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Leitura atualizada dos protestos

“A periferia não está presente nas manifestações”. Essa frase do presidente do Ipea Marcelo Neri dá o que pensar. Não resta dúvida que na medida em que os dias vão passando e as ruas se esvaziando, necessário se faz que os cientistas sociais procurem definir com mais clareza o verdadeiro perfil desse agitado mês de junho. Ninguém em sã consciência pode negar à classe média o direito de brigar por um Brasil melhor e menos injusto. Mas não ignoremos a lenha que a Casa- Grande colocou nesta fogueira.
Um amigo advogado me chama a atenção para o fato de não ter observado nas manifestações, a presença de pobres e muito menos de negros. “Tem muita gente bem nascida nesse meio que gritam a todo pulmão que o gigante acordou”, observa, indagando sobre: “ que bandeiras foram agitadas nas ruas?”.
Não nos esqueçamos dos quebra-quebra, dos roubos de joalheria, da violência que acabou dando a muitos policiais o pretexto que eles queriam para ripar o pau na massa enfurecida.
A bandeira é a da corrupção, tendo o governo do PT como alvo? Se este for o argumento principal, vale a lembrança do jornalista Leandro Fortes em seu blog da Carta Capital: ” Um levantamento feito no ano passado pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) revelou o ranking da corrupção no Brasil e o partido que ficou em primeiro lugar foi o DEM. Em seguida vieram o PMDB (segundo lugar) e PSDB (terceiro lugar). O PT ocupa a nona posição”.
Na esteira dessa onda de protestos, vem o governo e propõe a transformação da corrupção em crime hediondo. O fundamental não é tornar bárbaro um ladrão do dinheiro público, mas fazer com que as leis já existentes sejam acionadas para que o crime do colarinho branco não continue navegando nas águas da impunidade. Como admitir que esteja livre, leve e solto alguém como o banqueiro Daniel Dantas, cujos podres poderes foram capazes sepultar a Operação Satiagraha?

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