel Muniz vai estar no plenário quando a Câmara Federal for decidir se acolhe ou não a denúncia do Procurador Geral da República contra o presidente Michel Temer, o chefe de Ricardo Barros.